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22 dezembro 2017

Ou: RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2017 

Mais um ano se passou e eu não sei como isso aconteceu. O que sei é que começo a escrever isso no dia 20 de dezembro de 2016, mas pode bem ser que seja postado só na volta das férias. Veremos. O fato é que chegou a hora de fazer resoluções e retrospectivas. Honestamente eu odeio demais lembrar do que passou. Prefiro olhar pra frente e fazer um presente bacana - não pra ser lembrado com nostalgia, mas sim pra ser vivido aqui e agora. Mas, por mais que eu não goste de retrospectivas em geral, gosto de fazer uma: a literária. 

Esta semana ainda tem: aniversário do sobrinho, aniversário do namorado, entrevista de emprego (torçam por mim!), Natal e viagem pra SC, então não é como se estivesse sobrando tempo pra escrever por aqui. Portanto, vou aproveitar pra fazer isso agora porque sabe-se lá, não é mesmo. 

Até agora (tenhamos fé, pretendo terminar o que estou lendo e ler ainda mais um até o final do ano) li 55 livros este ano, o que já é bem mais do que no ano passado, graças a deus. Vamos lá.

UPDATE: foram 56 livros! Li mais um durante a viagem pra Garopaba, mas não deu pra atualizar antes porque não tinha interwebs por lá. :(

~foto de qualidade celular em local escuro dentro de casa, mas a felicidade da pessoa com esse livro é real~

Lidos em 2017
Despertada • A face da guerra • Destinada • Escondida • Bonsai • A montanha mágica • O vento solar • Revelada • A elegância do ouriço • Cartas • Heartlight • A teia de luz • A teia de trevas • Redimida • Os ancestrais de Avalon • Aura • Contos maravilhosos, infantis e domésticos • O violino cigano - e outros contos de mulheres sábias • Fausto • Vincent • Alucinadamente feliz • O homem do castelo alto • Outros jeitos de usar a boca • Profissões para mulheres e outros artigos feministas • A casa dos espíritos • Sejamos todos feministas • Para educar crianças feministas • 1984 • Amora • A garota-corvo • Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban • Harry Potter e o cálice de fogo • Harry Potter e a Ordem da Fênix • Harry Potter e o enigma do príncipe • A insustentável leveza do ser • A guerra não tem rosto de mulher • Harry Potter e as relíquias da morte • Harry Potter e a criança amaldiçoada • Descubra a missão de sua alma • O livreiro de Cabul • Em busca de abrigo • Atlas de nuvens • O conto da aia • Brida • A garota no trem • Fraude legítima • Extensão do domínio da luta • As perguntas • Orgulho e preconceito • O livro do juízo final • Enclausurado • O exorcista • Não vai acontecer aqui As irmãs Romanov • Anna Kariênina La Belle Sauvage

Maior livro 

Anna Kariênina, do Tolstói, com 840 páginas.

Menor livro 

Sejamos todos feministas, da Chimamanda, com 64 páginas. 


Piores do ano 

Ano passado o pior livro foi aquele do Daniel Galera que provavelmente é um dos posts que mais atrai gente aqui pra o blog porque está sempre no top 5 dos mais acessados. Este ano o livro é de um amigo dele (que eu não sabia que era amigo até chegar à última página e ver agradecimentos pra o cara): As perguntas, do Antônio Xerxenesky, foi um livro que me fez me perguntar o que diabos eu estava fazendo perdendo meu tempo com aquilo porque AAAAAAAAAAAH. Já falei muito sobre o porquê eu o achei tão ruim assim, mas num resumão: o que me irritou mais é ver que o autor tinha muita possibilidade de fazer algo bacanudo e resolveu tomar outro caminho e fazer algo mais do mesmo com pretensões de ser super profundo e tudo o mais no gênero terror. Gente, menos.

Mas na verdade ele empata com um outro livro que fui obrigada a ler pra faculdade: Extensão do domínio da luta, do Michel Houellebecq é um livro tão ruim, tão deprimente, tão affs, que tem menos de duzentas páginas e eu demorei mais de uma semana pra lê-lo porque não aguentava mais aquele narrador terrível e aquele niilismo fajuto da narrativa. É tudo horrível, o mundo é uma desgraça, o cara é completamente misógino e só critica a tudo e todos. Mais chato que eu, não dá pra aguentar. Houellebecq, não sei pelo que você estava passando quando escreveu essa desgraça, mas você pode fazer melhor. (Inclusive, só não me desfiz do livro porque ele tem um autógrafo do cara e realmente gostei de outro livro dele a ponto de querer guardá-lo só por conta disso, caso contrário já teria ido morar num sebo.)

Outro que me deu ranço em 2017 foi um que eu queria ler demais e realmente pensei que fosse ser excelente, mas que acabou sendo tão ruim que teve uma hora em que eu só pegava o livro, lia uma bobagem nele e ria de desespero porque RIDÍCULO. Infelizmente é assim que tenho de classificar o Enclausurado, do Ian McEwan. A história básica é a de um feto narrando o que se passa pelo que percebe dentro do útero da mãe. A história real é um feto que tem mais conhecimentos geopolíticos e de vinicultura do que eu, você e todo mundo da minha faculdade juntos. É tão sem sentido que nem eu, que adoro histórias estranhas, consegui comprar essa. Depois de ler um livro dele ano passado e ter amado, pensei que teria uma ótima experiência dessa vez, mas foi um fail tão abobado que nem consegui levar o livro a sério. Não sei o que deu no senhor Ian, mas foi bem louco o resultado.

Melhores do ano 

Se alguém aqui tinha alguma dúvida essa pessoa estava completamente louca, porque obviamente o melhor livro do ano foi A montanha mágica, do Thomas Mann. Na verdade, comecei ele no ano passado e só terminei de lê-lo este ano porque é um livro realmente pesado, tanto fisicamente quanto em narrativa, e me levou seis meses pra conseguir concluí-lo, mas foi incrível demais e Thomas Mann estava certíssimo ao dizer, lá no início do livro, que ele não é uma leitura pra se apressar, mas pra fazer com calma e na #pas. Tão excelente que preciso relê-lo ainda várias vezes. Eu sou realmente muito grata à Companhia por ter relançado esse livro porque o mundo contemporâneo precisa conhecê-lo e amá-lo tanto quanto eu. Todos precisamos ler A montanha mágica. Não se assustem com o tamanho, esse livro é encantador demais.

