Já que sou o jeito é ser

Existem dois tipos de personagens: um vive para fora; o outro, para dentro. Um é expressivo, faz coisas, é sujeito e autor de si mesmo, de sua história. O outro é reativo ou, sendo mais pontual, passivo. As coisas passam por ele, tudo ele sente, tudo o transpassa, tudo é pesado. Ele não ocorre porque o universo ocorre ao seu redor e sua consciência de liberdade, de responsabilidade, é tão grande que ele apenas rebate o que lhe toca. Reage. Não é autor. 

É muito triste quando você se dá conta de que se identifica, em todos os romances já lidos até o momento, sempre com o segundo tipo. A vida lhe é muito pesada e ele não consegue movê-la, apenas se coloca na posição de observador do mundo e de sua espécie, escrevendo sobre si mesmo e o que lhe ocorre, usando do fluxo de pensamento para escapar de uma realidade que o aprisiona. 

Eu sou o intervalo entre um evento e outro, entre uma página e o virar dela. Eu sou aquilo que não sou quando estou longe das palavras. E a manifestação da minha consciência é equívoca, não linear, pesada.



*título lindamente surrupiado das palavras de Clarice Lispector em A Hora da Estrela. 


~grupinho do amô pra gente se apoiar durante o BEDA~

3 comentários:

  1. oie mia! :D
    confesso que, nos últimos anos, também tenho sido mais coadjuvante do que a protagonista da minha vida... as coisas estão passando e eu ainda estou esperando pela hora certa para agir e fazer acontecer. ano passado eu ainda tentei um pouco, mas o momento não está me favorecendo muito... espero que isso mude logo, tanto para mim, quanto você... boa sorte aí.
    beijoooo

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  2. Eu queria ser um meio termo deles, mas fico nessa alternância muito louca e nada funcional.

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Wink .187 tons de frio.