Rapsódia boêmia

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O sangue escorre por suas têmporas tão brancas, pálidas, moles. Pedaços  de seu cérebro agora fazem parte do contorno de minha sombra. A vida acabou, mas estranhamente continua. Sou agora um homem condenado com a certeza de que não há escapatória da realidade que eu mesmo criei. Tenho de encarar as consequências dos meus atos, mas é tarde e eu quero apenas dormir e esquecer que um dia nasci, esquecer que terminei com uma vida que havia apenas começado, esquecer que essa era a única escolha que dependia apenas de mim e não fui capaz de escolher certo.

Tento dormir, mas não consigo. Adentro num mundo perdido, num mundo à parte, no grande além das almas daqueles que não merecem descanso. Tudo é vermelho e o doce cheiro de sangue coagulado é o que resta para nós, as almas presas no labirinto vertiginoso do pecado.

Mãe, é você? Claro que não é. Mas eu gostaria que fosse. Gostaria de lhe dizer para continuar, não importa o que aconteça. Você sabe que não voltarei, você sabe que a partir de hoje estou morto, você sabe que não é uma boa ideia. Mãe, eu não me importo, mas você se importa demais. Por favor, não mais se importe. Esqueça que existi. Agora existe apenas o sangue em minhas mãos e meu nome nos autos de um crime.

A única mão que segurarei de agora em diante é a de Belzebu enquanto ele me leva até meu carrasco, o demônio que ele me reservou: meu próprio reflexo. Nunca me deixarão ir porque jamais me perdoarei. Eu mereço isso.

Mas nada realmente importa, qualquer um pode perceber. Qualquer direção que o vento sopre realmente não importa para mim.

Esta crônica faz parte de desafio "Música em crônica" do Grupo de Suporte Bloguístico que consiste em escrever uma crônica baseada numa música que uma das meninas - no meu caso, a Ale - escolheria para você. Claramente eu falhei miseravelmente no processo, porque escrever qualquer coisa baseada na maravilhosa Bohemian Rhapsody, do Queen, é fracasso na certa, mais eis aqui a humilde tentativa de uma queenie metida a escritora. 

3 comentários

  1. Aff guria, quanto drama! Eu curti! Acho que tu captou bem a essência da música, o desespero por detrás da "baladinha anos 80"(?) hahaha isso parece mesmo história de ópera! Eu gostei!

    beijo!

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  2. Pe-sa-do?! E ainda assim curti muito. Combinou MUITO. Bohemian Rhapsody é uma música que curto muito e ainda assim nunca prestei atenção direito na letra?! Sei cantar, e nunca tinha olhado pra ela dessa forma. Vai entender...
    Tentei escutar com a música junto mas tive que parar porque não sou boa em multitasking e eu já tava cantarolando a diaba junto (não dá pra ouvir essa música e não querer fazer performance né?).

    Beijão!

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  3. Ai Mia, achei teu texto incrível! A música vai casando direitinho com seus escritos, e agora estou ouvindo a música em loop! ♥♥♥

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