Mas este foi um ano de excelentes leituras. É verdade que poucos foram os livros favoritados, mas os que foram eu amei tanto que não posso deixar de fazer a minha listinha de favoritos. Um deles é O livro do juízo final, da Connie Willis, que é um livro de sci-fi escrito por uma mulher, com protagonista mulher e com viagem no tempo. BEM ESCRITO DEMAIS! Realmente deu pena de terminá-lo e é certo que vai ser relido logo logo. É engraçado porque eu não costumo gostar de sci-fi justamente por causa da falta de mulheres nas tramas (basicamente todas escritas por homens, coincidência alguma nisso), mas me empolguei com esse porque envolve viagem no tempo e DOCTOR WHO FEELINGS e acabei descobrindo uma história que me fez ficar obcecadinha pelo tema. Amei ♥

Ano passado eu havia visto esse filme e fiquei completamente apaixonada pela história, pelas personagens, pela mensagem poderosíssima que ele passa. Aí descobri que ele não é apenas um filme, mas um livro. Então fiquei realmente obcecada, mas caro demais e não poderia comprá-lo. :( Foi quando a parceria com a Companhia chegou na minha vida e eu pude solicitar o excelente Atlas de nuvens, do David Mitchell. Quanto mais eu penso nele mais percebo o quanto ele é especial. Se eu pudesse convencer as pessoas a lerem livros diferentes e com narrativas estranhas total o faria apenas pra que elas lessem esse e sentissem o mesmo sentimento de completude de tudo faz sentido que senti e sinto cada vez que lembro desse livro. LEIAM ISSO, FAÇAM CLOUD ATLAS ACONTECER!

Todo mundo já falou desse livro este ano, mas foi uma surpresa tamanha que não tem como eu não falar de novo sobre ele: Outros jeitos de usar a boca, da Rupi Kaur, foi um livro que eu pensei que fosse ridículo e que detestaria, mas que comecei a folhear e não consegui largar mais. Ele é sensível, real e falou tanto comigo que me peguei chorandinho enquanto o relia pela terceira vez consecutiva no dia. O livro se divide em quatro partes e cada uma delas tem poeminhas que vêm direto do coração e que causam uma experiência incrível de leitura e sentimentos. (E ó, 100% nem aí pra o pessoal metido a cult que fala que esse livro não é de poesia porque poesia não é isso. O Leminski, que fazia a mesmíssima coisa, só que com temática diferente e meio megalomaníaca, ninguém critica, mas da Rupi, porque fala de sentimentos, o povo quer cair em cima. Vão se catar, sinceramente.)

Eu não poderia fazer uma lista de favoritos do ano sem falar num livro que não apenas me entreteve e divertiu como salvou de certa forma em diversos momentos. Claro que estou falando do Alucinadamente feliz, da Jenny Lawson. Eu já falei demais desse livro e vou continuar falando porque a Jenny virou uma inspiração de vida. O movimento alucinadamente feliz que ela criou é algo que venho tentando trazer pra o meu cotidiano porque ela está certíssima em dizer que se a gente tem energia e intensidade pra se afundar tanto na tristeza quando as crises depressivas e/ou de ansiedade batem, então vamos canalizar essa energia e ser o mais feliz que pudermos ser, mesmo que as pessoas nos achem ridículas. Achei isso genial e já é estratégia de sobrevivência pra vida adulta. Leiam isso e sejam alucinadamente felizes também. :)

Tem livro que a gente acha que não vai acabar nunca mais. E tem livro que a gente acha que vai demorar demais porque é enorme, mas que acaba rapidinho. Foi assim com Anna Kariênina, do Tolstói. Calhamaço russo repleto de bailes e gente da alta sociedade imperial que me deixou com vontade de ler tudo o que esse homem escreveu. O tipo de livro gigante que a gente tem medo de ler até que lê e percebe que é incrível demais e já quer começar a releitura. Esse eu ganhei da Companhia (♥) e honestamente, quando eles disseram que ia sair uma nova edição dele e colocaram a capa nas redes, xinguei demais no twitter achando essa capa horrorosa. Mas quando ele chegou aqui em casa e eu o vi pessoalmente, percebi que a edição é lindíssima e que as fotos não fazem jus à essa capa. Obviamente que entra pra lista de favoritos porque LIVRO MARAVILHOSO DEMAIS e descobri que sou uma versão feminina do Liévin. LIÉVIN É O NOVO HANS CASTORP, inclusive.

Melhores releituras 

2017 foi o ano das releituras. Reli alguns livros de que estava com saudade e não me arrependo nem um pouco.

O tanto que eu amo esse livro é algo que não pode ser facilmente expressado, mas vou tentar. Apesar do título parecer algo meio Zíbia Gasparetto, o que a Isabel Allende faz em A casa dos espíritos é um resgate da memória chilena pré-ditadura e da formação da mesma, tudo no âmbito familiar da casa dos del Valle e sob a ótica feminina. É como uma As brumas de Avalon, só que sem a magia e questões arturianas e sim sobre a história real. É um livro lindo lindo lindo e extremamente delicado. A Allende flerta abertamente com o realismo fantástico, gênero que eu amo demais, e, apesar de ter gente que diz que esse é um Cem anos de solidão melhorado, eu digo o contrário: ele é melhor que o livro do Gabo (e olha que eu gosto desse livro, hein) porque faz parte de uma realidade da qual já perdemos noção. Precisa ser relido ainda muitas vezes.

Se alguém estava estranhando que a essa altura do campeonato eu ainda não havia falado sobre A insustentável leveza do ser, pode acalmar o coração porque não tem nada de estranho acontecendo: é que estou fazendo a lista por ordem de leitura, não de amor. Mas o livro do Milan Kundera não perde em nada pra o da Allende no quesito ~livros que amo demais e quero reler muitas vezes~. Só que esse é meu favorito da vida, como todo mundo que acompanha este blog já sabe, e o fato de a Companhia estar relançando a obra do Kundera no Brasil com umas edições lindíssimas só me fez feliz, ainda mais porque me mandaram esse livro. Sim, eu já tinha ele numa edição antiga. Não, novas edições nunca são demais e estamos todos contentes e com a estante lotadíssima. Eu já falei demais dele, mas não custa dizer novamente: LEIAM ESSE LIVRO! ♥

A primeira vez que li esse livro eu tinha 17 anos e achei o Mr. Darcy um saco e não entendi o hype. Ao relê-lo este ano percebi que EU ME TORNEI O MR. DARCY e a vida é louca demais pra gente ser simpático com todo mundo o tempo inteiro. Jane Austen é uma daquelas autoras atemporais que a gente sempre vai amar porque ela tinha não apenas uma escrita incrível, mas também aquela medida certa de contar uma história que agradasse a todos porque não é ~apenas~ uma história de amor: é uma história sobre como as pessoas são escrotas e como a gente se engana achando que tá agindo o melhor possível. Isso sem falar em toda a crítica social que ela faz. Orgulho e preconceito é um desses livros que ainda quero reler várias vezes (inclusive, não tenho uma edição pra chamar de minha e tive de ler emprestado da biblioteca; se alguma boa alma se dispuser a me dar esse livro de Natal eu serei bastante grata).

