Durante a aula de Linguística...

"Mia, o que você está fazendo, afinal de contas?"
Funciona assim: eu escrevo um parágrafo, paro, leio um capítulo de O sol é para todos, paro, arrumo alguma parte do quarto, paro, assisto a um episódio de Once upon a time, paro, leio algum artigo e faço apontamentos sobre, paro, como alguma coisa porque saco vazio não pára em pé - ao mesmo tempo em que parafraseio a minha avó -, paro, escrevo um parágrafo.

Portanto, não sabemos quando este texto será publicado.

Ninguém sabe ao certo sobre o que é a aula de Linguística. Quer dizer, a gente sabe que deveria estar aprendendo morfossintaxe e todas essas minúcias da Língua Portuguesa. Mas a professora de Linguística é uma senhorinha já bem velhinha que - e este é o termo que realmente mais se adéqua a ela, apesar da minha irritação pelo mesmo - é super de boas. Ela literalmente não tá nem aí. Não sei se pela idade, não sei se é questão de personalidade mesmo. O fato é que a mulher fala de tudo, menos de Linguística.

Ontem, por exemplo. Ela nos deu uma folhinha contendo alguns exercícios - de matérias abordadas APENAS e tão somente em PDFs deixados no moodle, mas jamais mencionados em sala de aula - e a fábula d'A cigarra e a formiga. Eu li aquilo, achei estranho, não era o que eu lembrava ter lido anos atrás, mas fiquei quieta, porque eu sou dessas que fica quieta por pura preguiça. Uma colega, no entanto, não é tão preguiçosa quanto eu e perguntou:
— Essa fábula é a original, prof.?
Ao que a professora disse:
— É, mas não tudo. Eu sempre achei ela meio pesada, então mudei o final. Pra quê um final tão forte desses, vamos manter as coisas simples e bonitas.

~achei ela meio pesada e mudei o final~

— Ali, onde diz nas referências que a editora é Estrelinha, na cidade de Sonho Doce, também inventei porque ninguém tem tempo pra perder procurando referências de fábulas.

~também inventei as referências porque ninguém tem tempo pra perder~

~cara de David Tennant espantado~ 
Só gostaria de saber se a senhorinha professora aceitará, em futuros trabalhos, citações mudadas a meu favor e referências como "editora Estante lá de casa".
— Mas de onde você tirou isso, minha filha?
— Ah, de um livro lá de casa.
— Tá, mas qual é a referência dele?
— Não tinha tempo a perder com referências, prof. Tinha de escrever o trabalho, sabe?
— Sei, mas... isso não parece algo que Nietzsche falaria...
— Ele falou, mas não exatamente assim. Sabe como é, né? Achei muito pesado o que ele disse e mudei a frase final, só pra dar uma suavizada.

Vou nem falar do fato de que ela passou o resto da aula inteira falando sobre vestidos de casamento e astrologia, porque realmente eu meio que me desliguei, abri meu livrinho e fui ler mais uns capítulos até chegar a hora de ir embora.

Aulinhas de sexta à noite, as melhores. ♥ 

9 comentários:

  1. Mas só de pirraça eu tirava meus trabalhos do Wikipedia e falaria que tirei uma tese cientifica de um site americana e que demorou horas pra traduzir
    Ta pensando que é bagunça, profs? Aqui não é bagunça não !!!11!!!

    Novembro Inconstante

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    1. e só agora eu vi meus erros de concordância no comentário, to constrangida

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    2. Achava que apenas eu corrigia meus erros em comentários, hahahaha ♥

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  2. hahahahaha ela mudou o final da fábula pra ficar menos pesado?! Não sei se acho fofo ou se fico chocada, sei lá. Acho que sexta à noite nem os professores tem saco de dar aula mais, por isso fazem essas patifarias. Ler esse post deu uma saudades da facul :(

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    1. Seria fofo se não fosse um ocorrido numa faculdade, mas... caramba, apenas não. hahahaha

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  3. Mas que bela merda essa aula. Tem gente pagando pra ouvir sobre vestidos e referências inventadas, né...
    Isso me lembra quando tive uma aula de Ciência Política e o professor viajando. Quando eu voltei do meu daydreaming e ele estava falando sobre MINOTAUROS, peguei uns pila e fui tomar café.

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    1. Sempre tem esses professores que alopram e saem completamente do contexto da aula. O pior é que nem dá pra reclamar formalmente porque se tu reclamar, um monte de gente da sala vai chegar e falar que tu é maluca de reclamar de uma professora que não te dá trabalhos, não cobra coisas, enfim: não ensina. :(

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  4. HAHAHAH menina, que alívio descobrir que não é só na minha faculdade que os professores são pirados! não sei como é por aí, mas no primeiro ano do meu curso a gente teve uma matéria chamada introdução aos estudos da língua portuguesa (ou algo assim) em que, normalmente, se aborda a história do português, variação linguística, oralidade, preconceito linguístico... essas coisas. meu professor do segundo semestre falou disso, sei lá, durante 1 aula. nas outras ficou falando sobre índios (pq ele é especialista no dialeto de uma tribo?), sobre sociologia, sobre south park, sobre uma teoria bizarra que diz que o culpado pela derrota do brasil na copa foi o saci pererê (!), enfim hahaha apenas coisas normais! e o trabalho final desse curso foi adaptar um conto de fadas pros dias de hoje, contar a história adaptada e fazer a transcrição dessa narrativa oral. NADAVÊ.

    deve ser mal da letras, né? sanidade mental mandou beijo pros beletristas!

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  5. Gargalhei com essa sua professora e sua lógica para os trabalhos kkkk, to encantada pelo blog com esse ar de blogs antigos, diários e com gifs ♥♥ Muito engraçado também, por sinal.
    Vou usar essa tática agora nos meus trabalhos da facul! haha um beijo!

    Com carinho, Beca; Café de Beira de Estrada

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Wink .187 tons de frio.