Bonsai


Há algum tempo li um post da Nina a respeito de livros lidos em um certo período de tempo. Acompanho o Cronista Amadora há muito, muito tempo e sempre pego recomendações literárias de lá porque a Nina tem um gosto literário bem parecido com o meu, além do fato de que ela fala sobre livros um pouco mais diferentes do que estamos acostumados a ver por aí em blogs literários (lembrando que: nada contra Y.A., chick-lit e blablabla, inclusive, tenho vários desses na estante, mas vezenquando gosto de ler algo bem diferente do que é bombardeado na mídia).

No tal post, ela falou sobre alguns livros, entre eles um que me chamou atenção na hora: Bonsai, do Alejandro Zambra. Muito tempo depois, na recente promoção de 50% da Cosac Naify, consegui encomendá-lo (justamente quando já havia me apaixonado pela literatura chilena). E após quase um mês (Saraiva virtual, você é um saco, sabia?), tive ele em mãos e foi amor à primeira página.
“No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela. [...] No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura."
Zambra nos conta a história da desconstrução de um amor. Melhor dizendo: não é uma história, mas o recorte de uma. Apenas o essencial. Ele não se atém às particularidades que fazem todo o amor único. Mas seu foco é justamente o que faz todo o amor - toda história humana - igual: o final é a morte e quem sobrevive anda como se lhe faltasse uma perna, um braço, como se o membro perdido estivesse enterrado em algum lugar.

A delicadeza desse livro me deixou aturdida porque parece quase impossível alguém conseguir ser tão delicado ao mesmo tempo em que é tão técnico. Mas Zambra conseguiu tal façanha. (Já disse que amo literatura chilena? Pois então.) O romance começa através de livros e é através de livros que termina. Há uma continuação poética nisso - assim como ocorre com Ana Karênina, que acaba por se jogar nos trilhos de um trem, afinal a vida precisa de continuações poéticas e nos trilhos de um trem é que ela conheceu aquele que tornou-se seu amante e a desgraça de sua vida -, uma métrica. O autor transformou uma história banal, que talvez nem pudesse ser considerada de amor, em algo bonito, cru e sutil ao mesmo tempo.

Talvez o que eu mais tenha gostado é que não há spoilers em Bonsai. Já no primeiro parágrafo fica claro que ela morre e ele fica sozinho. Ponto. A morte não é um spoiler, e eu acho isso muito digno. Para quê ler a obra, então, se não há surpresas? Por puro prazer. É uma escrita suave e técnica ao mesmo tempo. É algo lindo.
"A história de Julio e Emilia continua mas não prossegue." 
Creio que é de conhecimento geral que a Cosac Naify arrasa em seus livros, mas essa edição está particularmente bonita. O texto é centralizado - se não o fosse, provavelmente o livro seria "um desses romances de 40 páginas, que estão na moda hoje em dia" (como cita o próprio autor no livro em questão). A capa possui um pontilhado, indicando que ali o leitor poderia destacar para que sobrasse apenas o essencial. Porque esta é a essência de Bonsai: o essencial, apenas e tão somente.
"Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida? Disse isso, e Julio estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida." 

2 comentários:

  1. Ei Mia :)
    Também gosto muito das resenhas da Nina.
    Me deu vontade ler esse livro, mas não é prioridade não.
    E: texto centralizado?? Jura?? Que agonia! hahaha
    AMEI essa ideia de deixar a morte bem clara logo no início, amo gente que quebra os paradigmas.
    Beijo!

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  2. Passando só pra deixar registrado: MAS QUE LAYOUT LINDO HEIN <3 Tá tão Mia que dá vontade de apertar :3

    Bjs!

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Wink .187 tons de frio.