Amor é prosa; sexo é poesia

E machismo é machismo. Esteja ele disfarçado sob qualquer capa.
“Amor é mulher; sexo é homem — o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo.” 

Arnaldo Jabor que me perdoe, mas isso é uma das coisas mais babacas que já li. Aliás, que me perdoe uma ova. Porque quem escreve algo assim não tem direito a um pedido de perdão, de desculpas, a um eufemismo como “o autor tem uma visão rústica e direitista acerca das vigências relacionadas à vida amorosa de seres humanos”. Quem escreve algo assim das duas, uma: ou é um grande babaca (também chamado de machista) ou está tentando ser uma versão piorada de Bukowski (outro grande babaca machista).
“Não. Aí eu não entro!”, gemia minha namorada. Eu tentava argumentos que iam de Sartre e Simone até a revolução. “Mas, meu bem... deixa de ser alienada... A sexualidade é um ato de liberdade contra a direita...” E ela: “Não entro! Isso seria também uma indisciplina pequeno-burguesa.”
Arnaldo Jabor, em seu livro de crônicas Amor é prosa; sexo é poesia, conta várias memórias de sua vida, especialmente as sexuais. E calhou que suas memórias sexuais denegrissem as mulheres. Calhou de ele contar abertamente que usava o mesmo recurso que ainda se vê nos dias atuais: um homem usando argumentos roubados de Simone e Sartre, para convencer uma mulher de que a sexualidade deveria ser livre e que ela deveria dormir com ele. 

E a sexualidade deveria ser livre? Sem dúvida alguma. 
Mas não dá nojo quando percebemos um homem usando de argumentos dos quais nele ele acredita, de ideais aos quais ele não segue, apenas para conseguir abaixar a calcinha de alguma mulher? Quão escroto, machista e incrivelmente nauseante é isso? 

Esse é simplesmente o livro mais machista que já li. 
"Mas, Mia, há partes legais?" CLARO que há partes legais, gente. Mesmo nos livros mais bobos, machistas etc a gente consegue achar algo legal. Há memórias do cara que são interessantes, há pensamentos que deixa a pessoa pensando "poxa vida, mas não é que é mesmo?!". Porém, infelizmente, a maior parte do livro é machismo puro. E é triste isso, porque é um autor brasileiro, sabe, que só tava contando coisas que viveu, assim como nossos avôs e pais viveram, já que provavelmente eles eram jovens na mesma época. E essa era a realidade da juventude, que hoje é a população adulta que há no Brasil. Mas não apenas a adulta como também a jovem, porque, convenhamos, os homens têm um certo código de conduta que seguem, geração após geração.

Ler esse livro é como entrar na cabeça de um homem.
E eu não gostei do que encontrei lá. 

1 comentários:

  1. O maior problema não é o Jabor mas sim, nós... Nós que -sabe-se lá porquê- algum dia colocamos o Jabor num pedestal, como se tudo o que saísse dele fosse uma verdade absoluta e incontestável... E dessa supervalorização de um homem comum, muita gente passou a fazer o uso do nome dele para angariar valor aos mais diversos pensamentos... O mesmo se dá com o Bial e o Jô... Agora a decepção é maior ainda... São provas de que inteligência nem sempre é sabedoria. Excelente postagem! Beijo no coração.

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Wink .187 tons de frio.