Ônibus: o inferno sobre rodas

Tudo o que reúne pessoas tem vibe errada. Não tem como dar certo reunir mais de 5 pessoas aleatórias num ambiente por 2h e achar que a coisa vai fluir. Não vai. A única coisa passível de fluir é o sangue (próprio ou alheio) resultante de uma cotovelada. 

A maior parte das minhas histórias bizarras acontecem em ônibus porque neles não são reunidas 5 alminhas atormentadas aleatórias, mas sim mais de 5. E aí que a coisa só pode resultar em danos físicos e mentais, obviamente. 

O ônibus que eu pego cruza toda a cidade porque eu sou uma dessas pessoas que moram no fim do fim do fim da região metropolitana de Porto Alegre. Então são 2h num ônibus sempre lotado. 4h de viagem por dia, ida e volta, cruzando toda a cidade de Viamão + metade de Porto Alegre. Isso significa que: eu sou a primeira a pegá-lo e a última a descer dele. 

O que não é tão horrível assim em dias normais porque coloco meu fone de ouvido (uma playlist com Liszt + Mozart + Queen + Mika + Beatles = amor, puro e eterno amor ♥), abro o livrinho da vez e tenho 2h de leitura com uma ótima trilha sonora. 

Mas nem sempre é assim. 
Porque há dias em que não consigo pegar o ônibus no local certo, pegando-o numa parada aleatória, o que significa que ele já estará cheio. Também há dias em que saio correndo da aula e não consigo ser a primeira a entrar naquele forno com rodas (pelamor, qualé o problema das pessoas que FECHAM TODAS AS JANELAS? gente, tem toda a espécie de bactérias naquele recinto. não quero saber se tá frio, A JANELA TEM DE ESTAR ABERTA. ponto final.) porque fila, tem fila, né, Pra tudo tem fila, inclusive pra entrar no inferno. Nesses dias, ocorre um fenômeno que eu carinhosamente apelido de remake de Kill Bill. Isso porque na minha cabeça eu viro uma versão latina da Beatrix Kiddo e o sangue jorra pelas janelas do ônibus. É lindo de ver. ♥ 

~♥ sonho da vida ♥~
Ou seria, se eu não tivesse esse incrivelmente maldito autocontrole. 

Isso tudo porque: o ônibus cruza metade de uma cidade + outra cidade inteira. O que significa que: há pessoas de todos os lugares nele. Que não pegam seus respectivos ônibus. Nããããããão. Elas vão pegar o meu, mesmo que o delas passe de meia em meia hora, sendo que o meu só dá as caras de uma em uma hora - quando aparece, porque já ocorreu de eu ficar mais de duas horas na parada, à noite, esperando esse maravilhoso ônibus aparecer, já que é o único que eu posso pegar porque nenhum outro passa onde eu moro. Elas vão pegar o meu e se aglomerarem loucamente. Num ônibus onde deveriam caber apenas 56 pessoas, o número de passageiros chega a 80. 

Tudo isso porque AS PESSOAS. ELAS NÃO RESPEITAM AS COISAS, CARA. Bom senso, sabe? Eu não peço por muito. A única coisa que peço é que peguem seus respectivos ônibus. Sim, eu sei que é um saco esperar meia hora numa parada, mas eu espero uma hora - ou mais - pra pegar APENAS esse ônibus em específico porque não existem outros que passem onde eu moro. E as pessoas que o pegam moram em locais em que basicamente qualquer ônibus passa. 

O que nos leva a sábado passado, também conhecido como o dia de ontem. 
Estava eu linda e doce, toda trabalhada nos tons de vermelho e marrom, debaixo de uma chuva filhadamãe esperando por meu ônibus na parada da faculdade - porque a vida da pessoa ferrada não pode dar trégua no fim de semana, não... a pessoa ferrada precisa estudar durante os sábados também, caso contrário o que eu escreveria aqui no blog, né mesmo? Pois bem. Estava eu esperando meu querido ônibus que ainda não havia passado e estava terrivelmente atrasado quando, finalmente, ele chega! Eu, quase pulando de alegria, fiz trocentos sinais pra que o motorista entendesse que HEY, MR. ARNSTEIN, HERE I AAAAAAAAAAAAM ♪ 

Ele não queria que eu subisse porque o ônibus estava lotadíssimo. "Mas eu sou pequena, caibo", disse. Mesmo com a cara virada do motorista, subi, porque sabia que não subir seria esperar por mais uma hora naquela chuva. 

O ônibus, lotado. Arranjei um cantinho grudada na roleta. O cobrador começou a encher o saco pra que eu passasse logo. Eu lhe disse: não tem lugar, senhor, olha só, tem um cara gigante travando a roleta. Ele disse que daria um jeito. Pois bem, que desse. Mandou o cara gigante arredar pra que eu passasse. 

