A queda de Atlântida - A teia de trevas

A teia de trevas
Marion Zimmer Bradley
Círculo do Livro
214 páginas
Ano de publicação: 1983 
Sobre o que é: Micon finalmente chegou ao seu fim, Domaris tá arrasadíssima com uma cria nos braços e Deoris ficou 100% nem aí, passando todo seu tempo com Riveda, o Túnica Cinzenta. Deoris é burra de uma forma quase impossível de compreender e acaba caminhando pelas Trevas numa obediência cega, tudo por amor a Riveda, esse maluco que só queria conhecimento e não se importava com ninguém. Coisas que desequilibram a balança de Luz e Trevas acontecem e tudo fica bem tenso, com as leis do carma agindo loucamente sobre todo mundo. 

AVISO DO AMÔ: Este livro é a 2ª parte de A Queda de Atlântida, cuja 1ª parte já está devidamente resenhada aqui. ♥ 

Por que ele é bom? Porque finalmente as Trevas aparecem, a Lei do Carma dá uns tapões escangalhados na cara de todo mundo e os dez reinos de Atlântida começam a cair. Não tem como entender por que Atlântida caiu sem ler esse livrinho. 

Fora que em A teia de Trevas, a gente passa a conhecer melhor Riveda e a entender por que diabos ele foi tão escroto e cruel. Na real, o cara só queria conhecimento, era nerd antes disso ser incrível, e se aliou às Trevas pra poder conhecer tudo - inclusive o que a Luz tinha medo de olhar. 

Riveda é um personagem bem complexo e perturbadinho, mas acho que Deoris ganha dele nesse quesito, e eu adorei muito isso porque a dona Deoris se tornará, após algumas reencarnações, Morgana (de As Brumas de Avalon). E dá pra perceber direitinho o que a fez ser tão irritante em todas as suas vidas e como ela tem de lidar com seu carma sempre vivendo situações escrotas over and over again, até expiar todo o mal que causou. 

Também nos é explicado como o laço cármico sempre uniu Domaris e Deoris (Viviane e Morgana, respectivamente) em todas as suas vidas e durante toda a série Avalon. 
Era o mais sagrado dos rituais; elas se consagravam à Deusa-Mãe de encarnação para encarnação, de era para era, por toda a eternidade, com o juramento que as unia e a seus filhos, de forma inextricável, uns aos outros… uma união cármica, vida após vida, para sempre. (p. 106) 
Por que ele é ruim? Porque eu sou uma alminha perturbada que não gosta de romances, casais, declarações de amor. Mas não há muito disso aí, então tudo bem. 

Se eu recomendo a leitura? Se ryca eu fosse, já teria enviado toda essa série pra cada um de vocês, mas como ryca não sou apenas recomendo fortemente por aqui que vocês pesquisem em livrarias, sebos ou em bibliotecas onde é que tem esses livrinhos incríveis - ou qualquer um da Marion. LEIAM!!!! 

Em um quote: 
Em outros tempos, eu nos vejo dispersados, mas voltando a nos reunir. Vínculos foram forjados nesta vida que nunca poderão nos separar… a nenhum de nós. Todos apenas se retiraram de uma única cena de um drama terminando. Vão mudar… e permanecer os mesmos. Mas há uma teia… uma teia de trevas envolvendo a todos nós e, enquanto o tempo existir, nunca poderá ser afrouxada ou desfeita. É o carma. (p. 206) 

Sábado é dia de dormir, caramba!

O 3° semestre de Jornalismo começou e, com ele, também os trabalhos em grupo. Que alegria, que satisfação. Trabalho em grupo é um dos meus infernos particulares, isso porque as pessoas parecem não ter equilíbrio algum neles: ou não fazem absolutamente nada ou surtam loucamente e viram miniditadores dispostos a arrancar teu pescoço porque onde já se viu ter uma vida fora da faculdade, não é mesmo. Que audácia. 

