Fico tensa em janeiro

E a edição de inferno astral do 23° aniversário ainda se encontra em pleno vigor aqui, em terras gaúchas. 

Faço aniversário em 2 dias e desde dezembro estou sob os efeitos das tramoias do universo astrológico pra fazer desse período o mais bizarro de todos durante o ano - como se o calor do verão já não fosse o suficiente, mas né. "Mas, Mia, cê acredita nisso?" Olha, vejebem que eu não acreditava em nada disso, não, porque né, parece bobagem essa coisa de ter um período do ano cagado só porque ele antecede seu aniversário. 

Mas o nível de coisas bizarras que acontecem s e m p r e no período de 21 de dezembro a 26 de janeiro é alarmante.

O motivo é INFERNO ASTRAL, MEU AMÔ!!!!!! Se você não acredita, problema seu, mas este post é um exemplo verídico de como isso funciona. 


Resuminho das últimas 4 semanas: 

~para ler ouvindo~
Tudo começou no dia 20 de dezembro em que eu, completamente idiota, fui fazer o quê? Um ritual no elevador da biblioteca da faculdade pra ir pra uma outra dimensão.  Pausa pra um: HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHA Tenho problemas, será? Vim ao mundo sem o gene do bom senso? São muitas questões, mas o fato é que fiz isso, acompanhada de dois amigos tão perturbadinhos quanto eu, e foi louco o que aconteceu em seguida. 

O que ocorreu foi que, quando vimos que o ritual não havia dado certo, fomos pegar nossas mochilas nos armários da biblioteca pra irmos pra casa. Aí que estava eu pegando a minha mochilinha linda quando, de repente, se aproxima um rapaz todo de verde e pára ao meu lado. Detalhe: ele não estava com mochila alguma, apenas estava totalmente vestido de verde, era jovem e com um rosto sem expressão ou sequer linhas. O menino ficou parado ao meu lado, reto, até o momento em que tirei a mochila do armário. Nesse instante, ele simplesmente colocou suas mãos lá e lá ficou, sem mochila nem nada, apenas parado. 

Pessoas bizarras de outra dimensão, quem curte. 

No dia seguinte (21) eu tinha de ir até a faculdade novamente pra assinar uns documentos do estágio (que começaria no dia 22). Estava eu, descendo do ônibus, em frente à universidade, quando, no meio da descida, o motorista arranca e eu caio e bato o cóccix nos degraus. Nisso, o querido motorista dá uma paradinha, olha o que aconteceu - menina caída nos degraus, sem conseguir se mexer - e arranca novamente a toda a velocidade. Aí acontece o quê? Isso mesmo, eu sou jogada pra rua. No que um outro ônibus, que estava atrás daquele, bate em mim, em pleno ar, também no cóccix. E essa batida resulta em uma queda no meio-fio da calçada que também me fez bater - NOVAMENTE - o bendito cóccix.

Nesse momento eu nem tinha mais consciência de onde estava tamanha a dor que sentia no quadril e na coluna.

Fiquei paradinha por o que pareceu uma eternidade, mas na realidade foram apenas uns 15 minutos, sentada ali mesmo, na calçada, onde havia sido atropelada caído. Quando me dei conta de que iria conseguir me mexer sem quebrar nada de aparente e não havia ficado paralítica, olhei pra os lados e percebi que:
a. as pessoas, elas são muito escrotas - não que eu já não tivesse percebido isso antes, mas digamos que ocorreu toda uma revitalizada no processo;
b. a parada estava cheia e ninguém, NINGUÉM me ajudou ou perguntou se eu precisava de ajuda;
c. inclusive, entre essas pessoas havia um casalzinho que tava na maior pegação, parou, me olhou, se olharam e continuaram a se pegar;
d. ambos os ônibus que me atingiram arrancaram e me deixaram ali, sozinha;
e. eu já falei que as pessoas são escrotas? pois é.

Quando finalmente consegui me mexer já havia se passado cerca de meia-hora e eu tava morrendo de dor e mancando loucamente. Fui até a faculdade e lá encontrei uma amiga que, assim que me viu e perguntou se tava tudo bem (nunca perguntem, evita o trauminha), se deparou com a reação completamente ridícula de me ver chorar e gargalhar ao mesmo tempo porque meldels, que dor dozinfernos, mas como a vida é bizarra, tava muito engraçado, que acidente mais estapafúrdio.

O roteirista da sitcom que é a minha vida, ele se supera nesses períodos de inferno astral.

Fui ver a documentação, passei no jornal e, após toda essa peregrinação mancando e sem ser ajudada de forma alguma porque as pessoas simplesmente não acreditavam que eu havia sido atropelada, já que, aparentemente, não havia sangue - e digamos que o fato de eu estar gargalhando histericamente não ajudou muito -, me dirigi ao pronto socorro do hospital que fica em frente à faculdade. Nisso, se sucedeu o seguinte diálogo entre a médica e eu:

— Então, eu fui atropelada, bati 3 vezes o cóccix e acho que tá quebrado porque tá doendo pra caramba e estou mancando.
— Deixa eu olhar. ~olhou muito por cima só me dando uma viradinha~ Não, não, tu não foi atropelada. Não vamos te atender aqui, aqui só atendemos casos de emergência.
— MAS EU ACABEI DE SER ATROPELADA E...
— Tu tá andando, tá bem.
— Mas...

