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02 julho 2018

Copa literária

RITMO, É RITMO DE FESTA ♪

Tava demorando, né? Mas apesar do delay, eu não ia perder a chance de fazer uma lista literária. Dessa vez, a lista é de livrinhos pra ler de autores das seleções das oitavas de final. Eu nem curto futebol, mas Copa é Copa e já que tá todo mundo envolvido e animado por conhecer novas seleções e lembrar de países nos quais a gente nunca pensa, por que não aproveitar pra ler coisas diferentes? Então, bora. 

~da esquerda pra direita, de cima pra baixo: Tiffany Calligaris, Michel Houellebecq, Javier Marías, Kazuo Ishiguro, Ariano Suassuna, Thomas Mann, Dubravka Ugrešić, Gabriel García Márquez, Liev Tolstói, José Saramago e Jane Austen~

(Obviamente que alguns jogos já foram feitos e algumas seleções já saíram, mas isso não importa, o que importa é que o Brasil ainda está no jogo, ao menos por enquanto; não seja chato, bora curtir a lista a lista tá bacana.) 

1. Brasil - Auto da Compadecida, do Ariano Suassuna 
Foi difícil escolher entre esse e o Memórias de um sargento de milícias, mas o Auto representa demais a alma do brasileiro - além de ser um dos livros mais divertidos que já li. Então, leitura mais do que recomendada pra todo mundo entender um pouco mais da alma brasileira. 

2. Japão - O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, do Haruki Murakami 
Eu sei que recomendar Murakami quando se fala de literatura japonesa é algo super clichê, porém infelizmente ainda não li muita coisa de lá. Então vou colocar esse como indicação tanto pra mim quanto pra qualquer um que for ler esta listinha, já que comprei ele ontem num sebo que tá fechando (sdds, sebo) e tava tudo pela metade do preço. Parece ser uma história bacana sobre amizades que se desfazem e a gente tentando se acertar na vida de jovem adulto que ainda não sabe direito qual é o seu lugar. Tô bem empolgada pra lê-lo. 

3. Rússia - Anna Kariênina, do Liev Tolstói 
CLICHEZÃO, mas é um dos meus livros favoritos da vida, como já falei bastante aqui no blog, e acho que representa bem o espírito russo de tentar lidar com as coisas de forma educada até ver que não dá mais e dar a louca no desespero. É lindo, lindo, lindo. O Tolstói era um baita escritor e eu amo tudo o que esse cara escreveu, mas Anna Kariênina é meu preferido de longe. Tem de ser lido. 

4. Bélgica - Maigret entre os flamengos, do Georges Simenon 
O Otto Maria Carpeaux disse que não existe literatura belga porque não há uma identidade cultural do povo como um todo. Não sei se isso é verdade porque nunca li um livro belga, mas tendo a acreditar até que me provem o contrário. Porém, coloquei aqui um livro desconhecido que achei bacana e já coloquei na lista de leituras. É um livro policial com um detetive, uma coisa meio Agatha Christie, e se passa na Bélgica, então acho que já vale a leitura. 

5. Argentina - Bruxas: laços de magia, da Tiffany Calligaris 
Até pensei em indicar algo mais sério, como Borges, mas a verdade é que não gosto muito de Borges (midesculpem acadêmicos super sérios, mas acho Borges de um pedantismo sem tamanho), então vou indicar um livrinho que li super rápido e pelo qual fiquei apaixonadíssima. A Tiffany é tipo a J. K. argentina. Por lá, ela é bem conhecida por sua série de livros sobre magia. Li o primeiro e fiquei bem contente, então recomendo. 

6. França - Partículas elementares, do Michel Houellebecq 
Juremir, meu professor, faz todos os alunos de jornalismo lerem esse livro porque ele é amigo pessoal do Houellebecq e admira o cara demais. Fui ler com ressalvas, mas acontece que o livro é bom demais e eu fiquei completamente apaixonada pela literatura dele. Esse livro é ao mesmo tempo um tratado sobre as consequências da geração sexo, drogas e rock'n roll e um livro de ficção científica. É maravilhoso de uma forma que talvez eu só vá começar conseguir explicar de fato após mais algumas releituras. Mas certamente representa bem o espírito francês contemporâneo. 

7. Uruguai - As veias abertas da América Latina, do Eduardo Galeano 
Infelizmente a gente não conhece o suficiente da literatura uruguaia, porém conhecemos Galeano, que é sensacional. As veias abertas é um soco no estômago, mas necessário demais porque a gente precisa conhecer nossa história - e o Galeano faz isso de uma forma meio literária que faz com que não seja tão chato quanto os livros de história per se. É pesado, mas incrível. 

8. Inglaterra - Orgulho e preconceito, da Jane Austen 
Demorei muito pra escolher um livro pra essa categoria porque LITERATURA BRITÂNICA = ♥ é muito amor. Pensei em recomendar algo do Ian McEwan, porque claramente o cara retrata bem o espírito inglês dos tempos atuais. Porém, Jane Austen é clássica por um motivo e esse livro é um dos meus preferidos porque ele é perfeito. E pra quem vier com papos de que é um romance bobo água-com-açúcar, já digo que você está erradíssimo porque Jane Austen não era mulher de escrever historinhas de amor à toa. O que ela fez foi uma crítica aos costumes ridículos da época e fez isso de uma forma tão espetacular que é lida e relida até hoje - e seus livros são usados como argumento em julgamentos, inclusive. Ousseje: leiam Orgulho e preconceito e sejam felizes. :) 

9. Colômbia - Cem anos de solidão, do Gabriel García Márquez
Outro clichêzão, porém esse livro é um dos meus favoritos da vida e não tinha como falar de literatura colombiana sem falar de Gabo. Lembro que quando terminei de ler esse livro já quis retomar a leitura na mesma hora porque é simplesmente genial. O final dele é a coisa mais bem escrita que eu já li e, apesar de eu nem gostar muito das outras coisas do Gabo no geral, amo demais esse, que é um dos melhores livros já escritos de todos os tempos. 

