Do privilégio de poder se educar

É possível que algumas pessoas se ofendam com este texto. Se você for uma pessoa portadora de autoestima baixa, isso é bem provável. Bem, eu não quero ofender ninguém com ele. Apenas quero explanar a minha visão e vivência sobre o assunto, okay? Okay. Tenha isso em mente antes de me atirar aquelas pedrinhas amigas que a gente guarda no bolso para momentos oportunos. 

Há quem diga que a pessoa não pode se orgulhar dos seus estudos só porque tira notas boas, nunca roda ou faz trocentas mil disciplinas ao mesmo tempo e consegue fazer todas ficando acima da média.

Eu digo o contrário.

Coisas pelas quais você não pode se orgulhar:
• etnia;
• religião.
Porque se orgulhar acerca daquilo que você não escolheu, mas que simplesmente aconteceu ou lhe foi imposto é maluquice, é bobagem. Etnia e gênero são questões de genética. Religião é questão de fé - você não manda no que crê, mas crê no que lhe é familiar. E, mesmo que você tenha saído daquilo que lhe é familiar, ainda assim você não criou uma religião, apenas está seguindo o que lhe é conveniente. Você pode ter orgulho como forma de mostrar que não tem vergonha (no caso de orgulho negro e orgulho gay, trans etc.)? Claro que sim. Porque você foi humilhado por isso e agora tem toda a razão de mostrar a todos que, olha aqui, eu não me envergonho de ser negro ou gay ou whatever. Mas orgulho branco ou hétero não rola, e todos aqui sabemos disso.

Porém, se você não pode se orgulhar dessas coisas que são as determinantes no processo de vida de todo o ser humano, pode se orgulhar de algo? Pode. Sempre se pode sentir orgulho quando se realiza algo com esforço, quando se batalha por algo que todos disseram que você jamais conseguiria, ou que apoiaram, tanto faz. Mas a questão é que: você pode se orgulhar daquilo que realiza.

Kundera, em meu livro de cabeceira (A insustentável leveza do ser), disse que:
Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado como mérito ou como fracasso. Diante de uma condição que nos é imposta, é preciso, pensa Sabina, encontrar a atitude certa. (p. 95)  

Eu acredito nisso. Acredito que se não foi nossa escolha, se foi algo que nos fora imposto pela vida, então não podemos nos orgulhar mesmo. Porém, o contrário também é válido: se é algo que dependeu inteiramente de nossas escolhas e esforços, podemos - e com toda a razão - ter orgulho de tal coisa.

~e, vejam bem, isto aqui é um blog, não um guia de como viver a vida; façam o que quiserem, orgulhem-se ou não do que bem entenderem~

Portanto, nada mais normal do que se orgulhar por seus resultados acadêmicos.

~Rory do proletariado sou eu~

Aí que dia desses eu postei no fb, falando com meus botões como sempre, que fiz uma loucura: cursei 14 disciplinas neste semestre (afinal, faço dois cursos, como todos sabem) e consegui passar em todas com boas notas. Teve muita gente que ficou contente, claro. Outros, acharam loucura. (Coisa que também acho e não recomendo a ninguém, hein?! Faço essas coisas porque, vejam bem, sou uma pessoa extremamente organizada e não tenho outra escolha, TENHO DE fazer tudo ao mesmo tempo. Mas não façam isso em casa, crianças.) E teve gente que se ofendeu tanto que foi falar bobagem no meu post, me chamar de arrogante e fazer post em seu próprio perfil pra dizer: excluam essa mina porque ela é arrogante pra caramba e desmerece as pessoas.

E né? Bobo isso.

Se eu vou bem nos estudos é porque me esforço pra caramba. Passo meus dias estudando. Saio de casa diariamente às 5h e pouco da manhã e volto meia-noite e pouco. Estudo e trabalho. Faço tudo o que tem para fazer. Aí vem o cerumano que prefere andar com as migas nas festas ao invés de estudar (nada contra, é uma escolha de vida, mas não a minha) me dizer que estou diminuindo-a com a minha comemoração: QUALÉQUIÉ?!

Nem ia comentar sobre isso no blog porque, olha, preguiça. Porém, hoje vi que uma menina ficou louquíssima com isso e resolveu falar bobagem num post de uma outra menina relativamente famosa em termos de internet dizendo mentiras a meu respeito, como: "ela estuda na PUCRS, é rica e ainda se acha sendo que a única obrigação que tem é a de estudar", entre outras coisas.

