Nos embalos do cobertor quentinho

Este post está na pasta de rascunhos há três dias por motivos de: não sei que título colocar neste maldito texto. De modo que o título será/é essa coisa nonsense que aí em cima está e estará sujeito a mudanças a qualquer momento porque sim. 

Meu pai, ao ouvir uma das músicas que tocam naquele filmezinho esquisito cujo nome é A mulher invisível, pede que eu procure uma das músicas pra ele porque "ah, que saudade do meu tempo de juventude, quando eu caminhava a Borges inteira só pra comprar o LP dessas músicas pra tocar nas festas a pedidos das pessoas".


Aí eu fico pensando: meu pai, na minha idade, era organizador de eventos, festas, qualquer coisa com gente, música e bebida. Um de seus apelidos, inclusive, era ~bailarino espanhol~ por conta da desenvoltura com que se movimentava na pista de dança ao som de músicas supimpas e vestindo algo semelhante às roupas do Tony Manero. Minha mãe, quatro anos mais nova que meu pai e muito mais retraída, já era mãe de meus dois irmãos mais novos e mesmo assim frequentava as festas, bebia, se divertia com os amigos e os irmãos. Meus tios eram amigos de bebedeira e futebol do meu pai e foi numa dessas festas em que ele era o DJ que mamis e papis se conheceram e iniciaram um relacionamento que dura há mais de trinta anos e resultou em três filhos.

Eu, ao contrário de meus pais, não bebo, não vou à festas e não sou fã de futebol. Não tive filhos cedo - nem sei se pretendo tê-los a essa altura do campeonato, pra falar a verdade -, não danço na frente de outras pessoas e nem ao menos tenho histórias de ~pegação na balada~ para contar - ou a deles, que é: "conheci o amor da minha vida na balada". HAHAHAHA QUE PIADA, GENTE.

Eu estudo o dia inteiro. Pela manhã: biblioteconomia. À tarde: bolsa de pesquisa de pedagogia. À noite: pedagogia. E isso não é desculpa pra não ir à festas ou coisas do tipo. Há muitas gurias na faculdade que vão vestidas pra sair de lá arrasando, direto pra algum evento. Eu vou vestida com a primeira coisa que encontro no guarda-roupa às 5h da manhã. Passo o dia inteiro pensando no momento em que finalmente chegarei em casa e aquela cama gostosa, quentinha e cheirosa estará me esperando com seus lençóis esticadinhos, seus ursinhos de pelúcia e sua colcha decorada. Penso no banho quente que tomarei ao chegar, no meu roupão azul e no quanto ainda tenho para estudar no outro dia.

Finais de semana? Divididos entre: estudos-limpeza-namorado. Nem sempre dá tempo de assistir a algum filme, mas sempre consigo assistir ao menos a algum episódio de uma das trocentas mil séries que acompanho. Aí a pessoa me pergunta COMO não priorizo a diversão e... veja bem: eu me divirto estando em casa. Lendo. Escrevendo. Ficando abraçada no namorado. Assistindo filmes/séries/documentários/desenhos. Dormindo. Cozinhando. Fazendo QUALQUER COISA que não necessite de seres humanos ao meu redor. Nunca entendi muito bem essa coisa de ~sair pra se divertir~. Ainda mais à festas. Quando penso em festas o que me vem à mente é: barulho, suor, dor de cabeça, gente desprovida de parâmetros sociais e dor nos pés, porque nunca terá um lugar para sentar. Podem observar: o povo fica no tutz-tutz-tutz e JAMAIS tem lugar para sentar. Eca.

Quando eu era menor tinha a impressão de que precisava ir à festas e participar das coisas, ter uma vida social ativa e blablabla. Durante muito tempo tentei me encaixar e acabei com um repertório vasto de músicas e assuntos legais pra falar com todo o tipo de pessoas - afinal de contas, tive aulas com meus pais, simplesmente as pessoas mais descoladas da Porto Alegre dos anos 70. E, realmente, sei falar com qualquer pessoa sobre qualquer assunto quando quero. Mas nunca quis de verdade. Queria pertencer a algo, a algum grupo social, e esse querer durou por muitos anos. Até que um dia eu percebi que não, isso não pode acontecer, simplesmente porque eu já me pertenço. Eu sou meu grupo social. O grupo daqueles que estão cansados demais pra conversa fiada. Que estão cansados demais pra usar salto alto. Que estão com sono demais pra ouvir música alta. Que estão com preguiça demais pra beber até cair.

