Das vergonhas bobas

Às vezes me bate uma vontade danada de deletar mais da metade dos meus escritos e recomeçar, deixando apenas essa nova e melhor fase aparente. Porém aí penso: seria sacanagem eu fazer isso porque os escritos passados retratam outra parte de mim, talvez uma parte ora frágil, ora revoltada, ora sonhadora, ora melancólica, mas ainda assim sou eu.
Quer dizer, de onde vem esse sentimento que é um misto de vergonha com repulsa? Sim, neste blog estão relatados vários dias da minha vida, e não me orgulho de todos. Não me orgulho de muitos textos que escrevi para pessoas que me magoaram depois, pessoas que não mereciam. Porém, hey, essa é quem eu sou: sou intensa. Quando amo alguém, eu realmente amo pra valer. E falo sobre. Assim como quando odeio. Quer dizer, odiar não, porque na verdade eu não odeio ninguém, mas quando pego nojo de alguém, get out of my way. Eu não deveria me envergonhar por isso, mas às vezes o faço.

Já escrevi para três (ex) namorados, já escrevi para amigos, para família, para mim mesma e sobre mim mesma. Já escrevi sobre pessoas que nem conheço, sobre sentimentos que nunca pensei ter, sobre irracionalidades que às vezes me tiram o sono, sobre os amigos virtuais que conheci nesse tempo de blogueira, sobre minhas manias mais estranhas, meus medos mais sombrios, minhas carências noturnas, meus traumas, minhas alegrias, meu sarcasmo eficiente, meu deboche pela vida e minhas motivações.

Que tipo de pessoa eu serei se me envergonhar de mim mesma, do meu passado? Seria o tipo de pessoa que não pretendo ser. Até porque provavelmente um dia eu vá me achar uma boba pelo que escrevo hoje, não é mesmo?
Como cantou Angra: "Carry on, it's time to forget the remains from the past to carry on." ♪

Carry On by Angra on Grooveshark

15 comentários:

  1. Muitos dos meus textos antigos eu excluí. Antigamente - nossa, muito tempo atrás" - eu escrevia diferente, é óbvio. E eu percebo como mudei. Mas, resolvi excluí-los, pelo fato de eu inventar muita coisa boba sobre o que eu gostaria de estar pensando naqueles momentos, mas, que eram contraditórios a mim mesma. Por isso excluí.
    Hoje, escrevo mais pra mim, coisas que realmente acontecem, que sinto ou que penso.
    E parei de me importar com o que realmente importava...

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  2. Eu tenho vergonha de alguns textos que eu escrevi, mas os que já estão postados eu não tenho coragem de excluir. Sempre tenho vontade de excluir alguns, mas eu sei que o arrependimento vem depois. Já os que eu escrevo em algum caderno não tem a mesma sorte, hehe.
    Mas o certo é deixar guardado o que já foi escrito, afinal, cada texto representa uma fase da vida.
    Beijo!

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  3. Mesmo os dias sombios e as palavras duras, tudo isso faz parte de quem tu é. Não tem como esquecer, isso vai te ajudar a crescer sempre.
    Beiijos:)
    http://cartasp-voce.blogspot.com.br/
    Por favor, curtam o vídeo da minha turma para a Gincana Minha Escola é 10 da Unijuí.
    Muito obrigada!

    http://www.facebook.com/photo.php?v=357301637686560

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  4. Já excluí muitos textos meus, inclusive para pessoas que me magoaram mas nada adiantou, porque eles continuam com a gente. Cada palavra escrita, cada sentimento e sensação que permitiu o texto sair, tudo foi essencial para nos fazer como somos hoje, se temos novas formas de escrever elas foram melhoradas baseadas nas antigas. Então, não se dever envergonhar mas sim saber que tudo que foi escrito, faz parte da gente.

    Refúgio das Palavras

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  5. Parece até que estamos sintonizados. E não estou sendo exagerado. Lá no Narciso Prostituído, comecei a resgatar uma espécie de Web Série chamada Neura. Escrevi essas postagens a mais de dois anos, mas nunca terminei. Atualmente me encontro muito diferente de como era naquele tempo. As coisas que acredito, que defendo, que procuro fazer por mim, mudaram. No entanto, achei legal fazer esse regatar e contrapor com o eu de agora. Estou lutando com essa vergonha que às vezes sinto do que escrevi no passado. Mia, acho que todo mundo que escreve passa por isso. Li em algum lugar que Clarice Lispector jamais revisava o que escrevia, porque se fizesse, nunca publicaria.

