Clarissa

Ela gostava de si mesma. Talvez não como outras meninas - que costumam idolatrar a si próprias - o faziam, mas ela tinha um enorme orgulho de ser quem era. Orgulho esse cultivado após sobreviver a vários traumas que a deixaram incapacitada, desasada, com vontade de sumir.
Clarissa era assim: uma menina leve que poderia facilmente passar despercebida pela multidão (coisa que ela tentava ao se esconder em enormes moletons e cachecóis bregas); poderia sim, se não fosse por aqueles olhos que exprimiam sempre algo muito profundo, algo de saudoso, algo de melancolia, algo de dor. Aqueles olhos com que ela enxergava o mundo não eram os mesmos com que ela enxergava a si própria. Clarissa se via como uma menina desajeitada, fraca, um pouco esperta talvez, mas desatenta demais para coisas práticas. Se via como se veem os artistas de circo, como uma pequena equilibrista de nariz rosado e mãos pequenas.

Qualquer um que visse Clarissa percebia na hora que ela - apesar do sorriso meia-lua que costumava estar estampado em seu rosto, indicando um desejo de felicidade, um esforço de ajuste - não era uma menina comum. Ela se esforçava, é claro, para desaparecer. Desaparecer, apenas isso. Coisa que - infelizmente - não conseguia. Seus olhos revelavam sua dor, sua intensidade, e mesmo quando ela sorria havia algo nela que fazia com que seus grandes olhos - dotados de um verde amazônico - marejassem, se tornassem rasos d'água e se perdessem em pensamentos, coisa que a frustrava por demasia.

Suas mãos delicadas e finas logo tratavam de enxugar qualquer resquício de lágrima que pudesse haver, e fazia questão de dizer: "são apenas lágrimas da rinite, nada de mais, não se preocupem", mas a verdade é que havia muito com o que se preocupar, mas ela não suportaria ser tratada com piedade ou até mesmo ser um fardo de preocupações para outras pessoas. Assim, se escondendo sempre em algum cachecol brega e em um moletom desbotado, Clarissa continuava a caminhar. Sua dor ela escondia o máximo que pudesse, mas infelizmente seus olhos sempre deixariam algo de melancólico na atmosfera, mesmo que seu sorriso de meia-lua fosse o mais radiante do local.
Tumblr_l4k3bhvyvl1qzmzmho1_500_large

21 comentários

  1. Há tanto da Clarissa em mim, mas mesmo com todas as dores devemos nos orgulhar de sermos quem somos. Lindo Mia, não como descrever os sentimentos que foram transmitidos.

    http://iasmincruz.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Que texto lindo Mia. Amei a forma com que tu demostrou a força dela, que mesmo sofrendo, ela sorria.
    Beiijos*-*
    http://cartasp-voce.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Nossa que lindo, finalmente achei alguma blogueira da minha cidade, amei os textos daqui, beijos.

    http://garotasdeporcelana.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Todos temos um lado Clarissa, independente de como somos.

    ResponderExcluir
  5. Como disse a Iasmin, há tanto da Clarissa em mim.
    Muitas vezes sou assim, mesmo com meu sorriso meia-lua busco em muitos momentos a felicidade. Incrível o texto e a descrição da personagem Mia, esse texto me lembrou muito um que fiz chamado "Annebelle" acho que você lembra dele, pois até roubei um pouco de ti para compor minha personagem.
    Aqui o texto: www.oqueumcoracaosente.com/2011/12/annebelle.html

    Beijos da Juu. ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, eu lembro dele sim, Ju. Um de seus melhores textos, eu considero, até pelo fato de você ter pego um pouquinho de cada uma para compor a personagem, afinal isso representa que ninguém é uma coisa apenas, todos somos partículas de várias coisas, uns dos outros.
      Beijos! *-*

      Excluir
  6. Que texto lindo Mia. De verdade. Parabéns.
    Soubestes usar as palavras certas para nos transmitir os sentimentos de Clarissa. E acho que todos já nos sentimos um pouco como ela.

    ResponderExcluir
  7. Seria bom se várias pessoas tivessem um pouco da Clarissa no aspecto de que se deve orgulhar-se de si não por ser bonita, e ter isso e aquilo ms por ser do jeito que é.

    http://www.world-cutest.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  8. Achei o texto lindo, só pra variar. Eu ainda não tinha lido um texto seu que não fosse uma crítica, se eu não me engano. :3

    taiyounorakuen.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Como Iasmin e Juliana já disseram, tenho muito de Clarisse em mim também. Essa vontade de sumir, de se esconder e desaparecer diante da sociedade, isso é bem meu. Gostei muito do blog, da forma como você escreve, parabéns!
    Ah, estou seguindo seu blog, e deixarei o link do meu aqui caso se sinta tentada em conferir. Beijos, e mais uma vez, parabéns *--*
    http://daquioitentaanos.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. Eu assim como Clarisse também me escondo, não gosto de atenção demais. Me sinto acuada, não confio o suficiente me mim para me deixar mostrar aos outros - NA VIDA OFF- .

    Beijos,
    santaironia.blogspot.com

    ResponderExcluir
  11. Me identifiquei bastante com a Clarissa...fora que eu tenho uma paixão por esse nome *-*

    bjos

    www.jujubalubafacts.blogspot.com

    ResponderExcluir
  12. Parece que a gente fica marcado pro resto da vida.
    Ou, que já nasce marcado, sei lá.
    Se fosse Clarice, eu pensari que "a dor é menor do que parece, quando ela se corta ela se esquece". Legião urbana ;]
    ótimo texto ;]
    abraços o/

    ResponderExcluir
  13. Nossos olhos não conseguem esconder bem nossas dores, sentimentos. Infelizmente. Mas Clarissa é uma menina especial, e deveria não se esconder tanto mais, não tem por quê, acredito que se você tá vivo, é preciso que vive da melhor forma possível, sempre; se não a sobrevivência é insuportável.

    Beijos ><
    Meu outro lado

    ResponderExcluir
  14. Que lindooo *o*
    Disse tudo de maneira tão simples e comovente.

    ResponderExcluir
  15. Nossa seu blog é perfeito ameeei demais! Seu texto é ótimo.
    Gostaria de te convidar para fazer parte da equipe do meu blog se possível amaria ter você lá, caso se interesse na barra lateral do blog tem meu contato.
    Beijos!
    http://sweetdreamssah.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  16. Nunca conseguiria ser uma Clarissa. Não consigo em esconder... se choro, todos sabem o motivo, faço questão de colocar para fora, pedir ajuda. Algumas dores não precisam ficar guardadas...
    Um beijo, lindo texto!

    ResponderExcluir
  17. Acho que uma grande parte de Clarissa habita em mim. Eu me escondo muito, tem uma parte de mim totalmente alegre e viva, já tem outra prestes à explodir. Lindo texto, super bem feito. Beijos ♥

    Garota de All Star

    ResponderExcluir
  18. Olá Mia, adorei seu blog e já estou seguindo, a Clarissa é demais!
    beijoooos!

    http://psmylove4ever.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  19. Quanta coisa subjetiva neste texto. Ao meu ver Clarissa na verdade possui uma personalidade frágil e sensível, porém cria uma barreira para não demonstrar. Mas tudo isso é comum a adolescentes, se veem diferente de todos, mas na verdade são iguais a todos.

    ResponderExcluir