Coisas que (não) são sexies

Eu sei o que eu sinto, o que eu acho que deveria sentir, o que eu penso que devo ou não sentir e o que acho que os outros pensam do que eu sinto. E isso pode ser muito confuso, mas na minha mente fica perfeitamente normal e compreensível. E enjoo muito rápido das coisas. Muito rápido. Penso demais. Me enlouqueço por pensar em coisas que provavelmente nunca vão acontecer e crio diálogos na minha mente antes de dormir, fazendo várias "edições" das cenas da minha vida. E então eu esqueço que os diálogos aconteceram apenas na minha mente e acabo acreditando nas minhas próprias maluquices. O que deixa as pessoas ao meu redor confusas sobre o porquê eu estar de mal com elas ou porquê estou perguntando sobre algo que não aconteceu. O que indica que além de eu ser uma pessoa meio difícil de se lidar, ainda por cima sou muito pirada.

Mas há algo que eu nunca enjoei durante minha vida com sal e pimenta em excesso: desafios mentais. Mexer com a cabeça das pessoas é algo extremamente prazeroso para mim. Porém há algo ainda mais prazeroso e que me deixa em um estado de êxtase incrível: ser mentalmente desafiada.
Não sou uma dessas meninas sexies que ficam excitadas com caras seminus ou coisas do tipo. Quando eu vejo alguma imagem de uma pessoa seminua, penso em aulas de anatomia. Sério. Não sinto desejo por esse tipo de coisa, por linguagem corporal e tal. Meus desejos são mentais e muito mais profundos do que apenas uma conexão de pele. Por isso, muitas pessoas já me chamaram de frígida, de desinteressada ou de entediada. Não é que eu seja desinteressada nesse âmbito: eu apenas não sou estimulada pelas mesmas coisas que a maioria é. E há quem não entenda isso.

Às vezes (só às vezes, porque na maior parte do tempo, estou bem comigo mesma) eu queria ser mais como os outros. Ou ao menos, conseguir demonstrar o que sinto como os outros. Eu sinto muitas coisas e de uma forma tão intensa que eu simplesmente não consigo exteriorizá-las de maneira apropriada, através de palavras. Então eu exteriorizo através de gestos. O que significa que eu posso amar uma pessoa e mesmo assim dar uma bronca nela, e ser bem dura com ela. Isso porque eu me preocupo e essa é a minha maneira de demonstrar que eu me importo: cuidando da pessoa.
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Enfim, perdi o fio da meada de novo.
A questão é que eu dificilmente gosto realmente de alguém (apesar de acreditar que todos têm algo admirável dentro de si, mesmo as pessoas que eu detesto) e mesmo quando eu gosto é difícil eu me sentir atraída por aquela pessoa (isso num âmbito sensual, é claro), porque eu vivo no mundo da lua e coisas que instigariam o instinto sensual em outros simplesmente não costumam funcionar em mim. E eu acredito que eu devo ter algum problema porque não conheço mais ninguém que seja assim. Como é que você pode amar uma pessoa e namorar a pessoa, beijar a pessoa, enfim, e mesmo assim não se sentir atraída em um âmbito sensual por ela?
Será que alguém está entendendo o que estou dizendo? Duvido muito, pois nem eu mesma entendo.

Preciso de tratamento psicológico. Mesmo. Isso não pode ser normal. Ou talvez seja e estejamos tão condicionados a sermos de uma forma que não admitamos nem pra nós mesmos o que sentimos, nossos desejos e tal. E bem, eu gosto de encarar as coisas como são, por mais estranhas que sejam. A verdade é que eu estou meio preocupada porque todos falam comigo como se eu fosse agarrar o meu bem quando me deixarem sozinha com ele, rasgar suas roupas ou algo do tipo. Mas eu não sou assim. Não tenho esses impulsos. E todos me falam que eu deveria ter e me tratam como se os estivesse escondendo. E eu não estou. Não que eu não me sinta atraída dessa forma por ele. Eu me sinto, e muito. Mas não a ponto de fazer nada disso.

Não sou uma pessoa sensual ou sexy ou misteriosa ou nada que desperte esse tipo de interesse nas pessoas. Sou aquela menina esquisita que mal penteia o cabelo, tem as unhas descascadas, vive lendo e está sempre falando de coisas esquisitas e totalmente fora de contexto (como algumas teorias da Física Quântica, por exemplo). Não sou misteriosa, sou interessante. E transparente demais. Alheia. Fria por fora e transbordando por dentro. Contida até demais. Distraída e meio esquecida das coisas (tão esquecida que costumo esquecer de me alimentar frequentemente, ou de dormir).

Não é nada sexy (para mim, ok?) uma pessoa toda produzida. Nem gente seminua. Nem gente que faz umas caras de loucas e biquinhos e batom borrado e sei lá mais eu o que. Não acho sexy coisas muito perfeitinhas. Nem pessoas. Não gosto de jogos de sedução que não costumam funcionar de qualquer forma. Nem de coisas forçadas. Nem de situações feitas para que tudo saia como nos filmes. Nossa vida não é um filme.
O que eu acho sexy, então? Simplicidade. Um sorriso ensolarado, uma conversa que estimule a mente, uma chuva de fim de tarde, silêncio, olhares, pequenos gestos, um beijo carinhoso, um sorriso de canto de boca, cumplicidade, sinceridade, reflexão, harmonia, tranquilidade. Não se trata do que se faz para provocar desejos, mas do que não se faz. Do que se é. Do próprio desejo em si. O desejo de desejar, de ter, de ser desejado.
OMG, eu sou a Robin Scherbatsky. No caso, uma versão adolescente dela, mas enfim...

Enfim, eu não sei como encerrar esse post porque na verdade eu ainda não encerrei esse assunto. Claramente o que eu passei me fez ficar meio alheia a esse tipo de coisa e eu vou mudar isso, nem que eu tenha que me concentrar intensamente em mim mesma no próximo mês. Enfim, vou dormir. Ou tentar, de qualquer forma. Ou ter um dos meus diálogos imaginários com ele. Anyway, isso aqui ficou mais longo do que eu esperava. Eu volto. See ya.
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cute *-*

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