Melancodrama

Há dias em que me encontro cheia de amor. De um amor profundo, terno, quase infantil, meigo e sereno por todos os seres e todas as coisas. Há dias em que tudo o que vejo e percebo possui a aura rosada do amor. Aquele amor suave, como o que Cupido fazia nascer no peito dos jovens atenienses.

Porém, há dias em que tudo o que vejo está dominado pela melancolia, pela tristeza, pela devassidão, pela escuridão. Em dias como esse até um pássaro em minha janela vira motivo para que eu chore por pensar que nunca serei totalmente livre como um pássaro e que nunca voarei por mim mesma, visto que sou dotada de pensamento lógico e não de asas. E que as únicas asas que possuo são aquelas que adquiro através de minha muito fértil mente.

E há dias como hoje em que tudo está coberto por uma névoa que me parece algodão-doce: tudo é noturno, sereno, melancólico e bonito. Tudo é paralelo à minha imaginação. Tudo é vida. Tudo é morte. Tudo é equilíbrio.

(imagem daqui)

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