Como atraio gente bizarra

Ou: do dia em que fui atacada por hare krishnas.

Quer dizer, bizarra eu mesma sou, nem é esse o caso. Só que eu atraio gente EXTREMAMENTE bizarra, do tipo que ataca pessoas no meio da rua. Teve a vez, por exemplo, em que fui atacada por um senhorzinho no Mercado Público (me lembrem de contar direito essa história depois) que me agarrou o braço para dizer que "você deveria ser professora, minha filha, com esse olhar de braba, com essa cara de má, faria a turma calar a boca sem nem falar nada". Mal sabe ele do quanto estava certo, hein, porque tempos depois tava eu fazendo exatamente isso, mas continuemos.

O fato é que estava eu caminhando pela Feira do Livro com o namorado, bem desprovida de objetivos, quando um senhor vestido de indiano surgiu em nossa frente e colocou livros sobre o budismo em nossas mãos. E né, pequena pausa para explicar que: não sou a maior simpatizante do budismo que existe, gente. Porque eu não gosto de religiões no grande geral, acho que a única religião que considero legalzinha é o espiritismo, de resto: respeito, mas não quero pra mim.

Aí que o cara nos jogou livros sobre a autorrealização e a biografia do mestre sei lá eu quem, dieta vegetariana e todas essas coisas. Ao que eu disse que não, não quero, moço, dê para quem gosta, quem queira, eu não sou chegada. O moço não quis saber, insistiu, namorado pegou um livro e o moço insistiu mais ainda e não me deixou sair de lá de mãos vazias porque sim, destino, karma is a bitch, puxei assunto com o moço a respeito da medicina ayurveda pra não ficar naquele silêncio constrangedor chato, já que ele nos seguia pra onde quer que fôssemos e a conversa até que fluiu, blablabla.

Finalmente conseguimos nos desvencilhar do cara e estávamos indo para a maravilhosa exposição do Moacyr Scliar (sim ♥) quando surgiu o seguinte diálogo:
— Viu, tu disse que não iria pegar nenhum livro na Feira do Livro este ano, mas tá aí com um.
— Mas meu bem, tecnicamente eu não peguei, veja bem que o carinha simples JOGOU isso em mim, e...

E do mais absolutamente nada surge outro carinha e coloca em minhas mãos um livro sobre a autorrealização.

Não sei de onde ele surgiu, não sei POR QUE EU, OMG, sei que foi assim.

— Moço, eu não quero.
— Mas não cabe na sua bolsa? (insira um forte sotaque argentino aqui)
— Cabe, mas eu já fui obrigada a pegar um e não quero outro, ué.

Namorado interveio e o carinha foi embora. Ao que namorado disse:
— Viu, tu disse que não tinha pegado nenhum livro na Feira e na mesma hora um outro cara surgiu colocando um livro nas tuas mãos.
— O bullying do universo comigo tá forte.

Fomos à exposição, voltamos à Feira, trocamos os livros (sim, porque eu não queria aquele livro e há uma parte na Feira onde é possível fazer trocas, ou seja: troquei aquele livro por um outro da Lya Luft; inclusive o mesmo que caiu na prova do ENEM, ó como o universo conspira a meu favor, risos), fomos para casa e, no outro dia, voltando da biblioteca pública e passando pela exposição novamente (gostamos muito dessa exposição ♥) o mesmo carinha hare krishna argentino surge de um buraco negro e diz:
— Foi com vocês que eu falei ontem, né?
— Isso, com a gente mesmo.
— Mas hoje vocês vão levar livros, né?
— Não, moço, eu não quero.
— Mas por que não? Olha, tem livro sobre a paz, tu não gosta da paz?
— Não, moço.
— MAS COMO QUE NÃO?
~a essas alturas do campeonato eu já estava literalmente chorando de rir~
— Ela não gosta de paz. Ela gosta da guerra.
— NOOOOOOOOOOOOOO, MAS NÃO PODE GOSTAR DA GUERRA, tem que gostar da paz, nós gostamos da paz, não comemos animais, somos do bem.
— Não gosto, moço. Muita paz é algo que dá agonia.
— MAS TEM QUE GOSTAR DA PAZ, NÃO PODE GOSTAR DA GUERRA (cara de extremo espanto do hare krishna argentino).

Teve mais diálogo sobre o carinha abismado por eu supostamente não gostar de paz e ser fã da guerra, mas o fato é que: gente, coerência, né? Atacar pessoas na rua e querer que ela engulam goela abaixo suas ideologias religiosas é tão chato quanto ficar batendo palmas incessantemente na frente da casa alheia apenas para divulgar o panfleto das Testemunhas de Jeová. NÃO ROLA.

Essa não foi a única vez em que algo assim ocorreu (nunca esquecerei do cara que me ligou dizendo que deus havia dado meu número a ele; pior cantada que já recebi, devo dizer), essas coisas vivem me acontecendo. Só gostaria de saber que imã é esse que eu tenho que atrai tanta gente e situação bizarra.

A pessoa tenta apenas ter uma vida normal, tranquila, desprovida de grandes objetivos.
Como não consegue, cria um blog pra contar a respeito.
E é assim que nascem os blogs diarinho.

né mermo?! 

5 comentários

  1. Mas o que seria da vida sem essas bizarrices todas? Ou dos blogs sem história malucas? Pode parecer muito esquisito enquanto está acontecendo, mas depois essas situações rendem boas histórias, nem que seja só para alimentar o blog diarinho (que é o tipo de que mais gosto). Um beijo!

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  2. Se você soubesse o quão legal é sua vida! hahahahah

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  3. Cara SA~]ÇDFLA~S]DÇFLA]~SDÇLF Apesar de ter sido constrangedor e chato pra você, eu achei interessante. Não a parte de o cara quase de obrigar a aceitar a ideologia dele - porque isso é ridículo, convenhamos - mas a história em sim. Ansiosa por mais. <3

    ternatormenta.blogspot.com

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  4. Obrigada pela dica do que vamos encontrar nessa feira. Numa dessas eu levo uns mangás que eu quero passar adiante e faço pra ele "mas moço, e tu não quer esse mangá aqui Jovens Guerreiros, porque tipo assim, olha só, isso aqui é um clássico japonês, fala sobre guerra, mas o objetivo é a paz, e tem essa guria aqui, mucho gostuêsa, leva aí, pode levar, sério, tu vai gostar muito, quem sabe vai até aprender português"

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  5. Também não sou gosto de religiões, mas comigo aconteceu justo o contrário: me aproximei muito do Budismo e me afastei completamente do Espiritismo. Hoje, tô prestes a me converter, veja você, já que nunca fui conectada à religião na qual me batizaram.

    Enfim.
    Na próxima vez que um indiano se intrometer no seu caminho, diga que não acredita no deus azul.

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