Esse é o livro com VIAGEM NO TEMPO. Não tem como passar meia hora conversando comigo e sair sem saber que viagens no tempo são o meu fraco. E além de eu amar o universo potteriano, ao fazer a releitura da série este ano, pude amar mais ainda o meu livro preferido da J.K. Rowling: Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban. Foi meu preferido na minha leitura e continua sendo agora, aos 23 anos, quando o li pela segunda vez e novamente me apaixonei pela história do Sirius Black e pelas artimanhas da Minerva e do Dumbledore pra fazer aqueles meninos sobreviverem (até parece que a Minerva não sabia do uso do vira-tempo, tsc tsc). Ele é basicamente um livro de mistério no mundo da magia e o que mais me dá uma sensação de #pas antes de tudo ficar sombrio em O cálice de fogo. Muito amorzinho.

O exorcista continua sendo um dos meus livros preferidos, mesmo após tantos anos da primeira leitura, porque ninguém vai me tirar da cabeça que o que o William Peter Blatty fez foi simplesmente genial. O cara conseguiu contar uma história de terror sem te dar certeza se o verdadeiro terror é o demônio ou se tudo não passa de questões de saúde (mental e/ou física). É apavorante pensar que o verdadeiro mal está na ignorância e não no sobrenatural. Parabéns pra esse cara, esse livro continua me assustando e me levantando questões que preferiria não ter. 10/10 pra ele. (E vão perder o medo pra ler esse livro porque é um dos melhores da vida e, apesar de ter semelhanças com o filme, há várias coisas que não se tem apenas na experiência cinematográfica.)

Melhor personagem 

Difícil. Deveras difícil. Eu poderia citar várias personagens, mas vou dar o destaque pra uma já conhecida minha de longa data e que já mora no coração de muitos leitores: Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, livro da Jane Austen. Eu sei, clichezão, mas ela é uma das melhores personagens da literatura e não tem como ler o livro e não gostar dela. Empatado está o Mr. Darcy, obviamente, porque após anos da primeira leitura percebi que me tornei o antissocial esquisito próprio Mr. Darcy. Só que sem a parte da fortuna gigantesca e de ter um pinto. De resto, mesma pessoa.


Também amei demais a Kivrin, de O livro do juízo final, porque essa coisa de querer enlouquecidamente viajar no tempo, apesar de todos os perigos, e conseguir realizar seu desejo é muito a minha cara e algo que total faria se isso fosse possível. Kivrin, te dedico.

Maior fail literário 

Olha, este ano tô bem desapegada do conceito de fail porque tô trabalhando com a ideia de que ler é ótimo desde que não seja uma obrigação e que a gente não se torture com isso. Li bastante. Poderia ter lido mais? Poderia, desde que eu não tivesse uma vida com trabalho, faculdade, família e blablabla. Então acho que foi uma boa quantia. Mas digamos que o fail do ano é não ter conseguido ler os outros cinco livros a que me propus ler ainda este ano e que não deu. Mas tudo bem, 2018 tá chegando e vai dar tudo certo. :)

Melhores aquisições 

Novamente, Alucinadamente feliz ganha uma categoria porque quando penso na melhor aquisição do ano, em termos de livros, penso naquela tarde horrivelmente quente em Porto Alegre em que entrei numa Saraiva mesmo sabendo que não iria comprar nada lá porque livros são caríssimos em livrarias e acabei encontrando esse livrinho. O único que tinha no estoque. Com desconto de mais de cinquenta por cento. Foi amor à primeira vista e uma leitura realmente especial.

Mas também preciso incluir aqui livros incríveis demais que consegui comprar este ano - basicamente todos em sebos porque as pessoas são loucas e se desfazem de livros maravilhosos - como Contato, do Carl Sagan, Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, A casa dos espíritos, da Isabel Allende e Contos de imaginação e mistério, do Edgar Allan Poe: comprei todos por dez pilas cada e honestamente não sei como as pessoas os venderam por esses preços, mas estou feliz por tê-los.

Isso pra não falar da série O único e eterno rei, do T. H. White, que consegui trocar num sebo e estão NOVÍSSIMOS E LINDOS e eu nunca poderia tê-los porque são caríssimos em sebos online e esgotados em livrarias e editoras. O dia que vi eles no sebo e tive de deixá-los literalmente saí chorandinho, mas aí fiz uma limpa na minha estante, separei os livros que não queria mais em casa e consegui trocá-los. ♥ MUITO AMOR. 

Quote preferido 

— E será só no último estertor que você compreenderá que toda a sua vida não passou de uma gota d'água num oceano infinito! 
— Porém o que é um oceano senão uma multidão de gotas d'água? 
(MITCHELL, David. Atlas de nuvens. p. 538.) 

O QUE É UM OCEANO SENÃO UMA MULTIDÃO DE GOTAS D'ÁGUA, CARA???? ♥ 
15 dezembro 2017

Mais um Natal está chegando. 
MAIS UM NATAL ESTÁ CHEGANDO. 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH 

Okay, parou o surto. 
Voltando ao assunto, faltam 10 dias pra o Natal, então as gurias do Cilada (Michas, Manu, Ana Luíza e Tati) e eu decidimos fazer um meme literário de Natal porque a gente ama muito memes, livros e coisas natalinas, risos. Não tem jeito, somos blogueiras ridículas, mas somos felizes. Entonces, bora: 


1. Natal dos sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal

O Morro dos Ventos Uivantes, porque obviamente a minha obsessão com a Inglaterra e seus quilos de neve natalinos ainda não terminou e eu quero isso demais na minha vida. (Mas não quero Heathcliff obcecadão e todo trabalhado na vingança, hein. Isso eu dispenso.) 


2. Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado o seu ano 

Alucinadamente Feliz, que é provavelmente a grande referência literária deste ano. No livro, a Jenny Lawson conta como é viver com ansiedade, depressão, síndrome do pânico (entre outras coisas) e se forçar a ser feliz porque CHEGA DE TRISTEZA. A pessoa ri. A pessoa chora de ri. A pessoa ri e chora porque se identifica com as situações, mas percebe que a gente pode sim ser alucinadamente feliz SÓ DE RAIVA e tá tudo bem. 


3. Pisca-Pisca: um livro com assunto LGBT 

Amora é um livro lindo lindo lindo escrito pela Natalia Borges Polesso, uma autora gaúcha e que estuda na minha universidade ♥ Nele há vários contos, todos com temática lésbica, mas sem ser aquela coisa que a gente vê por aí quando se fala em lesbianismo, de homens sexualizando mulheres como fetiche e tal. Como a Natalia é lésbica, ela escreveu do que ela conhece e sem toda aquela objetificação horrível. Ousseje: leia mulheres, seja feliz e não passe raiva com livros. 


4. Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente para todo mundo 

Tem vários livros que eu até gostaria de dar de presente, mas sei que as pessoas não os leriam. Então, minha escolha é Comer, rezar, amar, que é um livro que li ano passado e achei demais. Mudou várias coisas em mim e me ajudou a esclarecer certas questões internas. Apesar de parecer um clichê, é realmente um livro excelente e acho que todo mundo deveria lê-lo ao menos uma vez na vida. 


5. Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente 

Tartarugas até lá embaixo, do João Verde. Eu nem sou uma pessoa-joão-verde, mas achei a premissa desse livro TÃO BACANA que quero demais. Inclusive, tá na lista de presentes que quero pra o amigo secreto e realmente espero que a pessoa que me tirou me dê esse livro, hein. VIU AMIGO SECRETO. 


6. White Christmas: um livro com a capa branca 

Totalmente branca não rola, mas predominantemente branca tem o Não vai acontecer aqui, que li este ano por parceria com a Companhia e tem uma das capas mais incríveis (e condizentes com o livro) que já vi. 


7. Bengalas doces: 3 livros com a capa em "candy colors" 

Foi muito difícil encontrar livros pra essa resposta porque todos os meus são com cores de morte, destruição, desespero. Mas depois de revirar meu skoob inteiro, encontrei alguns: Anna e o planeta, que ainda quero muito ler, ME DEEM DE PRESENTE, Fangirl, que faz alguns anos que li e achei bem fofinho, apesar de não ser muito a minha vibe e Persuasão, nessa edição bonitosa da Martin Claret ♥ (não me digam que isso não é candy color porque foi o mais próximo a que cheguei, hein). 


8. Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos 

Lá vem a Mia de novo com A insustentável leveza do ser. Sim. Mas é claro. O melhor livro da vida, sempre dou um jeitinho de relê-lo porque, além de dar um quentinho no coração, percebo algo novo a cada leitura. (Assim como em O retrato de Dorian Gray.) 


9. Chocolate quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração 

Clichê dos clichês, mas aqui trabalhamos com verdades: Harry Potter. Todos eles. Li todos este ano e foi simplesmente maravilhoso, me senti ótima e quero fazer ainda muitas releituras dessa série linda. (Aliás, ontem meu sobrinho de 11 anos chegou aqui, sentou na minha frente e me perguntou: "Mia, tu já leu Harry Potter?". A pergunta rendeu duas horas de conversa sobre o mundo bruxo e tô muito tia orgulhosa do sobrinho que tá nos passos da leitura, sim.)  


10. Voando em renas: um livro que te fez acreditar no impossível 

Atlas de nuvens. Esse livro, além de fisicamente lindíssimo, tem uma história muito bem trabalhada que realmente me fez acreditar em propósito de vida e que nada é em vão, que até as pequenas atitudes que a gente acha que são ridículas têm um motivo, mesmo que a gente não veja o porquê de tudo. LEIAM ESSE LIVRO, VEJAM O FILME (Cloud Atlas), SEJAM FELIZES. 


*

É isso, gente. 
Com este post abri oficialmente a temporada de Natal e fim de ano aqui no blog. Tem um monte de posts temáticos que estão sendo preparados e EU REALMENTE ADORO FINAL DE ANO TUDO BONITO LUZINHAS GENTE FELIZ COMIDA BOA AAAAAAAAH ♥ 
07 dezembro 2017

~não sei de quem é a imagem, a achei no pinterest e combina perfeitamente com o mês; mas se alguém souber o artista criador deixe nos comentários que eu coloco os créditos aqui~

Eu amo muito o fato de que separei as leiturinhas do mês do post de resuminho porque, bem, eu falo demais sobre o que eu leio (eu sei, poderia voltar às antigas no blog e falar mais sobre a minha vida e menos sobre livros, mas descobri que existem pessoas realmente muito amargas que se aproveitam de qualquer coisa que a gente escreva sobre nossas dificuldades pra fazer da nossa vida um inferno, então não, obrigada), então acho que foi uma boa decisão. 

Nem tão boa assim foi a minha quantidade de leituras em novembro: foram apenas 2 livros. Como todos já sabem, o culpado foi o Monstro do Final de Semestre, que comeu meu tempo e meu ânimo pra fazer qualquer coisa além de provas e trabalhos gigantescos, mas conseguimos vencê-lo e cá estamos, em férias e já lendo coisas maravilhosas. 

.lidos


♥ Como disse, foram dois livros lidos. O primeiro foi um que achei que seria ótimo, mas nem foi tanto assim - porém também não foi tão ruim quanto pensei que seria quando a coisa começou a degringolar. Não vai acontecer aqui, do Sinclair Lewis, é um livro sobre o qual já falei bastante e, apesar dos pesares, realmente acho que merece uma leitura, especialmente do povo que se interessa por política e distopias. Não é nada parecido com as distopias adolescentes, tipo Jogos Vorazes, claro, mas mesmo assim é bem bacana pelas reflexões que a gente faz de como uma democracia se transforma numa ditadura aos pouquinhos. Pretty scary, indeed. 

♥ Depois eu li um que me deu muitas alegrias e tristezas. Apesar de saber o final da história de antemão, ler As irmãs Romanov, da Helen Rappaport, foi algo um pouco dolorido. Amei conhecer mais sobre as vidas das meninas e também conhecer a verdadeira história da Anastasia (sim, aquela da animação que marcou a infância de metade da minha geração), mas ao mesmo tempo foi duro ver como elas sofreram na prisão na Sibéria e ter de lidar com os horrores que a Revolução Bolchevique cometeu. Eu realmente acho que a Revolução trouxe coisas muito boas pra Rússia, mas obviamente teve seus erros (NÉ, LÊNIN) e muita gente inocente foi assassinada por causa disso, inclusive as quatro meninas Romanov, seu irmão de 13 anos e seus pais, que só queriam mesmo uma vida tranquila com a família e não tinham culpa de ter nascido na realeza. 

Adoro ler sobre histórias reais da monarquia porque sempre penso que não é fácil ser princesa. É uma vida muito solitária, especialmente pra meninas. A pessoa não tem culpa de ter nascido ali, mas por causa de sua posição não pode se aproximar de quase ninguém e os erros políticos dos outros recaem sobre a família inteira. A gente cresce vendo histórias de princesa, mas não sabe como é (foi) complicada a vida dessa gente real. 

.lendo 

Finalmente tomei coragem e peguei pra ler um livro lindo lindo lindo que estou amando: Anna Kariênina, do Tolstói. Recebi o livro pela Companhia em agosto e estava encarando ele na estante desde então, com medo de lê-lo porque achei que demoraria demais na leitura (são quase 900 páginas de calhamaço russo!) ou que poderia ser chato demais. GENTE, COMO EU ESTAVA ENGANADA. Esse livro é excelente. Comecei a leitura na sexta e lá se foram mais de 150 páginas. Sim, eu poderia ter lido mais, mas vamos lembrar que sexta foi o último dia de aula do semestre com trabalho de radiojornal e no fim de semana teve o aniversário do pai do meu namorado, então foi aquela correria de pessoas pra lá e pra cá e não deu muito tempo pra ler. Mas mesmo assim eu não queria largar o livro. Sério, leiam isso, larguem de medo e se joguem porque a escrita do Tolstói é deliciosa e essa edição não perde em nada pra aquela da Cosac Naify.


