Na vibe Lily Aldrin de ser

O dia de hoje em uma imagem: 


Começou com o fato de que tive de sair às 5h30min da manhã para pegar o ônibus e o mundo estava desabando em cima de mim. Nada contra chuva. Adoro dias chuvosos. Mas precisa ser a tempestade do ano sulista JUSTAMENTE no dia do passeio ao Arquivo Histórico de Porto Alegre? Não precisa, gente.

Fui a primeira a chegar ao curso, após uma hora dentro de um ônibus cheio de gente suada (quem sua no frio, meldels?!) e com todas as janelas fechadas, porque o cerumano tem PAVOR de abrir uma frestinha que seja da janela quando está chovendo.

(Parêntese para dizer que: uma das coisas que me dão ódio no coraçãozinho é essa gente que tranca todas as janelas do ônibus. Todo mundo respirando o mesmo ar contaminado, todo mundo trancado, aquela mistura de cheiro de perfume com o famoso "não tomo banho há uma semana". A única coisa que tenho vontade de fazer pela manhã, quando pego o ônibus-de-sempre, é sair dando a louca e abrindo a todas as janelas. Não que eu já não tenha feito isso, mas o estresse, né. Dia desses estava eu no ônibus. Abri minha janela, como sempre faço - afinal, já sento na janela pra poder colocar a cara ali perto e respirar, caso contrário não dá, não tem jeito. Nisso, um senhor sentou atrás de mim e, do nada, meteu a mão na MINHA janela e a fechou. Eu meti a mão e a abri. Ele a fechou. Eu a abri. Ele a fechou de novo. Ele a abriu de novo. Quando ele foi fechar de novo, meti a mão e não deixei, ao que ele ainda reclamou com um "Qualéquié sua louca, não tá vendo que é pra fechar porque tá vindo vento na minha cara?!". GRI.TAN.DO. comigo. E, amigos, façam o que quiserem, mas não gritem comigo. Então eu virei-me calmamente, olhei nos olhos de galo depenado do cara e disse: "Senhor, eu posso continuar fazendo isso durante a manhã inteira." E dei um sorrisinho, porque sou dessas. Ele tentou gritar, espernear, e eu disse que a janela é minha, que ela ficaria aberta enquanto eu ali estivesse e coloquei minha mão bloqueando-a. Ele não se atreveu mais a olhar pra minha cara. A louca das janelas, eu.)

Estava eu sozinha, apenas o segurança e eu, às 6h e pouca da manhã lá no curso. E por que eu fui tão cedo? Porque ou vou MUITO cedo ou vou MUITO tarde. Não há meio-termo para quem mora no Morro dos Ventos Uivantes lindo local onde moro. E teria passeio, no Arquivo Histórico. Eu precisava estar cedo porque o ônibus sairia dali num horário x com todos os que lá estivessem e quem não estivesse lá a tempo que se ferrasse e fosse sozinho ou não fizesse o relatório depois e perdesse lindos pontinhos que me ajudariam a passar numa disciplina que consiste em costurar, furar os dedos, costurar, lixar papéis, ferrar as unhas, costurar mais um pouco, na qual falho miseravelmente em cada aula. Mas enfim. Então fui.

Após muitos minutos de leitura silenciosa e sozinha de Paulo Freire, namorado chegou. Logo mais, o resto da turma chegou. Mas o passeio atrasou porque CHUVA, TEMPESTADE (Vampira, Ciclope, Wolverine) e todo esse mimimi gaúcho de cada dia. Finalmente fomos ao tal passeio. Uma viagem dozinfernos. Adoro a minha turma, todo mundo se entende bem - raridade, mas é verdade: as pessoas realmente gostam umas das outras lá -, mas a pessoa que resolve não usar fone de ouvido enquanto escuta música me faz querer pular da janela em movimento. Ainda mais quando a tal música é funk. APENAS NÃO.

Fomos lá. Dormi em pé no processo de visita, porque né, não estava sendo possível. Superinteressante, adoro o assunto, mas sono, todo mundo de pé, parado, durante uma hora, ouvindo explicações sobre o funcionamento do local, blablabla. Supimpa, mas nem tanto assim. Quando finalmente de lá saímos passamos por toda a viagem infernal novamente com um adendo: congestionamento dozinfernos por motivos de *chuva*. Porque as pessoas têm medo de dirigir na chuva. As pessoas têm medo de fazer QUALQUER COISA na chuva. E eu olhando pra'quela janela em semi-movimento com a chuva batendo e tentando me focar no mantra ~respira e faz a concentrada~. Funcionou? Funcionou.

