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14 agosto 2018

Eu não sou uma pessoa particularmente musical. Já fui mais, na época em que tinha uma banda e cantava por aí; minha vida era basicamente música, música e mais música e era bem bacana. Eu era realmente boa nisso e só não continuei porque um dia acordei e puf, simplesmente a vontade não estava mais lá. Só que eu ainda gosto bastante de ouvir música, especialmente quando vou ler ou escrever (fazer essas coisas com o doce som das pessoas tagarelas e barulhentas à volta é um dos meus infernos pessoais, então uma boa playlist sempre ajuda - inclusive, escutando Ocean Rain, de Echo & the Bunnymen agora). Porém, como toda boa criança cujos irmãos são mais velhos e total dos anos 90, fui criada no meio artístico cheio de bandas e instrumentos musicais em casa, ensaios de covers e originais e muitos clipes antigos e estranhos. Então, dá pra dizer facilmente que metade da minha personalidade foi formada através da música que rolava lá em casa durante a minha infância.


Mas tem duas coisas às quais eu não resisto: livros sobre viagens no tempo e livros sobre música. O primeiro por motivos óbvios de MEU DEUS VIAGEM NO TEMPO QUE SONHO QUERO DEMAIS. É um dos meus sonhos desde criança porque o passado é uma coisa doida (não que o presente não seja, mas relevemos) e sempre tive a maior vontade de viajar pra lá pra poder ver as coisas de perto - inclusive, tenho listinha de lugares, momentos e pessoas do passado que eu gostaria de visitar Ó PESSOAL DA FÍSICA, CÊS TÃO PERDENDO UM GRANDE MERCADO AÍ. O segundo porque: música, que coisa incrível. Não sei como foi que se construiu toda a nossa cultura musical, mas é certo que a música é uma das melhores coisas da humanidade e a capacidade que ela tem de totalmente transformar os nossos dias e as nossas emoções é algo lindo demais, então se tem algo escrito sobre música eu total vou ler porque bora conhecer coisas novas.

E aí que tem esse livro, no qual tô de olho desde o lançamento, que mistura as duas coisas: VIAGEM NO TEMPO E MÚSICA. Pra ser mais exata, viagem no tempo pra ver shows de bandas de rock.

Obviamente assim que finalmente o achei, o levei pra casa pois necessário demais. E ó, melhor decisão, pois que livrinho maravilhoso.

30 e poucos anos e uma máquina do tempo
Mo Daviau
304 páginas
Rocco
Ano de publicação: 2017
Encontre na Amazon 

Sobre o que é: Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade, descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.

Claro que, lendo essa sinopse, pensei que o livro fosse mais um sobre dois caras meio babacas que vivem naquelas de beber, lamentar o passado, beber mais e tentar pegar mulheres do que sobre viagens no tempo. Mas dei uma chance mesmo assim porque VIAGEM NO TEMPO, midesculpem, mas amo demais mesmo, risos. E fui surpreendida de uma forma que realmente não imaginava que seria.

O livro começa com bem aquilo que eu imaginei pela sinopse: dois amigos de meia-idade com vidas super fracassadas e que ficam se lamentando enquanto bebem todas e ficam relembrando o tempo que já se foi. Mas aí um dia o Karl cai dentro de uma espécie de buraco de minhoca que simplesmente apareceu dentro de sua casa e aí se vê voltando pra o passado!!!!

É aí que tudo começa. Ele conta a proeza pra seu amigo, Wayne, que é um físico e o cara já se anima todo pela possibilidade de voltar ao passado e cria um esquema pra que se possa viajar de forma segura, com a certeza de um retorno através de um app no celular (SIM, QUE COISA MAIS INCRÍVEL, EU SEEEEEEEEEI). Porém, logo eles estabelecem regras: o buraco de minhoca é secreto; apenas alguns clientes do bar e amigos dos tempos de rock poderiam usá-lo para viajar no tempo; as viagens seriam programadas por eles e seriam apenas e tão somente para assistir a shows de rock; quem quisesse assistir a um show do passado teria de pagar muito bem por isso.

