Posso morrer ou ainda terei de esperar?

Há tanta coisa reprimida dentro de mim esperando para sair que na ânsia de falar sobre tudo não consigo falar nada.
Porque é tudo e ao mesmo tempo não é nada. Porque me sinto uma vadia ao reclamar da vida sendo que as coisas que as pessoas dizem ser importantes estão muito presentes. Mas por dentro é tudo tão devastado e a sensação de desamparo impera, a sensação de inadequação, a sensação de estar remando sozinha em um oceano tempestuoso perdido no espaço/tempo.


Eu falo e falo e falo e parece que ninguém compreende, ninguém sabe, ninguém se importa. Me canso de falar e paro. Aí me perguntam o que foi, o que há, me pedem pra eu falar. Falo novamente e menosprezam minha fala, meu sentir, meu tormento. Afinal, eu tenho isso, tenho aquilo, sou assim, sou não sei mais o quê. E isso tudo importa? Aparentemente, sim. Aparentemente eu sou o ser mais completo e feliz e habilitado a se dar bem que existe no Sul do país. Então nada mais importa e eu que aceite e lide com o fato de que se a vida tá uma droga é porque eu sou mimada.


E sou?
Nem.
Sou o quê, então? Sou nada. Sou um ser que nasceu por pura teimosia alheia. Sou um ser que vive porque não me deixam parar. Sou um ser obrigado a continuar. Sou um ser que não quer ser porque ser o que dizem que sou é intensamente desolador.
Sou tudo. Para os outros, sou autossuficiente. Sou bonita, sou incrível, sou talentosa, sou sarcástica, sou viva, sou esperta, sou segura, sou inteligente, sou tudo o que uma garota quer ser e tudo o que um cara quer ao seu lado. Mas o que eu quero, isso conta? Não conta, não. A sociedade quer algo, os pais querem algo, os irmãos querem algo, os amigos querem algo, todo mundo quer algo, menos eu.


Minha falta de quereres ainda vai me matar.
E, honestamente, espero ansiosamente por esse dia. 

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Wink .187 tons de frio.