Precisei escrever

Precisava escrever e buscar no contorno das letras os fragmentos de mim.
Há dias em que tudo é tão nublado, tão tempestuoso, tão quieto e calmo que a agonia de viver me consome. Mas não da forma tradicional, como acontece com os jovens da minha idade quando estão entediados - não - o que acontece comigo é que fico sem reação. Nada a fazer a não ser ficar sozinha com seus pensamentos. São tudo o que tenho. Eu e a minha maneira de encarar a vida. De lidar com as coisas; de ser antipática e de estar absurdamente certa na maior parte das coisas.

As pessoas pensam que eu gosto de estar certa e de quase sempre ter razão. Mas elas não fazem ideia do quão difícil é ter 17 anos e não se encaixar em nenhum grupo considerado normal na sociedade contemporânea. Ser a ajuizada da turma tem suas implicâncias. Se bem que nem turma tenho mais, dado ao meu total desprendimento social. Às vezes penso que a única coisa que me mantém conectada ao mundo é meu corpo - a matéria - porque, enquanto as pessoas falam comigo e passam por mim, eu continuo ali, inerte; vendo e ouvindo as coisas, sem reação alguma. Ao menos aparentemente não. Porque a minha mente trabalha incessantemente afim de achar algo que nem eu sei o que é. Algo inovador, algo diferente, surpreendente, que me tire dessa inércia e que transforme tudo ao meu redor.

Eu precisava escrever sobre isso, e nem sabia como. As horas correm no relógio e eu estou aqui, tentando colocar em palavras o que ainda nem compreendo com a mente. Há algo grande, sublime, fantástico na arte da escrita: ela libera coisas que você nem imagina conter dentro de si. É fascinante poder expressar um milhão de coisas, de sentimentos, de saudades, de pensamentos, de ideias em apenas uma página abandonada de um blog não muito lido.

E como fica tudo então? E a vida, os amores, as festas e os amigos? Tudo é ilusão. A verdade é que o que eu preciso está dentro de mim, está na alma, na mente. Esse desejo de liberdade é como uma tatuagem na pele, que nunca vai sair. Nasceu comigo, cresceu junto com minhas curvas, se expandiu em minha pele, e o que era apenas uma pequena mancha, hoje ocupa quase que o corpo inteiro. Agora é esperar: esperar que algo de novo aconteça para que eu possa iniciar um novo capítulo do meu livro de histórias.
Será que você estará nele?

(Mia Sodré realmente precisava escrever)

8 comentários

  1. Me sinto assim todos os dias. Vejo todos se encaicarem: nerds, populares, musicos, artistas, religiosos. E bem eu não me encaixo em nada, porque eu tenho um pouco de tudo. Não me contento em apreciar só uma parte de mim.

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  2. Eu tbm sou desse grupo de pessoas isoladas socialmente. Ter cabeça nesse século 21 nem sempre é coisa boa!

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  3. Nossa que lindo
    Ameeei
    http://www.falandosobrealgo.blogspot.com/

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  4. Mia! Tu escreve super bem *-*, adorei seu texto, beijos e bom fim de semana! (:

    webcalcinha.blogspot.com

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  5. Antes de qualquer coisa meus parabéns pelo blog! Você escreve bem e pelos exemplos que já ví você está no caminho certo.
    Seus textos me lembram muito como me sentia na sua idade e como me sinto até hoje em alguns deles. Bom, no meu caso meus sintomas só pioraram com o tempo. Mas a liberdade, finalmente, me veio como um abrir de olhos...
    Enfim... Está de parabéns e na minha lista de leituras assíduas.

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  6. Nossa.
    Sem palavras. Seu texto me fez viajar em minhas próprias memórias.
    Sabe eu tenho uma cabeça também bem antiquada em relação aos tempos atuais, mas eu sempre me encaixo em um grupo. rsrss
    nem sei como isso acontece. Mas eu absorvo o que há de bom em cada pessoa.
    --
    Adorei teu texto e espero que você encontre a luz tanto procuras.
    Mas ás vezes, não espere tanto. Talvez você mesma possa fazer acontecer.
    Beijo grande flor.

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  7. Eu também me sinto assim. Ser nós mesmas tornou a coisa mais grave do mundo, tipo, eles acham que nos temos que ser normais ao ponto de vista deles. Mentir. Eu não faço isso e continuo com apenas uma amiga, em nenhum grupinho. Mais olha,relaxa, um dia essa liberdade vai se tornar real,é só esperar, mais um pouco.
    http://senhoritaliberdade.blogspot.com/

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  8. Jorge - Exatamente o que quis dizer. Tenho um pouco de tudo também. Acho que rótulos apenas vulgarizam uma pessoa. Liberdade é importante, inclusive a liberdade de ser.

    Bell - Ser isolada socialmente é algo que considero um privilégio - apesar de não ser algo fácil. É bom saber que se é diferente da massa.

    Camila - Obrigada, querida!

    Hallana - Imagina! Eu poderia estar escrevendo bem melhor se me concentrasse mais na escrita.

    Kabuki - Ah, fico tão feliz em saber disso! Cada nome novo que vejo aqui no blog me deixa extremamente feliz, você nem imagina o quanto. Bem, na verdade não estou preocupada quanto aos "sintomas", desde que tenha a minha liberdade estarei feliz. É bom saber que há mais pessoas como eu no mundo. *-*

    Gabriele - Tenho certeza de que eu mesma posso fazer acontecer, sim. Mas tudo tem o tempo certo, e Deus é quem sabe de todas as coisas. Ter uma cabeça mais antiquada é bom, de certa forma. Mas que bom que você não é mais uma rejeitada socialmente. hahaha

    Stella - É complicado ser uma pessoa real nos dias de hoje, mas não é impossível. É claro que para isso temos de nos abster de muitas coisas - como amizades, por exemplo - mas nada que seja tão grave assim. Para quem quer algo verdadeiro, vale à pena.

    Um grande beijo a todos! (:

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