A única pergunta relevante é: cadê os livros?

Estou fazendo minha transição pra Letras aos poucos e tem algumas coisas bem bizarras que observei nesse novo mundo de gente metida a cult.

Na Pedagogia todo mundo se fala, todo mundo é amigo. Quando digo todo mundo, é todo mundo MESMO. O pessoal é extremamente comunicativo e aberto. Tenho amizade com gente de vários semestres. Tu chega no corredor, na sala de convivência, em qualquer lugar, e tem gente sentada conversando, olhando nos olhos, rindo, comendo, sei lá.

Eu não sou lá a pessoa mais comunicativa do Sul, mas o ambiente da FACED (Faculdade de Educação - há várias faculdades dentro da universidade onde estudo, cada qual com seu prédio) é super amor, super tranquilo, lindo de ver, cheio de cartazes e gente sorrindo e lavando morangos no banheiro... Tudo muito informal, adoro.

Na Letras, o pessoal é extremamente calado. Tu chega na recepção e já sente aquele peso do silêncio forçado. Lá, o pessoal usa elevador e não escadas. Na Pedagogia SÓ se usa escadas, quem usa elevador é tido como piada se não houver motivo real - o elevador só é usado mesmo por gente com alguma deficiência física ou se a pessoa tá com um carrinho de livros ou algo do tipo. Pois bem, tu chega e entra no elevador. EU ODEIO ELEVADORES. Já fiquei presa em vários e, spoiler: não é nada legal ficar presa num elevador. Mas aí que tu entra no elevador e o silêncio se aprofunda ainda mais, todo mundo fica se encarando e ninguém fala nada... É sinistro.

A pessoa chega no corredor - qualquer corredor, e aqui terei de dar uma pequena explicação: os corredores são REALMENTE corredores, as portas das salas ficam nas laterais e, ao lado das portas, há bancos do tipo bancos de igreja enfileirados - e se depara com a seguinte cena: todas as pessoas que estão esperando pelo início de suas aulas sentadas, uma ao lado da outra, nos bancos, mexendo em seus celulares, sem sequer olhar para os lados pra ver quem chegou e piscando muito, muito raramente. O silêncio é sepulcral. Todo mundo - sem exceção - mexendo no celular e com a expressão de um tédio profundo que, wow, dá aflição na pessoa.

Ninguém se fala. Ninguém se olha. Durante as aulas, ninguém interage. É como se fossem um bando de robôs silenciosos cuja vida útil depende do celular que carregam o tempo inteiro.

~esperava que estivessem com livros, não com celulares, hahahaha~
Eu me preocupo muito com isso, sinceramente. Parece que cada vez mais nós perdemos contato com o real, com o concreto, e vivemos apenas no plano digital, caminhando com as pontas dos tetos no chão de touch-screen.

Não que eu recrimine quem gosta de tecnologias e redes sociais - quer dizer, eu tenho blogs há quase uma década, se eu detestasse tecnologia não estaria aqui, não é mesmo? -, mas percebo que falta o elemento humano muitas vezes. O toque, o olhar, o conversar sem o uso de tecnologias, apenas sentar e tomar um café com alguém.

Mas, voltando à polêmica Pedagogia vs Letras: o pessoal é meio sisudo, porém as aulas são puro amor. Ao contrário de Pedagogia, em que o pessoal é puro amor, mas as aulas, ai, que morte horrível.

Aí eu apareci com meus livrinhos - porque tô sempre com algum livro, obviamente - e algumas pessoas levantaram os olhares de seus celulares e me olharam com uma cara de: que que ela tá fazendo?

Acho que terei de fazer uma revolução na Letras, gente. Risos nervosos.

Das coisas que.