Porém, um dia Wayne decide que sua vida não faz sentido: ele tem muito dinheiro, um bom emprego e tudo de que precisa, mas ainda assim é infeliz. Então, decide fazer algo significativo: voltar no tempo e impedir o assassinato de John Lennon. Ele acredita que o mundo seria um lugar melhor com Lennon vivo e se manda pra o passado pra salvá-lo, apesar dos protestos do Karl.

"Sentei ao computador e olhei fixamente para a interface do buraco de minhoca que Wayne havia criado. Ela parecia com Pong. No campo de PONTO DE ENTRADA CRONOLÓGICO, digitei 08 DEZ 1980, e entrei rua 72 com Central Park West, Manhattan, no campo de PONTO DE ENTRADA GEOGRÁFICO. Digitei lentamente, olhando para Wayne para que ele soubesse que as coisas iam ficar bem feias entre nós, independentemente de ele ser ou não bem-sucedido em salvar John Lennon. Essa merda de justiceiro me deixava com raiva. Certo, digamos que Wayne salve John Lennon, e depois? Estaríamos obrigados a matar Hitler, libertar os escravos, inverter as eleições de 2000, e socar o saco de cerca de 50 milhões de bullies em escolas primárias." 

Só que algo dá errado e aparentemente Wayne não foi parar no momento do assassinado de John Lennon, mas sim no ano 980, ou seja, MIL E TRINTA ANOS NO PASSADO.

"Novecentos e oitenta. Mais de quinhentos anos antes de o primeiro barco de colonos holandeses desembarcar na ilha de Mannahatta. Não há registro na história americana para o ano de 980. Ainda se passariam mais cem anos antes da chegada dos vikings em Newfoundland." 

E agora, o que fazer? Como houve esse erro ridículo, Wayne não pode voltar, pois o app que permite as viagens no tempo necessita de energia elétrica, o que obviamente não existia há mais de mil anos. A única coisa possível é procurar um outro físico que tente dar um jeito naquilo, mas isso levanta outros problemas: primeiro que o buraco de minhoca é secretíssimo; segundo que, mesmo achando alguém confiável pra revelar o segredo das viagens no tempo, ainda assim seria um grande obstáculo convencer a pessoa de que aquilo é real e não apenas uma grande pegadinha do malandro. E também não é como se o Karl conhecesse um monte de físicos por aí - ainda mais um que entenda especificamente dessa área tão desacreditada pela ciência.

Claro que Karl não é tão burro assim e faz o que todos nós faríamos: apela pra internet e vai à caça de um astrofísico em quem possa confiar. Mas "todos os alunos de Ph.D. em astrofísica na Northwestern estavam retratados no site do departamento em fotos mal iluminadas tiradas na tradição artística do departamento de veículos motorizados. Não havia jeito de aquele bando de caras extremamente sérios, fora de moda e de barbas malfeitas acreditar em mim quando eu lhes explicasse minha situação, e se eles acreditassem, iriam roubar minha operação e mandar me matar".  Quando estava quase desistindo da empreitada e deixando seu amigo lá no meio do mato de 980, ele se depara com a foto de uma aluna de Ph.D. de astrofísica que se destacava dos outros. Ela tinha um cabelo com mechas azuis, óculos de Buddy Holly e camiseta dos Melvins, olhando pra câmera com uma cara de Courtney Love. O nome dela é Lena R. Geduldig e Karl sabia que tinha encontrado a garota certa.

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Confesso que logo que ela foi introduzida na história, revirei os olhos e pensei AH PRONTO, porque só o que faltava começar o clichê da garota estranha, feia, gorda, mas muito inteligente, que vira de cabeça pra baixo a vida do protagonista porque o ensina a viver.

Só que esse livro foi escrito por uma mulher.
E livros de sci-fi escritos por mulheres não funcionam dessa maneira.

Todo aquele início acelerado, cheio de acontecimentos estranhos e impactantes, de que eu falei nos parágrafos acima não é nada comparado ao que acontece com a chegada de Lena à história. Karl, que até então era o personagem principal, tem de ceder lugar pra essa mulher inteligente e complicadíssima, ferida de tantas maneiras que nem consigo acreditar direito que a Mo Daviau tenha conseguido criar uma personagem tão verossímil.

