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31 janeiro 2018

Vinte e quatro

Tinha um texto aqui, mas eu comi.

"Ah, mas por quê?" Porque tava piegas, bobo e reclamão e se é pra escrever coisas sob a influência da tpm então vou ao menos ganhar alguma coisa com elas além de vergonha própria.

Se tem uma coisa que aprendi ao longo desses vinte e quatro anos de vida é que às vezes tudo de que se precisa é de uma mudança de ambiente. Achava que isso era balela porque a mudança está dentro de você, the secret feelings, mas aí percebi que não é não e mudar fisicamente ajuda muito o interior. Porque quando a mudança inclui estar longe de gente que só mina a sua (já baixa) autoestima e vontade de viver, o troço é bom demais e recomendo fortemente porque gente escrota tem que ficar sozinha pra não atrapalhar mais ainda a vida dos outros. 

Mas então, fiz vinte e quatro, e agora? 
Quando eu era criança, tinha uma fantasia de que aos vinte e quatro estaria super realizada, com um emprego maravilhoso, viajando pelo mundo e escrevendo as histórias das pessoas só porque elas mereciam ser contadas. Aí cresci e cá estamos na metade da faculdade, pobríssima, sem perspectivas de emprego por enquanto e claramente em casa ao invés de desbravando o mundo. 

~Parabéns, Mia~

Algo de errado claramente não está certo, e me pergunto sinceramente se a culpa é minha, que acabo falhando em coisas nas quais os outros têm sucesso (sucesso, como obtê-lo? grandes questões da humanidade), se é tudo culpa do sistema craptalista que faz com que gente pobre continue pobre mesmo que se ralando 24/7 ou se é um combo de tudo + uma piada interna do universo que gosta de rir da cara de gente sonhadora. 

Na dúvida, sigo tentando pois é pra isso que entrei nessa porcaria de faculdade de Jornalismo. (Inclusive, mandem jobs, não aguento mais ficar em casa pensando na vida ao invés de estar produzindo coisas bacanas.) 

Mas a vibe segura na mão de deus e vai não tá mais indo como antes, provavelmente porque com o passar do tempo a gente vai percebendo que não é só uma questão de atitude positiva, mas de contatos e de gente disposta a te ajudar. O que não é tão fácil na vida da pessoa introvertida, obviamente. 



Eu não sou uma adulta bem-sucedida. Eu não como vegetais, não sei me cuidar direito, tô 100% nem aí pra moda, uso maquiagem umas duas vezes por ano (e sempre da forma errada porque a gente sai do emo, mas o emo não sai da gente), rio de coisas que as pessoas não entendem, fico séria quando todo mundo tá rindo de vídeos idiotas da outra rede social (eu nem curto rede social, milarguem) e tenho prioridades claramente invertidas já que boas comidas >>>>>>>>>> livros >>>>>>>>>> roupas. 

No entanto, seguimos em frente, há mais de duas décadas enchendo o saco das pessoas e confundindo todo mundo ao redor porque ainda não entenderam que meu problema não é um problema, é só falta de vontade de interagir com a população de um modo geral porque as pessoas são babacas e prefiro me poupar um pouco mais de energias pras coisas realmente importantes. 

Porém, sobrevivemos, então: 


No final do dia tudo deu certo. Comemos bolo (de cenoura, meu preferido), a melhor pizza caseira do mundo, fui exaustivamente abraçada por meus sobrinhos, fiz um piquenique que virou um passeio no shopping com direito a um pacote gigante de salgadinho e o pior chocolate do mundo, mas com gente querida e legal que tá na minha vida há anos e continuará estando (assim espero). E depois de tudo, apesar do ranço e da tristeza e dos pesares, foi até que legal e guardo boas lembranças porque o que importa são as pessoas que estão lá pela gente e as comidas gostosas que comemos com elas (not sorry). 

Vinte e quatro, sejam bons. 

4 comentários:

  1. Mia! Vem cá pra eu te dar um abraço!
    Entendo exatamente como se sente, porque fiz vinte e quatro em novembro e estou até agora pensando em como cheguei até aqui e o que vou fazer depois disso. Acho que a idade bate na porta do nosso quarto e nos ranca da cama e nos expõe de um modo que nunca havíamos percebidos quando estamos nos aproximando dos vinte e cinco anos.
    Nos deparamos com tanta gente da nossa idade, ou menos até, tendo sucesso na carreira, com um emprego estável, viajando o mundo e fazendo o que gosta, e nós aqui... só aqui mesmo.

    A vida é assim, não é mesmo?

    Mia, te desejo um ano incrível! Que ele possa ser doce, leve e cheio de coisas fantásticas! Que você vivencie muitas coisas boas, e como não podemos evitar as coisas ruins, que você possa sobrevivê-las de um jeito muito bom, e com muitos aprendizados!

    Tudo de incrível, bom, fantástico, e muitos jobs pra você neste ano novo!


    Um beijo!

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  2. Fazer aniversário só é bom quando criança porque se achar mais velho quando se é novinho é uma delícia, mas depois dos 18 é só desespero. Tu vê a vida passando e aparentemente 100% das pessoas na tua volta tão bem sucedidas viajando pela europa e na terceira faculdade enquanto administra 3 empresas com várias casas próprias. Desculpa o pessimismo, é que meus 25 tão perto e já tá me dando agonia.
    De qualquer forma que tu tenha um bom 24, apesar do aniversário. (e saudades de ti! :D)

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  3. Ai, como assim. Também acabei de fazer 24 e estou na mesma, e também tinha (bem, ainda tenho) esses sonhos de viajar o mundo e achava que com 24 eu teria no mínimo um emprego HAHAHAHA
    Mas, o importante é seguir em frente e tentarmos alcançar nossos objetivos pouco a pouco. Apesar dos pesares, desejo um ano maravilhoso pra você; que venham muitas coisas positivas e muitos jobs, de preferência! <3

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  4. comidas gostosassss. muito difícil dar tudo errado quando tem comidas gostosas HAHA ♥ parabéns (super?) atrasado e força na peruca. vida que segue, não é mesmo? HAHA mandando good vibes que é o mínimo que a gente precisa quando tá nesse mixed feeling de desemprego vs culpa pela "falta" de sucesso.

    acho que o desemprego faz mais isso do que a própria ideia de sucesso na verdade. pelo menos comigo, quando tava perdidona no desemprego, tinha uma crises existenciais que meeeeeudeus como que eu me aguentei. bom que a gente sobrevive HAHA e depois que consegue sair da zona de desgraçamento mental about todas essas merdas e culpas que corroem nossa cabecinha, depois disso sabe, as coisas dão uma melhorada bacaaaana.

    vamo que vamo

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