Um dia

Ou: o livro que acabou com meus post-its.

Um dia, o maravilhoso livro escrito por David Nicholls, quebrou meu coraçãozinho de tantas formas e em tantos pedaços que até agora não sei como lidar com esse sentimento de reconhecer-se num personagem a tal ponto que coloquei TRINTA E DOIS (32) post-its nele.

Eu meio que já sabia qual seria a história contada no livro porque havia visto o filme há muito tempo, mas tinha esperanças de que o roteirista/diretor/whatever tivesse deixado o filme mais dramático por conta própria e que o livro fosse mais ameno e feliz. Quem dera. Porém, a grande lição do livro é que a vida não é feliz. Há momentos felizes, sim, mas no geral a vida é um grande lixo que você tem de reciclar se quiser continuar socialmente aceitável.

...Mas ainda acho que você devia sair de lá porque, apesar de ser bom para fazer piadas, definitivamente faz mal a sua alma. Você não pode jogar fora anos da sua vida para não perder a piada.

O livro fala basicamente de Emma e Dexter e de como suas vidas correram num espaço de 20 anos. Emma, uma garota de 22 anos recém-formada em Inglês e Dexter, um rapaz de 24 anos também recém-formado, mas em Antropologia, conhecem-se na festa de formatura da faculdade e ali começa uma amizade que duraria a vida inteira. Ambos seguem caminhos bem diferentes, mas sempre dão um jeito de se falaram, seja por cartas, por encontros casuais ou por longos telefonemas noturnos.

E por que esse livro quebrou meu coraçãozinho?
PORQUE EMMA SOU EU.

Sério, gente. Pensem numa personagem na qual vocês se reconheceram. Pensaram? Então. Eu me vi descrita a cada linha que o autor escreveu a respeito de Emma Morley. Dois de seus livros preferidos são também os meus livros preferidos (A insustentável leveza do ser e O morro dos ventos uivantes), a descrição física é parecida, sua forma de lidar com as coisas, com a vida, com as pessoas... tudo é muito eu. E isso é triste porque esse não é um livro feliz, é um livro sobre a vida real. 

Algumas vezes, muito ocasionalmente, Emma se sente em pânico e quase não consegue respirar com a solidão. Uma ou duas vezes se surpreende tirando o telefone do gancho para verificar se está funcionando. Às vezes pensa como seria bom ser despertada por um telefonema no meio da noite: "Pegue um táxi agora mesmo", ou "preciso encontrar com você, nós precisamos conversar". Mas na maior parte do tempo se sente como uma personagem de um romance de Muriel Spark — independente, aficionada por livros, inteligente e secretamente romântica.

Nunca fui fã de romances, por isso mesmo demorei a ler este livro. Detesto drama do tipo Nicholas Sparks, não consigo suportar fórmulas clichês e finais felizes. Aliás, todos os meus livros favoritos têm finais agridoces, infelizes, reais. Esse não é diferente. Por isso mesmo gostei tanto de Um dia. Ele é real. As personagens são reais. Em e Dex não são mocinhos ou vilões, mas apenas duas pessoas vivendo suas vidas e tentando acertar de alguma forma, duas pessoas que tiveram a sorte de encontrar uma a outra para ter com quem conversar sempre que precisassem.

A cada 15 de julho, durante 20 anos, Nicholls nos conta um pedaço da história dos dois. Minha impressão ao ler este livro foi a de que ele é um O Grande Gatsby moderno: a história de um romance que é muito mais do que um romance, que envolve festas, envolve distrações demais (afinal, quem tem uma dor  ou  um vazio muito forte procura o máximo de distrações que puder), e coisas não resolvidas. Coisas inacabadas. Vidas inacabadas. Tudo acaba como começa: do mais absoluto nada.

Este livro tem um dos quotes mais heartbreakers de todos os livros que já li até hoje. Aliás, quem viu o filme deve saber bem do que estou falando e lembrará perfeitamente desta cena:


É um livro tão lindo, intenso e maravilhoso que literalmente não consegui largá-lo até ter finalizado a leitura. 410 páginas lidas em um dia (olha que coincidência, risos). Não posso ser objetiva nesta resenha porque este livro mexeu demais comigo. Só posso dizer que quero dar um abracinho no David Nicholls e agradecê-lo por ter escrito algo tão estupendo e que faz tanto sentido assim.

Resumindo minha sensação pós-leitura em um simples gif:


Se recomendo a leitura? Olha, se após todo este post, que é basicamente uma declaração de amor a este livro, você ainda não percebeu que ele está mais do que recomendado, está nas leituras obrigatórias da vida de qualquer cerumano que cruze comigo e que me peça sugestões, então você é muito desatento e não possui mais esperanças de ter uma boa percepção das coisas na vida.

Em um quote:
Ao mesmo tempo sentia um arrepio de ansiedade percorrendo seu corpo ao pensar no que estava por vir: uma vida adulta e independente. Mas ela não se sentia adulta. Não estava preparada, de jeito nenhum. Era como se um alarme de incêndio tivesse disparado de madrugada e ela se encontrasse no meio da rua com as roupas emboladas no braço. Se não tinha aprendido nada, o que iria fazer? Como preencheria os próximos dias? Não tinha a menor ideia. 

4 comentários:

  1. Emprestei meu livro há um ano e não me devolveram, rs.
    Mas amei a leitura dele.
    Triste, mas gostei muito.

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  2. Um Dia me lembrou aquele velho deitado "nunca julgue um livro pela capa", a primeira impressão parece um livro de muito amor e com um final lindo e feliz.
    Quero muito leeer! Aceito se quiser me emprestar ♡ hehe

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  3. Eu li esse livro a muito tempo, achei beem legal, mas não curti o final.
    Mas, que bom que ele te envolveu tanto Mia.

    http://iasmincruz.blogspot.com.br/

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  4. Fiquei com uma vontade enorme de reler, ai que saudade desses dois. Também sou a Emma, em cade partinha, e ler esses quotes me fez ter ainda mais certeza disso. Fila pra releitura. Lembro que também sai despedaçada dele e acalentada, talvez, por aquela sensação sensacional de ler um livro incrível.

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Wink .187 tons de frio.