O interessante é o novo gata

Quem me conhece, sabe: o cara perde 1000 pontos numa escala de 0 a 500 se me chama de gata. Simples assim. Detesto, sempre detestei, caras que se referem a meninas com o típico: "e aí, gata?". "E aí" o quê, panaca? Tá me achando com cara de felina, é? Saio miando por aí, por acaso (desconsiderem meu apelido, senhores; apesar de me chamarem de Mia, eu não mio, juro)?

O fato é que, se o cara me chamar de gata, ele já, automaticamente, ganhou meu desprezo eterno. Chamou de gata, já era. Eu me ofendo profundamente com pessoas que acham que podem me cantar apenas por eu ter belos olhos verdes ou um rosto simétrico. E se eu sofrer um acidente e ficar desfigurada, meu bem, o que acontece? Me abandonará, deixará de me gostar e de querer estar comigo apenas por não me enquadrar nesse seu conceito ridículo de quem pode ser gata ou não? Pelamordedeus, tome vergonha na cara e tento na vida. A personalidade conta muito mais do que a aparência física.

Porém, se o cara ganha meu desprezo eterno por me chamar de gata sem nem ao menos conhecer minha personalidade, então, por quê, ao me dizer que sou interessante, tenho vontade de arrancar sua língua e fazê-la no jantar como um belo cozido? Simples: porque tanto gata quanto interessante são extremos da mesma coisa.

Explico: quando o cara já chega na menina com o papo de que ela é muito gata, só significa que, em algum momento, ele pensou em exercitar os movimentos manuais para "homenagear" a beleza da tal da gata em questão. Ou seja: panaca-que-só-pensa-em-aparência-elevado-à-potência.
Quando o indivíduo, após ter conversado com a guria, estar em uma "amizade" por um tempo, chega e diz que ela é interessante, pode ter certeza, minha amiga, que haverá um "mas" na história. E, acredite, sempre há um "mas". Enquanto o adepto ao gata quer seu corpo, o adepto ao interessante apenas quer sua mente, de longe, muito longe, como uma amiga distante e olhe lá. Ou seja: você é interessante, apenas é interessante demais para ele, que, lógico, prefere uma sonsa a uma guria doida que nem você. Porque, menina, interessante é o novo gata. Ao contrário. Elevado à potência.

Talvez - como se existisse dúvida nisso - eu seja a chata criteriosa que pensa demais sobre coisas aparentemente insignificantes e que sempre acha algum sentido oculto em palavras. Porém, essa sou eu. O que posso fazer a respeito? Mudar por um cara? Nem em mil encarnações, baby. Acredite: o dia em que mudar por um panaca, estarei seriamente doente ou sob ameaça de morte. Na dúvida, me matem. Ou me ignorem, como preferirem.
(Mas, por favor, onde estão os caras adeptos ao meio-termo? Sumiram? Foram engolidos pelo abismo das inseguranças? Surtaram? Ah, já sei: estão todos casados ou compromissados.)
Estejam avisados, rapazes: o interessante é o novo gata. E vocês estão perdendo pontos - sim, há uma pontuação, senhores, sempre há uma pontuação, por mais que garotas não admitam. 

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Wink .187 tons de frio.