30 e poucos anos e uma máquina do tempo é um livro de ficção científica, mas é muito, muito mais do que isso. É um livro que fala de coisas importantes que muitas vezes não são citadas na ficção. No centro de tudo está Lena, a jovem quase doutora em astrofísica que passou por traumas terríveis durante a vida, como a perda da mãe quando ainda menina, um pai relapso que casou novamente com uma mulher que não a aceitou, os problemas alimentares, o sobrepeso, o estilo underground quando isso era considerado ruim, um estupro que mudou completamente sua personalidade, a luta diária pra tentar seguir em frente e fazer o melhor possível. Lena é uma mulher real, com problemas reais e ver isso sendo retratado num livro de ficção científica é algo que realmente me deixou satisfeita. Por muitos anos eu deixei livros do gênero de lado justamente por sempre retratarem mulheres dentro de estereótipos de a ajudante burra, ou a personagem secundária que só aparece pra ajudar o personagem principal. Lena é introduzida no livro como uma ajuda pra Karl, mas ela rouba completamente a cena porque tudo acaba girando em torno dela. Ela é muito bem construída e seus dilemas são tratados como seriam no mundo real mesmo. Lena não vive num conto de fadas e esse não é um livro bonitinho.

"- Você podia lutar.
O lábio inferior de Lena começou a tremer.
- Sabe de uma coisa? Que se foda essa merda de 'lutar'. Por que eu tenho que lutar o tempo todo quando as outras garotas não? Você pega uma pessoa como eu, que foi tratada como lixo por praticamente todo mundo, e as pessoas acham que estão dando apoio quando dizem: 'Lute', 'Seja forte'. Mas o que eles estão realmente dizendo é que tenho que ser eu a mudar, não a outra pessoa, não o jeito como a sociedade funciona. Bom, eu não sou forte, e tenho uma inveja desgraçada das garotas que podem ser fracas, que conseguem tudo o que querem só ficando ali sentadas, sendo bonitas e burras. Vá se foder por me dizer para lutar." 

(Lena me representando totalmente com sua raiva de gente que quer ajudar, mas acaba piorando a situação com esse discursinho de ir atrás das coisas como se a gente já não fosse. A parte de falar que tem meninas bonitas que não precisam lutar pra conseguir as coisas não me agrada, mas são coisas que a gente fala na hora da raiva porque tudo parece ser tão fácil pras outras pessoas que dá raiva mesmo.)

A vida não é fácil pra Lena e a descoberta da possibilidade de viajar no tempo só complica tudo ainda mais, no entanto é Lena quem salva o dia afinal de contas - apesar de não haver um salvamento de fato, afinal esse definitivamente não é um livro bonitinho. Mas Lena é o ponto central e suas inquietações são o que provocam as mudanças que afetarão o mundo. Porém, até isso acontecer, ela enfrenta diversas dificuldades, especialmente por ser uma mulher gorda e doutoranda em astrofísica.

"Estou acostumada com os homens não gostarem de mim assim. Eles têm que estar em paz com a gordura, e muitos homens estão, mas quando descobrem minha cabeça, fim de papo. Ser ao mesmo tempo gorda e inteligente, e também mulher, é algo desencorajado em nossa cultura, mesmo nos departamentos de física de nossas universidades que valorizam os melhores cérebros, onde homens superam as mulheres na razão de dez para uma. É de se pensar que ter uma boceta e ser capaz de discutir as últimas descobertas sobre o Bóson de Higgs seria um plus, mas não é. Adicione trauma e perda, e você pode ver por que prefiro a vida de um robô." 

