Durante a aula de Linguística - parte 2

A aula de ontem. 
O que eu posso dizer da aula de ontem? 
Meus neurônios tentam procurar palavras em meu léxico, mas tudo o que encontram é: QUALÉQUIÉ, MERMÃO! 

A professora de Linguística é uma senhorinha com jeitinho de avó e tem mania de sair completamente do assunto da disciplina apenas porque sim, Linguística, essa coisa chata e ultrapassada, quem quer isso? Agora ela decidiu que será a nova Oprah. Saiu de sua classe, sentou no meio das alunas - só mulher na minha turma, uma coisa linda - e disse: 

— Vou dar uns conselhos pra vocês, jovenzinhas. 

Quando ela disse isso eu já agarrei no braço da minha amiga, arregalei os olhos e disse que: miga, se prepara, o momento sexta-feira à noite chegou. 

E a professora continuou: 

— Agora olhem pra mim e prestem bem atenção porque vou lhes dizer como se faz pra segurar um homem, pra manter um relacionamento. O segredo pra se manter um relacionamento é... 
~pausinha dramática~ 
...olhar bem dentro dos olhos dele e tentar fortemente se lembrar do que fez com que você se apaixonasse por aquele ser que está na sua frente. Eu sei, isso é muito difícil. Porque no começo ele era um jovem galanteador que segurava as sacolas e abria a porta para você. Hoje em dia ele é uma criatura que senta no sofá e espera pela comida - e come sem usar o guardanapo. Mas o segredo é tentar, com afinco, se lembrar do que lhe encantou por aquele homem. Porque algum dia vocês ficaram encantadas por seus parceiros de baile. Mas bailar a vida inteira com o mesmo parceiro pode ser algo desafiador. 

Nesse momento eu estava assim:


Eram quase dez horas da noite. Eu havia passado o dia inteiro - os últimos dias, na verdade - num evento de acessibilidade em bibliotecas, recepcionando as pessoas de salto alto. Só queria ouvir um pouco sobre morfossintaxe, pegar o ônibus, ir para casa e tomar uma taça de vinho antes de dormir. Mas nããããão. Porque é muito mais interessante ouvir conselhos sobre como agarrar um homem pra vida inteira. Claro que sim. 

E ela continuou: 

— Eu só tenho filhos homens*. E vim de uma família em que não tive irmãs, apenas irmãos. Então, sou meio que uma expert em homens. 

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA não aguentei e caí na gargalhada, mas ela continuava, com o brilho da insanidade no olhar. 

— E o que uma mãe quer é justamente o tipo de mulher firme, que queira algo pra vida, que queira construir algo. Mas na realidade toda mãe quer uma mulher em quem possa mandar pra mandar no filho a vida inteira. É isso o que vocês têm de ser: falsas. Pra que suas sogras pensem que vocês são as melhores amigas e que mandam em vocês, quando na verdade vocês é quem mandam em tudo. 

SENHOR, ME AJUDE. 
Eu só queria ter uma aulinha sobre regras gramaticais. Juro. Só isso. Mas não está sendo possível neste semestre. Sexta-feira à noite é o dia dos conselhos amorosos da senhorinha que parece uma vovó de desenho animado. Help, I need somebody. 

Mas os trabalhos, eles continuam surgindo no moodle. 

*A D O R O gente que fala filho homem, ainda mais quando essa gente é formada em Letras, porque né? Assumo que filho já indica masculino. Não precisa de filho homem ou filha mulher, mas né? QUEM SOU EU PRA CONTRARIAR UMA SENHORINHA COM MESTRADO E DOUTORADO EM LÍNGUA PORTUGUESA? :) 

De modos que a minha sexta-feira, ela sempre chega e é sempre bizarra. 

~Nick Miller me representa~ 

9 comentários

  1. que fofinho o layout novo (:

    também tenho aula de linguística de sexta, mas minha professora é incrível e ela até consegue fazer com que eu entenda Saussure haha, mas esse discurso aí foi o peor da vida... Década de 20 mandou um beijo!

    :*

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  2. mas gente hahahahaha quando comecei a ler tava esperando um daqueles conselhos que você leva pra vida, sabe? Mas nem sei porque me surpreendi tanto. Acho que me acostumei a viver na minha bolha onde todo mundo é feminista e faz rodinha pra discutir teoria de gênero hahahaha

    Não sei como reagiria numa situação dessas, porque minha vontade com certeza seria de "sair empoderando", mas simplesmente não consigo apontar reprodução de machismo em senhorinhas de idade. Fico com dó porque ela provavelmente ouviu isso a vida inteira e deve ser bem mais difícil desconstruir 60 anos (ou mais) de machismo enraizado que meus míseros 18.

    Beijo!

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  3. Como será que se fala "filhX", hahahaha

    A tua professora simplesmente falou coisas que ela pensa que funcionavam na época dela. Hoje em dia temos até homens "herbívoros" e mulheres "carnívoras" no Japão, mas se formos conversar com uma mulher de idade ela vai dizer que tem que saber cozinhar, saber de economia e finanças domésticas e cuidar dos filhos.

    Eu já concluí que não tem fórmula pra segurar homem. O que segura o homem é o caráter dele, e não nossos dotes culinários, nossa beleza quando recém acordamos ou nosso desempenho sexual.

    E nós, mulheres, precisamos preservar o bom caráter no nosso relacionamento, sem tentar "passar por cima" só porque é homem só porque "têm cromossomos incompletos e por isso são mulheres incompletas" (eu li essa bobagem. Os machistas amiguinhos do Napoleão não são os mesmos machistas de agora e certamente não torna machista tudo o que tiver pênis. Agora vão me dizer que leão com juba é fêmea incompleta? Puta merda... tem feminista doente, viu.)

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  4. é engraçado que eu leio você contando dessa professora e eu imagino ela na minha mente, tipo quando vc lê um livro sabe? E daí vc disse "estilo desenho animado" e SIM, é assim que eu a imagino.
    Bom saber que eu preciso ser falsa com minha sogra! Conselhos sobre como agarrar um homem pra vida toda são sempre bem vindoszzzZZzZzZz...

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  5. "... mas ela continuava, com o brilho da insanidade no olhar." Isso ficaria muito bem num livro do Stephen King e... A-há, tu leu O Iluminado. =3

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    1. Na verdade, essa expressão é d'As Brumas de Avalon. ;)

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    2. Capaz? Eu não sei porque eu ainda não li isso.

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    3. LEEEEEEEEEIA
      Pára tudo agora e leia As Brumas. Sério. Saia deste blog e vá à livraria/biblioteca. :)

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  6. Vejamos pelo lado bom.
    Pelo menos ela não tem filha mulher pra ensinar essas coisas. Pq né?!

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