01/52: para embalar começos e recomeços

A Vic, do blog Borboletando, propôs um desafio extremamente legal: ouvir (e escrever sobre) semanalmente um álbum diferente! Mas não apenas qualquer álbum, porém um que se enquadre com o tema semanal que ela propôs neste quadro maravilhoso aqui linkado.

Eu já tô participando de coisa demais, é verdade. Há a meta literária, a meta cinematográfica, o desafio das 52 semanas que tá abandonado há meses (que horror), mas eu não poderia deixar de participar desse simplesmente porque: é algo que eu já faço. Semanalmente escolho um álbum, coloco-no no celular e escuto-o durante todos os dias da semana, e isso já faz alguns meses. Tudo para sair da mesmice. Sempre se pode descobrir maravilhosas músicas novas através disso. Fora que: geralmente álbuns contam uma história. É raro ver um álbum cheio de músicas aleatórias: elas costumam ter motivo para estarem ali.

A diferença é que agora escreverei sobre ao invés de manter tudo para mim, risos.

Entonces, bora começar o 52 álbuns para ouvir em 2015 com o 1° item da lista: para embalar começos e recomeços.

E nada melhor para isso do que o novo álbum da Pitty: Setevidas. ♥
Quando eu vi que o tema da primeira semana era começos e recomeços, não consegui pensar em outro álbum que não esse por motivos de: além dessa ser a temática principal dele, há a música Serpente que basicamente só fala disso. Fora o fato de que ele foi lançado em 3 de junho, dias após eu ter passado por uma mudança drástica na minha vida. Esse é um álbum que eu ouvi direto no último semestre porque passei por tantas perdas e tive de mostrar resiliência, recomeçar tudo do zero. E Pitty falou exatamente isso sobre ele:
"É um disco muito doído. Mas um disco de resiliência também. Muita coisa morreu, muita coisa renasceu e esse processo é dolorido. Foram muitas situações de superação, pessoais e externas. Tem uma coisa de alquimia, de que, pra se transformar em ouro, tem que passar por outras fases. Mas é um dia de cada vez e tá todo mundo feliz e realizado em relação ao disco"
E, sabe, eu não fazia ideia do que Pitty havia escrito/falado sobre seu álbum. Comecei a escutá-lo porque uma das minhas amigas mais queridas (Lene ♥) é mega fã dela e eu tava numa fase de renovação: novas músicas, novos livros, novas roupas, nova vida. Tudo novo. Decidi incorporar Pitty a essa minha nova versão, ou, ao menos, tentar. Foi amor à primeira nota musical. ♥

Em Pouco, primeira música do álbum, eu já me senti traduzida e ela se tornou o hino dos meus dias "revoltados", aqueles dias em que eu não consigo encontrar palavras para expressar minha revolta, minha insatisfação, minha sensação de não pertencimento, de haver algo errado, de estar tentando encaixar um quadrado num círculo. (Quanto mais perto / Mais longe do certo / Corro nessa direção / Não espere que eu me contente com pouco / É pouco, é pouco, tão pouco / [...] / Dor exposta é pra doer / Tão mais fácil se entorpecer / Oscilando no eterno vir a ser / Resistindo a me dissolver)

E eu acho que essa música, especialmente, diz muito sobre o álbum. Apesar de Setevidas ser o carro-chefe, a letra de Pouco fala tanto, exprime aquele desejo intangível que temos dentro de nós de sermos mais do que aquilo que estamos sendo, aquela dúvida eterna de "estou fazendo o suficiente? estou sendo o suficiente?". É uma questão tão profunda que dói quando pensamos nela. (Sim, eu realmente amo essa música, risos.)


Depois temos a Deixa ela entrar, que é basicamente uma conversa consigo mesma, aqueles questionamentos que a gente faz antes de dormir, aquela coisa de "mermão, por que tô sendo tão otária e me importando com coisas que as pessoas já largaram de mão há tempos? bora viver e largar mão disso". É bem isso. Se dar uma chance. Logo em seguida vem Pequena morte que é, para bom entendedor, uma música sobre instintos sexuais. Aliás, esse disco todo tem uma pegada animal (no sentido literal da palavra), bem rock (mais adulto do que os anteriores da Pitty e, sim, eu ouvi todos os discos dela por conta desse, virei fã da mulher, mas como poderia ser o contrário, né mesmo?! ♥). É uma música extremamente sensual e que mostra um amadurecimento bonito de se ouvir, assim como Um Leão, que possui justamente a mesma vibe, porém com um pouco mais de sadomasoquismo do que a anterior. Passamos por Lado de lá, Olho calmo e Boca aberta ("Mia, não vai falar especificamente delas? São ruins?" São lindas, o álbum todo é lindo, não há músicas ruins, mas não sou crítica musical, tô apenas falando das que mais me marcaram, okay? Risos.) e por fim chegamos a A massa, minha música preferida do álbum. 

