Do fundo do meu coração...

Às pessoas-chuchu que facilitam minha vida aloprando loucamente. ♥ 


Cês sabem que eu não falo palavrão.
Caso não o saibam, fiquem sabendo agora: não falo palavrão.
Não tem um porquê definido. Apenas não me apetece. Prefiro dar um sorriso irônico e seguir em frente. Não por polidez, mas por preguiça mesmo que me estressar por coisas à toa é algo que deixei no passado.

Ou assim pensava.
Porque ~com o perdão da palavra~ que dia cu.

Às vezes tudo o que você precisa é de um abraço e um colo pra chorar. Não é o que você quer, mas o que você precisa. Eu sou uma pessoa super reservada - e todos ficam chocados aqui, porque eu falo pra caramba quando quero; mas nunca o essencial, o importante - e não falo do que está no meu íntimo. Tenho resistências para conversar até mesmo com as pessoas em quem "confio". Mas há dias em que estou mal. Há coisas que me machucam de formas que não consigo exprimir exceto com lagriminhas silenciosas. Aí eu peço colo. (Não literalmente, que não sou louca.) Abraço. Chego mais perto, tento uma aproximação mais carinhosa porque, olha, preciso.

E o que a pessoa faz? ME EMPURRA E DIZ PRA EU VIRAR ADULTA.

Olha, desnecessário, né. Extremamente.
A pessoa - e veja bem que estou dizendo pessoa no singular, quando na verdade eu deveria estar usando o plural, já que foram três maravilhosas pessoinhas-chuchu que fizeram tal coisa hoje - nem me pergunta o que eu tenho. Nem se dá ao trabalho de querer saber. Não porque não percebeu que há algo de errado. Percebeu tanto que falou ("tá com cara emburrada, Mia, pára com o mimimi"). Mas não perguntou. E eu nada contei porque não sou de falar quando não me dão abertura.

Mas aí que ontem me foi jogado na cara uns traumas bem pesados que tenho. Me foi dito - por gente especialista na área - que pessoas que passam pelo que eu passei JAMAIS recuperam-se e vivem a vida inteira numa carência afetiva/emocional, sem ter estrutura alguma pra lidar com nada e não vão pra frente em seus projetos, mesmo que tentem, porque lhes falta o essencial, fora que nunca confiarão em alguém. A pessoa que disse tal coisa não faz ideia dos meus traumas. Não faz ideia que isso se aplica a mim. E não faz ideia do quanto luto para que essas sentenças não tornem-se verdade na minha existência.

Aliás, a semana inteira, desde sábado, coisas ~traumatizantes~ têm sido jogadas na minha cara, uma atrás da outra. É como se o universo tivesse preparado uma temporada de melhores momentos da Mia se ferrando lindamente e tivesse resolvido jogar tudo na minha cara assim, de uma vez só, com o intuito de entreter os espectadores entediados.

E eu não estou com saco, tempo ou vontade de sentar e explicar que, olha, queridas pessoas, a tia Mia tem certos problemas com babaquice alheia e uns traumas bem pesadinhos na bagagem, portanto fiquem na de vocês até essa nuvem negra de macumba passar. Não estou com a mínima disposição para paparicar pessoas. Não quero dar atenção para quem não me dá. Não quero ser delicada com quem só me manda catar coquinho na beira da estrada. Não quero explicar os meus porquês para quem não se importa e só fará rir da minha cara pelas costas ou dizer que é drama, é mimimi. Porque não é drama. Não é mimimi. É A PORRA DO UNIVERSO COLOCANDO O DEDO ESCROTO NAS MINHAS FERIDAS MAIS PROFUNDAS E ME FAZENDO DESMANCHAR DE CINCO EM CINCO MINUTOS. Caramba.

E se eu não fico cutucando as feridas de vocês e passando merthiolate ~o ardido, o bom~ em cima, então não me venham encher os pacovás querendo analisar o que é ou não relevante para mim.

Em quatro palavras-salvadoras: VÃO TOMAR NO CU. ♥

Agora licença, que tenho prova daqui a sete horas. 

2 comentários:

  1. Que merda, Mia... Que merda porque eu lendo tudo isso pensei na briga que eu tive com uma amiga. Eu percebi que tinha algo errado, fui lá perguntar (de forma carente, mas ainda assim interessada no que se passava com ela) e ela dizendo "não é nada, me deixa". Aí deu no que eu e brigamos feio.

    E eu pensei nela porque... ainda que ela esteja longe, queria que ela tivesse essa gana de querer um abraço quando está mal. Querer alguém por perto pra concordar que a vida é such a bitch na maior parte do tempo e pra dizer que as coisas saem do lugar pra mudar de forma um pouquinho e depois tudo se encaixa de novo, e a vida é assim até o fim. Nada fica no lugar pra sempre.

    Eu teria abraçado aquela amiga com todas as minhas forças. Mas de repente, Mia, a abordagem das pessoas com relação a ti era no sentido de: "Caiu? Então levanta." Como que querendo te fazer se dar conta de que não são elas quem vão fazer passar o horror dos teus traumas. Elas estão ali pra oferecer um ferrolho, mas não serão capazes de extrair esses traumas nem fazer esquecer os momentos ruins. Diante do que tu passou, essas pessoas podem se sentir impotentes porque, lá adiante, elas vão ser requisitadas pra te consolar sobre as mesmas coisas, as quais elas não foram capazes de te fazer esquecer e parar de sentir. Entende?

    Sobre nunca se recuperar de traumas: BABAQUICE. Imagina se todo mundo ficasse traumatizado com acidentes de carro, assaltos à mão armada ou qualquer outro infortúnio da vida (inclusive o trauma pelo qual tu passou). Ninguém sairia na rua. Ninguém trabalhava. Ninguém fazia nada. Todos ficaríamos no chão do quarto em posição fetal. E tu saindo de casa todos os dias, enfrentando um dia inteiro atrás do outro, tendo amigos, tendo vida social, estudando: TU TÁ MOSTRANDO O DEDO DO MEIO pros teus traumas. E devia fazer o mesmo com a baita profissional que falou uma coisa tão estúpida.

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  2. Não sei se o comentário foi, socorro.
    Mas, eu só tinha dito pra isso passar logo e você ficar bem.

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Wink .187 tons de frio.