There's no such thing as true love

O problema de ser metida a escritora (ou ter uma veia literária, uma alma feita de poesia e todas essas coisas bonitas que usamos para justificar a necessidade intrínseca de sentar e escrever sobre tudo e nada ao mesmo tempo) é que sempre há momentos em que precisamos dormir, mas não conseguimos porque há aquele assunto. Sempre há um assunto. Sempre houve. Sempre haverá. Um assunto do qual não gostaríamos de falar. Um assunto do qual não falamos nem para nós mesmos. Aquele assunto que evitamos o quanto podemos porque é perturbador demais, porque não temos tempo para isso, porque não, apenas porque não. Até que aquele maldito assunto não nos permite dormir e a pessoa se percebe acordada durante a madrugada sendo que PRECISA dormir porque terá de acordar dali a 4 horas para ir até uma sala de aula e apresentar um trabalho sobre os conceitos de tratamento da informação.

Esse assunto, para mim, é amor.
Mais especificamente: o fato de eu não acreditar no mesmo.

Eu sei que eu vivo dizendo que ó, o amor, que coisa linda o amor. Eu sei que escrevo poemas românticos. Eu sei que sou uma pessoa carinhosa pra caramba e que diz que ama as pessoas e tudo o mais. E talvez as ame, realmente. Mas não consigo acreditar em amor romântico. Quer dizer, é tudo cíclico. Você se apaixona. Vive ótimos momentos. Você acha que ama a pessoa, talvez até a ame realmente. Esforça-se para que dê certo. Aí não dá, porque a vida acontece. A relação termina. Você pragueja o amor. Não quer mais ninguém. Você se apaixona. E tudo recomeça. Creio que o amor romântico é a invenção de alguém que quis justificar o sentimento calmo que ocorre após o calor da paixão, aquela loucura dos primeiros tempos. Sobra um carinho, uma acomodação, um "ele tem um sorriso tão lindo". Um cuidado. Algo bom, realmente. O suficiente para viver junto da pessoa por um tempo, grande ou pequeno. Mas... será amor? Eu não estou em posição de julgar os sentimentos alheios e não tenho a mínima pretensão de definir o que é ou não é amor. Cada um com seu cada um, ué. Mas quando penso em pessoas que amo verdadeiramente, apenas algumas me vêm à mente. Porque para mim o amor pode ser definido pela resposta da simples pergunta: como eu ficaria se aquela pessoa morresse? Se eu visualizo a mim mesma seguindo em frente numa boa apesar dos pesares, não era amor, era convivência.

A gente sente falta da convivência. A gente ama a ideia do amor. Porque é algo bonito, sabe. Muito bonito. É bonito pensar em ter alguém que nos amará para sempre, alguém que sempre estará lá por nós, alguém que não suportaria nossa ausência. Mas na maior parte das vezes a realidade é que apenas nossos pais agem assim, e olhe lá. O resto... Pessoas podem ser substituídas. Sentimentos, desfeitos. Lembranças deixadas num canto escuro da mente para todo o sempre, amém.

Aí alguém pode vir aqui e dizer que tô escrevendo isso porque meu namoro terminou. Mentira. Estamos juntos, somos um casal lindo e nos divertimos pra caramba, por sinal. Combinamos. Mas minhas ilusões a respeito do amor e de relacionamentos acabaram há cerca de um ano e pouco. Nunca mais chamei alguém de "amor da minha vida". Algumas músicas perderam o sentido. Porque fica meio sem sentido após algum tempo, sabe. Quer dizer, a pessoa passa por vários namoros, conhece várias pessoas... Não dá pra ficar chamando todo mundo de "amor da minha vida". O amor da minha vida sou eu, ué. Há o amor de agora, a pessoa que está comigo agora. Sei lá eu do futuro. Vai que acabe? Tudo é possível. Se restar um sentimento bonito, se desenvolver pra um amor fraternal, aquela coisa de amigo mesmo, já me darei por satisfeita. Se resultar em casamento... sei lá. SEI LÁ, CARA. Esse assunto me assusta pra caramba. PRA CARAMBA.