Coleguinha louca do cy tava fazendo trabalhinho comigo que consistia em ler um texto tranquilo de apenas 4 páginas e falar sobre ele pra turma, dali a uma semana. Isso era uma sexta-feira. Namorado me buscou na faculdade e fomos pra casa dele ver A Montanha Sagrada - inclusive, melhor filminho ♥ Sábado pela manhã, acordamos ao som histérico de mensagens e mais mensagens no celular. Fui olhar pra ver quem tinha morrido, e... 56 mensagens da coleguinha. Sobre o trabalho. Às 8h. 


Parâmetros da normalidade, cadê?!


Aí eu disse, né. Disse que bem capaz que ia enviar coisa e fazer slide no fim de semana, sendo que nem em casa eu estava e faltava uma semana pra apenas ler 4 páginas e falar a respeito pra turma. A menina disse okay e, em seguida, me enviou SLIDES DO TEXTO!!!!!!! NO SÁBADO!!!!!!! PELA MANHÃ!!!!!!!!! NA PRIMEIRA SEMANA DE AULA!!!!!!! Fiquei qqqqqqqq/, mas okay, né, vida que segue. 

A segunda-feira, ela sempre chega, e pra mim não foi diferente. Ela chegou chegando com a menina me cobrando coisas loucamente pra fazer sliiiiiides, sendo que ela já tinha feito 10 slides - não sei de onde tirou tanto texto pra colocar lá, afinal, 4 páginas pequenas apenas, mas okay - e sei lá o que mais queria colocar naquele troço. Mas me concentrei e fiz a leitura do textinho, anotando comentários pra falar na apresentação. 

Porém, eu trabalho o dia inteiro: saio de casa às 5h30 e volto apenas à meia-noite. Não é como se eu tivesse muito tempo livre pra o surto próprio, que o fará pra o alheio. Aí que foram passando os dias, ela me encontrando nas aulas e me cobrando e eu dizendo que, olha, tá tudo sob controle, relaxa, eu já li o texto, agora é só apresentar. 

Na véspera da apresentação, à meia-noite, assim que finalmente havia chegado em casa e tava pegando o meu jantar pra conseguir comer e ser feliz, a menina faz o quê? Isso mesmo, ela manda trocentas mensagens enchendo o saco pra eu fazer ainda mais slides.


Como eu estava em dias vermelhos, estressadíssima e mega cansada, fiz o que já deveria ter feito desde o início: mandei tomar no cy e disse que não ia fazer coisa alguma e que aquilo não era hora de ficar mandando mensagenzinha pra uma pessoa que ela viu pouquíssimas vezes na vida e que já tinha deixado bem claro que, olha, não é assim que a vida funciona.

O que a menina fez? A menina ficou LOUQUÍSSIMA, injuriadona, e decidiu mandar um "você não tem intimidade pra falar isso pra mim". UÉ. E me mandou sair do grupo. UÉ DUPLO.

~sarcasmo, quem curte~
Eu disse a ela, no maior autocontrole, que se ela continuasse nesse ritmo de stress por algo que já estava resolvido, por um trabalhinho simples que já estava pronto, como diabos ela estaria quando chegasse o final do semestre, com suas trocentas provas semanais? Nisso, a menina começou a dizer que eu não fiz nada no trabalho, que eu deveria sair do grupo porque claramente era desequilibrada e que ela não suporta gente que não tem intimidade com a pessoa e sai falando coisas pessoais.

Fiquei me questionando: o que teria sido pessoal nessa conversa?
a. o fato de eu ter mencionado que ela me acordou numa madrugada de sábado pra falar sobre slides de um trabalho que era apenas de leitura e explanação oral?
b. a obviedade de que ela vai ter um ataque cardíaco se continuar nesse ritmo frenético desde a primeira semana de faculdade?
c. a parte em que revelei meu horário de sono, dizendo que iria dormir e chega disso?

São questões.

No outro dia, ela agiu como se nada houvesse acontecido e apenas disse ao nosso colega, que estava no tal do grupo conosco, que havia discutido comigo. Levemente. Mas estava tudo bem.

Acho que ela esqueceu a parte em que disse pra eu sair do grupo e fez textão à meia-noite e pouca no whatsapp porque INTIMIDAAAAAAAAAAAAADE.