Ler esse livro foi como me olhar no espelho e ver como se eu seria se fosse uma personagem de ficção científica. Ele poderia ser dividido em duas partes: pra onde você iria se pudesse voltar no tempo? e quem você seria se pudesse mudar o seu passado?. A segunda pergunta é a mais relevante e provavelmente eu tomaria a mesma decisão da Lena, mesmo que isso alterasse drasticamente tudo, porque ter a possibilidade de mudar coisas essenciais que estragaram a sua vida pra poder ser uma pessoa melhor, e não alguém desgraçada da cabeça, é uma ideia tentadora. O livro inteiro é incrível e virou um dos meus favoritos, mas a Lena, a Lena realmente é algo especial. Se eu tivesse de recomendar essa leitura por algo além dela própria (VIAGEM NO TEMPO! ROCK! MAIS VIAGENS NO TEMPO!), usaria o argumento de que vocês precisam conhecer a Lena.


O livro, além de sci-fi, é sobre shows de rock, então é claro que ele tem uma playlist com as músicas e artistas citados. Clica aqui pra ouvir, só tem musicão. ♥ 
13 agosto 2018


Não é novidade pra ninguém que acompanha este blog que eu sou a doida das séries. Por algum motivo as pessoas me conhecem mais pelos livros que leio do que pelas séries que vejo, mas a verdade é que ambos ocupam o mesmo espaço no meu coração. Acompanho diversas séries e sempre tem alguma nova pra assistir, o que é ótimo. Mas, mesmo com o mundo das séries tendo tido um boom incrível nos últimos anos, ainda assim tem sempre aquelas que foram especiais e que terminaram e deixaram saudade. Umas tiveram finais até bem estruturados, mas mesmo assim fiquei com vontade de mais episódios. Portanto, vamos aproveitar este BEDA pra elencá-las. :) 

1. Penny Dreadful 


Preciso ser justa: a série foi toda maravilhosa, do início ao fim, e teve um desfecho muito digno. Talvez se tivesse continuado teria decaído em qualidade. Porém, como aqui não estamos falando de justiça e nem estamos em um jornal super sério fazendo altas críticas especializadas, posso falar com os sentimentos e dizer que: queria mais histórias. Penny Dreadful foi a melhor série de terror já produzida (não, Supernatural não é mais terror há muitas temporadas) e eu sinto uma falta danada dela. É fato que havia potencial pra explorar mais histórias naquele universo, mas acho que o motivo maior da falta que ela faz é que jamais me conformarei com o destino da Vanessa. VANESSA IVES MERECIA SER FELIZ!!!! Claro que o final ficou coerente com toda a série, além de lindíssimo, e eu não esperava nada menos, até porque estamos falando de uma série de terror, não de uma sitcom bonitinha, mas mesmo assim: ai. 

2. Merlin 


A essas alturas do campeonato, vocês já sabem da minha pequena obsessão pela lenda do Rei Arthur. Pois então, Merlin foi a melhor série já produzida sobre a lenda. Não tem série, não tem filme, não tem quase nada que a supere (não vou dizer que não tem livro porque tenho duas séries de livros sobre Camelot que ainda não li). Ela é linda, linda, linda, com todas as personagens das lendas, mas com uma roupagem tratando de questões atuais ao mesmo tempo em que fala da histórias que conhecemos (o mago Merlin ajudando o futuro Rei Arthur, Morgana tendo sentimentos conflitantes e sendo uma das personagens mais interessantes já criadas, os cavaleiros da Távola Redonda e o código de cavalaria...). O final foi aquele das lendas e foi até bem surpreendente, mas mesmo assim eu queria mais. Meu Merlin é a coisa mais lindinha do mundo e peguei um crush danado pelo Arthur (mas isso vai ficar pra o post das crushes fictícias hahaha). Sdds Merlin. Bem que poderiam fazer uma série boa de As brumas de Avalon, quem sabe ela suprisse a falta que Merlin faz? 

3. Cosmos 


Não tem nada de fictício nessa série, mas ainda assim ela é uma das minhas preferidas porque fala sobre O UNIVERSO! GALÁXIAS! ESTRELAS! OUTROS MUNDOS! NOSSO MUNDO! CONTEXTO HISTÓRICO! MAIS GALÁXIAS! Por mais que já haja bastante informação de divulgação científica na primeira (e única, lagriminhas) temporada, ainda tem muito mais coisa pra ser falada e mostrada, ainda mais com as descobertas científicas realizadas nos últimos tempos. Sim, eu sei que existe a versão original, com o Carl Sagan, e a nova, com o Neil, mas quero continuação porque ela nunca terá episódios suficientes. Mesmo. 