Acho engraçado quando as pessoas que convivem comigo falam que não acreditam quando digo que, olha, não acredito nessa coisa de amor romântico. Se pá acredito em relacionamentos. As pessoas simplesmente não creem que eu seja tão... "fria" assim. Isso porque sou uma pessoa extremamente carinhosa. EXTREMAMENTE. Cuidadosa. Eu não gosto de muitas pessoas, mas de quem eu gosto, gosto mesmo. Só que às vezes (sempre) as pessoas confundem esse meu gostar, esse meu jeito carinhoso e cuidadoso de ser com amor. Quando não é amor. Não é, gente. Eu sei que muitas pessoas quererão ter uma conversa séria comigo após este texto e talvez até mesmo fiquem de mal, mas... NÃO É AMOR. Eu gosto de vocês. Pra caramba. Mas amo, no máximo, 5 pessoas (e estou sendo generosa aqui). E dessas 5, apenas teria verdadeiras dificuldades em viver sem 2 delas. O resto... bem, lamentaria, mas a vida continua. OU SEJA.

Eu  não sou romântica. Se eu tivesse de escolher uma personagem que me represente, escolheria a Summer. Não sou completamente uma Summer porque disfarço melhor. Disfarço mesmo. Mas, por dentro, a configuração é basicamente a mesma.

Teve aquela monja que disse que as pessoas confundem apego com amor. Acho que isso é verdade. Uma das pessoas que eu amo nesta vida é alguém que, sinceramente, pode pegar a guria que quiser e eu nem tô aí. Não sou ciumenta. Só quero que a pessoa esteja bem. Quero que esteja feliz. Que viva todas as oportunidades boas (e ruins também, porque a gente aprende quebrando a cara) que a vida lhe proporcionar. E quero que nos demos bem sempre. Ou, ao menos, até quando pudermos. Aí me perguntam: se tu ama tanto a pessoa, por que não namora/casa com ela? PORQUE EU NÃO QUERO.

Eu não quero viver na mesma casa com essa pessoa.
Não quero namorá-la.
Não quero ter filhos com ela.
Não quero ser cobrada acerca do que eu tô fazendo com a minha vida.
Não quero um relacionamento amoroso.
Mas quem disse que pra amar é necessário estar junto num relacionamento amoroso? Quem disse que quem ama sente ciúme? Quem disse essas mentiras todas nas quais acreditamos?

E quem disse que o amor, da forma como nos foi ensinado, existe?

O amor é a convivência.
Não romantizo o amor. Não quero uma vida de conto de fadas (apesar de adorá-los, mas sou prática demais para isso). Não quero ser obrigada a dizer que meu namorado é o amor da minha vida sendo que, né, estamos apenas há alguns meses juntos. Também não quero, com isso, dizer que ele não será o homem da minha vida. Porque eu não sei. Eu só quero que não me encham os pacovás achando que eu quero ou sou mais do que digo. Porque eu sou carinhosa pra caramba, mas não sou romântica. Eu sou delicada, mas não sou frágil. Eu sou mulher, mas não sonho com um cara salvando minha vida. Eu quero ter filhos, mas não preciso de um homem pra isso. Eu amo, mas não acredito no amor.

E se isso parece contraditório pra vocês, então sugiro que não perguntem sobre o resto. A partir daqui é ladeira abaixo.

Em uma imagem: 
Clementine. Sempre. 

7 comentários:

  1. Mia, vem cá, me dá um abraço. Você colocou exatamente da mesma forma que eu penso e sinto. Por que é tão difícil as pessoas entenderem isso?
    http://umaallien.blogspot.com.br/

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    1. Bem, acho verdadeiramente que cada um vê aquilo que quer ver, guria. Mas né, a gente tenta. (E cria calos nos dedos de tanto escrever tentando explicar, no processo. RISOS).

