I like things that look like mistakes

Porque ter vinte e poucos anos não é lá muito fácil. Porque a sensação de "o que diabos estou fazendo da minha vida e por que todo mundo parece seguir um roteiro exato de seus atos, de suas escolhas? onde está a droga do meu roteiro? por que não o recebi? CADÊ MEU ROTEIRO, CARA?!". Aquela sensação de que todos parecem ter crescido, ter virado pessoas responsáveis, adultos, e você ali, in the middle, sem saber o que diabos está fazendo e vendo laços esgarçarem-se, pessoas que você pensou que permaneceriam indo embora do mais absoluto nada.


Frances Ha fala sobre isso. Sei que na sinopse estará escrito que é sobre uma bailarina que quer um emprego melhor e blablabla. Mas não é. Ao menos não é SOMENTE sobre isso. Frances é uma mulher de vinte e poucos anos que está tentando viver sua vidinha de uma forma menos ordinária. Que procura sentido nas coisas. Resumindo: assistir Frances Ha foi como ter um vislumbre da minha vida num futuro próximo.

Motivos: 


1. I'm not a real person yet resume a vibe de toda uma vida. Não consigo me acostumar a alguém me chamando de mulher, por exemplo. Isso é louco demais pra mim. Quer dizer, eu me vejo ainda como uma pessoa muito nova, uma guria, uma quase-adolescente que tá brincando de ser adulta num mundo de adultos. Sei lá o que tô fazendo aqui. Não sei lidar com gente que fala sério o tempo todo e fala sobre imposto de renda e IPTU e o que diabos são todas aquelas taxas, meldels? Eu sou confusa. Sou geograficamente perdida. Ontem meu irmão me disse que agora eu tenho juízo, tô crescida, virei uma adulta responsável e eu comecei a gargalhar, porque né?! NÃO SEI.

2. Levo as pessoas em consideração. E isso não é lá muito bom, assim, na vida. Como a Frances, eu tomo decisões baseada em como as pessoas reagirão com isso ou aquilo. E como ela, me ferro todas as vezes porque eu levo os sentimentos alheios em consideração, mas ninguém leva os meus.


3. Tenho problemas com finais. Não gosto de nada que termine. Nem é aquela coisa de ser apegada, mas é mais uma poor social skills, literalmente não sei lidar com fins. Finais de filmes, séries, músicas, relacionamentos, festas, hora de ir embora. Sempre sei quando é, mas nunca sei como proceder. I have trouble leaving places diz tudo, mas tudo mesmo.


4. Eu saio correndo sempre que estou acuada. Literalmente. Estou sempre de tênis por conta disso, inclusive. Sempre pronta para sair correndo. Na cena em que Frances, após tudo desabar novamente, se manda pra Paris pra passar dois dias ostentando um olhar bovino num local diferente do mundo, eu senti uma identificação tão forte que tive de fazer uma pausinha no filme apenas para refletir se a pessoa que criou essa história não seria leitora do meu blog. PORQUE NÉ. Sério, gente. Eu saio correndo. Pra qualquer lugar. Eu fujo das coisas que me incomodam. E quanto mais elas me incomodam, mais eu fujo, por mais que eu saiba que isso só vai fazer com que a situação piore porque terei de lidar com tudo depois e tudo estará acumulado. Mas é apenas meu jeitinho Frances de ser. Risos.

5. Dou brechas pras pessoas. Há uma cena em que Frances está numa festa entre "amigos" e percebe, de repente, que falou bobagem demais, coisas pessoais demais pra aquela gente que não se importava. Então ela diz "tô indo embora" e fica olhando pra todo mundo com uma cara de olhar bovino por alguns momentos. Aí repete "tô indo embora" na esperança de que alguém peça pra que ela fique. Mas ninguém pede. Ninguém nunca pede. E isso é tipo um grande-pequeno resumo do meu comportamento para com pessoas com as quais considero ter alguma amizade. Dou brechas para que elas me peçam para ficar, mas ninguém nunca pede. E isso é um saco, se querem saber.


Yes, my blog looks so happy, but no one is THAT happy and everybody should know that.

E este texto deve estar cheio de erros de português e inglês, mas estou com febre e meio ranzinza, então dane-se. Frances, te dedico. ♥  

4 comentários:

  1. Cara, daqui a pouco esse filme vai fazer aniversário aqui no meu pc. Eu baixei já tem tanto tempo, mas até hoje não consegui ver :/
    Só que logo na introdução do seu post eu me identifiquei e, quando vi que você ia falar de Frances Ha, me deu uma vontade enorme de assistir.
    Vou tentar fazer isso amanhã!
    Acídia 28

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  2. Mia, I know what you're feeling, bro. E também devo ter errado um bocado no Inglês. To chegando na casa dos 20 e embora todo mundo diga - e eu saiba - que ainda tô nova pra pensar isso, eu sempre acho que tô atrasada e que não sei o que tô fazendo da vida e o tempo tá aí, passando por mim, dando tchauzinho e eu involuntariamente pareço dar de ombros pra isso.

    E preciso assistir esse filme. Verei se tem na NetFlix.

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  3. Ainda não assisti a esse filme - eu sei, falha minha! -, mas depois de tudo o que você falou aqui fiquei pensando se o autor do filme me conhece. HAHA, quer dizer, também não me sinto adulta, todo esse mundo de taxas e impostos de renda me confundem muito e minhas habilidades sociais são péssimas. Olho pra mim e não me vejo como adulta, sou tão perdida se comparada com os ~outros~ adultos, sinto que não sei o que estou fazendo e fico com medo de jogar minha existência no lixo ficando preocupada com miudezas. Também perderam meu roteiro, Mia. Estamos juntas na baderna. =**

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  4. Não me identifiquei com todas as coisas que tu descreveu sobre o filme e sobre você mesma, mas essa história de não se considerar ainda adulta, de dar brechas para as pessoas, de considerar o outro quando é pra tomar decisões ou falar algo eu com certeza também sou assim. Por isso também me identifiquei com Frances, não tanto como você. Esse filme é puro amor e o final meio que me deu esperanças de que tudo vai dar certo no final, sei lá, meio bobo, né, se afirmar no final de um filme?! Mas não pude evitar.rs

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Wink .187 tons de frio.