Veja bem: se estou na PUCRS é porque consegui uma bolsa integral e, pra isso, obtive ótimas notas no ENEM. Detalhe: eles não dão bolsa integral para quem tem condições de pagar um curso superior. Mas prossigamos.

Eu fui criada para ser sempre a melhor.
Sou a melhor? Não. Estou longe disso. Não sei assoviar. Costurar é algo que jamais aprenderei. Nas aulas de Biblio tivemos uma disciplina que consistia em muita costura por conta de reparos de livros. Cada vez que faço um reparo tenho de refazer o trabalho três vezes ou mais porque não tenho o mínimo jeito com essas coisas. Ou seja: eu não sou a melhor. Mas sempre procurarei ser o melhor no que eu puder porque creio firmemente que temos de dar o nosso melhor na busca por nossos sonhos (filosofando).

Especialmente quem é pobre.
A minha família sempre foi pobre. Bem pobre. Éramos muito mais durante a minha infância. A ponto de, por vezes, não termos o que comer. Se eu me envergonho de falar isso? De forma alguma. Pobreza não é motivo de vergonha e eu realmente nunca quis ser rica. Quero apenas ter uma vida tranquila e mais sossegada do que a de meus pais. Mas a questão é que: a pessoa oriunda de uma família pobre e pretende "educar-se" não tem brecha para fazer seus estudos com tranquilidade: quando se consegue uma chance a gente agarra-a com todas as forças e vai à luta.

Sou a filha mais nova da família, ou seja: a caçula. Meu irmão mais novo é 10 anos mais velho do que eu. Isso significa que meus irmãos - os 4 irmãos que tenho - não tiveram as oportunidades estudantis que estou tendo hoje. Sem entrar em méritos políticos aqui, mas o fato é que há uma década a pessoa pobre quase não tinha acesso a cursos superiores, técnicos, whatever. Por isso, meus irmãos não conseguiram entrar em faculdades, como eu consegui, a não ser há pouco tempo - e ainda estão cursando suas graduações.

Uma pessoa de família abastada não teria esse problema. Poderia pagar um cursinho vestibular para prestar prova pra entrar na UFRGS - ou qualquer faculdade que a sua imaginação disser -, rodar trocentas mil vezes e continuar pagando porque tanto faz, aquilo não faria falta. Na minha família isso não existe. FAZ FALTA, SIM, CARAMBA. Então, desde criancinha eu aprendi que se eu quisesse alguma coisa na minha vida teria de ir atrás por conta própria e estudar muito, simplesmente porque ninguém tinha recursos financeiros ou tempo para me ajudar.

E isso fez com que eu sempre fosse a melhor aluna da sala.
Sempre me esforcei mais do que os outros. Mesmo tendo dificuldades extremas (EXTREMAS) em matemática, por exemplo, consegui ir para as Olimpíadas de Astrofísica e também até a 3ª fase das Olimpíadas de Matemática durante o Ensino Médio; sendo que, na minha escola, apenas eu passei nas provas aplicadas. E digo isso não porque eu quero desmerecer quem não tira notas como as minhas, mas porque quero deixar bem claro que se consigo o que consigo é porque me esforço pra caramba, por conta própria, desde pequena e fico mega contente quando consigo atingir meus objetivos porque é difícil. Muito difícil.

Eu não posso me dar ao luxo de apenas estudar ou apenas trabalhar. Tenho de fazer tudo ao mesmo tempo. Consegui uma bolsa integral na PUCRS, que é uma faculdade privada cara pra caramba e sabe-se lá como consegui isso, porque realmente achei que não conseguiria, e tive de conciliar a tal da bolsa com um outro curso que eu já fazia no Instituto Federal. Biblioteconomia pela manhã, estágio à tarde e Pedagogia à noite.

