Lazing on a sunday afternoon

Sozinha. Eternamente sozinha. Apenas eu e as paredes cor-de-rosa retrô do meu quarto. Só porque hoje estou muito melancólica para escrever algo que preste.
 Sim, esse é o mural que se encontra na porta do meu quarto. Ele está lá há mais de três anos e ainda não cansei. Milagre. Durou mais que todos os meus relacionamentos juntos.
 Primeiro mural: Freddie, ursinhos, definição de Aquário, texto sarcástico (obviamente) e randômicas que me fazem contente.
 Segundo mural: mais randômicas com menos significado.
 E este, senhores, é o único desenho que consegui fazer direito na vida. E está ali há cinco anos.
 Os livros que ganhei esse mês mais o livro emprestado do Wilson.
 Kit que ganhei no blog da Fluffly.
 E veio com uma pulseirinha indiana para dar para quem a gente gosta, para que dê sorte proteção à pessoa. Ou seja: ninguém ganhará.
 Lagarteando numa tarde de domingo, lendo Sereia e admirando minhas unhas.

Minha parte favorita da minha solidão: meu duende (Bicho Feio), a boneca de pano que ganhei da cunhada e uma fotografia minha aos dois anos. Minha infância. 

Estar sozinha nunca havia sido tão bom. 

De maçã, por favor.

Meu estômago dói.
Não sei se pela rejeição, não sei se pelo envenenamento das borboletas, não sei se de fome, não sei se de cólica.
Na dúvida é melhor colocá-lo pra tomar chá. Afinal, tudo passa com um bom chá. 

Goma de abacaxi

Você me pergunta na maior cara dura o que estou fazendo após ter partido meu coração. Reviro os gomos ainda apegados à superfície do suco de abacaxi no copo, fico triste, olho para o relógio que marca meia-noite e meia, dou aquele sorriso irônico e digo: fazendo o que faço de melhor, escrevendo.
É quem eu sou, não é? Uma escritora - ou aspirante a tal. É o que eu faço. Não é estranho dizer que eu sou o que faço e que faço o que sou, assim como o que amo e o que me sustenta nos dias de insanidade e desejos profundos irrealizáveis?

Mas você me disse para ser assim, não disse? Você deixou isso bem claro após ter me dito para ouvir aquela música e prestar atenção na letra - e que letra - que dizia para ser algo que se ama e entende. É o que estou fazendo, meu bem. Não me estranhe por isso.

Faz apenas três horas que você me rejeitou. Rejeição. Não é uma palavra engraçada? Como se eu fosse repulsiva ou algo assim. Divertido isso. Escritoras costumam assustar, não é?
Três horas desde então e tudo o que eu consigo pensar é no meu copo, meio cheio, meio vazio, de suco de abacaxi e em como aqueles gomos - por mais coados que estejam - se apegam fortemente às lacunas dos meus pequenos dentes. É como o que sinto - amor? um pouco menos, bem menos - é como o que percebo: o amor ou o gostar é como os pequenos fiapos de goma que ficam entre as lacunas dos meus dentes. Eles precisam ser removidos, mas se você quiser tomar um bom suco, precisará enfrentá-los. Ninguém passa pela vida sem seus fiapos.

Alguns nem incomodam tanto. Vão ficando, ficando... e só saem na próxima escovação. Outros são um estorvo. Mas todos são estranhos. Estrangeiros em terras - ou seriam "em carnes"? - desconhecidas.

Você me diz para ter cuidado porque faz mal se envolver com alguém de quem não se gosta. Mas você se envolveu comigo, não foi? Entrou sem ser convidado e se instalou numa das cavidades da minha boca, e de lá não quer sair. Adivinha, meu bem? Gomos antigos sempre saem quando empurrados pelos mais novos e resistentes. Nada que um novo gole não resolva.

Que se dane esse gostar. E que se dane você.

