I am. I am. I am.


Sempre que olho essa foto da Sylvia Plath penso em como as pessoas, por vezes, banalizam a depressão. Ninguém, ao ver a foto de uma jovem sorridente na praia, diria que a mesma acabaria por se suicidar por conta de uma depressão que acabou com sua vida. Porque as pessoas têm uma mania muito presunçosa de achar que a pessoa depressiva não sorri, não conversa normalmente, não se diverte, não vai à praia, ao cinema, ao teatro, a um restaurante com amigos.

A depressão não é apenas tristeza. É feita de camadas. De máscaras. De muitos sorrisos que parecem ensolarados, mas que, na verdade, escondem a distância de um passo rumo ao abismo.

Mas as pessoas olham a foto de uma jovem sorridente e dizem que ela está bem. Que se tiver uma crise precisa apenas de um chá, de um chocolate, de uma noite de sono. A depressão é tratada como tpm, como uma coisa de nada que passa assim como veio. E passa, sim. Para voltar ainda pior.

Eu olho pra essa foto e penso em todas as pessoas que já passaram e passam por isso e encontraram em seu caminho apenas incompreensão e julgamentos quando precisavam apenas de ajuda e entendimento. 

Eu me sentia muito calma e muito vazia, da mesma forma que o olho do tornado deve se sentir, se movimentando com desânimo em meio a bagunça ao redor.
— PLATH, Sylvia. A redoma de vidro. 

3 comentários

  1. Que horror, Mia. Acredito que toda a pessoa que teve ou tem quadro depressivo tenha ideações suicidas. Algumas apenas não comentam por constrangimento, mas eu vejo isso em todos os laudos periciais que passam na minha mesa e os médicos vão lá e dizem que é "genético/hereditário", ou que é por causa dos hormônios (quando mulher e/ou gestante), quando na verdade é tudo questão de humilhações e mais humilhações no trabalho. Eu penso que muita gente não consegue vencer a depressão por falta de reconhecimento profissional. Tem quem entre em depressão porque já é tão realizado profissionalmente que acha que não tem mais nada de bom! Então... como pode ser genético?

    ResponderExcluir
  2. Mia, antes de mais nada: COMO ASSIM BLOG DE CARA NOVA? Eu não sabia disso (sou uma amiga relapsa). Adorei o jogo de cores.
    Agora, sobre Sylvia... Eu li esse teu texto ainda no face e que bom ter um lugar pra poder comentar do meu jeitinho.
    Eu concordo muito com ele.
    As pessoas acham que quem tem depressão deixa ela sempre escancarada. Eu ando numa fase péssima e o teu texto falou muito comigo. Me senti abraçada, e me deu ainda mais vontade de correr abrir o livro dela. Não sei se tenho estrutura pra isso agora, mas sinto que vai ser algo que vai me abrir muito a mente?!
    Enfim.
    São coisas.
    Beijo!

    ResponderExcluir
  3. e tem tantas Sylvias Plath por aí.
    Eu sou uma delas, minha mãe é uma delas, grande parte das mulheres da minha família são algumas delas.
    Enquanto o mundo não entende isso, uma Sylvia precisa tentar reconhecer a outra.

    ResponderExcluir