Como semestre passado foi o 1º semestre de Pedagogia, não pude trancar disciplina alguma, ainda mais sendo bolsista. O que significa que tive de fazer TODAS as disciplinas de Biblio + TODAS as disciplinas de Pedagogia. Detalhe: se eu rodasse em alguma cadeira, perderia a bolsa. E ainda tinha de trabalhar porque, hello, meus pais não podem me ajudar com os gastos de passar o dia inteiro na rua. E com vinte e poucos anos na cara eu nem teria coragem de pedir para que eles fizessem isso, sinceramente. Eu não tive escolha. Não tenho. Quem é pobre e de família pobre tem de fazer sacrifícios e se esforçar para ser o melhor ou estar entre os melhores, porque as coisas não caem do céu e a vida não vai me privilegiar apenas por meu sorriso bonito ou meus lindos olhos verdes. Tenho de ter um bom currículo. Boas notas. Contatos dentro do meio acadêmico.

Então eu cursei 14 disciplinas. E passei em todas com notas maravilhosas e média 10.

Minha felicidade foi às alturas. Eu jamais pensei que conseguiria isso. Meu namorado me chamou de louca várias vezes porque eu literalmente andava acabada. O rapaz me via com olheiras gigantes, sem comer direito, com livros pesadíssimos pra cima e pra baixo e dormindo 4h por noite apenas. Durante todo esse semestre eu fiz um tratamento para anemia porque, olha, não foi fácil. Então, quando descobri que consegui passar em tudo e com uma média excelente, vibrei. E com razão, porque pelamordedels. E postei no fb a minha façanha, dizendo que: "Acho bonitinho quando as pessoas dizem que estão morrendo por cursarem 5 ou 6 disciplinas num semestre, porque né? Elas ainda não sabem o que é ter de cursar 14 e não poder rodar em nenhuma." Mas o post continuava falando que grazadeus tinha conseguido passar, porém não recomendava que ninguém fizesse o que eu fiz se pudesse fazer menos coisas porque é quase um suicídio.

Então foi uma menina da minha universidade, de um outro curso, uma menina que é metida a fazer comentários polêmicos na internet e tem seu séquito de seguidoras, uma menina rica, que faz 3 disciplinas por semestre tranquilamente e nem se preocupa em trabalhar, porque né, pra quê?! Essa menina comentou que eu a estava desmerecendo porque me achava melhor do que ela por fazer 14 disciplinas e que eu não tenho o direito de me orgulhar disso. Ainda arrematou me chamando de arrogante e coagindo outras meninas a me excluírem porque se não o fizessem conseguiriam a inimizade dela.

Pois bem.
Eu não me acho melhor do que aquela menina ou qualquer outra pessoa por cursar mais de uma dúzia de disciplinas por semestre. Eu não me acho melhor do que a pessoas por ser estudiosa. O que eu acho é o seguinte: aquela menina tem condições para fazer uma graduação calmamente e possui uma realidade bem diferente da minha. Ela não sabe o que é TER DE fazer tudo ao mesmo tempo porque você não se pode dar ao luxo de perder oportunidades de se educar e conseguir um trabalho melhor futuramente. Aquela menina teve mais possibilidades do que eu. Ela pôde estudar em bons colégios, fazer cursinhos pré-vestibular e entrar numa faculdade privada cursando o mínimo de disciplinas e não se importando se rodaria ou não, simplesmente porque os pais dela podem pagar por isso. E ela realmente acha que está se esforçando. Provavelmente ela se sente exausta por estudar, fazer trabalhos e blablabla. É exaustivo? Pode ser. Mas não tanto assim.

Eu não me sinto melhor do que ela, do que você, do que o jovem sustentado pelos pais que não faz nada da vida além de coçar o saco no sofá assistindo tevê e comendo a comida que a mamãe prepara. Mas eu me sinto melhor por não usar uma internet funcional para atacar pessoas e tentar minar a autoconfiança delas, fazendo com que outras pessoas a excluam, coagindo pessoas a isolarem-na.

Após isso, outra menina da UFRGS foi falar bobagem e me chamar de mentirosa, dizer que me passo por pobre para conseguir a minha bolsa de estudo. E... quem dera, né? Eu não gostaria de ser rica, mas apenas o alívio de saber que mesmo que eu perca o meu trabalho a minha família não ficará bem apertada no quesito contas já me aliviaria muito. Não vou entrar no mérito das dificuldades financeiras que a minha família enfrenta e no fato de que se faço meu estágio é justamente por ser obrigada a fazê-lo, já que, caso contrário, eu não teria passagens para ir à faculdade ou condições de, sei lá, comer um lanche no RU.

