Um conto chinês, ou a linguagem universal

Dia desses assistimos, durante a aula de Antropologia, o filme Um Conto Chinês (do Borensztein).
A obra conta a história de um argentino que, do mais absoluto nada, se percebe um dia incumbido da tarefa de auxiliar um rapaz chinês a encontrar seu tio, que supostamente moraria na cidade.

O "porém" da questão é que: o rapaz chinês nada sabe da língua espanhola! Ou seja: ninguém sabe o que ele quer ao certo, só sabe-se que está procurando seu tio pois o rapaz possui uma tatuagem no braço com o nome do tal parente e um endereço há muito desatualizado. Contudo, o senhor argentino (Roberto) não consegue deixar o rapaz na rua, sem sequer tentar ajudá-lo e, portanto, acaba abrigando-o em sua casa e assim começa uma peculiar convivência entre dois homens que não entendem um ao outro, mas que dividem o mesmo teto, as mesmas refeições e um mesmo objetivo: encontrar uma forma de fazer o rapaz chinês achar seu caminho.

Pode-se observar no filme a grande dificuldade que Roberto tem em relacionar-se com o rapaz chinês (mais tarde descobrimos que seu nome é Jun). Afinal, eles não apenas falam línguas diferentes, mas também possuem faixas etárias diferentes, costumes, modos e expressões. O que causa um grande alívio cômico no espectador, afinal: são dois homens de culturas completamente diferentes que precisam conviver por conta de uma fatalidade que ocorreu (não direi exatamente o que para não causar spoilers, mas: vejam esse filme. sério).


É cômico ver duas pessoas, como Roberto e Jun, tentando conviver e encontrar uma forma de comunicação. É realmente cômico? Será que acharíamos assim tão cômico se fôssemos nós no lugar de Jun, perdidos em um país cujo idioma desconhecemos e na casa de um estranho, à procura de um tio que não vemos há anos? E se estivéssemos no lugar de Roberto e nos víssemos, de repente, com a "obrigação" moral de auxiliar um homem de vinte e poucos anos que veio da China sem eira nem beira e que não sabe, ao menos, dizer um "olá" em nossa língua?

Roberto, ao longo da película, consegue achar uma forma de comunicar-se com Jun, a forma mais simples e universal de todas: através de gestos. Basicamente todo ser humano, de qualquer nacionalidade, pode entender gestos que representam ações/palavras, como "oi", "tchau", "ali", "comer", "banho" etc.

O filme brinca com a ideia de culturas diferentes tendo de conviver, mas creio que a grande lição seja que não é tão difícil assim haver uma convivência harmoniosa. Tudo é questão de costume, de abaixar as defesas, desfazer-se dos preconceitos e, realmente, tentar comunicar-se (conectar-se) com outro ser humano, por mais diferente que ele possa parecer.

MELHOR FILMINHO, APENAS. É super divertido, gente. Tirando toda a parte da aprendizagem, psicologias e blablabla - coisas que eu estudo -, o filme, mesmo para quem não está se focando nessas partes de ensino, é divertidíssimo e super vale a pena. Quer dizer, um filme que tem por premissa a frase "um argentino e um chinês unidos por uma vaca que caiu do céu" não pode deixar de ser bom, né? Pois é.

4 comentários

  1. gostei bastante também.. ele é totalmente inusitado e surpreende positivamente né? Eu vi sem saber a história e achei muito legal!

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  2. AOS COMENTARISTAS: TEM SPOILER

    Esse filme salvou meu fim de semana! Adorei seu texto, e digo mais: me senti muito identificada com a dificuldade de Roberto não só com um estrangeiro, mas com o ser humano num geral. A Mari quando conversa com ele e diz "e olha que estou falando em espanhol", nossa, me quebrou. Pensei numa situação que estou vivendo, e como o tempo passa e minha timidez e o não-jeito de lidar com seres humanos só piora.

    Beijão!

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  3. Eu assisti a esse filme no cinema e lembro que ri muito, mas também fiquei emocionada com a história de Jun, a noiva, e a vaca que caiu do céu. Mesmo Roberto sendo um mau humorado de marca maior, foi muito altruísta da parte dele ajudar o chinês na terra tão estranha que era a Argentina (para ele).

    Outro filme que assisti recentemente que aborda convivência de diferentes culturas, religiões e raças é Que Mal Eu Fiz a Deus?. Um filme francês de 2013, bem levinho também. Se tiver interesse, assista! :)

    Beijinhos, Mia. :*

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  4. Eu AMEI esse filme. Ainda hoje me pego rindo quando a família do Roberto vai conhecer o chinês e uma das mulheres olha pro chinês e fala "blablabla, esses cabelos de 500 mil anos", tipo RINDO ALTO, sabe?

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