Depois, quando eu digo que não gosto de pessoas, ninguém entende. Mas pessoas, pessoas surtam loucamente sem motivo algum e não deixam a pessoa dormir, enviando trocentas mensagens desnecessárias pra algo que já estava completamente resolvido.

Affs, me deixem fazer tudo sozinha que eu me viro. 

A queda de Atlântida - A teia de luz

A teia de luz
Marion Zimmer Bradley
Círculo do Livro
202 páginas
Ano de publicação: 1983 
Sobre o que é: certo dia, um cara chamado Micon, príncipe de Ahtarrath, na Atlântida, chega todo estropiado a um Templo da Luz e é atendido pelo Arquisacerdote da Luz, Talkannon, mas logo acorda de sua espécie de coma e vira amiguinho de outro Sacerdote, Rajasta. Micon tá todo ferrado porque os Túnicas Negras, magos do mal, o raptaram e o torturaram, o deixando com as mãos desfiguradas e cego. Porém, ele ainda tem a Visão, a conexão do Sacerdote com a Luz. O cara tenta se recuperar, evitando a morte através do absoluto controle, e nisso conhece Domaris, a jovem acólita e quase sacerdotisa que serve no Templo, e sua irmã Deoris, a menina que tem treinado seus talentos pra descobrir o que raios será, mas que por enquanto serve como escriba de Micon. Coisas acontecem, as Trevas se aproximam e tudo fica mais bizarro a cada dia. 

Por que ele é bom? Por motivos de Atlântida? Magia? AS TREVAS E A LUZ????? A QUEDA DE ATLÂNTIDA, MELDELS!!!!!!!!! Okay, eu entendo que nem todo mundo fique animado apenas em ouvir essas palavras, porém mesmo que você não curta muito fantasia, A teia de luz será incrível. Marion Zimmer Bradley tinha uma maneira única de escrever fantasia, sem ser apelativa, mas chamando atenção o suficiente para prender o leitor por páginas e páginas.

Se o enredo de Sacerdote da Luz cego e atormentado lutando contra os Magos das Trevas não lhe convenceu, deixa eu dizer uma coisa: quando a Marion escreveu As Brumas de Avalon, ela já havia escrito esse livro, porém não tinha achado uma editora que quisesse publicá-lo. Anos depois, já famosa pelas Brumas, ela decidiu revisar a história, separar o livro em dois volumes - A teia de luz e A teia de trevas - e publicá-lo como o início da história que daria origem às personagens das Brumas. Como isso? Simples assim: TODOS os livros dela trabalham com o conceito de reencarnação e as personagens são, em geral, novas encarnações de outras. Domaris e Deoris, as irmãs de A teia da luz, por exemplo, se tornaram, n'As Brumas, Viviane e Morgana, respectivamente. ISSO NÃO É DEMAIS? Sinceramente, é o que eu mais gosto na saga Avalon.

"Mas eu preciso ler todos os livros de uma saga gigantesca pra entender a história? Affs, é muita coisa, não quero." Alto lá que eu não disse isso. Se você quiser ler só As Brumas, leia. Não é necessário um complemento. Se quiser ler apenas A Queda de Atlântida, nada lhe impede: a história é completa por si só. No entanto, se quiser ler tudo você total será conquistado por essa história maravilhosa. ♥

Por que ele é ruim? Talvez porque há todo um romance e uma questão bem complicadinha envolvendo parir uma criança. Isso é ruim? Olha, há discordâncias. Mas pra quem não gosta de romances, como eu, essas partes podem ser meio blergh. Porém, não atrapalham de forma alguma a narrativa e até mesmo eu, que sou tipo o grinch dos romances, não me senti incomodada porque o casalzinho em questão - que não será revelado porque isso é uma surpresa e tanto! - não é do tipo meloso, grazadeusa.

Se eu recomendo a leitura? PRA JÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Em um quote:
Nossos destinos tecem as suas teias e nossas ações geram os frutos que semearam. Aqueles que se encontraram e amaram não podem ser separados; se não se encontram nesta vida, encontram-se na outra. (p. 32)
 
Wink .187 tons de frio.