10. Portugal - As intermitências da morte, do José Saramago
Até pensei em indicar algo mais contemporâneo e escrito por uma mulher e tal (a literatura feminina portuguesa é maravilhosa, recomendo fortemente), mas esse livro é uma obra-prima da literatura. Parece pedante falar isso, mas é real. Existem livros de realismo fantástico e existe As intermitências da morte. O início é realmente chatinho e difícil porque demora pra gente se acostumar com a escrita do Saramago, mas depois que a gente acostuma a coisa só vai e é lindo e tocante e reflexivo e divertido. Já falei demais sobre ele aqui no blog, mas sempre vale reiterar a dica. 

11. Croácia - Baba Yaga pôs um ovo, da Dubravka Ugrešić
Não sei vocês, mas eu nunca tinha parado pra ir atrás de nada sobre a literatura croata. Mas, com essa ideia de vamos fazer uma lista de livros baseados nos países da Copa, risos acabei descobrindo essa escritora de nome impronunciável cuja obra quero ler pra já. Sério. Eu realmente tô apaixonada pelas sinopses de todos os livros dela, mas escolhi esse porque ele é o único que tem uma tradução pra português (de Portugal, mas enfim, dá pra entender) e é baseado no mito da Baba Yaga, que é uma bruxa das lendas eslavas. Já amei e quero demais. 

12. Espanha - Os enamoramentos, do Javier Marías
Li esse livro há alguns anos e lembro que fiquei embasbacada com a capacidade do Javier de contar uma história aparentemente simples e até nada chamativa ou original de uma forma que conquista o leitor e faz com que simplesmente não dê pra parar de ler enquanto não se chegar ao final. Ele é um escritor realmente maravilhoso demais e esse livro me impactou muito (fora que ele tem uma das capas mais lindas que já vi). Leiam-no. Mesmo. 

13. Suíça - A montanha mágica, do Thomas Mann
Eu sei, eu sei: Thomas Mann era alemão. Só que mais ou menos, né? Primeiro que quando ele nasceu a Alemanha nem era Alemanha mesmo. Segundo que, além de ele ter vivido na Suíça durante uma grande parte da vida, ele escreveu suas histórias com enredo suíço. A montanha mágica, por exemplo, se passa nos alpes suíços e não tem como pensar em Suíça relacionada a literatura sem lembrar desse livro maravilhoso que é um dos meus favoritos e que pretendo reler em breve. Me deu um trabalhão pra lê-lo, pois calhamaço gigantesco e que exige paciência, mas total valeu a pena. 

14. Dinamarca - A festa de Babette, da Karen Blixen
Faz tempo que tenho vontade de ler esse livro, mas não fazia ideia de que a autora era dinamarquesa. Vendo minha listinha de livros pra ler e procurando alguém da Dinamarca pra colocar aqui, percebi que o nome engana demais (pensei que ela fosse de algum país de língua inglesa) e que eu total já deveria ter lido esse livro, já que ele tá mais pra conto do que pra romance: é bem curtinho e parece dinâmico e interessante. 

15. México - Ninguém precisa acreditar em mim, do Juan Pablo Villalobos
Nunca li nada de literatura mexicana, mas tô de olho nesse lançamento da Companhia porque OLHA A CAPA, OLHA A SINOPSE, OLHA TUDO. Adoro essas coisas de cultura mexicana (apesar de não ter lido nada, curto a história, a vibe, blablabla) e tenho curiosidade em conhecer melhor o que está sendo produzido por lá. Parece ser um livro divertido com um enredo bacana, então a dica fica pra mim mesma também desta vez. 

16. Suécia - Os homens que não amavam as mulheres, do Stieg Larsson
Eu sei que tá todo mundo de saco cheio de ouvir falar desse livro, mas é realmente sensacional. Mesmo. Apesar de eu ter, surpreendentemente, lido muita coisa da literatura sueca (e achar tudo bem perturbadinho e bizarro, mas incrivelmente bom), o que o Stieg Larsson escreveu continua sendo insuperável em termos de literatura policial contemporânea. Já falei bastante sobre a trilogia Millennium (que continua a ser uma trilogia pra mim, apesar do que tá rolando com o outro cara aquele que continuou a escrever a história da Lisbeth Salander), mas torno a dizer: vão ler esse livro, caramba.

     Antes de irem embora, um recadinho!




Sem querer fazer a blogueirinha chata, mas já fazendo, tô sorteando um livro incrível lá na página do blog: é o Interferências, da Connie Willis. O sorteio vai até o fim do mês e é em parceria com a editora Suma (e eles que vão enviar o livrinho e tal). Para participar do sorteio clique aqui e siga as regrinhas que eu explico lá na página. Boa sorte! o/ 

2 comentários:

  1. Manoooooooooo como é que eu não tinha visto essa postagem? Muito legal! Super criativa a ideia de relacionar livros com países em época de copa e...que tristeeeeza que eu não consigo fazer isso!!11!! Digo eu, mas acho que muita gente acaba não lendo nada que seja de outro país "menos tradicional". Quer dizer, gosto bastante de literatura russa, literatura inglesa, literatura nacional, mas sei lá eu o que é tradicional da Suécia ou Dinamarca. Esse post foi uma maneira de conhecer novos autores <3

    Saudades, Mia!

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    Respostas
    1. é por isso que eu amo esse tipo de lista! acabei conhecendo muita coisa nova que quero demais ler enquanto montava a listinha.

      sdds também, vic!

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