Licença, deixa eu pirar um pouquinho: QUE MÚSICA BOA, MELDELS, QUE INCRÍVEL, TODOS PRECISAM OUVI-LA, QUE CRÍTICA MARAVILHOSA, SOCORRO, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! 

Pronto. :) 

Voltando a ser "formal": A massa é uma música maravilhosa que faz uma linda crítica social e que, como a Pitty falou, tem uma batida mais dura, fazendo alusão ao filme Tempos Modernos, do Chaplin (aliás: jamais esquecerei esse filme; ano passado tive de fazer um trabalho sobre ele, quando tava cursando Pedagogia e, gente, que coisa mais linda, sério, eu fiquei completamente apaixonada e, claro, já havia percebido uma certa semelhança entre uma coisa e outra, entre a música e o filme, afinal, a temática é essa: padronização, sociedade padronizada, cada um no seu cantinho fazendo o que lhe foi determinado. Mas ao ler que dona Pitty disse que essa era mesmo a intenção, fiquei tão contente, sabe, porque ela foi MUITO feliz no resultado). 
Prestem atenção na letra, gente: A massa é feita pra saciar / A fome dos que a sabem modelar / Regurgitada pra lá e pra cá / Bota fermento nessa massa, deixa fermentar / Que a regra de ouro se faça / Massa sem adubo não há

OUÇAM-NA! o/ 

E finalmente chegamos à música que dá nome ao álbum: Setevidas
MELDELS, COMO EU CANTEI ESSA MÚSICA NO ÔNIBUS! Sim, sou dessas que cantam no ônibus, na rua, em casa, na fila do supermercado... Aprendam uma coisa sobre mim: se não tô lendo, tô cantando. É sempre assim. Às vezes, faço ambos ao mesmo tempo. 
Essa linda música fala sobre continuar. É um hino a resiliência. E faz alusão aos gatos, que têm sete vidas. Porque é assim que nossas vidas seguem: morremos e renascemos trocentas vezes dentro da mesma encarnação. Não sei dizer quantas vezes usei essa música pra me dar força durante os últimos meses. Ela é... profunda, sincera, crua, direta. Aqui dá pra ver que a Pitty passou por barras muito pesadas (e pelo que eu li dela, realmente, não foi nada fácil) mas que se focou em reviver, em recomeçar. E essa é a proposta do álbum dessa primeira semana, afinal de contas: para embalar começos e recomeços. Nada melhor do que Setevidas para tal. 

Cantem comigo: 
A postura é combativa / Ainda tô aqui viva / Um pouco mais triste / Mas muito mais forte / E agora que eu voltei / Quero ver me aguentar! / Só nos últimos cinco meses / Eu já morri umas quatro vezes / Ainda me restam três vidas / Pra gastar 


E, por fim, uma das músicas que eu mais amo na vida: Serpente
Gente, como exprimir meu amor por Serpente? Não faço a menor ideia. 
Pra começar, desde pequena, eu sempre fui apaixonada por serpentes. Fascinação mesmo. Não me perguntem o porquê, eu não faço ideia. Mas essa coisa delas se renovarem, de serem tão espertas, tão fascinantes... sempre me chamou atenção. Aí quando vi que o novo álbum da Pitty tinha uma música com esse nome meu coração disparou. Fui conferir, é claro. E olha: muito amor. ♥ 

É a música mais diferente do álbum. 
Tem uma vibe que lembra algo afro (mas não posso falar com propriedade aqui, afinal, não é minha área cultura), lembra uma certa magia também, afinal, serpentes eram comumente usadas em rituais de magia (o que é ilustrado no videoclipe). ♥ Acho que ela é o encerramento perfeito, afinal, termina o ciclo de renovação, como diz a própria letra: Chega dessa pele, é hora de trocar / Por baixo ainda é serpente e devora a cauda / Pra recomeçar 

~clipe maravilhoso ~

Este post ficou BEM maior do que eu esperava, mas é assim mesmo: todo mundo sabe que me empolgo escrevendo, risos. Ainda mais escrevendo sobre coisas de que gosto. 

Ficha técnica:
Setevidas - Pitty 
Melhor música: A Massa. 
Pior música (ou a menos boa): Olho calmo. 
Não deixe de ouvir: Pouco; Serpente; Setevidas. 
Por que você deveria ouvir? É Pitty, gente. Só isso já deveria dizer tudo. Sério mesmo: larga tudo de mão AGORA e vá ouvir esse álbum inteiro. Super vale a pena. 
Quantos corações esse álbum merece? ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 

E, só pra encerrar o post, uma citação da Pitty: 
"A maçã é o 'não-pode' da mulher. Tomo posse da minha maçã, para comê-la como e quando desejar, e me recuso a ser expulsa do paraíso por isso". 