Dizem nas rodas de conversa familiares que eu puxei essa preguiça social do meu avô inglês, que simplesmente nasceu cansado demais pra lidar com qualquer coisa. Mas isso não é sempre, de qualquer forma. Eu sou extremamente sociável dentro da minha bolha segura de amizades. Só não serei sociável se quiserem me arrastar pra uma festa à noite com gente maluca bebendo todas, música altíssima e suores alheios.

Mas que esteja registrado que meus pais não tiveram nada a ver com isso, hein. Isso é coisa minha mesmo. Ou da veia inglesa. Sabe-se lá. 

15 comentários

  1. Minha eu de algum tempo atrás se identificaria muito com seu texto. Minha eu atual se identifica parcialmente, à depender do meu humor no dia. Gosto de sair e até ir pra festas, que antes eu também considerava só mais um monte de gente suada num espaço apertado, até descobri lugares que eu realmente gostei de ir. Mas tem dias que simplesmente não quero conta com nenhum ser humano que não seja personagem de livro/seriado e não tem santo que me faça sair da minha cama. E não acho que não estou me divertindo e muito menos desperdiçando meu tempo, cada um se diverte de um jeito né? Ou de vários jeitos hahaha

    P.S.: Eu adorei o título do post. Mesmo. <3

    Beijo!

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  2. Como é possível rolar tanta identificação com um post? Sério, é como se fosse a minha vida aí, toda escrita, direitinho! Houve um tempo na minha vida em que eu tentava mesmo me enturmar, entrar nessa vibe "tenho que ir na festinha" e socializar. Mas eu sempre soube que essa não era eu de verdade. Sempre me senti mais satisfeita no meu canto, lendo, assistindo seriados e filmes, dormindo. E tudo bem, sabe? Talvez eu tenha demorado um pouquinho para me aceitar assim, mas agora que sei que sou feliz assim, naaaada me abala. Sou introvertida e curto ficar na minha - e não tem nada de errado com isso. (:

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  3. A minha genética é forte: herdei tudo de você, HAHAHAHA.

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  4. Olá
    nossa, que texto em, não acredito que você tinha ele guardado a tanto tepo e não postava rsrs, titulo é o meu defeito tambem, achei muito bom tanto o titulo quanto o texto
    Bjks
    Passa Lá No Meu Blog- http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    A melhor coisa é ficar em casa, lendo um bom livro ou assistindo série. Eu também nunca fui de ir em festas (sou virgem nesse quesito). Acho que isso varia de temperamentos. Adorei seu texto.

    Beijos
    http://www.breakingfree.blog.br/

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  6. Mia, me identifiquei demais com o seu texto.
    Sou mega feliz na minha bolha social.
    Ficar em casa com o namorado, lendo ou assistindo série é o que há de mais perfeito pra mim.
    Não tenho saco nem disposição para salto alto e música alta quando penso nas provas que tenho que elaborar e corrigir.
    Ficar em casa pode ser uma ótima diversão depende de como você é.
    Amei mesmo seu texto.

    Lisossomos

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  7. Olá!
    Nossa, eu era assim também. tentava me encaixar em grupos sociais, achava que tinha que gostar de balada e bar como todos os meus amigos da faculdade, mas depois acabei me aceitando assim como sou, caseira. Prefiro estar em casa com a familia, ver filmes, navegar na net e estudar do que ficar por ai em bares, baladas e festas, ainda mais porque sou alergica a bebida, ai já viu... Mas, eu gosto de festa de criança, nessas eu vou porque sempre tem comida boa e lugar pra sentar hahah
    Adorei o seu texto <3
    Beijos

    LuMartinho |Face

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  8. Eu acho que somos muito opostas. Eu sou um espécie de ninja, pois adoro sair, festas, beber muito, dormir pouco e estudar 30 minutos antes das provas da faculdade e ainda tirar boas notas kkkkk. Apesar do texto estar com aquele problema que acontece as vezes (odeio quando acontece no meu), consegui captar sua mensagem e gostei muito do seu texto. Bjs