Também comecei a (re)ler os contos do Poe na minha mais nova edição linda e maravilhosa da Tordesilhas: Contos de imaginação e mistério. É sério, ela é muito linda. Tem ilustrações da época da "descoberta" de Poe + um prefácio do Baudelaire, o primeiro cara a traduzir a obra do Poe pra o francês. Essa era a edição que eu queria e ela é minha porque um cara (maluco) a vendeu num grupo de troca e venda de livros por DEZ PILAS!!!! Sim, eu não acredito nisso até agora. Tô muito em paz comigo mesma tendo essa edição que desejo há anos. ♥

Por enquanto, é isso.
Mas bem por enquanto mesmo porque dezembro é o mês das RETROSPECTIVAS AAAAAAAAAAAAH e já estou preparando o Wink Literary Awards 2017, hihihi.

Até. 
05 dezembro 2017

Sinto que essa ideia de fazer resuminhos mensais foi péssima, mas agora estou comprometida com ela e vou até o fim do ano com isso. Me desculpem, ano que vem a gente volta à programação normal. 

~The Scream, Edvard Munch~

Novembro, como todos os meses que encerram semestres, foi um inferno. Eu nunca tive tantas dores de cabeça antes. Honestamente pensei que houvesse alguma coisa errada comigo. Só que aí o semestre terminou (sexta!) e as dores de cabeça pararam, provando que todo mundo estava certo e o que eu tinha era puro estresse mesmo. Melhor assim. 

Esse semestre foi o mais exaustivo que já tive até agora. Provavelmente a galera que tá fazendo projeto de monografia e afins está rindo loucamente de mim neste momento, porém: meu deus que semestre estafante. 

Foi tanta coisa, tudo ao mesmo tempo, com tantos detalhes que eu só queria sentar num cantinho e chorar de exaustão mental e saudades da exaustão física de ter tempo pra fazer exercícios e inventar coisas etc. 

Nessas eu lembrei muito do livro da Jenny Lawson, o Alucinadamente Feliz, que li no começo do ano. Nele, ela conta como é a vida de uma pessoa com ansiedade e crises de pânico e todo aquele blablabla de saúde mental que a gente já conhece. Só que ninguém dá bola quando se fala sobre isso, né. O "fica calma" não funciona e inclusive só faz aumentar a vontade de estar calma e ser uma pessoa normal e tranquila que não surta porque sua cabeça está sempre a mil, com trocentos projetos e sem saber de onde mais tirar tempo pra fazer tudo sem cair de exaustão por não dormir. 

Mas JÁ ESTAMOS EM DEZEMBRO!!!! E já é dia 5! Gente, sério, o que foi este ano? 
Além de já estarmos em dezembro, também já estamos de férias, o que significa que meu organismo precisa entender o conceito de relaxar e curtir o sossego. Isso é um pouco difícil pra pessoa ansiosa e com vibes workaholic, mas estamos seriamente tentando - e aceitamos boas vibes enviadas, hein. 


Como o semestre foi até dia 1° e logo em seguida teve fim de semana (com aniversário do pai do namorado, inclusive), muita coisa atrasou loucamente. É sério, esse semestre foi realmente terrível (okay, vou me controlar pra falar sobre outra coisa). Mas o fato é que minhas leituras atrasaram, os textos que eu deveria escrever também (tanto no Valks quanto na Pólen - aliás, entrei pra equipe linda da Pólen, mas ainda não estreei lá porque vocês já sabem, risos) e eu fiquei completamente maluca. Então fiz o que qualquer pessoa sã e plena faria em seu primeiro dia real de férias: maratona de filmes de Natal.

Eu amo demais filmes natalinos e não entendo as pessoas que têm ranço deles. Essa coisa de espírito do Natal total me pega e acho tudo lindo demais, desde os enredos clichês até aquela decoração que é sempre a mesma coisa, mas a gente adora mesmo assim. Então ao invés de ficar mais louca ainda no meu primeiro dia de férias colocando em dia tudo que está atrasado, decidi parar e me dar um presente por ter passado em todas as matérias horrorosas que tive: vi filminhos lindos debaixo do meu cobertor de florzinha.

Um deles foi o novo da Netflix, O príncipe do Natal, que é tão clichê quanto qualquer filme da época, mas lindo lindo lindo e com o fator de a protagonista ser uma jornalista em começo de carreira. OLÁ IDENTIFICAÇÃO. Okay, a identificação pára por aí porque, ao contrário dela, eu não fui designada pra cobrir a posse de um príncipe como rei num país distante e cheio de lindas neves. Mas mesmo assim amei demais. É um daqueles filmes bem gostosinhos de se ver numa tarde despretensiosa, o que era exatamente o que eu queria.

Também aproveitei a vibe e vi Meu papai é Noel que é um filme já antiguinho (não sei vocês, mas 80% dos meus filmes preferidos são antigos), mas UM AMOR. O cara é um publicitário sem coração que simplesmente acaba assumindo, sem querer, o papel de Papai Noel e isso o coloca numas enrascadas dignas da Sessão da Tarde. Essa nostalgia dos meus tempos de infância é algo muito gostoso e que quero preservar, então recomendo pra todo mundo que sente falta daquele sentimento de encanto que tinha quando era criança durante essa época.

Aliás, nessas de maratonar filmes de Natal, notei que grande parte deles têm como protagonistas gentes da comunicação social: jornalistas e publicitários sem coração ganham disparado no ranking de pessoas que precisam ser convencidas do espírito natalino. EU JURO QUE TENHO CORAÇÃO, apenas o guardo com carinho nos dias úteis pra não ter problemas de conflitos de interesses nas produções jornalísticas, risos.


Queria muito ter feito a sessão de links do mês, mas não foi possível ver muita coisa em novembro além de provas e trabalhos. Porém, quero deixar registrado que minha amiga Michas reativou seu canal literário e tá sendo muito bacana acompanhar os vídeos dela.

Até mais e VAMO INAUGURAR O NATAL AQUI NO BLOG! 
24 novembro 2017

Dia desses estava rolando no tuíter uma hashtag falando de #datesruins. Eu olhava pra aquilo e ria porque tinha um pessoal compartilhando umas coisas bizarras demais. Mas aí lembrei que justamente por conta dessa bizarrice toda - que, aparentemente, na vida das pessoas normais acontece apenas de vez em quando, ao contrário da minha, em que ocorre algo estranho praticamente todos os dias, o que honestamente me faz pensar se não sou alguma personagem de sitcom - é que eu tenho um blog. Então nem entrei na onda da hashtag e salvei a ideia pra escrever aqui mesmo, falando de um date muito ruim ou como eu atraio gente bizarra. 