Nisso, percebi que o cara gigante não era apenas um cara gigante. Não. Era um cara gigante + sua namorada que, de tão grudados, eram praticamente um ser mitológico saído de Fúria de Titãs (de 1984, não aquele remake horroroso, por favor). E não apenas isso: havia espaço para que ele ficasse ao lado dela, mas nãããããão, não vamos desgrudar, vamos praticamente transar no ônibus, isso mesmo, palminha e confete pra vocês. Então a situação era a seguinte: ao lado de cada banco, uma pessoa em pé. Atrás da namorada de pé ao lado do banco, o cara gigante agarrado obstruindo a pouca passagem que havia. Ou seja: 3 pessoas de pé no corredor do ônibus. 

IMPOSSÍVEL 
DE 
PASSAR 
♥ 

Mas o que me deixou com mais raiva não foi isso. Não. Porque, ah, o amor juvenil... Acho um saco, mas compreendo. Total falta de noção, mas okay. C'est la vie. Isso passa. Agora, o grande problema mesmo é que: eles desceram 5 paradas depois. 

E, pra quem não conhece o trajeto, 5 paradas depois quer dizer: final de Porto Alegre, começo de Viamão. 

Sendo mais didática ainda: eles poderiam ter pegado QUALQUER ônibus. Um de Porto Alegre. Um de Viamão. Até mesmo ônibus de outras empresas poderiam ter sido pegos. Mas não. Eles decidiram pegar um ônibus lotado porque foi o primeiro que passou. 

FERRANDO COM A VIDA DE TODO MUNDO, INCLUSIVE A MINHA, PORQUE NÉ. Atravancando o caminho das pessoas e ainda fazendo cara feia porque eu pedi licença pra conseguir respirar. 

E o pior é que não é apenas esse casal que fez isso. Não. Mais da metade do povo daquele ônibus desceu logo em seguida. Mais da metade poderia ter pegado, literalmente, qualquer outro ônibus. Mais da metade estava enchendo o saco e tirando o lugar - porque chega uma hora em que o motorista simplesmente pára de pegar gente - de quem realmente precisava daquele e somente daquele ônibus para chegar em casa. 

Se isso fosse eventualmente eu teria raiva, mas nem tanto assim. Mas todo santo dia vejo coisas desse tipo. A minha vontade é de gritar com as pessoas enquanto sacudo seus ombos até fazê-los deslocar pra que elas se deem conta de que CÊS TÃO DIFICULTANDO A EXISTÊNCIA DOS OUTROS E O MUNDO JÁ É DIFÍCIL DEMAIS PRA GENTE TER DE ATURAR ISSO, CARAMBA! 


Juro pela deusa que se eu pudesse escolher um super-poder seria o de exterminar da face da Terra pessoas que fazem esse tipo de coisa. 

Essas pessoas nonsense: não sejam elas. 
Criei uma tag apenas para histórias de ônibus porque não está sendo possível. As pessoas ficam completamente loucas em ônibus, minha gente. Que isso. 

~grupinho do amô pra gente se apoiar durante o BEDA~

4 comentários

  1. Conseguir identificar alguns personagens de ônibus que já tive os desprazer de encontrar
    - o Inquilino da Roleta
    - o Casal Siamês
    - a Death Mist (a.k.a. o ~arzinho~ do ônibus quando os vidros ficam todos fechados)
    - os Desesperados do Primeiro ônibus (os que pegam o primeiro que aparece)
    Acrescentaria apenas os Batentes: aqueles que ficam grudados na porta logo que entram no ônibus mesmo descendo depois do quintos dos infernos, impedindo as pessoas de saírem.

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  2. Ai, esse texto <3
    O título é perfeito. Penso igual em tudo o que você disse e, nossa, pessoas sem noção de ônibus são o pior tipo de pessoas sem noção.
    Além dos folgados que travam a passagem, tem sempre aqueles que conversam aos berros porque estão espalhados pelo ônibus e aqueles que sempre sentam do nosso lado e começam a fazer ligações para toda a família. E, claro, falam bem alto.
    ODEIO ÔNIBUS.

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  3. Nossa, fiquei com o sangue fervendo só de ler huahuaha

    ✦ ✧ http://bruna-morgan.blogspot.com ✧ ✦

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  4. AS PESSOAS EU NÃO AGUENTO ELAS NOS ÔNIBUS PELO AMOR DE DEUS
    Esses dias passei um nervoso com uma senhorinha. A gente pode falar mal de idoso no ônibus? Não, né. Mas aí a mulher pegou o ônibus ~~~~sem pagar~~~, botou uma sacola em cima do banco vago e só tirou cinco pontos depois, quando a companhia dela entrou no ônibus. Eu queria fazer a Noiva e explodir aquela joça.
    E a única coisa que adoro nos transportes coletivos é poder abrir a janela e sentir o vento nas cabela, aí sempre tem algum incomodado que fecha aquilo. Todo mundo durante uma hora espirando, respirando e tossindo os mesmos germes. PAVOR.

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