Ruído espacial

— Eu não sou importante. A única importância que você vê em mim é causada pela distorção das ondas propagadas. 
— Não entendo! Mas é claro que é importante, afinal, convenhamos, uma criança falando de ondas com tamanha propriedade não pode ser comum. 
— Claro que sou comum. Todos temos esse conhecimento, apenas não nos damos conta disso. É algo natural e presente na vida de todo mundo. Por exemplo, a televisão. Você a percebe colorida por causa das ondas. Você a percebe em certo formato por causa delas também. E podemos ver a mesma imagem, mas ela sempre será ligeiramente diferente para cada um de nós por conta da distorção das ondas que é única em cada indivíduo. 
— Você está dizendo, então, que não vemos as mesmas coisas? 
— Nada que ninguém já não soubesse. A distorção das ondas também altera o entorno, o contorno dos objetos e das pessoas. O mundo não é líquido, mas isso pode ser comparado a uma certa liquidez. O que eu emito, o ruído que causo no universo, não é o mesmo que você causa. Você não pode ver o seu, mas eu posso. Assim como não posso ver o meu, mas você pode. Por isso, me acha importante, interessante quando, na verdade, ambos produzimos e somos produzimos pelo mesmo fenômeno natural. Somos todos resultado do que emitidos e as ondas de energia alteram nossas percepções. 
— Mas isso é... Isso nos faz sermos iguais e, ao mesmo tempo, únicos. Isso é um paralelo! 
— Não. Paralelos também fazem parte de nossa natureza, mas não são isso. Agora, com licença, já me cansei dessa conversa. 

E então o menino voltou a ser apenas quem ele era antes do tremor de terra: uma criança de 3 anos de idade, com seus babadores, seus tênis com velcro e sua expressão séria de quem está permanentemente com sono. Mas o ruído que produziu no espaço do senhor Caland foi o suficiente para deixá-lo acordado a noite inteira fazendo cálculos.

Ser aquariana é: sonhar com teorias de física, acordar de repente, mesmo tendo dormido apenas 3h, porque você PRECISA escrever sobre aquilo, começar a pesquisar o assunto e descobrir que a teoria sobre a qual você sonhou foi comprovada ESTE ANO, há pouquíssimo tempo. O universo e eu, toda uma vibe.  
~grupinho do amô pra gente se apoiar durante o BEDA~

1 comentários:

  1. ... e que vibe!

    Essa criança, tô bem surpresa com ela. E, a propósito, também amo registrar meus sonhos (ainda que eu não me levante no meio da noite para isso, e caia no sono outra vez rezando para lembrar de alguma coisa no dia seguinte).

    Bom fim de semana para você!
    O Único Jeito

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Wink .187 tons de frio.