4. Desperate Housewives 


Essa é uma das minhas séries preferidas mesmo sendo considerada série de senhorinha porque MEU DEUS QUE SÉRIE BOA!!!! Quem ignora Desperate Housewives por achar que uma série sobre mulheres adultas com suas casas, maridos e filhos convivendo na (nem tão) pacata Wisteria Lane é algo chato está perdendo uma das melhores séries já produzidas. Ela durou muitos anos e realmente manteve a qualidade, com um final ótimo, mas - apesar de estar fazendo rewatch - às vezes me pergunto como estariam Susan, Bree, Lynette e Gaby agora. Não digo pra voltarem totalmente (apesar de que eu acharia ótimo), mas um revival num estilo Gilmore Girls já me faria feliz. 

5. Sleepy Hollow 


Nunca vou me conformar com o final dessa série porque foi um final aleatório pra uma série excelente. Se Penny Dreadful é a melhor série de terror já produzida, Sleepy Hollow fica em segundo lugar tranquilamente. A série é uma mistura de mistério, investigação, viagem no tempo (por meios não tradicionais, risos), aulas de história dos EUA, esoterismo e terror. Além de tudo isso, as personagens femininas são super destacadas em papéis que não são tão comuns para mulheres nesse tipo de produção (infelizmente). Era uma série que eu tinha gosto em ver toda semana, mas aí a atriz que fazia a personagem principal decidiu sair e, por conta disso, a última temporada foi completamente cagada - o que resultou no cancelamento. Não consigo aceitar aquele final e só queria que fizessem mais uma temporada, com o elenco original, pra poder finalizar a história de forma coerente, mas acho que isso vai ficar apenas na vontade mesmo. 

6. Selfie 


Eu nunca entendi por que cancelaram essa série, sinceramente. Por algum motivo não emplacou, mas ela tinha muito potencial. Basicamente, a série era protagonizada pela Eliza, uma mulher que hoje em dia seria conhecida como instagrammer (termo que não existia na época do lançamento). Pra ela, tudo se resumia a quantas curtidas recebia, quantos seguidores tinha e o que ela mostrava nas redes, não o que de fato era. Claro que, como toda boa sitcom, tem um romancezinho no meio e umas confusões ridiculamente legais, por isso mesmo não consigo entender por que foi cancelada. Acho que as pessoas se ofenderam com a crítica ao uso massivo das redes, mas justamente por isso a série faz falta. Bem que poderiam voltar com ela... 

7. Reign 


Não é que eu gostaria que Reign voltasse. É que a série, que conta a história romanceada da Mary Stuart, Queen of Scots (aquela mesma sobre quem estão produzindo um filme, prima da Elizabeth I etc.), teve um final meio nhé. Não o final EM SI como questão de roteiro, porque até que eles seguiram bem a história real, o que eu achei bacana, mas sim a forma como a última temporada foi feita. Foi tudo muito apressado, comprimido, e isso descaracterizou a Mary. Ela total merecia mais e acho que deveriam refazer essa parte porque eles simplesmente comprimiram anos de história em poucos episódios e tudo ficou bagunçado e confuso. 

8. True Blood 



Eu amo histórias de vampiros, gente. Fazer o quê. Mas acho as séries vampirescas bem ridículas. The Vampire Diaries é algo insuportável de tão dramático e meloso e chato. Prefiro Twilight, sinceramente. Mas aí, um dia, parei pra ver True Blood e foi puro amor. A abertura é simplesmente sensacional, as personagens são complexas e parecem reais, não apenas personagens idealizados. Fora que toda a mitologia da série é algo complexo e incrível que poderia rivalizar com Supernatural sem problemas. Mas aí eles colocaram um monte de seres bizarros e acabaram com a série. Sinto falta, uma das melhores sériezinhas sobrenaturais já produzidas. Aquele final foi tão sem graça - exceto pelo Eric, ERIC MEU AMOR ♥ Queria que fizessem novas temporadas ou talvez um spin-off do Eric, risos. 
12 agosto 2018


