Aquele com o quase sequestro na van

Acho que a essa altura do campeonato todos aqui sabemos que Murphy me ama, Murphy me quer. Recentemente comecei a estagiar como fotógrafa (fotojornalista ♥) num jornal da faculdade em que estudo e, é claro, Murphy vai todos os dias comigo pra lá. 

Sexta passada foi o exemplo perfeito disso. Estava eu linda, cheirosa e animada indo alegremente para a van que levaria a mim, a meu colega que iria comigo e a outras duas meninas da foto também para registrar umas coisas pra umas reportagens. E tava tudo bem. A gente falou com o motorista e deixamos especificado que iríamos a dois lugares: as meninas primeiro, depois o rapaz e eu a outro. O motorista concordou, pareceu entender, tava tudo de boas, tranquilíssimo. 

Fomos. Chegamos ao destino das gurias e o motora as largou lá. Tudo fluindo bem. Até que ele simplesmente estacionou ali e dali não mais saiu. Meu colega e eu nos encaramos, encaramos o motora e eu perguntei:
— Então, o senhor vai nos levar pra o IAPI?
— Não.

~acho que não entendi muito bem, senhor~

Foi um não seco. Um não categórico. O que era ridículo, já que havíamos combinado tudo anteriormente. Mas como eu sou uma pessoa insistente, continuei:

— Bem, mas a gente havia combinado de ir até o IAPI, lembra?
— Não mesmo, negativo. Minhas instruções foram para ir até o centro e do centro eu não saio.
— Mas, senhor, a gente precisa ir pra o IAPI.
— Bem, vocês não eram nem pra ter vindo comigo, então. Só as duas gurias. Porque fiquei de levar só elas pra o centro.

Nesse momento eu já estava começando a me perguntar se o motora havia esquecido de tomar seus remedinhos naquele dia, porque não estava sendo possível tanta falta de coerência numa só pessoa de um momento para outro.

E a coisa só piorou.
Após muitos minutos de silêncio, parados naquela van, novamente perguntei:
— Tá, então o senhor não vai nos levar, né?
— Não.
— Okay. Eu vou lá no Gasômetro com as gurias.

Nisso o motora simplesmente decidiu arrancar a van e correu loucamente pra, aparentemente, local algum, já que nos assustamos e durante o trajeto fantasma perguntamos ONDE DIABOS ele estava indo, já que ele já estava estacionado onde eu finalmente decidira descer, e ele nada respondia, apenas exibia o olhar da insanidade e dirigia. Aquela van fazia IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIH no asfalto e meu colega e eu pensamos que estávamos sendo sequestrados.

Até que, do mais absoluto nada, ele parou.
No meio de uma pracinha.
NO MEIO, eu repito, DE UMA PRACINHA.
Não ao lado da pracinha, mas no meio, em cima das areias das crianças, ao lado do escorrega.

E longe do Gasômetro.

Ele desceu da van, abriu a porta lateral, apontou pra direita e disse:
— Sigam reto pra direita.

EU.GELEI.DE.MEDO.E.DISSE.AGORA.QUE.EU.MORRO.

Obviamente não morri, mas quase.
Fomos, né? Meu colega e eu fomos seguindo reto à direita, pra o meio do mato e com o coração na mão. Até que, após muito caminharmos, encontramos finalmente ao longe a torre do Gasômetro.

Quando estávamos quase chegando lá passou por nós um cara numa moto que simplesmente parou de olhar para a frente, virou a cabeça em nossa direção e gritou AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH com uma puta voz grave.

Minha reação foi: M E D O. Escapei da morte pra morrer na esquina.

detalhe: estava eu com uma câmera canon pendurada no pescoço. percebam o pavor da criança. teria de vender a minha alma pra pagar aquilo caso algo ocorresse. 

Só foi o tempo de olharmos um pra cara do outro, espantados, e passou um carro grudado na gente com uma pessoa com uma perna pra fora. NÃO VIMOS O MOTORISTA EM LOCAL ALGUM, apenas uma perna pra fora do carro.

Nesse momento eu já estava esperando Frank, o coelho de Donnie Darko, aparecer na próxima esquina e dizer que em 28 dias o mundo terminaria.


Felizmente chegamos ao Gasômetro, encontramos as gurias e conseguimos, após muita caminhada - porque tivemos de ir até a prefeitura também; muito legal e seguro 4 jovens caminhando com canons penduradas ao pescoço, nem me digam -, voltar pra PUCRS sãos e salvos.

Esse dia foi punk. 

6 comentários

  1. QUAL THE FUCK ERA O PROBLEMA DO MOTORISTA??? Puta que pariu, eu já teria ligado pra polícia, pra PUCRS, pra alguém ali de dentro da van mesmo.
    Agora me dá o nome completo desse bosta que eu vou procurar se ele tem processo judicial.

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  2. Credo, eu ia entrar em pânico se algo assim acontecesse! Por sorte você estava acompanhada do seu colega, imagina se estivesse sozinha? E ainda com as câmeras no pescoço, eu ia me sentir mais exposta do que se estivesse pelada na rua hahahahaha (eu que morro de medo de sair com minha câmera dentro da mochila, e olha que minha câmera nem é nada de mais)

    Mas no fim o que aconteceu com a van? O cara simplesmente sumiu? Eu, heim! Não dá pra denunciar isso aí?

    Enfim, ainda bem que no fim nada de pior aconteceu! E espero que não tenha que passar por algo assim de novo.

    Beijos!

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  3. Miga sua louca, tu precisa se benzer! A quantidade de coisas bizarras que te acontecem não tá escrito (ou tá, porque tu escreve, haha, do'oh). Sério, faz umas orações aí, não sei se tu acredita, mas mal não há de fazer. D:

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  4. Querida, é péssima dizer isso.
    Mas ainda bem que você não estava só!

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  5. Nossa Mia, parece até história de filme. "Um não seco", realmente estes motoristas de van, olha, não é o primeiro que tem atitudes como essas.

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  6. eita porra ._. e nada foi explicado sobre wtf foi isso tudo depois? HAHAHAHAHAAH medo

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