Pé do ouvido

Hoje eu queria que você chegasse pra mim, com sua voz grave e sedutora, e dissesse, ao pé do ouvido: "Meu bem, você não vai morrer sozinha. Não precisa se preocupar. Qualquer coisa, eu estou aqui. E num altar também, te esperando." Mas você não vai dizer isso, nem hoje, nem nunca. Até porque não existe pé no ouvido, não é mesmo? 

Gargalhada maligna

Há três semanas eu fui ao banco fazer um depósito para meu irmão, que não poderia ir porque tinha de ficar cuidando dos meus sobrinhos. Até aí, tudo, bem. Afinal, nada de interessante pode acontecer em uma fila enorme de um banco de uma cidade que mais parece um vilarejo do século XVIII, certo? Errado.
Então estava eu já há cerca de uma hora numa fila de um banco esperando que o atendente - que parecia fazer cover de Clark Kent - me chamasse quando, de repente, uma velha horrorosa acompanhada de sua filha - contadora, como ela própria fez questão de repetir ao menos quinze vezes durante seu papo randômico - começou a puxar conversa com um cara que estava à minha frente e que - juro pra vocês - parecia ter saído de um filme de terror, tipo... Nosferatu.
E essa é a versão resumida da ópera, senhores:

Velha de olhos esbugalhados diz: Ah, era só o que faltava mesmo, esperar mais de uma hora em uma fila de um banco desses. Minha filha que é contadora que deveria trabalhar aqui e não esse cara incompetente que não faz nada direito.
Nosferatu diz: Né? Não aguento mais isso. Incompetência é pouco. Eles deveriam morrer.
Velha de olhos esbugalhados diz: Esses dias eu estava em uma agência e uma guria estava me atendendo e disse que eu deveria esperar um pouco mais, talvez sentada por ser idosa. Então eu disse pra ela que ela não tem respeito com os mais velhos e que iria processá-la e que minha filha, que é contadora, sabe mais do que ela.

Confesso que, nesse ponto da conversa, eu só pensava em como seria legal se eu estivesse num jogo cujo objetivo fosse tirar a cabeça de pessoas incômodas ao fio da espada, cuja recompensa, ao fazer isso, seria chegar ao bendito fim da fila.

Nosferatu diz: Com certeza! Essa gente é muito mal educada.
Velha de olhos esbugalhados diz: Sim, eu vou bater nesse gerente daqui a pouco que não entende nada. E tu, guria, não está revoltada com isso? Vamos lá reclamar com eles?

Foi aí, senhores, após ela se dirigir a mim e querer que eu fizesse um tipo de motim no banco, que eu simplesmente virei para trás calmamente, olhei a velha com a cara mais psicopata do mundo, de cima a baixo, virando para a frente novamente e sem falar nada.

Velha de olhos esbugalhados diz: Tu viu, filha? Onde já se viu, essa guria esquisita, mal arrumada, se dar no direito de não me responder? Que pretensão a dela! Quem ela acha que é? Afinal, tu é uma contadora e eu sou uma idosa, ela deve respeito a nós, que somos suas superiores.

Então, senhores, eu, que detesto escândalo e me apego ao direito de não responder a pessoas idiotas, ignorantes ou mal-educadas, simplesmente dei uma gargalhada maligna extremamente alta e mantive a cara de psicopata por um bom tempo, com aquele sorriso de Monalisa no rosto.
Quanto à velha, sua filha - contadora - e o Nosferatu? Não falaram nada. Só ouvi alguns cochichos que diziam mais ou menos o seguinte:
"Das duas, uma: ou é louca pra rir quando alguém xinga ela ou é psicopata e vai nos seguir até em casa e nos matar. De qualquer forma, é melhor não discutir com esse tipo de gente, afinal, nunca se sabe." 

