30 agosto 2017

Da série "e-mails maravilhosos que recebo"

"Saudações, Mia!

Admiro muito teu trabalho e a tua escrita. Escreves muito bem! Deixo cá meus parabéns e boas vibrações a ti e a tua família. Sucesso! 
Dar-me-ei este e-mail a duas [três]  dúvidas sucintas:

— Tu estudas Astrologia, não? Dizeis-me, se possível, qual a significância histórica e origem do termo “Hyleg”? Ou de qual idioma o mesmo é derivado? 

— O que tu achas dos movimentos antimanicomiais? Achas que o Ocultismo é intrínseco, ainda, na Ciência Tradicionalista e/ou Moderna? 

Grata pela resposta. Boas energias a ti! 

Atenciosamente, 
Línea.


Olá, menina Línea. 
Demorei horrores pra respondê-la porque nem sei o que dizer. Mas a grande dúvida que pairou durante a leitura e releitura desse e-mail foi: você é uma habitante do planeta Terra ou veio de outro espaço? Porque esse "saudações" é muito algo que eu espero de um extraterrestre. 

Inclusive, nada contra. Até simpatizo mais se você for. 

Bacana que cê goste da minha escrita. Eu mesma não gosto muito, pra falar a verdade, e sempre me surpreendo quando alguém aparece dizendo gostar dela porque, bem, eu escrevo (no blog, na vida jornalística a vibe é outra) exatamente do jeito que falo - não é lá grande coisa. Mas tudo bem. 

Sim, eu estudo astrologia. Mas não estudo astrologia medieval. Até onde sei, Hyleg é uma palavra de origem persa - mas posso estar completamente enganada, até porque sou jornalista, não astróloga ou parte daquele povo que estuda a origem das palavras -, e ele indica a força vital da pessoa no mapa astral. Mas não é algo muito utilizado nos dias atuais até porque ASTROLOGIA MEDIEVAL, né. Gosto de acreditar que a gente evoluiu um pouco de lá pra cá - estou sendo otimista, okay, mas me deixa acreditar nisso. 

Aliás, meus estudos astrológicos são bem esparsos. Já fui mais dedicada nisso, mas quando a pessoa tem faculdade, família, trabalho, namorado, amigos e é introvertida, é difícil achar tempo pra tudo e ainda ter tempo pra simplesmente existir debaixo das cobertas sem fazer absolutamente nada. Mas prosseguimos tentando. 

Quanto aos movimentos antimanicomiais: eu não sei por que tu me fez essa pergunta. Quer dizer, algo neste blog indica que eu entenda dessas coisas? Porque total não entendo. O mais próximo que chego de entender desses movimentos é o fato de que moro perto de um antigo leprosário que foi fechado porque chega dessas coisas de encerrar pessoas doentes e/ou inconvenientes e deixá-las lá pra morrer. Mas eu realmente não tenho muito conhecimento além disso. 

Aliás, também não acho que a gente TEM QUE TER uma opinião sobre tudo. Por algum motivo, desde que a internet passou a ser parte diária das nossas vidas, as pessoas cada vez mais não se contentam em ter uma opinião: elas precisam ter opiniões firmes sobre tudo e esfregá-las nas caras das pessoas. Acho isso de uma chatice sem tamanho. Passo longe desse ego superinflado, hein. 

E que papo é esse de ocultismo ser intrínseco na ciência? Olha, não vejo isso, não. Vejo é uma negação do oculto com essa coisa de precisamos ter certeza de tudo e provar que o que não é visível não existe porque as pessoas são idiotas e precisamos salvá-las da ignorância aaaaaaaaah, o que eu também acho bem chato, por sinal. A gente é muito filhote dos iluministas. A negação da fé é cada vez maior. Não que eu ache isso ruim. Tenho PAVOR de religião. Só que acho bacana não ser tão extremista a ponto de negar tudo o que não possa ser provado pelo método científico. 

Mas com certeza o ocultismo tá bem longe da ciência. Não estamos mais na época em que todo cientista era um alquimista e/ou astrólogo. (Infelizmente, porque TALVEZ se isso ainda acontecesse as pessoas parassem de se levar tão a sério com seus academiquês e vivessem com um pouco mais de humor.) 

É isso aí, guria. :) 

2 comentários:

  1. mas gente, a pessoa te mandou esse email assim, do nada? hahaha

    eu adorei sua resposta e, por ter dito que escreve como fala (também faço isso), fiquei imaginando você falando, embora não tenha a menor ideia de como seja sua voz. hahaha

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    1. se eu compartilhasse todas as coisas que eu recebo do mais absoluto nada, de gente de quem nunca ouvi falar, as pessoas me achariam muito criativa e total diriam que invento tudo hahahaha

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