~"ai, Mia, mas por que tu não tentou a UFRGS, aí não seria bolsista e não teria problemas?" Tanto tentei quanto consegui: inclusive, tirei o primeiro lugar na redação 2015. O problema? Na hora de entregar a documentação fizemos tudo certinho, mas meu pai está com idade de se aposentar e ainda não conseguiu, está em vias de. Porém, mesmo apresentando tudo, eles não acreditaram que ele ainda não estivesse aposentado por conta da idade e eu não tinha mais o que levar lá de documentação, porque se eles não acreditaram com o que havíamos levado, não acreditariam depois, afinal, a documentação seria a mesma. E essa loucura toda foi bem no dia que a minha vó morreu. Ninguém tinha saco e deixei pra lá, já que, ao menos, tinha o meu curso de Biblio e a faculdade poderia esperar mais um ano - mas fui surpreendida pela bolsa na PUCRS.~

Dia desses um professor meu disse na sala de aula algo muito certo: só quem é bolsista, que veio de família pobre, sabe como é dificultoso entrar numa faculdade privada e TER DE trabalhar e TER DE sempre tirar notas acima da média e jamais rodar. Só quem é bolsista sabe que se tem apenas uma chance de mudar de vida e aquela chance tem de ser muito bem aproveitada. Só quem é bolsista sabe a pressão que se passa durante o semestre e o alívio que é quando conseguimos, finalmente, chegar ao final dele com notas acima da média em todas as disciplinas. Ele disse isso porque ele também foi bolsista quando era jovem. Ele também veio de uma família pobre e teve de ralar MUITO para conseguir se formar, lecionar, achar uma posição um pouco melhor do que aquela que seus pais tiveram.

Muitos não sabem, mas eu já estive na faculdade antes e fui obrigada a largá-la no segundo semestre simplesmente porque não havia passagens para ir ou condições de pagar o xerox, minha família estava passando necessidades e tive de largar tudo e ir trabalhar. Aí a pessoa, só porque eu postei algo comemorando o fato de que, na minha volta à faculdade, consegui passar em tudo e segurar os dois cursos que faço mais o estágio sem ter notas baixas, a pessoa se sente ofendida porque ela não consegue fazer nem 5 disciplinas no semestre sem rodar em alguma e começa um rebuliço entre algumas "famosinhas" do seu círculo social para me excluírem.

Outra coisa que falaram foi: "quem é ELA pra se achar por ir bem na faculdade? eu escrevo pra carta capital, eu sou conhecida na internet, ela nunca fez nada de relevante na vida, blablabla".

Esse tipo de gente é o que eu chamo de gente mimada.

Quem não tem outra opção, vai se agarrar com todas as forças àquela que conseguiu. E vai ir até o fim: ou completo fracasso ou completo sucesso. E sem falsa modéstia.

Admiro muito meus pais, mas não quero ter a mesma vida que eles. Não quero estar na minha velhice e depender do cuidado de outros, depender de uma aposentadoria que nunca sai, depender de um SUS pra ser atendida por um médico.

E eu tenho, sim, muito orgulho de mim por conseguir fazer tudo o que eu faço e ser bem-sucedida nos meus objetivos. E, mais ainda, por poder dizer que não estou dependendo de ninguém pra isso.

E se você, que teve/tem melhores condições e, portanto, não precisa se preocupar em ter as melhores notas, o melhor currículo, whatever, se sentir ofendido por conta de eu me orgulhar por isso: parabéns, mas reveja seus conceitos. Há muitas realidades neste mundo, e nem todas elas podem se dar ao luxo.

12 comentários:

  1. Tu é uma mulher maravilhosa e se tem algo que tu não merece é aturar bobagem de gente desocupada.
    Não te deixa atingir por esse tipinho, segue teu caminho que tu está se saindo muito bem e tem mesmo é que ter orgulho de ti mesma, das tuas conquistas que são resultado da TUA luta. Quem não tem que lutar por nada não sabe o quanto é bom conseguir algo porque sempre teve tudo nas mãos.
    Beijão, gatinha <3

