Resuminho de junho


Queria muito ser uma dessas pessoas pró-ativas que se propõem a fazer coisas em prazos determinados e de fato as fazem, mas estamos aqui escrevendo sobre junho em meados de julho e com apenas duas semanas restantes de férias porque é isso o que acontece quando você é o tipo de pessoa que estabelece uma rotina apenas para poder aloprá-la constantemente.

Dito isso: saí do emprego.
Que, na verdade, era um estágio. Cujo contrato terminou. Nada muito dramático, já era esperado e tá tudo certo - afinal de contas, trabalhar em assessoria de imprensa não é tipo o sonho da vida. Foi bom porque consegui adquirir mais trinta livrinhos pra biblioteca pessoal. Foi ruim porque consegui adquirir mais dez quilos pra me impedirem de caber nas minhas roupas.

O engraçado de ter saído de lá é que o ex-chefe disse que não poderia renovar o meu contrato porque "preciso de alguém mais pronta". Eu perguntei pronta pra o quê, né. Ele disse que pronta a atender o telefone e fazer trocentas funções que não eram as minhas. Eu disse um okay, peguei as minhas coisas e fui embora, bem aliviada porque fazia 3 anos que eu não parava e tirava um tempo pra mim. 3 anos em que eu não via a minha família direito, 3 anos em que não tinha tempo pra me cuidar, 3 anos em que minhas atenções eram completamente esmigalhadas porque a rotina era acordar 5h30 da manhã, pegar o ônibus, ir trabalhar, de lá ir pra faculdade e só voltar à meia-noite, pronta pra dormir. Todos os dias.

Por uns dois dias, fiquei que nem o Tomas, de A insustentável leveza do ser, quando Tereza volta pra Praga sem avisar o cara e ele se depara com uma casa vazia em Zurique e com uma liberdade totalmente inesperada naquele momento. Isso durou bem pouco porque logo em seguida eu estava, como ele, voltando pra Praga, ou seja, indo atrás de uma nova rotina porque eu não sei descansar. EU NÃO SEI DESCANSAR. Não sei ficar parada, não sei não ter rotina, não sei ter tempo pra fazer o que eu quiser. Fazer o que eu quiser requer reflexões sobre o que diabos eu realmente quero e geralmente a resposta é um grande sei lá em neon azul-bebê piscando.

Essa coisa de ter liberdade pra se fazer o que quiser é muito angustiante porque se me deixarem fazer o que eu quero vou entrar num looping de about:blank por uns bons dias que provavelmente será substituído por outro looping de maratonas de séries e longas noites de insônia dedicadas a analisar minuciosamente tudo que já fiz de vergonhoso e errado na vida e a produzir uma lista extensa de pessoas a quem eu deveria estar pedindo desculpas - se bem que acho que o caso seria virar ermitã, fugir pras montanhas e viver tipo Sir Isaac Newton, fazendo minhas coisinhas e só vendo alguém periodicamente pra receber mantimentos.

~Nick Miller, você me entende~ 

Nessa onda de HAHAHA ADEUS, HUMANIDADE, li poucos livros porque essa coisa de não ter rotina bagunça totalmente com a minha vida. Eu sou uma pessoa que aproveita as quase 4h de viagem de ônibus diárias pra ler. O que vou fazer agora que diminuíram umas boas 2h no trajeto? Vou ler em casa, com a família sempre querendo falar comigo? Não dá. Aí fiquei bem ~agoniada~ e li apenas quatro livrinhos.

.do que li 


1. Comecei o mês terminando de ler 1984 e, gente, gostei pra caramba de como o George Orwell escreveu esse livro de forma nada pretensiosa e arrogante, sendo bem didático e sem fazer trocentos rodeios NÉ, ALDOUS HUXLEY. Mas Winston, o personagem principal, é um cara tão aaaaargh que não dá pra ter pena dele. Quer dizer, não desejo o que ele passou pra ninguém, tortura não é algo muito legal, mas digamos que ele é um anti-herói bem construído e o livro é 100% aprovado com o selo Wink Book Award

2. Aí fiz um trabalho de rádio que consistia em gravar um programa e fazer um debate, blablabla. Como tava próximo do Dia do Orgulho LGBT, agarrei o plot pra ver Amora, da Natalia Borges Polesso, e tentar conseguir uma entrevista com ela já que ela é da mesma universidade que eu e super acessível - que acabou não rolando, apesar de ela ser super atenciosa, porque Murphy me ama, Murphy me quer. Mas o livro é realmente muito bom, apesar de eu não gostar de contos de forma geral. A Natalia escreveu só historinhas de romances lésbicos e eu achei isso bem bacana. Ficou tudo muito delicado e bonito. 