    Território nº 6

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  9. Duas coisas, 1 que apelido legal do seu pai e 2 amo essa música.
    Eu sou exatamente assim, vivo na minha bolha kkk e também tinha essa percepção quando ia em festas, por isso eu prefiro ficar em casa lendo! kkkk
    http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br

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  10. Olha somos bastante parecidas, porque eu também não gosto de sair e nunca fui de balada ou de ficar com várias pessoas sabe? Eu sou muito na minha. Sou bastante caseira e gosto de sempre tá curtindo um filme e a familia quando dá. Agora em relação ao relacionamento o meu tah indo por água abaixo e eu sinceramente nem estou mais preocupada, até porque a gente tem que dar valor no que a gente tem certo? Mas olha tenho que te confessar que perdi aquele sonho de casar e ter filhos. Acho que hj em dia eu já nem penso mais nisso. Eu quero ter uma pessoa na minha vida, mas não sei se futuramente quero ter filhos não. Já não passa isso na minha cabeça também. Mas seilá, o destino a Deus pertence né? Gostei bastante do seu texto. Parabéns =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/05/resumo-do-mes-maio.html

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  11. Acho que hoje em dia temos que escolher um "time" e seguir a linha dele: se é extrovertido, tem que sair pra festa, pra beber, pra conhecer gente nova a cada 30 minutos, ver o mundo, etc; se é introvertido, tem que abominar as coisas acima, ficar entre 4 paredes vendo os outros sendo os outros e não ter que se meter na vida deles.

    Eu sempre tive recalque com festa porque meus pais eram rígidos quanto a horário e com festas começando meia-noite eu não ia pagar 25 realidades pra ficar duas horas e voar pra casa antes da bronca. Então eu tive que ODIAR as festas por causa do recalque, mas quando consigo curtir uma balada com músicas boas ou toleráveis, sempre dá pra curtir, mesmo pra quem é uma total n00b como eu. Já fico horrorizada com umas gurias que mal têm pelo na vagina ficando só de sutiã no meio da festa e depois vão pro Facebook pregar o feminismo dizendo que não são obrigadas (a terem um pingo de decoro que seja...)

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  12. Me identifiquei muito com seu texto. hahahaha Sou daquelas que prefere ficar em casa lendo ou assistindo série com o pijama mais desgraçado que tiver. :P
    Ainda bem que meu noivo também é assim, daí ficamos cheio de preguiça em casa juntos. <3
    Eu até tenho vontade de sair e fazer algo diferente de vez em quando, mas fico na vontade mesmo. :P
    www.apenasumvicio.com

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  13. Gente quase um biografia minha hahahaha
    Me identifiquei 100%, amo ficar em casa mofando no meu quarto lindo. Mas confesso que saio e já fui muitas vezes para balada mas sem me senti deslocada.
    Hoje prefiro ficar com meu noivo em casa, assistindo filmes, jogando video game e tals.
    O Diário do Leitor

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  14. Olá, tudo bem?
    Adorei o texto, vou mostrá-lo pra minha mãe que acha que não sou normal por não gostar de sair, badalar, beber, cair e sei lá mais o quê. Ela adora uma festa e sempre tem gente lá em casa, fazendo churrasco, bebendo e tal. Eu não não muito fã do barulho, então sempre fico no meu quarto, peço até pra ela trazer a comida pra mim quando é algo que quero comer.
    Achei legal saber que tem mais gente assim, que se diverte lendo, escrevendo e estudando e não saindo por aí.
    Super beijos <3

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  15. Acho que somos a mesma pessoa! hehehehe. Não suporto lugares lotados, muito menos lugares lotados com música alta. Prefiro ficar em casa com meus livros e minhas series, deitadinha na minha cama ouvindo música baixinho no fone de ouvido e podendo ir assaltar a geladeira a hora que eu quiser. Minha mãe nem meus amigos entendem essa minha preferência, mas não vivo pra agradar ninguém, não é mesmo? Super te entendo!
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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