Aleatoriedades n° 1

Após mais de um mês de aulas, finalmente meu relógio biológico parece estar regulando com o mundo normal. A pessoa insone tem sérios problemas porque: a. ela não consegue dormir, apesar do cansaço; b. olheiras, muitas olheiras, olheiras quilométricas que chegam ao meu queixo; c. 3h da manhã, aquele silêncio, todo mundo dormindo, a pessoa tem de acordar dali a 4h, mas tá encarando o teto, já contou todas as tábuas que nele existem, já achou rostos nele e possivelmente já teve uma conversinha com o demônio durante o processo, mas dormir que é bom, nada; d. a pessoa acaba dormindo, por pura exaustão, em horários em que todo mundo está acordado e sendo funcional. 

Percebem por que eu sou um desastre? Fico acordada e ativa em horários em que o mundo está offline. Entro no modo zumbi quando as pessoas estão com picos de energia e produzindo horrores. É por isso que não consigo lidar com uma rotina. 

Aí as pessoas ficam me enchendo os pacovás porque "Mia, tu some, tu desaparece, mas entrega as coisas nos prazos". Sim, amigão! "Mas como é que tu produz se tu nunca aparece aqui?" Duas palavras: horários alternativos. Eu não durmo: estudo, escrevo, faço meus trabalhos e danço Elvis durante a madrugada. Tem funcionado por 22 anos. Acho que o mundo precisa admitir que sou um espírito livre e não me encher o saco pelos meus horários malucos. 


Aliás, na categoria pessoas que enchem o saco porque estou sumida
tava querendo mudar o layout do blog desde fevereiro, mas não conseguia por simples e pura falta de tempo. Minha pilha de livros para ler só faz crescer e temo por minha saúde porque a pilha está literalmente gigantesca e ainda acho que cairá em cima da minha cabeça quando eu estiver dormindo. Caminho pela faculdade sempre apressada, ouvindo as pessoas me dizerem o famigerado "e aí, sumida?". Vejo o namorado uma vez por semana, por pouquíssimo tempo, depois da aula de sábado (às vezes ele me faz umas visitas na faculdade porque é querido ♥ mas, se não fosse por isso nos veríamos apenas uma vez por semana mesmo). Faço aula sábado. De Ética. (Inclusive, Sócrates era chato pra caramba, hein.) Só vejo (algumas das) minhas amigas porque elas estudam/trabalham no mesmo local que eu e a gente sempre dá uma corridinha entre uma aula e outra pra poder bater um papo, comer umas bergamotas e dar umas risadas motivacionais (haja motivacional no processo, hein!). Não vejo meus sobrinhos há algumas semanas porque não tenho tempo, o único dia em que fico em casa é no domingo e nesse dia aproveito pra fazer os trabalhos da semana, ler artigos e tentar descansar um pouco. 

Então, assim, não é como se eu tivesse muito tempo disponível na agenda pra lidar com o surto alheio sendo que não estou conseguindo nem lidar com o meu próprio e frequentemente me dou uns tapas na cara e me mando parar de frescura e seguir em frente porque agora não dá pra surtar, deixa pra surtar nas férias, querida. 

Aí aparece a pessoa que cresceu comigo, que é minha amiga há 10 anos. Aquela pessoa que vivia na minha casa e eu, na dela. A pessoa aparece fazendo textão na outra rede social - um atrás do outro, aos menos dois por dia - falando que não tem amigos, que eu a abandonei por namorado e amizades novas, que ela só queria uma amiga presente, que saísse com ela pra festas, pra os tuts-tuts-tuts ♪ da vida. 

Um mimimi sem fim. 

E sem muita lógica porque, apesar da minha rotina completamente insana (não a recomendamos, por sinal), eu sempre digo que se a criatura quiser fazer uma sessão pipoca a gente separa uns filmes legais, faz umas pipocas, come um monte de bobagem e vê filminho duvidoso enquanto conversa e suja a cara de chocolate. Melhor coisa. 

Mas aí a pessoa quer que eu saia no meu único dia em casa, pleno domingo de exaustão, pra ir em festa com gente bêbada & suada e ainda espera que eu pague por isso? Miga, tá difícil pagar as passagens pra ir pra faculdade, cê realmente acha que eu vou perder meu tempo - e orçamento inexistente - em festa? Quer dizer, cê realmente não lê meu blog, né? 

ME CONVIDAR PRA UMA ÓPERA NINGUÉM CONVIDA - e mesmo assim, dependendo do dia, não iria, porque domingo é dia de ficar em casa, ponto final. 

Acabo passando por chata e insensível sendo que eu apenas estou tentando gerenciar meu tempo, dentro das minhas possibilidades limitadas de estudante universitária com uma vida ativa e cheia de compromissos malucos. Então, não, eu não serei aquela amiga do badalo, eu não vou ficar falando contigo pelo whatsapp toda hora porque, bah, sinceramente, que coisa mais tediosa aquilo. Mas se quiser se reunir num domingo à tarde pra ver uns filminhos, cozinhar uma receita nova ou só bater um papo mesmo - debaixo de um cobertor quentinho, de preferência -, perfeito! Só não espere que eu vá pra o badalo porque o dia em que eu vir algo de bom em festa jovem, pode saber que ou estou extremamente bêbada ou sendo sarcástica em níveis nunca d'antes vistos. 