Depois do almoço de Dia dos Pais, sobrinho pediu pra passar a tarde comigo. Obviamente fiquei toda feliz, porque acabo vendo ele pouco por causa da rotina maluca de trabalho, faculdade e namoro. Quando o pessoal foi embora, subimos pra o meu quarto e eu fui procurar algo pra colocar pra gente assistir. Nisso, ele ficou olhando minhas pilhas de livros e perguntou se eu não tinha um do Sherlock. Respondi que não, ao que ele me contou que adora livros de mistério, mas mistérios da vida real, não de fantasia. Aí falei pra ele dar uma olhada no que tinha. Ele catou um e começou a ler. 

~ainda pegou meu colar de caveirinha e colocou dizendo que parece um daqueles objetos amaldiçoados de pirata hahahaha ♥~

Após ler algumas páginas e gostar bastante, me falou que desde que eu dei uns livros pra ele de presente ele tomou gosto pela leitura e acha demais que, quando lê, vê as cenas acontecendo na cabeça dele. Ainda falou que é bom demais ter alguém que entenda ele. 

 Claramente esse menino é meu sobrinho mesmo. ♥ 
11 agosto 2018

Mais um da série dates ruins


O aguado do hospital 

Pra ser bem sincera, eu não tive tantos dates ruins porque sou uma pessoa que sai pouco e nunca fiquei muito tempo sozinha (inclusive, não sei como isso acontece, haja vista que eu sou uma pessoa um tanto peculiar e jamais entenderei como alguém pode gostar de mim, mas segue o baile). Certeza de que se eu fosse uma dessas pessoas que sai bastante e pega todo mundo, teria muito mais histórias pra contar, mas eu não sou uma grande fã de contato humano, então elas são bem poucas.

Mas aí, nos meus 18 anos, eu havia terminado com o garoto-corvo (sim, eu dou apelidos pra todo mundo; sim, geralmente eles são de animais) e na verdade nem queria ninguém, só que tinha esse rapaz aguado do hospital que ficava o tempo todo me mandando mensagenzinhas e me convidando pra sair.

Ele era aguado porque: não sei vocês, mas tem certas pessoas que têm uma cara aguada. É como se estivesse derretendo ou debaixo d'água ou prestes a chorar. A paleta de cores não ajudava muito no caso dele: loiro, branquíssimo, olhos azuis caídos e uma cara de choro contido. E ele trabalhava no hospital, então... Tá explicada a alcunha.

O caso é que ele insistiu, insistiu, insistiu até que um dia eu aceitei sair com ele. Nada demais, fomos até o centro tomar um suco num restaurante meio gourmet antes de comida gourmet ser moda em todo lugar. Ele escolheu um copo gigantesco de suco de melancia pra gente dividir. Nesse momento eu já sabia que a coisa tinha dado errado porque de onde ele tirou a ideia de que eu aceitaria dividir um copo de suco com um semi-desconhecido, jamais saberemos. Mas ele fez isso.

Okay, continuei ali por pasmaceira mesmo (eu era muito pasmada, senhor), até que ele disse: "hey, vamos na praça?". Ir na praça era igual a conversar e flertar, então eu fui porque vai que? A gente mal tinha chegado e nem tinha começado a conversar quando o celular dele tocou. Ele viu que era um amigo e atendeu. Eu estava tão de saco cheio ali que só queria ver como isso iria terminar. Ficaram se falando por uns 15 minutos até que ele virou pra mim e disse: "bah, eu vou ter que ir no mercado comprar 3 refri, batata, pão com alho e bolachas porque meus amigos resolveram fazer um churrasco agora e ligaram, e eu nem tenho dinheiro comigo", e eu olhando aquela cena, né. No mesmo momento, o telefone toca novamente e ele atende: é a mãe dele dizendo pra ele ir pra casa porque precisa que ele faça uma coisa x. O menino disse que já ia, desligou o telefone, olhou pra mim e continuou, embravecido: "quer saber, esse tipo de coisa nunca me acontece, isso é culpa tua! É sim, eu já sabia que tu era estranha, meus amigos já tinham me avisado que tu é esquisita e coisas assim, fora da rotina, nunca acontecem comigo, e agora aconteceram porque eu tô contigo".