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  2. Mia, me abraça??? Você me definiu em tantos níveis agora que não faço a menor ideia de como terminar o texto que eu tava escrevendo SOBRE O MESMO ASSUNTO porque você já disse tudo o que eu tinha pra dizer sobre esse tal de amor romântico.
    Na teoria eu sou uma pessoa super romântica, mas quando chega na prática sou um desastre e auto-saboto minhas relações. Todas.
    Tenho esse namorado polonês que conheci quando tava fazendo estágio na Alemanha e ele era todo romântico comigo e só pisei nas bolas do homem. Sei lá, eu meio que sabia que aquilo algum dia ia acabar e não queria abrir esse coração de pedra que tenho por motivos do passado. Aí acabou que a gente resolveu manter esse namoro mesmo a distância e eu vivo tentando boicotar achando 2392183 defeitos. Quando a gente briga, o trem sai feio. Minha patinha de Leão ferida e o chifre (risos) de Touro dele sai com uma lasca. Ambos orgulhosos demais pra ceder, mas aos poucos a gente se configura. Amar é se adaptar também, né? Abrir mão de algumas próprias verdades pra aceitar as verdades do outro. Ver a vida por uma outra perspectiva. Mas assim, ele fala em casar e eu piro na batatinha. "CALMA AÍ MEU FILHO". Morro de medo de coisas definitivas, sabe? Casar pra mim é um troço que tem que ser levado a sério porque com as facilidades de hoje, pra que casar se pode morar junto e ter união estável? MUITOS questionamentos.

    Me senti abraçada pelo seu texto. Ele me ajudou a entender um pouco mais sobre meus sentimentos e minha visão perante essa coisa grandiosa, maravilhosa e aterrorizante chamada amor.

    Beijos :))

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    1. ~abracinho~
      É assim mesmo, guria. Relacionamentos são complicados, mas acho que com o tempo as coisas vão se assentando. (Ou não.)

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  3. Meus sentimentos escritos com uma habilidade muito melhor do que a minha. Adoro seus textos, mas acho que eu já disse isso;
    Regina K.
    https://femfizeumesma.blogspot.com

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  4. Acho que o que aconteceu foi que tu perdeu aquela forma adolescente de amar. Gente de 18 anos dizendo que ama x namoradx e fazendo juras de amor pra mim é o típico amor adolescente porque a pessoa vai lá, acha que é amor (ou descobre que é amor) e se emociona. Eu mesma achei que fosse amor quando comecei a namorar aos 19 anos, e quase cinco anos depois, BUMMMM, fim.

    E outra coisa: acho que amor é definido dependendo do que cada um interpreta. Se pra uns é fazer sexo até sovar a genitália, beleza. Se pra outros é sentir vontade de estar perto, válido. Se pra outros é um status no Facebook, beleza.

    Amor é livre.

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  5. Você é pé no chão, não que não seja romântica.
    Eu entendo você levar a vida assim, afinal é fato que confundimos sim amor com apego.

    Particularmente não acho de todo ruim ter um cadinho de apego na pessoa, desde que seja recíproco, sabe. Desde que o relacionamento que as pessoas estejam tendo seja saudável e as estejam fazendo felizes.

    Mas sua visão de amar é um pouco parecida com a minha. Deixa a pessoa ser feliz como ela quiser, ou com quem ela quiser, da maneira que ela quiser. Devemos mesmo nos desamarrar desses ensinamentos sociais que quando a gente ama e não é amado devemos desejar o mal ao outro, muitas pessoas fazem isso, e acho isso de uma extrema baixo estima consigo mesma.

    Só desejo mesmo que as pessoas aprendam a deixar fluir melhor as situações da vida e vivam sem quererem fantasiar demais algo. Sabe, dá vontade de dizer, vive aí, mano, vive, tá podendo beijar? Beija! Tá podendo abraçar? Abraça! Viva!

    Sobre a monja, acho que sei de que vídeo falas, e é muito bom.

    Um abraço!

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Wink .187 tons de frio.