8 comentários

  1. Acho que é só aí na tua faculdade que a galera de Letras é assim. Estudo Letras na federal daqui do Pará e por mais picuinhas e fofocas que sempre rola em todas as turmas, o pessoal é super extrovertido, alguns são mais espalhafatosos que outros, mas somos bem comunicativos *eu nem tanto* rs Assim como ocorre na Estadual daqui também. Ao contrário de ti não curto muito o pessoal de Pedagogia, confesso. Além das disciplinas desinteressantes, as pessoas que conheci desse curso também são. Pelo menos de onde moro.

    Beijos

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  2. Gente lavando morangos no banheiro da faculdade, adoro! ♥

    Mas, poxa, que ambiente meio errado, né? Quer dizer, também não tenho nada contra tecnologias e afins por motivos óbvios, mas o que custa conversar com o coleguinha? Na minha sala da graduação a gente não se amava, mas até que interagia bastante. Esse pessoal sentado no banquinho, todo sisudo, me assustaria (e olha que sou introvertida por natureza, haha).

    Beijo, Mia!

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  3. Gente, como assim pessoal de letras não andam com livros?" Chocada!
    Tomara que ao menos no celular, estejam lendo. haahhaa

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  4. Antes de comentar: Amei o Gif do Doctor who hahahahahahaha

    Minha irmã é formada em Letras e antes dela entrar no curso, vivia falando que lá ia fazer vários amigos, porque são pessoas que gostam de se comunicar, trocar idéias e tudo mais... Logo nos primeiros meses, ela disse algo parecido.. Lá são todos calados rs

    Já o curso que eu escolhi na faculdade, que achei que todo mundo seria fechado (finanças), não dava nem pra assistir as aulas de tantas conversas

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  5. Tu não tá numa turma de calouros? Quando eu tive minha primeira aula de Direito, tanto na ULBRA quanto na PUC, ninguém se falava. Mas um ou outro queria mostrar que sabia um pouco mais e esse era julgado imediatamente pelos demais.
    Mas de fato, o celular é uma coisa que te coloca na bolha. A conversa com alguém distante mas em tese mais interessante é algo muito atraente. Imagina se alguém vai se importar em forçar papo com um estranho quando pode falar em tempo real com aquela amiga vidaloka que tá na Holanda, por exemplo, hue!

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  6. eu faço letras também e fiquei meio chocada com esse relato! hahaha admito que na minha faculdade as pessoas são desnecessariamente pedantes, é uma guerra de ego que dá gastura até... mas todo mundo interage super! é galera sentada no chão, um deitado no outro, conversas altas no corredor a ponto de atrapalhar quem tá dentro da sala de aula etc etc etc. e o curso é puro amor mesmo, né? é absurdamente ingrato, mas é maravilhoso <3 tomara que você goste bastante!!!

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  7. Eu não posso falar nada sobre gente calada pois: sou dessas. SOU A PESSOA MAIS CALADA DO MUNDO. Nos primeiros semestres conversava com todo mundo, tinha meu grupinho, todo mundo saía junto, uma maravilha, mas agora que tô nas finaleras: nem tento mais. Entro sei dar oi, saio sem dar tchau, digo obrigada se me estendem a caneta que caiu no chão E OLHA LÁ VIU. Tô cada vez mais com preguiça de gente, hahaha. Não sei como é o curso de Letras onde estudo (não ficam no mesmo prédio que eu, aparentemente), mas tô numa gama de cursos (jornal, rp, pp) que tudo fala pelos cotovelos sem parar, umas matracas. Sempre fui meio tentada a fazer Letras, relate a experiência, please please please. Qualquer coisa mudo de curso, hehe. Beijos, Mia <3

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  8. Hmmm não posso deixar falarem assim da minha querida faculdade de Letras. Pelo que pareceu no texto, tu não frequentou muito o prédio né? Sim, muitas vezes o povo fica meio alienadão carrancudo, mas se tu der uma chance pra galera eles te surpreendem, sério. O maior "problema" visível 'digamos assim' seria a formação de grupinhos, bleargh. Parece até que o professor faz espelho de classe. Pense mais vezes antes de falar da gente, rum. T.T

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