Chegamos. Fui almoçar FINALMENTE e... o celular não parava de tocar (inclusive, enquanto digitava esta frase, ele começou a tocar novamente, demonstrando claramente quem manda na relação). Caso ainda não saibam: eu ODEIO ligações. Apenas pouquíssimas pessoas (mamis, papis e namorado) possuem o direito de me ligar. Caso não seja uma delas, você pode me ligar se:
a) estiver morrendo;
b) alguém tenha morrido;
c) eu tiver um encontro marcado contigo e não estivermos nos encontrando por motivos de sermos geograficamente perdidas;
d) não há outra alternativa.
Se nada disso estiver ocorrendo, você NÃO ESTÁ AUTORIZADO a me ligar. Me manda e-mail. Mensagem no fb. Sinal de fumaça. Ondas psíquicas. Mas não me ligue.

Nem vi direito quem era. Desliguei o celular na hora e fui comer. Comi, fiquei agarradinha no namorado até chegar o horário de ir pra o estágio e lá fomos nós. Quando saí pra rua: O HORROR. Tudo alagado. Ventos fortíssimos que quase quebraram minha sombrinha cor-de-rosa-choque. A ideia era caminhar 6 quadras até a parada. E lá fui eu. EM MEIO A TEMPESTADE. ♥

Cheguei ensopada, peguei o ônibus e abri um livro (Cem anos de solidão, essa coisa marlinda que existe ♥). Quando dei por mim, faltavam duas paradas para que eu descesse e eu havia dormido em cima da página. Correria. Guardar o livro na mochila, colocar a mochila nas costas, pegar o cartãozinho da faculdade para acessar o laboratório, preparar a sombrinha para ser quase que mutilada novamente, dar o sinal e descer. Funcionou. De formas inexplicáveis, mas funcionou.

Cheguei ao laboratório e... só um pé molhado. Quer dizer, eu estava completamente molhada, mas não os pés. O certo seria que os dois molhassem, mas não... tinha de ser só um. O motivo jamais saberemos, visto que não há furos na bota, a água não entrou por cima, nem por baixo e meu pé não começou a fazer as vezes de uretra e verter xixi. Mas o fato é que, cinco horas depois, aqui estou eu, digitando este texto após terminar dois trabalhos exaustivamente chatos, com uma fome de doce - sendo que só tenho salgado, ó que delícia isso -, ouvindo a maldita tempestade cair na janela ao lado e ainda com um pé - UM, APENAS UM - encharcado.

Posso voltar para casa agora? Não.
Posso ir para qualquer outro lugar? Não.
Posso ir até o R.U. comer uma fatia de bolo de chocolate? Não.
Por quê?

PORQUE ESTÁ CHOVENDO O MUNDO LÁ FORA. ♥ E eu só voltarei para casa às 23h, num ônibus lotado de pessoas desprovidas de higiene corporal e boas maneiras.

Universo, este é meu recado pra você:


Porque Lily Aldrin é a expressão de tudo o que tenho a dizer hoje. 

3 comentários

  1. Certa vez era eu num combate pela janela, mas eu estava fechando porque estava frio, tinha mais janela aberta e estava chovendo. A janela escancarada, mas eu fechei. O casal indie atrás de mim começou a fingir que estavam tendo um ataque de tuberculose e falando que iam infectar todo mundo.

    Ainda bem que eu estava lendo um livro maravilhoso, senão teria me virado pra perguntar se eu precisava chamar a SAMU ou o veterinário, hue

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  2. SHUASHAUSHAUS Gente, que genial. Eu pegava ônibus todo dia de manhã pra ir a escola e achava super legal, no segundo semestre eu já tinha enjoado e achava o maior saco dividir espaço com gente fedida. Enfim, hoje em dia ando uns bons dez minutos até a minha escola e sou super feliz, menos na hora da entrada. Também tenho 1,50 de altura e IMAGINA UM ÔNIBUS LOTADO, então, essa é a minha escola 7:30 da manhã, e nessa brincadeira nada legal eu sou esmagada até chegar na sala de aula, e não tem nem como despencar da escada, é tanta gente espremida que não dá nem pra cair, supera até a traumática fila da cantina que nem pego mais, peço ao mozão pra pegar o lanche pra mim, tenho péeeeeessimas recordações daquele negócio. Enfim, a vida é linda, seu blog é lindo, e me identifiquei de cara <3

    Bomba de Morango

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  3. Que dia do cão! E o pior é que eu me identifico com isso de uma maneira que me deixa até meio triste. Mas feliz por saber que não estou sozinha. Hahahahahah.

    Beijos!

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