Do tema pra terapia que jamais farei

Então eu fico aqui na Fazenda Feliz enquanto minha comida que nem é comida de verdade esfria e o nó na garganta aperta cada vez mais a ponto de se fundir com o natural do corpo. Há cadernos, livros, roupas, muitas coisas espalhadas pelo chão, em cima da cama, no armário. Assim como eu. Espalhada em cada canto por onde passo. Há meses que larguei de mão a ilusão de ser inteira em algum momento da vida. Não vai rolar. Dou uma, duas, três mordidas e largo. Assim como largo tudo de mão. E é irônico eu querer que as pessoas não me larguem de mão sendo que eu faço isso comigo mesma o tempo inteiro. Se eu não tenho consideração comigo, por que os outros teriam? Não tem mais sentido ficar aqui abstraindo só porque tudo dói e fingir pra mim mesma que não, não é assim. Porque é. Tenho coisas que larguei de mão pra fazer amanhã desde Novembro passado, e esse amanhã nunca chegou. Nem chegará. Havia arquivos para finalizar no meu pc que foram pra o limbo quando ele morreu e mal chegaram ao seu meio. Filmes que nunca vi e provavelmente nunca verei a não ser que me coloquem sentada numa sala trancada com ele passando. Séries que abandonei. Livros. Promessas. O que não quer dizer muita coisa se comparado ao fato de que largo a mim mesma de mão frequentemente. Agora, como se tudo não bastasse, também dei de largar pessoas. Desfiz amizades como quem se desfaz de uma peça de roupa antiga. E sem remorso algum, sem olhar pra trás que é pra não dar tempo de arrependimento.

Se é pra ser essa pessoa tão descompensada que eu sou deveria realmente considerar a possibilidade de viver sozinha nas montanhas, numa vibe Isaac Newton, vivendo de minhas críticas literárias e tomando água de poço.
E ainda assim tenho certeza de que faria isso de alguma forma peculiar. 

4 comentários

  1. Começar e não terminar é mais normal do que tu imagina. Falo isso por experiência própria. Não nego que possa haver algum problema que nos impeça de efetivamente TERMINAR o que começamos, mas o que começamos pode ficar em stand by até ser o momento certo para ser finalizado. E esse momento pode levar uns aninhos aí.

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  2. Então, vamos por partes: Fico IMENSAMENTE feliz em saber que você está escrevendo e digo mais: Escrevendo desse jeito tão teu, dessa forma tão peculiar, que me encanta tanto e faz com que eu me identifique ~nervosamente~ com teus escritos. Segundo ponto: AMEI ESSE TÍTULO!!! <3 Terceiro e último: Como disse a Amanda no comentário acima: ''Começar e não terminar é mais normal do que tu imagina.'' e é bem isso mesmo. Eu, por exemplo, também sou prova viva de tamanha ~teoria~. Tenho muitas ideias ao mesmo tempo, começo textos, projetos e faço planos para o futuro... Procrastino, esqueço tudo e recomeço quase que do zero. Isso é ''mal'' de quem tem a mente inquieta, Mia. E não há problema nenhum em ser inquieta (esse é um dos nosso chames e você sabe bem disso).

    Beijos! ;*

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  3. Fiquei tão feliz em saber que você começou um novo blog, adoro a forma como você escreve, tão...sei lá.
    Esse negocio de começar e largar, não sei pelos outros, mas faço isso frequentemente começo contos que nunca terão um fim, séries que eu simplesmente largo de mão, fico procrastinando tudo que tenho para fazer e como você simplesmente me desfaço de pessoas, assim, do nada, sem motivo algum.

    Beijos.

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  4. É estranho, mas diferente. É peculiar, como você disse. É exótica a forma como você parece lidar com o mundo (a partir de seus relatos).

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