8 comentários:

  1. Mia, primeiro quero agradecer pelo comentário adorável lá no blog, obrigada <3
    Agora deixa eu te contar que eu não era fã de Pitty, mas agora to fangirlando a mulher loucamente ~gritinhos~ hahaha
    Acabei de ouvir o álbum inteiro e apesar de ter amado Massa com todas as forças, Pequena Morte é com certeza minha preferida. Não sei se foi isso que você quis dizer com "bom entendedor", mas o título da música faz referência à expressão Le Petit Mort, do fracês, não é? Só sei que não consigo parar de ouvir ela e Serpente, obrigada pela indicação ;)

    beijo!

    ResponderExcluir
  2. Confesso que tem um bom tempo que eu não escuto nada da Pitty, Mia. Mas eu acho ela uma artista do caralho (advérbio de intensidade). Vou super sincronizar esse álbum do Spotify pra escutar depois!! <3
    Uma das minhas músicas preferidas dela, dazantigas, é Máscara. Qual é a sua? HEUHUEHUEU

    Beijocas

    ResponderExcluir
  3. Primeiramente, obrigada por visitar o meu blog! Fico muito lisonjeada pela tua visita pois sempre acompanhei o teu blog ♥
    Segundamente haha, a Pitty é uma deusa né? Além de sambar na cara da sociedade com as músicas, samba até na cara da Anitta dando uma aula sobre feminismo. Vou já procurar para escutar.
    Beijos!

    http://escrevicomflor.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Uns anos atrás eu passei por uma fase onde não sabia direito quem eu era e tinha medo de me "libertar" por assim dizer. Ouvi a musica Mascara da Pitty e ela me ajudo bastante. Logo em seguida ouvi todos os albuns e sou apaixonada pelas musicas dela até hoje.
    Esse cd eu só ouvi uma vez, querendo me matar por isso, estou indo ouvir ele toda agora!
    Pelo o que você comentou, vou amar ele tanto quanto os outros.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  5. Ai, pela deusa, sei nem como começar a falar sobre um post tão awn amor awn como este! Ainda mais: Sou citada nele <3333333 OMG! Mia linda *_*
    E pfvr, que coisa mais maravilhosa ver você escrevendo desse jeito sobre a Pitty... Só posso dizer que tem uns olhos nas minhas lágrimas :''''')

    Esperei tanto por SETEVIDAS. Esperei tanto pelo retorno dela. Espero tanto por um show de rock dela aqui para as bandas do Ceará (meu primeiro show de Pitty foi com o Agridoce, em 2012 e a saudade não cabe no peito, já que amo esta mulher desde meados de 2007)... Enfim, esse disco é um divisor de águas. Tudo que eu escrever sobre ele ainda vai parecer pífio para defini-lo. Quando foi lançado, passei semanas e mais semanas ouvindo direto. Peguei um amor gigantesco por Boca Aberta e Pequena Morte. Amo todas. Umas mais. Umas menos. Amo e admiro por completo (e mais um pouco) o conjunto da obra. É isso.

    Beijos ;*
    http://ahoradevirarborboleta.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Af que maravilhosa! E que feliz que agora você compartilha seus álbuns semanais com os leitores -eu tb agradeço! hahaha :D

    Eu adoro a Pitty mas confesso que ainda não peguei para ouvir o álbum inteiro. Mas depois de ler sua resenha, vou fazer isso hoje mesmo <3 hahaha!

    Beijo!

    ResponderExcluir
  7. Ainda não ouvi esse álbum todo, só as duas primeiras músicas de trabalho, serpente sete vidas. Fiquei interessada, vou deixar na lista do spotify pra ouvir com calma.

    Beijos

    ResponderExcluir
  8. Eu tinha uma puta preguiça de Pitty porque as primeiras músicas dela me soavam muito mainstream, mas depois que eu ouvi ela cantar com o Ira aquela música "Eu quero sempre mais" eu fui deixando meu preconceito de lado e comecei a prestar mais atenção nela. Percebi que não tinha porque não dar uma chance pra mulher, afinal, ela é roqueira no Brasil (o que convenhamos, não é fácil), canta bem, tem atitude... Eu ainda não ouvi esse álbum que você sugeriu mas com certeza vou dar uma olhada!

    Beijos!
    www.baudabijou.com.br

    ResponderExcluir

 
Wink .187 tons de frio.