O golfinho 

O título total poderia servir pra falar de uma outra entidade que eu chamo de golfinho-saltitante, mas essa história não tem nada a ver com date (graçasadeusa) e eu vou contar outro dia. Mas antes do golfinho-saltitante, essa criatura dozinfernos, aparecer na minha existência, houve um outro golfinho. Ele parecia um cara normal. Um pouco nervoso pra o meu gosto e com cabelo arrepiado em excesso (jamais entenderei a moda do cabelo arrepiado, fica todo mundo parecendo uma versão menos estilosa do Super-Shock, mas enfim). A gente tava saindo há uma semana porque honestamente eu não tinha nada melhor pra fazer e ele estava ali aparentemente todo querendo minha companhia. (Não me arrependo, mas não faria novamente.) 

O fato é que depois de três dias eu já havia enjoado do guri. Okay, eu tenho um histórico de enjoar de pessoas rapidamente porque pessoas cansam demais, mas dessa vez eu realmente me superei. Só que, como já disse, não tinha nada melhor pra fazer m e s m o. Então na sexta eu estava indo pra minha aula quando ele apareceu e se grudou em mim na faculdade. Ainda faltava um tempinho pra aula, então fiquei ali, sentada num banco, com ele do meu lado falando abobrinhas tamanhas que honestamente eu nem lembro. Eu estava quase indo embora de puro tédio quando, em certo momento, ele virou bruscamente pra mim, pegou na minha mão e começou a falar como um golfinho. 

Eu repito: ELE COMEÇOU A FALAR COMO UM GOLFINHO. 


E ISSO DUROU 10 MINUTOS. 

EU CRONOMETREI. 

No primeiro minuto eu achei curioso e bizarro. Depois apenas permaneci pra ver até onde aquilo iria. Ele imitava perfeitamente um golfinho e tentava me beijar no processo. Vocês já viram um cara imitando um golfinho com o corpo inteiro? E tentando beijar alguém ao mesmo tempo? Pois é, não recomendo. É a visão do inferno. 


Quando ele finalmente parou, disse: "Eu prometi a mim mesmo que ia te conquistar imitando um golfinho". 


Por que diabos alguém faz uma promessa dessas, eu jamais entenderei. Mas a história foi tão absurda que virou parte de uma reportagem pra uma rádio daqui sobre dates ruins. VEJAM SÓ COMO SÃO AS COISAS. Obviamente nem é preciso dizer que nunca mais vi o rapaz porque eu posso ser maluca, mas ainda não cheguei a esse ponto. 

P.S.: eu realmente tenho medo de golfinhos. Eles são criaturas malignas que fazem estupro coletivo em outras espécies e até mesmo na própria, e se divertem com isso (sério, já foi comprovado que eles fazem isso POR PRAZER e domínio, é apavorante). Golfinhos são do mal e eu quase tive um ataque com aquele cara imitando um pra me conquistar. Deus me livre dessa gente estranha.

Por hoje é só porque deu de bizarrice pra um só dia, né. 
21 novembro 2017

Não vai acontecer aqui
Sinclair Lewis
406 páginas
Alfaguara
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: lá nos Estados Unidos dos anos 30 um cara fascista, racista, antissemita, misógino, mas com uma baita campanha de marketing se candidata à presidência e acaba ganhando. Só que, nessa de se candidatar, ganhar e exercer o poder, tem muita gente que não acredita que ele permaneceria muito tempo no comando, afinal "isso não pode acontecer aqui na América, nós somos muito civilizados pra esse tipo de coisa". Uma dessas pessoas é o jornalista, editor de um jornal em uma cidadezinha, Doremus Jessup. A gente acompanha a descrença dele o tempo todo, mesmo perante as maiores atrocidades cometida por esse governo ditador, até que certos fatos obrigam Jessup a agir. 

Por que ele é bom? Eu vou falar a mesma coisa aqui que falei na resenha de Admirável mundo novo: ele é bom, mas não parece. Digo isso porque as primeiras cem páginas são extremamente chatas, cheias de descrições de comícios eleitorais e gente completamente sem noção alguma de como se faz política falando bobagens e apoiando Buzz Windrip, esse candidato horroroso à presidência. 

Mas continue firme, porque o livro melhora. Muito. 

Não vai acontecer aqui é um desses livros que estavam completamente esquecidos, mas do qual o povo começou a lembrar com essa onda de direita que tem tomado conta do mundo, mais especificamente dos Estados Unidos com o Trump no poder do país. Há quem diga que esse é um livro profético porque o candidato que ganha as eleições, o Buzz, é basicamente um Trump dos anos 30. O discurso de fazer a América grande novamente é bem parecido, assim como os valores e as medidas tomadas (e a burrice, pra não mencionar a grande burrice que ambos têm, mas enfim). Eu entendo por que as pessoas fizeram esse paralelo, mas realmente acho que não é o caso. Infelizmente, desde que a gente tem um sistema mais ou menos livre, sempre há épocas em que a extrema-direita toma conta porque o povo novamente esquece o quão terrível isso pode ser. Mas ideologias políticas à parte, vamos falar do livro. 

A história, ao contrário do que muitos dizem, não é a da ascensão e queda do Buzz Windrip nem como um presidente falastrão e fascista conseguiu ganhar nos EUA. Não, nada disso. Claro que há tudo isso no plano de fundo, mas a história mesmo é a de Doremus Jessup e como gente normal e relativamente esclarecida consegue viver em uma ditadura. 

Já digo: não é fácil. 

Doremus se ferra loucamente, mas não mais do que milhares de outras pessoas no livro. Nisso ele é bem parecido com 1984, que mostra como um homem comum sobrevive nessas condições. 

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Como o Doremus é jornalista, uma questão bastante abordada no livro é a censura que a imprensa sofre. Aliás, nem é mais censura porque o governo simplesmente virou DONO de todos os jornais, de todas as prensas, de todo o maquinário e manda pra o campo de concentração (sim, campo de concentração) o jornalista que se recusar a fazer o que eles querem. Não é porque eu estudo Jornalismo, mas isso é forte demais e obviamente me lembra a nossa própria ditadura aqui. Mas creio que isso não é diferente em ditadura alguma: governos totalitários sempre usam de medidas drásticas pra conseguirem o que querem, não importa o quê, e a mídia, por mais corrupta que possa ser, é um baita veículo - e eles precisam comandá-la se quiserem permanecer no poder. 

Mas o que realmente tem destaque pra mim no livro - e certamente é uma coisa que eu não esperava - é a atuação das mulheres contra esse governo horroroso do Windrip. Mulheres espiãs, mulheres que se unem a organizações secretas, mulheres que estão dispostas a ser estupradas (!) pra conseguir alguma informação. Não vou citar nomes pra não dar spoilers, mas não tem um monte delas no livro e são maravilhosas demais. Jamais esperaria que um cara daquela época teria escrito personagens femininas tão fortes e decididas quanto essas. Ponto pra você, Sinclair! 