Sou chata mesmo, posso fazer nada, é o que temos pra esta encarnação. 


Da série coisas que não entendi
a. O hype de Stranger Things
É uma série boa, é uma série legal. Ninguém passa 8h na frente de uma tela durante um domingo se não estiver gostando da coisa. Mas não é a melhor série da vida, o roteiro certamente não é o mais genial que já apareceu. Ou seja, não é pra tanto. Porém, ver Winona Ryder bem loucona falando com as luzes é maravilhoso. E a Eleven, gente? Que personagem mais amor. ♥ (Inclusive, torcendo muito pra o retorno de Eleven, hein.) 

b. O amor das pessoas por café. 
Juro pela Deusa. Isto aqui tá quase virando um post de unpopular opinions, mas eu não entendi até hoje esse amor todo por café. O troço é amargo pra caramba. Se colocar açúcar, fica um doce insuportável. Tomar no calor é horrível (bem, tudo é horrível no calor) porque o troço esquenta a alma da pessoa. Tomar no frio até vai, e às vezes eu tomo porque né, há rumores de que a gente precisa manter uma certa temperatura corporal. Mas o gosto, gente. O sabor. Não há como. 

Sou chata. Mesmo. Midesgulpem. 

Da série o que estou lendo
a. A montanha mágica, do Thomas Mann
Até agora, o jovem Hans Castorp tem se mostrado o cara mais tapado de toda a história da literatura moderna. O rapaz vai pra um sanatório para tuberculosos, no topo de uma montanha, passar 3 semanas com o primo doente. Aí, já nos primeiros dias, ele começa a sentir arrepios no corpo, mas o rosto queeeeeeeeeeente, um calor dozinfernos enquanto os pés estão congelando. Mas tudo bem, é só porque ele tá se aclimatando ao ambiente. Depois, ele tosse horrores e escarra sangue. Mas nem dá bola porque, afinal, se exercitou demais ao dar uma caminhada de meia hora. Certo dia, ele chega com a camisa empapada de sangue. Mas não é doença física, não: é doença do amor. Hans Castorp tá apaixonadinho e seu sistema está tentando colocar isso pra fora. Apenas isso.
Hans, amiguinho, dá cá a mão (esterilizada, por favor) e realiza aqui com a tia: cê tá doente, querido, e nunca mais sairá daí. 

b. Ghostlight, da Marion Zimmer Bradley
A mulher se chama Verdade e é filha de um cara ocultista da onda hippie dos anos 60 e de sua seguidora ritualística. Ambos morreram. A guria cresce tendo raivinha de tudo isso e vira uma cientista cética. Mas coisas acontecem e ela conhece um cara que me lembra o Antonio Banderas em todos os filmes que ele fez com o Almodóvar. Esse é o primeiro de uma série de 4 livrinhos e ainda estou bem no começo, então não dá pra dizer muito. Não gosto de séries de livros, mas adoro a escrita da Marion. Assim complica. 

c. Reparação, do Ian McEwan
Faz 2 anos que tô atrás desse livro e nada porque todas as vezes em que fui comprá-lo, havia esgotado. Em todas as bibliotecas a que ia, não tinha no acervo. Aí ontem, passeando pelas estantes da biblioteca da PUCRS, encontrei esse livro, me agarrei nele e estamos num sério caso de amor. Até agora: Briony é uma guria mimada com um sonho literário meio desprovido de sentido, seus primos são chatos e sua irmã, sonhadora e meio melancólica. Mas a escrita do senhor McEwan, que escrita deliciosa! 

Fora isso, tem mais alguns - 4 - livros esperando por serem lidos e tô numa agonia danada porque a vontade é de colocar todos no meu cérebro de uma vez e ter todo o conhecimento literário do universo, mas me contenho e tento ao menos terminar A montanha mágica ainda este mês. 

~I'm a little bit Rory Gilmore, sim~

Já que não consigo manter uma newsletter no tinyletter - por total incapacidade de interesse e de gerenciar outra plataforma que não seja o blogger -, vou começar a fazer umas por aqui mesmo. Melhor assim, tudo no mesmo lugar, mais organizado - e não me sinto tão perdida. 

2 comentários

  1. Em primeiro lugar: fico feliz que tu vai abdicar da tinyletter e postar por aqui mesmo. Geralmente as pessoas fazem o contrário e eu fico triste porque se tem uma coisa que eu não faço, essa coisa é seguir newsletter. HAUAHA.

    Não chego a ter uma rotina tão atarefada quanto a tua, mas só de passar 12h por dia longe de casa, eu já tô tendo um treco. E eu te apoio totalmente em não ir nessas festas aí não. Às vezes queria que você morasse aqui pra gente fazer uns planos caseiros e ficar de boa, como duas velhas tomando chá (ou qualquer bebida da sua preferência) e assistindo filmes, sei lá. Meus amigos daqui também são tudo baladero e eu não tenho paciência, não. çLMSDFÇALMSD

    O novo layout tá tão lindo, não tô sabendo lidar <3

    Beijinhos.

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  2. O NOVO LAYOUT!!!! <3
    E miga, pensando bem aqui, ainda bem que você não ama café, porque o combo pessoa insone + viciada em café analisando aqui não seria muito bacana, né? <3

    Novembro Inconstante

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