ELE FALAVA ISSO MUITO A SÉRIO. Eu ri, né. Fazer o quê?

Ri e fui embora porque não sou obrigada. 

10 agosto 2018

~arte feita por Carolina Pontes~

Recentemente o escritor angolano José Eduardo Agualusa esteve aqui no Brasil para participar do Fronteiras do Pensamento, um evento de grande porte que reúne vários pensadores do mundo todo para discutir a atualidade sob diversos contextos. Enquanto estava por aqui, ele deu uma entrevista falando sobre cultura, leitura e sociedade e disse uma coisa que ficou na minha cabeça por ser muito real:

"O desenvolvimento está ligado à leitura. Não é por acaso que os países mais desenvolvidos são aqueles onde se lê mais. A luta contra o subdesenvolvimento passa pela criação de boas redes de bibliotecas públicas. [...] Tenho essa ideia de que, quando você lê um romance, você se coloca na pele do outro. É um exercício de empatia. Alguém que tenha desenvolvido esse músculo da empatia dificilmente toma posições de domínio em relação ao outro. Por isso acho difícil que um torturador ou um grande ditador tenha o hábito de ler romances." 

Estamos vivendo um momento complicado no país, isso é fato. A educação nunca esteve tão fora de moda, o que faz com que tudo seja extremista, selvagem e ignorante. Por mais que tenha ressalvas quanto a ideia de que mais bibliotecas são a solução pra o momento que estamos vivendo, tendo a concordar com o Agualusa quando ele afirma que a leitura faz com que nos coloquemos no lugar do outro e quem faz isso dificilmente vai querer o mal do próximo. Realmente acredito que o incentivo à leitura é um dos pontos-chave para um país melhor, para uma democracia bem assentada. No entanto, esse é um caminho difícil. 

Existem dois livros que li recentemente que tocam justamente nesse ponto. Um é (re)lançamento do ano passado e outro acabou de ser lançado: O conto da aia, da Margaret Atwood, e Graça e fúria. Ambos tratam de uma sociedade distópica em que as mulheres foram proibidas de ler, escrever ou fazer quaisquer atividades que vão além do estereótipo de feminilidade tão apregoado na nossa sociedade. 

Quando li que tinham feito um livro de fantasia Y.A. (Young Adult, ou seja, para jovens adultos) parecido com O conto da aia, achei que seria bem péssimo. Pode ter sido preconceito literário meu, mas realmente as minhas experiências com Y.A.s não foram das melhores, apesar de ter lido alguns que realmente são excelentes. Mas, no geral, foram quase todos meio sem graça. Porém, Graça e fúria não é assim. 

Graça e fúria
Tracy Banghart
304 páginas
Seguinte
Ano de publicação: 2018
Encontre na Amazon 

Sobre o que é: Serina foi criada para ser uma graça, uma das esposas do herdeiro, o futuro Superior de Viridia. Ela é linda, feminina e submissa, sabe costurar, bordar, dançar e tocar - mas não sabe ler, pois isso é um crime para mulheres. Sua irmã, Nomi, a acompanhou até o Palazzo para ser sua aia e cuidar de todas as necessidades dela enquanto ela serve ao herdeiro e espera ser escolhida por ela para finalmente se tornar, de fato, uma graça. No entanto, Nomi está longe de ser submissa como Serina: ela é rebelde, não aceita o fato de não poder escolher seu destino e desafia a qualquer autoridade, inclusive a do herdeiro, o que acaba lhe custando muito - a ela e a sua irmã. 

Em Viridia, local onde se passa a história, não existe democracia. O governo lá é autocrático e ditatorial e seu governante é o Superior, um homem cuja família está há gerações no poder, não por mérito ou por voto popular, mas por força. Cada Superior foi pior do que o outro e estabeleceu regras terríveis para o povo, em especial para as mulheres, que eram vetadas em tudo e cuja única opção era trabalhar como escrava costurando ou casar com um homem que ela não poderia escolher. 