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  2. Mia, sua linda. Li o seu post praticamente sem tomar fôlego, e experimentei uma variedade de sentimentos que finalmente terminaram naquilo que eu acredito que era para ser: um tapa de realidade. Sabe, fiquei abalada com o começo, porque eu tenho orgulho da etnia que eu herdei do meu pai sim, por todos os valores que são passados através das gerações nessa raça. Mas o que você disse faz sentido. Eu tive a sorte de ter nascido numa condição financeira estável, estudei em colégios e universidades particulares, e se não fiz mais, foi realmente por comodidade. Não pude contar com meus pais como meus mentores para entrar no mundo acadêmico, porque ambos só concluíram o ensino primário. Quando fui me inteirar de como funcionava o processo, já era tarde se eu quisesse ser a menina que saiu do colégio e pulou para a faculdade. E é pensando na história deles e no seu relato que eu vejo como realmente o esforço é movido pela necessidade e o bom caráter. Meu pai sempre me conta como eu começou a trabalhar aos catorze anos com um salário baixo e ainda andava a pé para economizar o dinheiro do bonde. Mesmo sem estudos formais, eu o considero uma pessoa inteligente e determinada. Até hoje, com quase 87 anos, ele sai para trabalhar às 6h e volta para casa às14h. Nós não precisamos que ele faça isso, mas a dignidade o mantém indo. Verdade seja dita: me senti diminuída lendo o seu texto, sim, mas não por notas ou inteligência, mas pela determinação. Não te invejo, Mia, pelo contrário, vais para a minha lista de pessoas inspiradoras! Parabéns! Continue sendo como é, a louquinha que faz dois cursos ao mesmo tempo, e tenho certeza que a recompensa vem depois. Te dou o maior apoio e ajuda no que você precisar! :)

    Beijinhos.

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  3. Mia, estou te aplaudindo de pé, sério. Me ferve o sangue essa gente que se coloca acima dos outros sem se preocupar em saber o mínimo sobre esse outro. Quer dizer, o que custa ter empatia? Se a guria teve pai e mãe com dinheiro para sustentá-la e pagar a faculdade dela e os cursos e viagens, legal, parabéns, mas não é assim com todo mundo. Tem gente que precisa cursar 14 disciplinas ao mesmo tempo, tem gente que não pode nem sonhar em perder média em uma delas, e tem gente que tem todo o direito de sentir-se feliz e orgulhosa quando o resultado de tanto esforço são notas incríveis.

    Claro que eu te diria pra ignorar esse tipo de gente, mas entendo perfeitamente sua indignação e vontade de escrever isso tudo. Se fosse eu quem tivesse lido sua exaltação do FB, jamais diria que você estava sendo arrogante, mas que só estava comemorando uma vitória mais do que merecida. Poxa vida, será que essas pessoas não conseguem se colocar um pouquinho que seja na pele do outro? Do quanto de sacrifício essa pessoa pode estar fazendo para conseguir a média 10 em 14 disciplinas de dois cursos diferentes? Acho que tem gente que não consegue é ver o outro feliz sem se magoar por não o ser.

    Enfim, Mia. Você está no caminho certo, não liga pra essa gente. Sei que esse conselho é até bobo, mas da sua vida e dos seus esforços, você é quem sabe. Quer te excluir do FB? Pois deixe que exclua, assim te poupa de ter gente mesquinha ao seu redor. Te admiro pra caramba, guria! ♥

    Um beijo!

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  4. Mia, primeiro de tudo: respect ♥ Desde as primeiras vezes que topei com teu blog na web eu já te admirei! Por tudo, pelo jeito de ser, pela tua escrita, enfim. E, realmente, só quem é bolsista sabe como é ser considerado o "cdf" da sala por não poder rodar em NADA e querer aprender e prestar atenção. Eu fui bolsista 100% durante todo o ensino fundamental e médio; não fosse por isso, eu teria que ter cursado em escola pública. Não pude - nunca - me dar ao luxo de não estudar para determinada prova por qualquer motivo (doença, tristeza, cansaço etc). Então, realmente, as pessoas não tem o mínimo de senso hoje em dia e, além disso, não tem empatia: não percebem que existem outras realidades. Por isso (e outras coisinhas) quando ouço alguém falando de meritocracia meus cabelos até arrepiam. Ótimo texto - como sempre! ♥ :*