Das vergonhas bobas

Às vezes me bate uma vontade danada de deletar mais da metade dos meus escritos e recomeçar, deixando apenas essa nova e melhor fase aparente. Porém aí penso: seria sacanagem eu fazer isso porque os escritos passados retratam outra parte de mim, talvez uma parte ora frágil, ora revoltada, ora sonhadora, ora melancólica, mas ainda assim sou eu.
Quer dizer, de onde vem esse sentimento que é um misto de vergonha com repulsa? Sim, neste blog estão relatados vários dias da minha vida, e não me orgulho de todos. Não me orgulho de muitos textos que escrevi para pessoas que me magoaram depois, pessoas que não mereciam. Porém, hey, essa é quem eu sou: sou intensa. Quando amo alguém, eu realmente amo pra valer. E falo sobre. Assim como quando odeio. Quer dizer, odiar não, porque na verdade eu não odeio ninguém, mas quando pego nojo de alguém, get out of my way. Eu não deveria me envergonhar por isso, mas às vezes o faço.

Já escrevi para três (ex) namorados, já escrevi para amigos, para família, para mim mesma e sobre mim mesma. Já escrevi sobre pessoas que nem conheço, sobre sentimentos que nunca pensei ter, sobre irracionalidades que às vezes me tiram o sono, sobre os amigos virtuais que conheci nesse tempo de blogueira, sobre minhas manias mais estranhas, meus medos mais sombrios, minhas carências noturnas, meus traumas, minhas alegrias, meu sarcasmo eficiente, meu deboche pela vida e minhas motivações.

Que tipo de pessoa eu serei se me envergonhar de mim mesma, do meu passado? Seria o tipo de pessoa que não pretendo ser. Até porque provavelmente um dia eu vá me achar uma boba pelo que escrevo hoje, não é mesmo?
Como cantou Angra: "Carry on, it's time to forget the remains from the past to carry on." ♪

Carry On by Angra on Grooveshark

Complexo de Helen


Se há algo do qual eu tenho certeza na vida é isso: se minha sorte para os estudos, pesquisas e tudo o mais na vida é enorme, o inverso acontece em relacionamentos. Isso é bem certo: eu posso estar na rua, no centro de Porto Alegre, com o local lotado, eu sempre vou ficar atraída pelo cara mais problemático que houver no recinto, mesmo que eu não saiba. Parece um radar que funciona para captar o que há de "estranho" na sociedade. Verdade.

Se eu gostar do cara, pode saber: algo de errado ele tem. Ou uma rara condição genética, ou sérios problemas psicológicos, ou é masoquista (se corresponder, com certeza é masoquista), ou apenas algum cara de alguma seita sinistra que acha que se corresponde com Bela Lugosi durante algum ritual. É.

Mas meu gosto às avessas não é apenas para a personalidade, não. Também funciona para a aparência. Sabe aquele cara bonitinho, arrumadinho, todo social, cabelo com gel, naquele topete bonito (nada de cabelo colorido, pelamordedeus, muito menos nada imitando Neymar), ou qualquer carinha que pareça, digamos, o Drake Bell (ele existe?)? Então, desses eu fujo. Literalmente. Se eu for contar das vezes que já saí correndo rua afora ao levar uma cantada de um cara desses, o texto vai ficar longuíssimo.

Agora, se aparecer um cara com o estilo dos personagens dos filmes do Tim Burton ou algo parecido, pode saber: estarei gamada. Se ele tiver nariz comprido e fino, cabelo preto e uma expressão cabisbaixa (além de ser magrelo, por favor), já era: encantei.
E isso tudo para desgosto da minha mãe, que só falta excomungar meus pretendentes.

