I love my bed

Eu não amo as pessoas. Amo as coisas, as situações.
Quer dizer, não que eu não as ame - há algumas pessoas que amo, com certeza - mas às vezes aquele sentimento de cansaço vem e aí ficam me questionando: será que isso é amor?
Quem disse que o amor não cansa? Cansa. Há momentos bons e ruins no amor. Quando se ama alguém não se ama esse alguém pelas coisas que incomodam, pelos amigos inconvenientes ou por opiniões que divergem. Não se ama defeitos escrachados ou dramas básicos do dia-a-dia. Não se ama aqueles suspiros de "eu estou bravo com você e não falarei nada, mas ficarei suspirando até que você se incomode e fale algo". E se for parar pra pensar, não sobra muita coisa pra se amar, já que o que mais existe são justamente os contras do tal do amor.

A questão portanto seria: como ele te faz sentir quando tudo está calmo? Quem você gostaria de ter ao seu lado quando acorda no meio da madrugada após um daqueles pesadelos terríveis e está frio e chovendo e você realmente não quer estar sozinha?
Amamos situações, momentos bons, ou até mesmo coisas - eu, por exemplo, amo de paixão a minha cama, que nunca me decepcionou durante todos esses anos. Dos defeitos não sentimos falta. Talvez por costume, por rotina estranhamos quando algum defeito não está mais ali. Mas isso passa.

O amor se resume a focar nos momentos bons, nas situações boas. Infelizmente essas situações são apenas 40% da vida de um casal. Os outros 60% são compostos de discussões inúteis, dramas, olhares de repreensão, silêncios mórbidos - permeados com suspiros que arranham a alma - entre tantas outras coisas que desagradam.
Aí o que temos de fazer é perguntar a nós mesmos: vale a pena aturar tudo o que me desagrada apenas para ter alguns momentos bons de certeza romântica?

Geralmente vale. Só se deve ter cuidado ao escolher com quem se vai vivenciar isso. Porque ferrados todos estamos, só que alguns são mais ferrados do que outros. 

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