3 livros que mudaram minha vida

Sabe quando você se depara com a tela em branco e com um desafio, mas não sabe por onde começar? Então. Porque me é praticamente impossível escolher apenas três livros que tenham mudado minha vida.

Dia desses eu estava conversando com uma amiga a respeito disso: não tenho lembranças de infância, adolescência ou whatever longe de livros. Desde criancinha meus pais me incentivaram a ler, a ter os livros por amigos, a mordê-los (sim, mordê-los! não sei dizer quantas capas eu comi, mas não foram poucas; especialmente de gibis porque eu achava, de alguma forma, que todo o conhecimento iria morar dentro de mim se eu comesse a página, risos; e eu era novinha, tá gente? tinha meus 3, 4 anos na época, depois parei com isso)...

Por isso é complicado escolher apenas três livros que tenham mudado minha vida. Mas vamos lá! Anteontem foi dia do livro e o Rotaroots propôs esse desafio, ou seja: BORA! \o/

O Morro dos Ventos Uivantes 

Como eu disse acima, eu sempre fui incentivada a ler, sempre estive rodeada de livros, blablabla, mas ainda não havia achado uma veia literária que partilhasse do meu tipo sanguíneo (ooops, tô poética!) e, portanto, gostava de ler, mas não AMAVA a leitura.
Até que li esse livro.

E, gente, o que Emily Brontë criou foi simplesmente a história mais incrível de todos os tempos. Isso porque é uma história de amor que pode passar-se por verdadeira. E naquela época, onde todos eram românticos e blablabla e finais felizes blablabla. Minha visão de amor - que nunca foi das melhores - acabou por achar uma visão gêmea nas palavras da dona Brontë.

A história é simples: um dia o patriarca da família traz, de uma de suas viagens, um menino cigano chamado Heathcliff que ele achou pelas ruas e decidiu abrigar. Ele o apresenta à família, tratando-o como filho, e nisso nascem duas coisas: o amor de Cathy e Heathcliff e a inveja/ódio de Hareton, irmão de Cathy, por aquele cigano que apareceu do mais absoluto nada só pra encher o saco e pegar a fortuna da família quando o pai morresse. Alguns anos se passam, o cara finalmente morre e aí as coisas tomam um rumo que BOOM. É lindo de ler.

Esse livro me fez amar a leitura e ele mora no meu coraçãozinho sulista (na cabeceira de minha cama, para ser mais exata).

A insustentável leveza do ser 

Acho que todo mundo que me conhece já está de saco cheio de me ouvir falar desse livro. Mas, curiosamente, nunca consegui escrever uma resenha sobre ele no blog. Por quê? Porque esse livro maravilhoso fala sobre... tudo.

Como assim "fala sobre tudo", Mia?
Senta que lá vem a história, coração.
Milan Kundera, o autor dessa obra pedante, é um senhorzinho que se usa de personagens como pano de fundo apenas para que seus grandes monólogos não pareçam tão narcisisticamente metidos a besta e sejam mais ou menos aceitos pelo grande público. Nesse livro em particular ele conta suas visões sobre filosofia, história (especialmente no quesito ~primavera de Praga~), música erudita e várias outras coisas, tudo com um pano de fundo de 4 personagens: Tereza, Tomas, Sabina e Franz.

Suas histórias importam? Sim e não. São histórias comuns, que poderiam acontecer a qualquer um naquela época e naquele lugar, porém o grande truque kunderiano aqui é que: ele vale-se das personagens para manifestar suas opiniões refletindo acerca de suas atitudes como se fosse o grande analista universal e, o livro, seu divã.

Enfim, é magnífico, maravilhoso, estupendo e já o li mais de trinta vezes desde meus 17 anos (e cada vez que o leio, percebo uma coisa diferente; é encantador!). Ele mudou minha vida porque me fez questionar coisas antes inquestionáveis, pensar acerca de tudo, não aceitar respostas prontas, analisar as situações, pessoas e a mim mesma, claro. Ele me deixou menos boba.

A casa dos espíritos 

Quando terminei esse livro minha vontade foi de abraçar a dona Isabel Allende e tomar, sei lá, um chocolate quente com ela enquanto a agradecia fortemente pelo bem que ela me fez ao escrever tal obra.

Isso porque quando esse livro me caiu em mãos eu estava numa depressão terrível. Lembro que no levei um tombo da escada, no escuro, chorei horrores e toda aquela deprê pela qual eu estava passando chegou a seu ápice. Estava acabada. Mas, como nada mais tinha a fazer a não ser esperar pelo morte (drama), abri o livro que havia pegado aquele dia e comecei a lê-lo. E, olha, foi o primeiro passo para a superação.
exato dia em que o peguei na biblioteca, ao chegar em casa,

O livro conta a história da família Del Valle - Trueba durante três gerações. Allende valeu-se da história de sua família para criar a trama que é enredada firmemente com a história política do Chile. Não falarei mais a respeito por motivos de LEIAM-NO, de verdade. Mas esse livro me fez começar a ter o sentimento de "pessoas passaram por coisas bem piores do que eu e reergueram-se; tenho de tomar vergonha na cara e mudar a minha vida, porque ninguém mais o fará por mim". Ajudou. Ajudou e muito. Literalmente, essa atitude mudou minha vida.

E é isso, gente.
Eu poderia continuar falando acerca de livros que mudaram minha vidinha por aqui, mas né, limites.
Porém, é um fato que: a leitura é, sim, transformadora. E eu não consigo imaginar minha vida sem ela.
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2 comentários:

  1. "A insustentável leveza do ser" - eu amo tanto esse livro q meu filho imaginario, q nunca terei, vai se chamar Milan...

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Wink .187 tons de frio.