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  5. Adorei ler seu post por várias razões: primeiro porque já estive no seu lugar.
    Não cursei faculdade particular, mas mesmo na pública era caro manter xerox, passagem, comida e todo o resto. Eu ia e voltava a pé da faculdade pois trabalhava em uma lanchonete em um shopping que era perto da faculdade. Morria de vergonha pq sempre saia de lá fedendo a cebola. E ainda tinha que levar o uniforme para lavar em casa todo o dia.
    No terceiro período melhorou pq começei a estagiar e dar aular particular, então meu primeiro conselho é: tudo passa. E você fica uma pessoa mais forte e aprende muito. Devo muitas conquistas atuais aqueles anos de ralação.
    Segundo ponto. Aprendi muito mesmo naqueles anos de ralação e já fazem 10 anos que sou voluntária em um pré vestibular comunitário. Quero dar oportunidade para mais pessoas mudarem de vida e cursarem a universidade. Esse ano um aluno meu de 64 anos me mandou as fotos da formatura dele, é professor de história. Chorei muito.
    Terceiro ponto: você é forte. Esqueça os outros, provavelmente aquela menina não aguentaria metade mas para ela é muito difícil enxergar o mundo do ponto de vista do outro. Pra ela você é a esnobe, a mimada, pois fica se queixando de cansaço e ainda tira 10. Ela nunca vai parar pra pensar quanto custa o seu 10, e ele é só seu. Isso ninguém nunca vai te tirar.
    Finalmente: tudo passa e as coisas melhoram para piorar um pouco depois. Bjs


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  6. Mas gente, que menininha asquerosa essa daí, se inspira em Regina George?
    Mia, eu nem preciso te dizer isso, porque com seu texto ficou muito claro que você sabe, mas vou reforçar: te achei tão forte por conseguir dizer tudo isso aqui, sabe? Na internet as pessoas só querem mostrar que estão bem o tempo todo, tem até um vídeo da Jout Jout que se aplica ao caso, a pessoa pode estar postando foto de comida gostosa na praia, mas ali na realidade, por trás daqueles efeitos de Instagram a coisa muda, né? Acho que essa garota sem querer acabou mostrando exatamente isso, o quanto ela quer mostrar pra todo mundo que a vida é ótima e que vai ser ótima com quem estiver do lado também porque queridas, eusouapopulardaquienãopercebootamanhodaminhaimaturidadené.
    Eu faço cursinho pré vestibular e vejo cada coisa por lá nesse tipo também, sabe? Estudei minha vida toda em escola estadual, comecei a trabalhar com 16 anos, e esse ano quando não consegui minha aprovação fiquei trabalhando durante o dia e estudando durante a noite, conciliando com estudo pessoal e simulados no final de semana, agora parei de trabalhar e com o dinheiro do fim do contrato terminei de pagar os estudos pelo menos desse ano, ou seja: to dura. Nesse meio tempo meus pais se divorciaram e agora nem sofá tenho eu, né, pra chegar no cursinho e ouvir gente que estuda durante o dia em escola particular e a noite faz o pré vestibular reclamando que papai o obriga a estudar e eu só consigo pensar que porra, como eu queria que meus pais tivesse como ter me obrigado a isso sabe? Porque desde cedo eu to aqui, correndo atrás do meu próprio dinheirinho e estudando pra ter uma vida mais "descansada" lá na frente, por mais que eu queira medicina e vez ou outra pense que essa é a pior decisão que tomei por ser um ~curso de elite~
    Te admiro muito Mia, muito mesmo, só quem passa por essas ruas mais estreitas da vida sabe como é a sensação de sentir que conseguiu e eu fico muito feliz por você se esforçar tanto pois sei como é difícil!
    Acredito muito em karma, então oh: a bonitinha ai pensa que a vida é só isso, mas a vida há de mostrar muita coisa pra ela ainda.

    Novembro Inconstante

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  7. ~voltando pra dizer que te indiquei pra uma tag~
    http://novembroinconstante.blogspot.com.br/2015/08/tag-se-eu-fosse-voce.html

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  8. Eu sinceramente acho meio errado você falar que é "bonitinho" quando as pessoas sofrem com seis matérias. Isso porque pessoas diferentes lidam com a pressão de maneiras diferentes. Você conseguiu suportar 14 matérias, poxa, super bacana isso, mas isso não quer dizer que qualquer outra pessoa consegue, ou que tá fácil pra ela por cursar menos disciplinas. Desculpa, mas devo admitir que nessa parte você errou feio. :(

    Fora isso, acho escroto as pessoas fazerem todo esse mimimi porque você "se deu bem". Sério, você super mereceu ter passado com boas notas em todas as matérias. Eu não sei nem como é que você consegue arranjar tempo pra postar no blog, mas okay, tem gente que realmente se desdobra pra fazer o trabalho de mil pessoas, haha.