3. Passei duas semanas lendo A Garota-Corvo porque a. o livro é gigantesco, tem quase 700 páginas numa diagramação com fonte pequena; b. a história é pesadíssima e as primeiras cento e poucas páginas total me fizeram passar muita raiva e reclamar no twitter. Mas no final a coisa ficou melhor e eu fiz até um sorteio do livro, vejam só! Só que: Erik Axl Sund é uma duplinha de quase véios hipsters que adotaram um nome só e resolveram polemizar escrevendo uma história sobre pedofilia feminina. Acabou que a construção ficou bacana, tem personagens incríveis, mas ainda acho que homens não deveriam escrever mulheres pedófilas porque sempre cagam de alguma forma, ponto final. 

4. Com os 20 anos de Harry Potter, total aproveitei a oportunidade pra reler a série e comecei por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban porque não lembrava de absolutamente nada do livro e, gente, que livrinho amor ♥ J. K. Rowling acertou demais no romance policial, vibe Agatha Christie, desse livro. Sirius e Lupin são maravilhosos mesmo e eu queria muito o vira-tempo da Hermione - apesar de que imagino que aquilo dê um cansaço dozinfernos porque vai uma hora, volta na mesma hora, só que escondidíssima porque ninguém pode ver a pessoa... E que horas a criatura vai dormir, me explica? 

E é isso, gente. 
Junho foi um mês tranquilo cheio de revoluções internas porque é assim que são meses de mudança de rotina: tudo parece bem, mas há algo estranho em Avalon. Porém, prosseguimos. 

Agora, licença que vou voltar pra minha mais nova obsessão: Outlander e sua 2ª temporada. 

4 comentários

  1. "Essa coisa de ter liberdade pra se fazer o que quiser é muito angustiante porque se me deixarem fazer o que eu quero vou entrar num looping de about:blank por uns bons dias que provavelmente será substituído por outro looping de maratonas de séries e longas noites de insônia dedicadas a analisar minuciosamente tudo que já fiz de vergonhoso e errado na vida e a produzir uma lista extensa de pessoas a quem eu deveria estar pedindo desculpas"

    Não te conheço, mas já me identifiquei pacas hahaah' Ficar a toa e poder pensar no que fazer é complicado, pra começar que nunca sei, e pra terminar que o que eu quero fazer e o que a sociedade espera que eu faça são coisas bastante opostas. Me identifiquei demais com o post! Espero que consiga arrumar outro estágio, ou algo assim ;)

    Bjs!
    ¤ 31 de Março

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  2. só pra avisar que respondi a tag que tu me indicou mes passado <3

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  3. eu estou me sentindo assim, no meu trabalho são 2 anos mas sinto que já não aguento mais, não tenho tempo pra mim, pra cuidar de mim e tudo mais, mas o medo de sair e ficar sem emprego me agonia. :( Mas te desejo muita sorte nessa nova fase, se curta bastante.


    Blog Entre Ver e Viver

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  4. eu detesto rotina, mas estou num recesso de 9 dias e estou com saudade de sair de casa para trabalhar? total entendo 'o que é que eu vou fazer com essa tal liberdade', porque penso 'agora vou ler, vou escrever, vou ser a próxima pensadora do século' e fico no máximo revoltada com polemicas idiotas no twitter, ou tricotando enquanto espero as páginas travadas do navegador carregarem [a parte do tricotar é bem útil].
    as pessoas não sabem lidar com estagiários e isso me deixa muito nervosa, mas fico contente que você levou isso numa boa e está tendo tempo para quem ama e para respirar. nenhum melhor emprego do mundo vale o mesmo que nossa paz de espírito, por mais que infelizmente NECESSITAMOS de empregos e todas essas questões.
    adorei suas leituras [rsrsrs] e esse gif do final! quem é esse senhor com olhar e sorriso tão fofos? eu tenho uma coisa muito estranha em mim que eu fico SEM GRAÇA com alguns olhares e sorrisos genuínos das pessoas, porque eu quero abraçar que nem mãe e fico emocionada, com vergonha, com pena, feliz, orgulhosa tudo ao mesmo tempo [será sol e vênus em câncer?] hahaha

    tchau, Mia! bom restante de férias! :D

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