Quando a pessoa tem alma de flor.


Quando tinha 8 anos estava determinada a ser uma escritora.
Não por fama ou qualquer coisa do tipo, mas por amor. Amor pelas palavras, pelo encanto de se fazer entender por meio de versos, de estrofes, de parágrafos, de frases que faziam todo o sentido como se tivessem sido escritas para o leitor, como se uma inspiração divina soprasse no ouvido do escritor: "a Mirinha precisa ler isso em tal dia, escreva pra ela".

E então eu comecei a escrever. Não que já não tivesse escrito antes, mas me empenhei nos meus escritos. E o primeiro escrito a sério foi um poema (não poderia ser diferente se tratando de mim). Não lembro dele agora, é claro, mas lembro dos primeiros versos:
Meu coração é uma rosa
Que não tem espinhos 
É estranha a sensação de perceber que 12 anos se passaram desde que escrevi meus primeiros versos e eles continuam sendo verdade em mim. Meu coração é como uma rosa: delicado, bonito, perfumado. Mas não possui espinhos. Não possui defesas. Só tem suavidade, doçura, amor.
Os espinhos? Esses são dos outros. Afinal, todos têm espinhos. Mas nasci sem eles, o que posso fazer? Já peguei espinhos alheios por empréstimo, mas não deu muito certo e minhas pétalas caíram. Hoje me firo por abraçar uma flor com espinhos que me machuca, que me fere, e a quem eu não consigo ferir por não ter defesas.

Se os escritores recebem inspiração divina para escrever o que o leitor futuro precisará ler, eu recebi profecia sobre a leitura de minha vida: para sempre uma rosa, para sempre desprovida de espinhos. 

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Wink .187 tons de frio.