    Eu sou super privilegiada, porque meus pais puderam pagar um cursinho pra mim. Mesmo assim, eles jamais pagariam uma faculdade particular, porque eles tiveram grana pro cursinho, mas pra faculdade é muito mais, e ia pesar muito o bolso deles. Então eu meio que entendo o teu lado (não completamente, mas um pouco) e o lado da família rica e privilegiada, mas sinceramente, o que a guria fez contigo não se faz de jeito nenhum, independente de quem ela seja. Só que tem gente que infelizmente não tem a mínima noção, o que parece ser o caso da moça.

    Eu não entendi direito esse negócio da aposentadoria do teu pai interferir na sua matrícula na UFRGS¿¿ É por causa daquela lei que não pode estudar em duas instituições federais?

    No mais, parabéns pela conquista. Você tem todo o direito de se orgulhar dela, porque você arrasou, de verdade! ♥

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  9. De certa forma esse post foi um tapa na cara. Tive boas condições de cursar uma boa faculdade e foi uma novela. Eu não queria me dedicar exclusivamente aos estudos, queria aproveitar a vida, que é só uma, e então tentei equilibrar a faculdade com o namorado e com o estágio.
    Depois vieram os concursos e não teve jeito: era pai e mãe "sugerindo" eu estudar pra todos, a ponto de eu passar um ano fazendo cursinho de manhã, estágio à tarde e cursinho à noite, chegando em casa depois das onze e acordando às seis.
    E não consegui passar nas provas daquele ano por puro desgaste físico, mental e emocional (foi quando enrolei um casaco de moletom no pescoço...)
    É muito fácil pensar: "ah, ela não passou porque não estudou". Eu estudei. Mas estudar literalmente o dia inteiro e comprometer minha saúde é algo que não vejo como a melhor solução, em que pese dê certo pra algumas pessoas com mais gana do que eu. Eu não tenho esse tipo de gana, eu me borro de medo de ter problemas de saúde que virão a comprometer minha rotina de estudo e trabalho.

    Acho que faltou, e MUITO, empatia da sua coleguinha. Ninguém sabe pelo que o outro está passando, ou passou, pra fazer uma postagem comemorando uma conquista suada e cheia de sacrifícios. Os teus sacrifícios foram uns, os meus foram outros, os da tua colega, se houve algum, podem ter sido outros e jamais saberemos.
    O que tu postou:
    "Acho bonitinho quando as pessoas dizem que estão morrendo por cursarem 5 ou 6 disciplinas num semestre, porque né? Elas ainda não sabem o que é ter de cursar 14 e não poder rodar em nenhuma."

    O que a coleguinha leu:
    INDIRETAINDIRETAINDIRETAINDIRETAINDIRETA

    A gente não faz ideia do por que certas pessoas dizem que se matam pra fazer cinco cadeiras. Eu tive que fazer cinco um semestre porque não fechavam os horários e eu ainda tinha estágio e curso pra concurso. Passava o dia inteiro fora e chegava sempre esgotada. Meu namorado trabalha na TVE e tá fazendo 14 créditos, mas trabalha o dia inteiro com gente burra (CCs) que não sabe nem ligar o monitor, mas de noite tem aula, e ele só tem um pouco de sorte por ter um carrinho 1.0 pra não pegar três ônibus do Morro Santana ao Sarandi.

    Seria maravilhoso se a vida das pessoas tivesse um pouco mais de praticidade que nos proporcionasse menos sacrifícios. Se o RS fosse virado em ferrovias, se Porto Alegre tivesse metrô, se a organização urbana fosse menos caótica, se não houvessem tantos latrocínios: já pensou que maravilha poder deixar de carregar livros pesados e sim um Kobo na bolsa, sem temer pela vida caso tenha que entregá-lo dentro de um ônibus velho e sujo cravejado de balas? Ou não precisar levantar/sair de casa às 5h porque tem um trem que leva 15 minutos de Viamão a Porto Alegre?
    Certas pessoas não têm empatia porque elas tem essa praticidade que outros não têm. Ou têm dificuldades emocionais de se adaptarem a uma rotina acadêmica que outros são que nem água e se encaixam em qualquer recanto estabelecido. Certas pessoas têm uma facilidade incrível de absorção de conteúdo que outras não têm. Eu certamente tenho muita dificuldade em absorver conteúdo - mas não é por isso que vou dar patada em quem não tem E obtém sucesso por isso. Isso se chama RECALQUE, não acha?

