Ainda Clarissa

Pequena menina de nariz rosado, rosto pálido e ar de moça séria
Anda à meia luz, na penumbra 
Na sombra ela espera 
E diz um nome, diz um verso, esquece a rima uma vez mais 
Delineia sua alma de um vermelho intenso e conta os dias para a primavera 
À noite ela espia pela janela de um quarto quebrado 
Olhando a si mesma num espelho embaçado ela enxerga ao mundo vivendo por ela 
Toca sua face - tão fria e tão suave - num momento de entrega à volúpia do ser 
Espreita por algo, alguém do passado que nunca viria, que jamais virá 
Olha para o lado, alcança um rosado 
Em suas bochechas - salientes outrora 
Que hoje apenas esboçam, amuadas, um leve contorno de riso de fada 
À noite ela espera, de dia ela sonha 
Com leves vestidos, com seda e cetim 
Com um beijo suave na testa, no colo 
Com as mãos tão suadas com cheiro de anis 
Sonhar ela sonha, esperar ela espera
Naquela janela, no espelho embaçado 
Do foco tão distante ela percebe a esperança 
De mais um sorriso por um sonho quebrado 
Clarissa, essa moça tão frágil, tão forte 
Despedaçada por dentro, sorridente por fora 
Que leva em si uma dor de verdade 
Por ser desprezada por quem ela chora 
versos mal escritos em continuação da descrição de Clarissa 

7 comentários

  1. Dia desses fui Clarissa, agarrada ao travesseiro, cravando as unhas nas mãos. Dia desses estava na janela, tentando ver as estrelas mais distantes; quase não as vi, as estrelas mais brilhantes haviam ficado pra trás. Eu era depressão no meio da felicidade, me sentia um fardo para todos, algo que deveria ser excluído. Pensei nas facas, nos remédios guardados bem ali.
    Fui Clarissa me jogando na cama, abafando o choro. Despedaçada como sempre,como todos iriam fazer. Despedaçada por todos e por si mesma. Que culpa tinha ela de ser tão cheia dessa alma cheia de palavras? Que culpa tinha ela de não saber cuidar de si mesma, de não conseguir fugir? É nessas horas que o teto parece infinito, infinito na sua inutilidade.
    E ali estava ela, mais uma vez, chorando por uma pessoa insensível.Com um vestido solto, fino, tão branco quanto sua alma. Uma alma pura que já havia experimentado toda a maldade do mundo. Se alguém a observasse do teto, enxergaria a coisa mais bela do mundo: um corpo magro jogado em uma cama bagunçada; um corpo tão branco quanto as nuvens; com uns olhos perfurantes, fixos, um olhar quase mortal, quase morto. Mas Clarissa era linda, mesmo que o choro fizesse dos seus olhos um espelho, olhos que agora são marrons. Os cabelos em desalinho, a fraqueza do corpo machucado demais.
    Mas Clarissa possui uma força estranha, quase sobrenatural. Ela ficará jogada na cama, distante de todos, até que tudo passe. Nenhuma dor é eterna. Nada é eterno. Exceto o par de olhos verdes que fitavam tudo. E fitavam nada.
    Clarissa e seus olhos, que vocês existam por toda a eternidade.

    (Pra ti, Mia. E pra todas nós que temos uma Clarissa, seja ao nosso lado ou dentro de nós mesmas.)

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  2. Que lindo *_*
    Acho que todas nós somos um pouco Clarissa. Às vezes despedaçada por dentro, mas com um sorriso no rosto que cala muita gente. Seu poema me fez lembrar Clarissa Corrêa ( a escritora) e Clarissa Falcão (a cantora), Clarissas da minha vida que admiro muito e me inspiram rs <3
    É tão bom navegar pelo seu blog e ver que ainda existem pessoas que escrevem de verdade!
    Como disse no texto do meu blog, são poucos blogueiros que conseguem manter a essência e fazer com personalidade. Você é uma dessas <3
    Muitos beijos Mia! Até mais <3

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  3. Não achei que foram mal escritos... Como a Juliana disse, acho que todas nós somos um pouco Clarissa.
    Não tinha lido o texto então li primeiro para depois ler os versos... Muito lindo, Mia.
    Beijos!

    http://menina-do-sol.blogspot.com.br/

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  4. Encantador, de uma sutileza que toca a alma.

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  5. Me lembrei da Clarissa Corrêa ao ler esse poema que ficou lindo por sinal.
    Admiro quem consegue escrever poemas, poesias. Acho lindo!
    Adorei aqui!

    Beijos

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  6. Delicadeza que passeia nas letras bem delineadas com uma sutil sensibilidade. Encanto evidente, beleza pincelada por sentimentos íntimos, choro sereno de um coração que pulsa forte, que ama incessantemente. Leveza que traz paz ao coração.

    Lindo poema.

    Beijos!!

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