Eu sou só uma garota do interior vivendo na cidade grande

E odiando cada minuto.


Ontem, conversando com um amigo (que é um desenhista INCRÍVEL e tá com um projeto de webcomic, confiram, sério, é realmente espetacular), ele me fez a seguinte pergunta: quais são as 5 coisas que tu detesta na cidade grande? Como eu sou uma moça da cidade grande que nasceu no meio dessa confusão, mas que, na verdade, adora mesmo é a vida simples do interior, não demorei pra transformar a minha resposta em post pra o blog - a essa altura do campeonato, QUALQUER COISA vira post pra o blog.

1. Pessoas.
São muitas e estão por todos os lados, mal dá pra respirar às vezes. Você se vira e derruba alguém. Eu não sou uma grande fã de pessoas. Consigo lidar bem com duas ao mesmo tempo; se há três pessoas perto de mim eu já começo a perder o foco, ficar irritada e querer a minha cama. Você gosta muito de pessoas? Parabéns, venha para Porto Alegre então, porque literalmente você não consegue fazer uma caminhada que duraria no máximo 5 minutos em menos de meia hora. E isso ocorre apenas por conta do congestionamento de pessoas aglomeradas em todos os cantos. Sair em Porto Alegre em qualquer dia da semana - menos domingo, domingo é mais tranquilo; mas também mais propenso a assaltos - é simplesmente ter de sair sempre 1 hora mais cedo porque você SABE que as pessoas lhe atrasarão. Ninguém apenas anda. As pessoas andam oito passos e param pra ver as vitrines das lojas. É um inferno.

2. Cheiros.
Uma confusão tão grande de perfumes que parece que ninguém toma banho há semanas. Literalmente há cheiros de todas as espécies. As pessoas acham que estão arrasando com seus perfumes caríssimos, mas a única coisa que estão fazendo é provocar a minha rinite. Ar puro? HAHAHAHA Quem dera. Árvores? Pouquíssimas. O que mais tem é poluição de carros e prédios e pessoas jogando lixo no meio da rua - nunca ouviram falar de lixeiras, que estão por todos os lados, por sinal, ou de carregar uma sacolinha dentro da bolsa pra guardar o lixo, obviamente. Isso sem falar nos esgotos. A CÉU ABERTO. Agora imagina tudo isso misturado ao cheiro de fritura que há em, literalmente, todas as esquinas da cidade? Pois é. É um teste de resistência ao seu sistema respiratório.

3. O cinza dos prédios e mais prédios.
Cadê o verde? Okay, temos a Redenção como ponto de referência, entre outros pontos e tal na cidade. Mas... no geral, é tudo muito cinza - ou rosa, há muitos prédios rosados em Porto Alegre. Eu sinto falta de olhar pra o lado e ver apenas o infinito, não ter a visão de vitrines e calçadas sujas e pessoas. ARGH, PESSOAS!

4. Barulhos.
MUITOS barulhos. Você quer se retirar pra pensar, pra dormir por minutos durante seu intervalo, pra qualquer coisa... e não dá. A não ser que tenha uma sala à prova de som. Simplesmente porque É TUDO MUITO BARULHENTO. Buzinas, pessoas gritando - gritam o tempo inteiro, é sério -, músicas que ofendem o intelecto humano, mais buzinas, anúncios de lojas, celulares tocando, motores roncando... Tudo ao mesmo tempo pra deixar a pessoa no meio de um ataque de nervos, obviamente.

5. Carros.
Carros demais, pessoas de menos. Uma morte a cada minuto. Eu entendo a importância de se ter um carro, eu sei que muitas vezes é uma questão de necessidade. Por exemplo, me seria muito mais seguro ter um carro pra voltar da faculdade à noite. Contudo, as pessoas parecem que não veem outras alternativas além de carros e os usam para, literalmente, qualquer coisa. MEU BEM, EXISTEM OUTROS TIPOS DE MEIOS DE TRANSPORTE, SABIA? Isso tem no interior? Claro que tem. Mas numa quantidade aceitável, uma coisa tranquila, que não te deixa a ponto de querer quebrar vidros e socar motoristas.

Viver na cidade grande é um grande desafio aos nervos de uma pessoa. Eu não sou fã de baladas, raramente vou ao cinema e posso encomendar livros pela internet. Não é como se eu fosse sentir tanta falta assim de uma cidade com a estrutura de Porto Alegre. Eu gosto de uma vida sem pressa, em que a pessoa possa realmente parar e ter experiências realmente, não apenas momentos. Minha família toda é do interior e viemos parar aqui por obra do maldito destino, mas ainda bem que ao menos moro num local meio isolado e cheio de vaquinhas e cabritos.

