Amanhã: termina hoje

Número Zero
Umberto Eco
Editora Record
207 páginas
Ano de publicação: 2015
Sobre o que é: um cara chamado Colonna, mas que se chama interiormente de perdedor, aos 50 anos nas costas e muitos fracassos no currículo é chamado para um trabalho estranho: fingir ser co-editor de um jornal-teste (que talvez saia, talvez não, dentro de um ano; sendo que deveriam ser produzidos 12 números zeros para o Comendador, o grande cara anônimo por trás do jornal) e, ao mesmo tempo, ser ghost-writer de uma autobiografia sobre o editor do suposto jornal. A equipe de jornalistas é composta por 6 membros: 5 homens e 1 mulher, fora o próprio Colonna e o editor. Esse projeto de jornal, chamado de Amanhã, tem por objetivo apenas fazer escândalo e suposições que possam arruinar a vida das pessoas, ou seja: o pior tipo de jornalismo possível. Porém, algo acontece que deixa Colonna numa situação de fuga e paranoia incompreensível.

Por que ele é bom? Porque ele te ensina a como NÃO ser um jornalista. No tal do jornal Amanhã só tem pauta dozinfernos, pra esculhambar com todo mundo fazendo uso do pior jornalismo possível: o de sutilezas, do disse-mas-não-disse, do "ninguém pode me processar porque eu nada disse e não sou responsável pelo que as pessoas entendem". OU SEJA: Umberto Eco fez uma crítica aos jornais e aos veículos de comunicação em geral.

Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador. (p. 57) 

Fora que é uma leitura bem rápida: eu o li em apenas uma tarde. Não tem como não se envolver na história e querer saber seu desfecho e seus porquês - afinal, ela começa com um mistério que só será resolvido faltando cerca de 15 páginas para o final do livro.

Por que ele é ruim? Não é ruim, mas falta profundidade. Em comparação com outros livros do Eco, este é bem fraquinho. Okay, a crítica ao jornalismo é bem compreendida, mas falta algo.

Isso sem falar que: a história se passa em 1992 e sabemos que se hoje em dia o machismo é algo ainda presente, naqueles tempos era ainda mais. Acontece que uma das personagens do livro é uma jornalista chamada Maia - a única mulher, na verdade - e ela sofre machismo de todos os lados a todo instante. Isso é bem incomodativo. Mas entendi que Eco escreveu a história justamente assim para fazer crítica.

Se eu recomendo a leitura? Sim, não poderia deixar de recomendá-la. É um livro fácil de ser lido, envolvente e que vai te fazer questionar a mídia e seus critérios do que é notícia e até que ponto somos manipulados pela mesma. Mas não é um livro que vai mudar a tua vida: contudo, sendo do Eco sempre vale a pena. ♥
Em um quote:
Estamos vacinados, seja qual for a história nova que nos contem, vamos dizer que já ouvimos coisa pior, e que talvez essa e as outras sejam falsas. (p. 204) 

1 comentários:

  1. Não conhecia o livro, mas gostei bastante da proposta! Fora que é um tema extremamente atual, diria que mais atual impossível, visto tudo que estamos passando atualmente. Acho que adicionarei à minha lista! =)

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Wink .187 tons de frio.