Mais uma vez a Helen, do livro Melancia (cuja resenha irá sair logo), mostra que se assemelha muito comigo até nisso. Esse é um trecho do livro onde está descrito um dos pretendentes dela:
"Ele era desengonçado e magricela, e circulava em toda parte vestindo preto o tempo inteiro e o ano todo. Mesmo no auge do verão, usava um sobretudo preto, quilômetros maior do que ele, e grandes botas negras. Seu cabelo cheio era pintado de preto e ele jamais me olhava nos olhos. Não falava muito e, quando o fazia, era geralmente para discutir métodos de suicídio. Ou para falar de cantores de bandas obscuras que haviam se matado.
Em ocasiões como o Dia dos Namorados ou o aniversário de Helen, pelo menos um buquê de rosas negras seria entregue, da parte dele. Cartões feitos à mão chegavam pelo correio, com desenhos muito vívidos de corações partidos e sangue, ou então uma única lágrima vermelha. Terrivelmente simbólico."
pág.: 131 e 132 
Não há um cara por quem eu tenha me interessado que não siga essa linha. Sempre, sempre os problemáticos! Meu problema? Provavelmente o fato de eu ser sádica faça com que eu me interesse pelos masoquistas.
Porém ainda tenho esperanças, senhores.  Mesmo que sejam fajutas. 

monossilábica

Ultimamente ando monossilábica. Isso porque minha mente está a todo vapor e eu tenho impressão de que se eu começar a falar/escrever o que penso, acabarei no lançamento do meu próprio livro, dando autógrafos para pseudo-cults e tentando responder às perguntas do povo sobre o que se trata o livro, às quais eu apenas responderia: é um livro sobre nada e coisa nenhuma.
É, eu preciso relaxar.

relaxar; como se isso fosse possível agora. 

Durante o jantar de segunda...

Estava eu lendo durante o jantar - como sempre, by the way - quando minha mãe disse:
- O que você está lendo?
- Um livro.
- Qual?
- Melancia.

Ao perceber que ela ficou com uma expressão de "que raio de livro é esse que tem nome de fruta?", decidi ler um trecho para ela.
"-Helen quer apenas fazer com que ele se apaixone por ela. Depois, ela o atormentará por algum tempo. E, em seguida, ela o jogará fora - disse mamãe. - Ela é sempre assim. Mesmo quando criança era assim. Durante meses, antes do Natal, ela nos atormentava querendo uma boneca e uma bicicleta. E ainda não tínhamos acabado de comer o peru e ela já quebrava tudo o que o Papai Noel lhe trouxera. Só ficava feliz quando destruía tudo. Cabeças e pernas de bonecas e correntes e selins de bicicleta para todos os lados, ali mesmo. Quem tropeçasse neles quebraria o pescoço.
- Não é uma maneira muito simpática de falar sobre Helen - disse eu.
- Talvez não - disse mamãe, com um suspiro. - Mas é a verdade. Eu a amo, e ela é na verdade uma boa moça. Só precisa amadurecer um pouquinho mais. Bem, amadurecer um bocado, eu acho."  
Assim que terminei de ler esse trecho, minha mãe - que havia ficado quieta e me observado atentamente durante a citação - falou:
- Você escreveu um livro sobre si mesma? Ou escreveram sobre você?
- Sou tão má assim com os garotos, mãe?
- Não. Você é um pouquinho mais malvada.

Então eu dei aquela minha gargalhada irônica de sempre e continuei a leitura em meu quarto, afinal, não posso dizer que mamãe está errada: eu realmente sou assim. E o era com meus brinquedos, exatamente assim.
É, há coisas que não mudam.  

Pelo direito de ser diferente

Ontem eu fui dormir pensando: "calma, garota, respira fundo, engole essas lágrimas e siga em frente; não é a primeira vez que você será julgada e mal-entendida e nem será a última, apenas mande todo mundo se danar e cuide de você."
E foi o que eu fiz.

Sempre fui diferente. Não por querer ser, mas por apenas ser. Eu sou sim a guria que sai cantando no meio da rua, no meio do corredor da escola, no meio da aula, que faz coreografias esquisitas pra tudo, que debocha da vida como se ela não pudesse piorar mais ainda, cujo sobrenome poderia ser "sarcasmo" ou "ironia" e ninguém estranharia.