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  6. Eu olhei e vi que sou o seguidor nº 606, mas antes olhei rápido e li 666. ahahaha
    Mia, eu penso que seja mais do que natural sentirmos vergonha de coisas que escrevemos há um tempo atrás, eu não passei por esta experiência como blogueiro ainda porque meu blogue é novato, contanto, sei que daqui um tempo vou sentir o mesmo, pois como escritor (escrevo desde a infância, então tente imaginar o tanto de asneiras que já reli... e ri muito!) sei bem como é isto.
    Penso que quando chegamos a este nível de analisarmos o que fomos e notarmos a diferença, sentindo esta "vergonha", seja sinal de maturidade. E isto é um ótimo sinal.
    Porém, outro sinal de maturidade é aceitar nossas histórias, por mais toscas que elas sejam.


    => CLIQUE => Escritos Lisérgicos

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  7. Você concluiu seu post exatamente com o que eu tava pensando em começar conforme lia: "Até porque provavelmente um dia eu vá me achar uma boba pelo que escrevo hoje, não é mesmo?". A gente tem mais é que aprender a aceitar as coisas que a gente fez, mesmo aquelas mais toscas, mesmo aquelas que talvez gerem arrependimentos. O que importa é ser honesto consigo mesmo no momento presente. Não deleta nada não, nem dentro nem fora de vc. Beijo!

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  8. Com certeza, concordo! tudo que a gente escreve tem que ser guardado, pode ser a frase mais tola que já falou, mas vai ser lembrado de uma forma, e quando tiver mais velha, vai poder rir e se sentir boba. mas você escreveu, você soltou aquilo que queria falar ;) e isso é bom :D

    escreva, fala, faça caretas, não se prenda e nem exclua nada :D
    boa semana, beijos :*

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  9. Hallo ~
    Putz, tbm tenho vontade de apagar textos meus :~ Mas pelo menos eu nunca postei nenhum, só ficam guardados x) O fato é que eu mudo muito, e quando vou ver quem eu era, fico achando que era totalmente ridícula. Talvez eu fosse mesmo :p Mas sei lá, daqui a dois anos não exclua teus textos, pfvr. Adoro eles a.a Ah, e eu adorei essa imagem da post hehe /o/
    xo,
    its-becky.blogspot.com

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  10. Eu também me sinto assim às vezes. Mas aí eu penso: se eu não tivesse passado por todas essas 'fases', se eu não tivesse escrito tudo isso, feito tudo isso- e depois me sentido uma completa idiota-, eu não teria crescido, eu não seria quem eu sou agora, não escreveria o que escrevo agora, não me sentiria assim, não faria o que faço agora. Provavelmente daqui um tempo eu verei o quanto cresci pelo que sou agora. Enfim, acho que faz parte. Mudar e crescer faz parte.
    Beijos, guria♥
    http://menina-do-sol.blogspot.com.br/

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  11. Então, eu sinto um pouco disso também. Pensando nas coisas que eu escrevia antes, fico com vergonha por ser/ter sido tão chorona! HAHAHAHA
    Enfim, não mexo lá também. Assim como você, penso que faz parte do que somos hoje. E nossos textos-vergonha nos trouxeram até nossos textos de agora :D

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  12. eu sou mto parecida com vc (será o ascedente em escorpião?) e tbm deleto e sinto vergonha das coisas q escrevo. Já deletei blogs inteiros por causa disso.

    E sabe, não sei se tem que ser assim, mas eu sou assim.
    e não consigo não ser.
    rs

    bjs

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  13. Para o ex com nome, só em diário rs, mas se não tem o nome ok rs... preservação..Todo mundo tem a fase da melancolia, a de bem com a vida, a superpositiva, a irritada, o legal de escrever, é poder relembrar muito tempo depois que coisas que atualmente são pequenas, já foram enormes, e assim diminuir a forma das gigantes atuais

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  14. Sabe o que eu fazia quando sentia isso?
    Criava outro blog. Escrevia "mudei" no anterior. Ou não escrevia nada, mudava sem avisar.
    Criei blog em inglês, pra ver se eu me "reinventava". Durou dois meses.
    Sem falar na orgia de nomes para blogs...
    Isso tu ainda vai sentir aos 20, aos 22, aos 25 e, provavelmente, aos 30 (te conto daqui a 3 anos).

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  15. Sei como é isso, Mia. Acho que é por isso que eu evito ao máximo ler meus posts antigos. Dá uma vergonha desgraçada. Sei lá, fico me achando tão idiota, tão imatura. Mas, é como você disse, eu não posso me envergonhar de quem eu era, não posso sentir vergonha dos meus sentimentos e pensamentos e como eu os expus. Eu tenho é que ficar feliz por ter evoluído, ter me tornado alguém melhor, deixado um "eu" menos interessante pra trás. É bom olhar pro passado e notar isso. É ótimo, na verdade.

    Beijo!

    Sacudindo Palavras

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Wink .187 tons de frio.