Mas enquanto houver a faculdade aqui - e algum trabalho e meus pais e o namorado -, aqui eu estarei. :)

6 comentários

  1. Eu amo cidade grande. Queria muito morar no centro de Belém, mas infelizmente moro em um local bem longe e pacato, digamos assim, mas na periferia. O que odeio. Daí monto uma lista parecida com a sua em odiar certas coisas: pessoas, o barulho que tem aqui (normalmente é melody ou músicas que odeio), cheiros (horríveis), tirando a insegurança e o fato de ser longe de TUDO e TODOS que me interessam. Por exemplo: ainda não fui ao Museu de Arte daqui porque simplesmente moro muito longe e o trânsito é horrível, as pessoas estressam mais ainda etc. Sim, eu queria mesmo era morar na cidade grande :'( rs

    Beijos

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  2. Nasci e cresci em cidade pequena e agora estou morando numa cidade grande.Confesso que estou curtindo, me sinto mais livre.

    bjo

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  3. Eu sou o contrário, gosto de cidade grande e moro em Brasília que é uma cidade pequena disfarçada de capital -.- http://naotomocaf.blogspot.com.br/

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  4. Oi Mia, cheguei até aqui através do blog coffee, rock & beer e já me identifiquei com esse post. Eu sou do interior e me mudei para a cidade grande para fazer faculdade. No começo eu odiei, depois comecei a gostar e depois de um tempo foi enchendo o saco. Os motivos são todos esses que você citou, é uma bagunça o tempo inteiro e eu não aguento. Agora eu vivo em uma cidade minúscula de 5 mil habitantes e confesso que muitas vezes sinto falta das opções que a cidade grande oferece, mas ao mesmo tempo sou muito feliz por viver em um lugar tranquilo e cheio de verde.

    beijos!

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  5. Provavelmente tu anda pela zona feia da cidade, incluindo aí o Centro. O Centro é caótico, a numeração dos prédios não faz o menor sentido, as pessoas fedem e se aglomeram e berram no teu ouvido "COMPRO ÔRO, CORTO CABELO, FAÇO MASSÁGI". Morro de medo de ser encurralada por trombadinhas e ter minhas coisas furtadas. Ultimamente tenho andado com um canivete velho no bolso, por puro pavor de como as coisas estão piorando a cada pronunciamento do governo.
    Eu sempre morei na cidade grande, mas quando fiz estágio no Ministério Público eu lia sobre roubos, furtos e homicídios praticados por menores em Ijuí, Viamão (vários em Viamão), Camaquã, Santana... you name it.
    Já fui de ônibus até Viamão e aquela avenida principal é medonha. Medonha mesmo, paisagem de quarto mundo. Mas aqui em Porto Alegre tem paisagens tão piores quanto, especialmente lá onde meu namorado mora e onde ele trabalha (num MORRO, desses com traficantes). Tchê, dá vontade de criar galinhas, ter uma horta e viver no mato matando as galinhas, comendo os ovos e fazendo salada.

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  6. Eu sou de Canoas, mas trabalho em Porto Alegre, ou seja, diariamente, estou lá. Concordo com pessoas e prédios demais. O barulho realmente é desagradável. Minha solução para ele é colocar os fones de ouvido no último volume (pelo menos, nesse caso, escolho o meu barulho). Mas, para mim, o pior tem sido a insegurança mesmo. É tanto assalto, que já banalizou. A gente acaba perdendo totalmente a liberdade. Caminho bem menos do que costumava caminhar, infelizmente. Quanto ao verde, apesar de POA ter muito prédio, carro e tals, eu acho que tem, sim, locais onde tu pode escapar um pouco dessa loucura. A Redenção, como tu mesma citou, é um deles. Também curto o Parcão, a Praça da Encol, a orla Gasômetro, a orla de Ipanema... Se pararmos para pensar, até que tem bastante lugar legal. Ou, talvez, por eu nunca ter morado no interior, me contento com parques e não tenho noção do que é viver num lugar mais tranquilo... Enfim, POA é uma loucura, mas não consigo deixar de amá-la. Gostei muito do post e de saber que tu também vive em Porto Alegre. Beijos!

    http://desapegomental.com/

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