    Mas de uma coisa eu tenho certeza: se eu tivesse superado uma dificuldade, um obstáculo que parecia ser intransponível, sem dúvidas iria compartilhar com todo mundo pra mostrar que é possível e é incrível essa conquista.

    Já pensou se uma amiga minha tivesse se curado do câncer e postado no Facebook os sacrifícios que fez com o tratamento, mas que agora estava melhor e curada, e uma outra pessoa ir lá chamar de arrogante porque tem outras em estado terminal que não têm essa oportunidade? Não dá, né.

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  10. Então, meus parabéns por conseguir fazer tudo isso. De verdade. Eu jamais conseguiria.
    As pessoas não sabem o que é ter que se preocupar com dinheiro e são rápidas em argumentar quando alguém que não tem as mesmas chances consegue algo que elas não conseguem, ou quando alguém tem que viver uma vida diferente da deles. Eu nunca fiz nada de muito grande na vida, eu me virei do avesso pra poder viajar no final do ano e tudo o que fiz, foi tirado do meu bolso. Eu passei muito perrengue pra poder fazer isso, e digo com toda certeza que as pessoas se ofendem quando, por exemplo, tu diz que não pode fazer algo porque não tem dinheiro. É tu que tá contando moeda e eles que ficam de cu ardido. Não tenho saco.
    Concordo com a Mry e acho que as pessoas lidam de formas diferentes com diferentes formas de pressão, e vivem outras realidades, e por mais que discorde da vida das outras pessoas, se tá bom pra elas, tudo bem, não tô em lugar pra zombar ou me achar melhor. Mas também não acho certo pisar no calo, feito a menina aí enchendo a boca pra falar bobagem.
    Eu nunca poderia fazer 10 matérias, nem que quisesse. Uma porque preciso trabalhar, outra porque meu financiamento só é de 75% e até pra pagar 25% da faculdade eu sofro. E outra porque não teria cabeça pra tudo isso. Então, embora eu não goste de ser mediana, eu tô de boa se eu passar com 8 em cinco matérias, porque é só isso que eu aguento. Semestre que vem vou ter que dar um jeito de cursar seis e já sinto o esgotamento tomando conta de mim. Faz cinco anos que tô na universidade (mudei de curso etc e tal) e simplesmente não aguento mais.
    Então, boa sorte e parabéns.
    Beijos! <3

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  11. Em primeiro lugar, devo dizer que te admiro muito; eu não tenho nem metade da tua força, sabe? Em segundo, eu entendo o seu lado, entendo a indignação, mas eu fiquei com pena dessas meninas... Porque elas devem ser muito vazias por dentro pra se sentir ofendidas com a felicidade alheia. Eu penso que, mesmo que você estivesse dizendo que é melhor que elas em alguma coisa (o que evidentemente não foi o caso), não seria motivo pra se sentir tão mal com isso a ponto de tentar te excluir desse modo. Às vezes a vida tem dessas: teoricamente elas é que foram as privilegiadas, mas você se tornou uma mulher forte, enquanto que elas são menininhas vazias.

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  12. Mia, a minha vontade agora é ir ai te dar um beijo. QUE TEXTO!
    (cheguei aqui,porque cê linkou lá no de hoje. hehe)

    Parabéns, de verdade! Admiro mais que tudo na vida, é pessoas que se esforçam, que lutam para serem bem sucedidas e que brilham na faculdade. Eu sempre fui boa aluna, filha de professor municipal e tal, estudei com bolsa graças à nota do enem também, mas nem de longe, mereço os aplausos que você merece por ter conseguido isso.

    Tenho certeza que a cada dia sua recompensa está mais perto e ouviremos muito falar de você e suas conquistas. E eu vou adorar.

    Beijão.

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Wink .187 tons de frio.