Da série: randômicas estudantis

Aí a profª. passa um poema de Vinícius de Moraes e diz pra o povo analisá-lo, enquanto explica sobre a vida do poeta, ao passo que Renata diz:
- Eu não gosto dele.
- Só quem não gosta dele é quem não tem sensibilidade pra poesia.
- Eu gosto de poesia, mas não gosto dele.
- É, mas só quem é sensível entende a poesia, quem não gosta de poesia nunca vai entender.

E, claro, eu me atravessei no assunto:
- Licença, professora, mas eu amo poemas. Escrevo poemas, inclusive. E não gosto dele.
- Por quê? Preconceito?
- Não. Porque ele era machista.
- Ah, sim... ele colocava a mulher como objeto, falava só do corpo, é verdade...
- Sim, é a coisificação da mulher.
- Mas é que nem aquela música "olha que coisa mais linda, tão cheia de graça...", a mulher pode ser superinteligente, a mais apta a muitas coisas, mas só será vista como um corpo bonito. Só que não era apenas ele assim, a maior parte dos homens é.
- Pois é. Uma lástima. Eu sei que ele era talentoso, mas... infelizmente, machista.
- É, geralmente as mulheres intelectuais não gostam.
- Exatamente.

Vejam bem: eu gosto de poesia. Eu amo poesia. Eu respiro poesia. Meu livro de cabeceira é "Os mais belos poemas do Romantismo brasileiro". Mas, por mais talento que ele tivesse, não posso, de forma alguma, gostar de um poema machista, que coisifica a mulher. Uma frase dele diz tudo: "as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". É mesmo? I don't think so.

4 comentários:

  1. Não é só porque "a maior parte dos homens é assim" que eu tenho que levar isso como uma coisa normal. Não é normal, é repugnante. E qualquer um que trate uma mulher como objeto cai no meu conceito. Nietzsche, por exemplo, foi muitíssimo infeliz ao dizer: "Vais ver mulheres? Não esqueças o açoite!"
    Assim como Shakespeare: "Fraqueza, teu nome é mulher." Uma coisa é certa: a situação não irá mudar se as pessoas continuarem considerando comentários horríveis como esse coisas normais.

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  2. O foda é a gente ser obrigado a estudar isso. Eu detestava esse cara quando tinha que estudá-lo no Colégio Rosário. Que o professor fodão que eu tive me perdoe...!

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  3. uma implicância - quem acha q eu nao gosto de algo porq nao entendi/tenho.sensibilidade...

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  4. O feminismo não era tão comum no século passado e concordo contigo no que diz respeito ao machismo. Vinícius era um boêmio, estudou em escola jesuíta, aprendeu a ver a mulher diante de um ângulo que muitos não concordam hoje. Mas de uma coisa ninguém pode discordar: ele passou a vida tentando aprender uma maneira certa de amá-las, tanto o é que casou-se nove vezes. O amor, para ele, era contraditório. Posse e liberdade. Traição e fidelidade. Vida e morte. Ele viveu intensamente e, ao meu ver, não do melhor modo, mas em minha concepção merece ser admirado por ter sido mais do que suficientemente corajoso ao viver tudo o que escrevia (ou escrever tudo aquilo que vivia). Veja só, Mia, uma coisa em comum contigo. Risos. Enfim, é minha opinião, amo a poesia desse cara, mesmo que discorde de algumas das suas atitudes em vida. É que me dediquei tanto a ler e a entender Vinícius de Moraes que de certa forma, acho que acabei compreendendo o modo que ele via o mundo

    Achei massa a tua crítica, tanto que senti vontade de comentar. Fico feliz que tenhas voltado com um blog. Abraços. :)

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Wink .187 tons de frio.