"Mas, de qualquer jeito, filhos a gente não vai ter. Ah, claro que gosto de crianças! Queria ter uma dúzia desses diabinhos por perto. Mas se as pessoas foram moles a ponto de entregar o mundo de bandeja pras múmias empavonadas e pros ditadores, melhor não esperar uma uma mulher decente traga filhos pra esse manicômio! Ah, quanto mais a pessoa gosta mesmo de crianças, menos vai querer que nasçam, daqui pra frente!" 


É muito interessante também ver como várias personagens são gente boa, gente como a gente, e conseguem mesmo assim apoiar um governo desses realmente na esperança de que as coisas vão melhorar. Não é diferente da vida real, onde a gente encontra pessoas dentro da nossa própria família que são pessoas bacanas, mas que pra política são ingênuas a ponto de apoiar esses extremismos que só tiram os direitos dos outros e ferram com a vida dos mais pobres. O livro é bem realista nesse quesito. (E é meio triste perceber que esse livro foi escrito em 1935, mas que as coisas não mudaram tanto assim.) 

Por que ele é ruim? Sabe quando alguém tem uma ideia muito boa, mas não sabe exatamente como colocá-la em prática? Então, com o Sinclair Lewis foi mais ou menos isso. Ou talvez eu ache isso porque li o livro em 2017 e não sou acostumada com a literatura dos Estados Unidos de 1935, que era toda cheia de descrições intermináveis sem sentido algum. Pra mim, o problema do Sinclair é o mesmo problema que eu tenho com os livros do Stephen King: ambos demoram demais pra criar o ambiente pra só então começar a história. Eu demorei 16 dias pra lê-lo. E, sim, 16 dias pra mim é um tempo imenso. Em 16 dias eu leio uns 3 livros. Mas esse me tomou mais atenção na leitura (e eu também estava toda atrapalhada com o final de semestre, então vamos colocar isso na equação). 

Mas é aquilo: persistindo, o livro fica bom de verdade. É só ter um pouco de paciência com uma narrativa mais antiga e política, com a qual não estamos acostumados. 

Você vai gostar se... é chegado numa distopia, está curioso pra saber que diabos esse livro tem a ver com o que está acontecendo hoje em dia, gosta de ler histórias com temas políticos ou só quer ler mais um cara que venceu o Nobel de Literatura. 

Em um quote: 

Ele receava que a luta mundial do momento não fosse do comunismo contra o fascismo, mas da tolerância contra a intolerância. 

 ~livro recebido em parceria com a editora~
17 novembro 2017

Ele chegou e na última semana só me fez ter literalmente dores de cabeça que não passam. Não, elas não passam. Nem com paracetamol. Nem com ibuprofeno. Nem com neosaldina. Um pessoal já me falou que é tudo psicológico, mas honestamente eu acho isso até um insulto porque é como se a pessoa me dissesse que "uau, você só sabe se autossabotar". O que é bem a minha cara, na verdade, e provavelmente quem disse isso está certíssimo, mas pulemos o assunto. 

As últimas semanas têm sido o inferno. Além do final de semestre, do stress pelos trabalhos mil e do calor infernal que tem feito, decidi parar de tomar o remédio que estava supostamente regulando meus hormônios, e agora estamos aqui, com muita mais raiva do que o normal e querendo que todo o universo exploda num caos feito de antimatéria. 

Bem alegre, como podemos perceber. 

Mas okay, porque eu pensava: "hm, as férias estão chegando, mais três semanas e eu vou poder descansar". Porém essa semana tive uns dias sem aula e consegui maratonar 3 séries, ler um livro, organizar minha estante e me dei conta de que bateu um vazio porque eu sou essa pessoa agitada e vou fazer tudo o que tiver pra ser feito em uma semana e ficar me lamentando pelo resto dos três meses de férias, querendo logo a rotina da faculdade de volta, mesmo sabendo que isso é horrível e causa altas crises de ansiedade. 

~Janet chorandinho sem saber como porque não tem sentimentos é a minha única vibe possível~

Preciso arranjar algum projeto que me mantenha ocupada nas férias ou senão vou pirar e virar, sei lá, serial killer porque só falta um comentário babaca pra eu sair por aí matando pessoas com uma machadinha. 

Esse projeto deveria ser o de emagrecer pra poder caber nas minhas roupas novamente, porém eu consegui uma bela lesão no joelho que a recém está se recuperando e não posso forçar muito. Claro que vou retomar o projeto, mas não vou poder fazer aquela intensidade de que preciso pra me sentir bem, que é tirar 2h da manhã pra correr por aí. Não dá mais. Então vou ter de colocar toda essa energia reprimida em alguma coisa porque ficar parada vendo série, filmes e lendo livros não vai durar nem um mês (porque vou acabar com todo o catálogo antes, cês vão ver). 

A vida da pessoa intensa é deveras muito difícil. Não há moderação que me segure. 

Socorro. 

16 novembro 2017

Brida
Paulo Coelho
271 páginas
Paralela
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: nos anos 80, enquanto viajava pra os Pirineus, o Mago encontrou Brida, uma mulher que havia iniciado seu caminho na bruxaria há algum tempo. Ela contou a história de sua iniciação pra ele, que pediu pra escrever um livro sobre. Brida aceitou, e agora temos um livro lindo sobre o caminho de uma mulher se descobrindo bruxa. 

Por que ele é bom? Eu nunca, nunca mesmo, vou entender por que diabos as pessoas não gostam dos livros do Mago. Quer dizer, tecnicamente até entendo, mas acho tão babaca que meu cérebro simplesmente não processa. Essa vibe de "eu sou intelectual, uma pessoa profunda e só leio Dostoiévski" é de uma chatice e pedantismo tão grande que só reviro os olhos e passo longe porque não sou obrigada. Mas, seja como for, eu gosto muito dos livros do Mago e estou 100% nem aí pra quem diz que é literatura lixo. A literatura é boa ou ruim dependendo de quem a lê. O que é bom pra mim pode ser horrível pra outra pessoa e temos de aceitar isso e não ficar empurrando goela abaixo das pessoas um cânone feito basicamente de livros antigões (nada contra, adoro clássicos, mas...) e com linguagem rebuscada só porque tem gente que despreza as gerações atuais. Sinceramente, viu. 

Dito isso: o livro é lindo. ♥ 

Recebi ele em parceria com a Companhia lá pelo Valks, onde também escrevo e, apesar de já ter escrito um texto sobre ele por lá, precisava escrever aqui também porque as linhas editoriais são diferentes e a linguagem muda completamente na hora de escrever. 