E ela saiu, balançando a mãozinha e me deixando ali, morrendo de dor, mancando e falando sozinha. Aliás, sair balançando a mãozinha, que digno. Gostaria muito de ter essa atitude também, mas né. Não fomos dotadas de tais habilidades nesta encarnação.

Voltei pra casa e encontrei dois amigos meus me esperando assim, porque sim, né. O que foi bem divertido, porque eu toda mancandinho e descabelada e oferecendo suquinho e mostrando livrinho porque BOAS MANEIRAS, não é mesmo.

Alguém me arranca esse espírito de romance vitoriano de ser, por favor? Agradeço.

No dia seguinte (22) havia dois eventos bem importantes:
a. o primeiro dia do estágio. SIIIIIIIIIIM, tinha de ser justamente no dia posterior ao acidente, mas é claro, não seria de outra maneira sendo comigo, né, hahahaha aí tive de acordar às 5h pra poder chegar lá num lugar totalmente desconhecido, sendo que moro super longe e teria de caminhar 3 quadras gigantescas do ônibus até o trabalho. M A N C A N D O ♥
b. aniversário do namorado, que vem a ser sagitariano e estava completando seu primeiro retorno de Saturno. ousseje, eu iria direto do estágio pra São Leopoldo, que é uma cidade lá no fim do mundo e eu também teria de caminhar pra caramba pra modos de pegar ônibus + trem até chegar lá e, vejebem, não estava sendo possível ir até o banheiro sem ficar toda aiaiai, dá cá a mãozinha porque vou cair.

Cês nem precisam me dizer como eu sou sortuda.

Esses eventos passaram, foi todo um suplício, mas a coisa se arranjou, apesar de que passei o aniversário do namorado + Natal + Ano Novo meio que socializando com as pessoas, meio que deitada no quarto implorando pelo doce hálito da morte e tomando remedinhos, porque sem condições de ficar sem remedinhos nessas horas.

Mas okay, vida que segue. Quando finalmente consegui me consultar com algum médico que, de fato, me atendesse - porque, até então, nada -, ele olhou bem pra mim e disse:

— Olha, não tem o que fazer. Quebrou, mas como é o final da coluna ou a gente opera - o que pode causar sérios danos se der algum erro - ou a gente torce pra dor passar.

RIDÍCULA! 
MINHA VIDA É RIDÍCULA! 
 

Na primeira semana de janeiro, comecei a sentir fortíssimas dores na região do baixo ventre. Aí fui ao médico a lá me deram antibióticos porque infecção urinária.

Na segunda semana, namorado ficou doente. E o que ele fez? Isso mesmo, me passou as bactérias. Aí, eu fiquei como? Fiquei com faringite, uma dor de garganta dozinfernos e uma febre que ia e vinha.

Foi bem inspirador, devo dizer. E acho que nem preciso mencionar que ainda estou tomando antibiótico até agora, né? Portanto, doente de novo. Ou ainda. Não decidimos pra não afrontar o universo. Não é como se ele precisasse de desculpas pra ser criativo a meu respeito.

E aí que, fora isso, faço 23 anos daqui a 2 dias e, acerca desse fato, só posso dizer que:



Sou uma versão feminina do Nick Miller e não sei cuidar direito de mim, que o fará dos outros e de todas as situações da vida adulta? Não me sinto adulta? Vou fazer 23 anos e não estou nem na metade da faculdade? Vamos parar de pensar nisso a g o r a?!

Enfim, eu só quis dizer. ¯\_(ツ)_/¯ 

4 comentários

  1. Meu Deus quanta loucura hahaha Meu aniversário foi há uns 20 dias e posso dizer que sei também o que é esse inferno astral em dezembro quando a gente só queria ficar numa boa na vida.
    Ah e fiz 22 e ser um 'successful adult' ta bem mas beeem longe de acontecer haha

    ps: comecei a te ler há pouco tempo e amei, bjo <3

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  2. Já considerou ficar sócia de uma fábrica de sal grosso?

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  3. A única coisa feliz do post foi a música acabar exatamente no momento do ponto final da sua triste história. Porque alguma coisa tem que acontecer disso tudo, pelo menos kkk.
    Enfim, eu nunca senti esse inferno astral que antecede meu aniversário, mas tenho um karma que me insiste em dizer que setembro definitivamente não é meu mês. Eu até aguento suplício agonizante que é agosto só por medo de enfrentar o nono mês do ano. Mas vida que segue. Olha, quanto a tudo isso num intervalo de tempo tão pequeno, eu concordo com a Mareska e acho que não tem nem conselho - ou palavrinha amiga - que te ajude, melhor se associar numa fábrica de sal grosso mesmo. Agora fica firme, passa seu aniversário e depois manda um "fodam-se estrelas e astros, eu venci!", isso é claro, até chegar o novo ciclo no fim desse ano. Mas até lá, te desejo mais sorte.

    Ah, sou nova aqui. Adorei o blog e o jeito espontâneo que você escreve.
    Beijos do Conto Paulistano

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  4. Depois de ler esse post vou dar graças por nunca ter sofrido com inferno astral. HAHAHA

    Espero que esteja melhor do cóccix, trinquei uma vez e foi terrível, imagino que quebrar deve ser muito pior.

    Beijos,
    Attraversiamo

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