Sou a guria que quase morreu de anorexia, bulimia, trauma psicológico, colesterol congênito e uma breve tentativa de suicídio. A que quase morreu assassinada por pessoas da igreja que se diziam cristãos eliminando o demônio da congregação. A que teve de aguentar muitas vezes calada a afrontas ridiculamente perversas apenas porque nenhuma alma viva apareceu para defendê-la. A que se importou demais e se ferrou por isso. A que aprendeu a ser fria, direta e irônica para que os baques da vida não doam tanto.
Sem expectativas, sem decepções.

Sou aquela guria que engordou por compensar dano emocional em comida, mas também sou aquela que em um ano emagreceu 21 quilos e provou ser capaz de se recuperar. Aquela que assumiu um look estranho, despojado, sem definição e que mandou todo mundo que queria mudá-la se ferrar, porque ela não faz parte deles.
Ela anda no meio deles, mas ela não é uma deles.

Aquela que assume ser queenie, cuja referência de vida é Freddie Mercury e que - andando na contramão da moda - fala abertamente que detesta a moda que virou Nirvana, pirigóticas e pessoas metidas a roqueiras depressivas que se acham melhor do que as outras. Aquela que se dá melhor com ateus do que com gente de fé. Aquela que tem pouquíssimos amigos, e, se for parar para pensar bem, talvez nenhum com quem ela realmente possa contar, mas que encara a vida com um sorriso sarcástico pra toda essa gente estereotipada.

Aquela que sonha em ser jornalista investigativa, que passou na fase das Olimpíadas de Matemática, que é considerada uma nerd diferente por não gostar de videogames, cultura japonesa e afins, mas que vive fazendo pesquisas históricas e científicas por diversão, e cuja série preferida é House.
A que vive em seu próprio mundo, um mundo muitas vezes solitário e mais literário do que real, mas que apenas quer o direito de ser diferente, que luta pelo direito de ser ela mesma - seja lá quem ela for.

Aloha by Legião Urbana on Grooveshark

Queenies entenderão

Ontem foi aniversário do Freddie Mercury (ou seria caso ele ainda estivesse vivo), e eu não poderia deixar de comentar isso por aqui; happy b-day, Freddie, você faz falta nessa geração esquisita - não que você não fosse esquisito, você era, mas ao menos não era esquisito do tipo "tenho um guaxinim morto na minha cabeça" ou "olhem pra mim, sou roqueiro porque uso preto e escuto Nirvana!".


We all miss you. ♪

Incerto? Muito pelo contrário.

Desde pequena sempre fui uma pessoa extremista: ou tenho uma reação exacerbada ou reação nenhuma, e na maior parte das vezes a minha reação é intensa - não no sentido escandaloso da palavra, mas no sentido de ir além da superfície. Porém essa regra não se aplica a tragédias.
Quando algo ruim acontece com alguém próximo a mim, eu congelo. Não, não é uma expressão apenas: eu literalmente fico gelada e parada, sem esboçar reação nenhuma por um bom tempo. E eu sei lidar bem com isso, afinal, após dezoito anos sendo assim - e sendo chamada de "prática" durante tragédias pelas pessoas que não me conhecem o suficiente -, aprendi a lidar com esse comportamento da melhor forma possível.
Ao menos, eu era assim até ontem.

Ontem, ao chegar em casa, recebi a notícia de que minha amiga mais querida havia sofrido um acidente, quebrado a clavícula e a mandíbula e sei lá mais o quê, e que - apesar de estar viva ainda - estava muito mal. Claro que na hora eu congelei, não consegui processar aquilo e pensei nas medidas práticas a se tomar - como falar com os professores, avisar amigos, essas coisas. Estava em estado de choque, mas como estar em estado de choque é meio que normal para mim, nem atentei para isso. Fui dormir e, de repente, acordei de madrugada e comecei a chorar. Chorei copiosamente pela Renata, por mim e pela incerteza da vida.