Brida é, como eu disse acima, a história de uma mulher se descobrindo bruxa. Como ela conheceu o Paulo Coelho lá pelos anos 80, calculo que a iniciação dela tenha começado no final dos anos 70. Brida era uma pessoa normal, gente como a gente, mas que buscava algo a mais, tentava entender o universo e já havia feito vários cursos na área do esoterismo, do ocultismo e blablabla, mas ainda não havia achado o seu caminho. Até que lhe mandaram pra um mago que vivia isoladão numa floresta, e lá ela aprendeu a primeira lição da magia de acordo com a Tradição do Sol: a noite escura. Ela ficou uma noite inteira sozinha, na floresta, e teve de lidar com seus medos e encarar a si mesma. Só depois disso ela estaria pronta pra aprender o resto. 

“Mergulhamos na Noite Escura com fé, cumprimos o que os antigos alquimistas chamavam de Lenda Pessoal e nos entregamos por inteiro a cada instante, sabendo que sempre existe uma Mão que nos guia: cabe a nós aceitá-la ou não.”

No livro, Paulo Coelho diz que há duas tradições básicas: a do Sol e a da Lua. Uma ensina pelas coisas básicas do universo (como ficar numa floresta, em meio à natureza), a outra ensina pelos mistérios do tempo, ou seja, pelo tarot e outras coisas do tipo, como regressão, pra que a pessoa descubra seu dom, perdido em outras vidas. 

O que eu mais gosto no livro é que dá pra ver que o Mago realmente se baseou numa história real. Pode ser que ele tenha inventado alguma coisa, não duvido, mas pelo que eu conheço dos caminhos da magia, é bem por aí mesmo. Particularmente eu não frequento esses caminhos porque não gosto de religiões, seja elas quais forem, mas acho bem bacana quem vai atrás do que acredita e conheço muitas pessoas que estão nesse caminho (seja lá em qual tradição) e o que elas falam que fazem é basicamente o que está no livro mesmo. 

Não vou dar muitos spoilers porque é uma história bonita de se ler e ir conhecendo aos poucos, mas posso dizer que vale a pena e que tem umas mensagens bem interessantes, não importa a sua religião. Até porque, pra mim, o livro não é sobre ~magia~, mas sim sobre descobrir a si mesma e ao seu lugar no mundo - o que é uma busca universal pela qual todos passamos. 

"Vivo desistindo de tudo que começo", pensou, com certa amargura. Talvez, em breve, a vida começasse a perceber isso e parasse de lhe dar as mesmas oportunidades que sempre lhe dera. Ou talvez, desistindo sempre no começo, esgotasse todos os caminhos sem dar nem um passo sequer.

Enfim, recomendadíssimo. Não é o meu livro preferido do Mago, mas tá perto. 

Por que ele é ruim? Não é ruim, mas acho meio estranha essa coisa de colocar bruxaria e cristianismo lado a lado. Claro que entendo a vibe dos símbolos e de que a Deusa pode ser representada pela Virgem Maria e tal, só que a igreja literalmente matou trocentas mil bruxas ao longo dos séculos e é bizarro colocar uma bruxa dentro de uma igreja fazendo oração pra o Deus cristão. Okay, serve ao propósito do livro, mas achei um pouco incoerente. Porém, nada que atrapalhe a leitura (e é um momento bem bonito da narrativa, na verdade). 

Você vai gostar se... se interessa por magia, histórias da vida real com mulheres que vão atrás do que querem, livros de autodescoberta ou só quer dar uma chance pra o Mago e ver qualéquié dessa literatura dele de que as pessoas tanto falam mal (mas que na verdade é boa o suficiente pra ser lida em uma sentada).

Em um quote:

– Aceite o que a vida lhe oferece, e procure beber das taças que estão na sua frente. Todos os vinhos devem ser bebidos: alguns, apenas um gole; outros, a garrafa inteira.
– Como posso distinguir isso?
– Pelo gosto. Só conhece o vinho bom quem provou o vinho amargo.
15 novembro 2017

Extraordinário
R. J. Palacio
315 páginas
Intrínseca
Ano de publicação: 2013 

Sobre o que é: Auggie é um menino de dez anos como qualquer outro: gosta de tomar sorvete, brincar, ver tevê. Exceto por uma coisa: ele nasceu com uma síndrome genética que lhe deu uma deformidade facial e, por isso, ele nunca frequentou a escola. Mas seus pais se dão conta de que um dia ele precisará viver em sociedade e, por isso, lhe matriculam numa escola. É aí que as coisas começam e Auggie se vê em meio a crianças que lhe fazem bullying o tempo inteiro e precisa aprender a lidar com isso da melhor forma possível. 

Por que ele é bom? Faz alguns anos que li esse livro pela primeira vez, logo no lançamento, mas ainda não tinha escrito sobre ele porque na época eu não era uma pessoa que escrevia sobre livros. Só que agora, vendo a minha lista de livros que li e amei, porém ainda não recomendei, lembrei desse e, já que estamos no hype do filme, que será lançado dia 7 do mês que vem (que por acaso é dezembro e não estamos todos pirando com isso????), decidi falar sobre.

Há alguns anos eu comecei um curso de Pedagogia. Eu havia recentemente lido o livro quando entrei no curso e lembro que quando uma professora perguntou que livro a gente recomendava para que todos lessem, eu respondi que todo mundo que estuda Pedagogia ou que lida com crianças deveria ler Extraordinário porque é um livro muito sensível e que nos faz entender o real perigo de permitir e contribuir com o bullying nas escolas. 

Auggie é um menino muito querido. Ele tem uma deformidade terrível no rosto que faz com que as pessoas (babacas) o tratem extremamente mal, o ignorando ou zombando dele na cara dura. Não sei quantas vezes conheci pessoas assim na vida, gente que zomba do outro só porque ele é diferente dos outros. E essa é a maior mensagem do livro: somos todos iguais, gente com sentimentos e sonhos e vida, mesmo que nossa aparência seja tão diferente da dos outros. 

Uma coisa que eu achei demais no livro - além da história, que já é tocante por si só - é que ele é divido em oito partes e cada parte tem o ponto de vista de um personagem diferente (só o Auggie repete sua parte na narração). Eu adoro esse tipo de recurso em livros porque dá pra gente entender o contexto maior da situação e conhecer o que realmente se passa na cabeça de cada um. No quesito sensibilidade, Extraordinário dá aula.

Esse é um daqueles livros que a pessoa termina de ler com o coração quentinho, se sentindo esperançosa com o mundo. Apesar de não ser o que eu costumo ler, é uma leitura pra fazer feliz, então eu recomendo fortemente.

Auggie

Por que ele é ruim? Ele não é. Duvido alguém achar algo de ruim nesse livro, mesmo.

Você vai gostar se... quer fazer uma leitura mais sensível, se envolver emocionalmente com um livro e ter um pouco de esperança na humanidade (difícil, eu sei, mas esse livro ajuda).

Em um quote:

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.