A Rê e eu
Refleti durante a madrugada em como a incerteza da qual todos falamos não é tão incerta assim. Nós sabíamos que algo estava para acontecer. Dava para sentir, só que não atentamos para tal. Porém, mesmo que não sentíssemos aquela força estranha, ainda assim as coisas não são tão imprevisíveis, pois tudo faz parte do destino e tudo é passível de virar realidade.
Ao pensar nisso, senti uma tristeza tamanha que me tirou as forças. Porque a Renata é tão nova (15 anos, gente) e tão querida... ela não merecia isso. Não que alguém mereça (okay, há quem mereça, mas enfim...), só que dentre todas as pessoas que eu conheço, ela é uma das únicas das quais não faz nexo algum sofrer desse jeito. Pensem em uma pessoa querida e que sempre se preocupa mais com os outros do que consigo própria. Pensaram? Pois bem, essa é ela.

Quer dizer, se fosse comigo eu estaria péssima, agradecida por estar viva, porém, péssima, mas entenderia, afinal, eu não sou um amor de pessoa. Porém eu não entendo. E tudo o que eu penso agora é: e se ela tivesse morrido, será que deu tempo de ela ser feliz de verdade ou ela ficou se importando demais com os outros ao invés de si mesma?
As coisas não são tão incertas assim. A gente é que se acha meio imortal porque vemos tudo apenas com nossa própria perspectiva. Isso contribuiu para que eu reforçasse o que já venho fazendo: forget your troubles, come on, get happy, get ready for the judgement day...
E eu descobri que ainda tenho um coração e que ainda posso sentir e muito pelos outros.
Pessoal, sei que vocês não conhecem a Renata, e também sei que muitos de vocês são ateus ou agnósticos (ou mais uma variedade de crenças que existem por aí), mas se puderem incluí-la em suas orações e pensamentos positivos, eu realmente agradeceria. Ela precisa de apoio agora, e, sinceramente, eu também, porque não posso dizer que isso não tenha me abalado. Thanks. 

Ted Mosby estava errado


Eram 03:45 hrs da madrugada de quinta para sexta e eu estava em uma daquelas conversas intermináveis com o Mike (sim, o ex¹). E foi aí que ele disse:
- Hey, eu só durmo com uma canção de ninar.
- Fala sério, guri. Tá, então imagina que eu estou cantando alguma música do Queen aí e durma feliz.
- Não, eu vou te ligar.
- Mas agora?
- É. 3, 2, 1, foi.

E eu atendi. Sim, ele realmente ligou, pessoas, aquela hora da madrugada. Sim, pessoas, ele me fez cantar uma canção de ninar para ele às 04:00 hrs da manhã. Eu me senti no filme "Sim, senhor", onde a Zooey Deschanell tem esse estranho relacionamento com o Jim Carrey e ele diz "sim" para tudo. Melhor ainda: me senti a Zooey sendo a Jess em New Girl. Agora, o melhor de tudo, pessoas, é que eu cantei Beatles.
Deixa eu repetir em slow motion: eu cantei Beatles no telefone às 04:00 hrs da manhã para meu ex¹ com quem eu não falava há tempos. Preciso dizer mais alguma coisa?
Eu nem gosto de Beatles tanto assim!

Historinha idiota: cantei Beatles porque a droga da música deles é mais grudenta do que chiclete e a minha mente não pára de cantarolar Hello Goodbye há uma semana, desde que me apresentei na escola (o que não fazemos por 10 pontos?) cantando essa música em frente à uma turma entediada. (Aliás, estou devendo um vídeo dessa apresentação, mas terá replay, aí eu postarei aqui)
Então, senhores, Ted Mosby estava completamente errado, porque eram mais de 02:00 hrs da manhã e o que aconteceu foi um daqueles momentos mágicos que você guarda para o resto da vida e no qual você se sente em um daqueles filmes bobinhos de comédia romântica.
Quer dizer, isso foi até eu deitar e ter pesadelos. Mas aí é outra história...
Vocês viram a nova tag do Narciso Prostituído? Não? Então vejam lá, porque eu escrevi um texto super polêmico para a estreia da mesma.