"As mulheres não podiam ler.
Não podiam escolher seus maridos, empregos, futuros.
Não podiam mergulhar em busca de pérolas ou vender produtos para ajudar a família.
Não podiam cortar o cabelo sem que um homem ordenasse.
Não podiam pensar por si mesmas.
Não podiam escolher.
Mas por quê?" 

Serina foi preparada desde criança para se tornar uma graça. Ela foi bem nutrida, enquanto todos ao seu redor passavam fome, para poder ter curvas que agradassem ao herdeiro; foi ensinada a dançar, a costurar, a bordar, a ser o mais elegante possível, a estar sempre limpa e cheirosa, ainda que vivesse na pobreza, tudo para que subisse na vida e, assim, não tivesse de passar por dificuldades como todo o resto da população, dessa forma também elevando o status de sua família. Sua irmã, Nomi, não era considerada uma beldade, portanto não recebeu nenhum tratamento especial e viveu a vida inteira à sombra de Serina. No entanto, Nomi possuía um espírito rebelde e contestador, o que a fez convencer seu irmão, às escondidas, pois era um crime grave, a ensiná-la a ler e a escrever.

Quando o aniversário do herdeiro se aproxima, candidatas a graças são escolhidas por toda Viridia e, é claro, Serina é uma delas. Ela e Nomi, sua aia, vão para o Palazzo para se apresentarem ao herdeiro, que fará a seleção de suas três primeiras graças. Seu pai, o Superior, logo lhe entregará o governo, e é tradição que o herdeiro tenha suas primeiras graças ao seu lado para que a garantia de uma linhagem seja certa.

No entanto, certa tarde Nomi acaba se perdendo no Palazzo e entra, sem querer, na biblioteca do Superior. Ela, que ama livros, não consegue resistir, entra e pega um deles. Claro que ela o esconde, mas, na tentativa de sair dali escondida, acaba dando de cara com o herdeiro e lhe dá uma resposta atravessada - o que era expressamente proibido. A princípio ele não a pune, mas isso desencadeia uma corrente de eventos catastróficos na história, incluindo o fato de que quem o herdeiro escolhe como graça é Nomi, não Serina - enquanto Serina é enviada para uma ilha-prisão, tudo porque foi encontrada segurando o livro que Nomi havia roubado.

Ao me deparar com essa história, primeiro pensei que era um exagero da autora, pois a realidade está bem distante disso. Então lembrei que na verdade essa minha visão é ocasionada pelo meu recorte de realidade de mulher branca, universitária e brasileira, que apesar de viver em uma sociedade machista, ainda tem liberdade o suficiente para poder pensar e até mesmo escrever esses pensamentos sem ser condenada à morte por isso. No entanto, é fato que ainda há muitos lugares no mundo em que as mulheres não têm direito algum e são forçadas a viverem eternamente subjugadas pelos homens - qualquer homem, não precisa ter algum cargo especial pra isso, basta ter nascido homem. Não é preciso ir muito longe: livros como O livreiro de Cabul já contam a história, recente, de mulheres que vivem para seus maridos, que são forçadas a serem submissas e são consideradas criminosas se tiverem a audácia de ler um livro. Então percebi que a autora foi muito inteligente ao inserir, de forma fantasiosa, uma realidade ainda vivenciada por tantas mulheres e, assim, fazer com que leitores pensem acerca dessas questões.

É sobre isso que o Agualusa falou quando disse que o desenvolvimento [de um país] está ligado à leitura. Não tem como ler um livro desses e deixar passar batido todas as questões sobre machismo, misoginia, direitos e a luta por uma sociedade igualitária e que respeite as mulheres. Assim como a Offred de O conto da aia, Nomi é obrigada a viver de forma civilizada e submissa, sem jamais contestar nada e tendo tarefas específicas diariamente. Como Offred, se ela tiver filhos com o herdeiro ela não será mãe deles, apenas mais uma das graças que dão filhos a seus Superiores.

Já Serina, presa em uma ilha onde mulheres são obrigadas a lutar até a morte umas contra as outras em troca de comida, precisa aprender a se livrar das amarras de subordinação e feminilidade que lhe foram impostas para poder sobreviver naquele lugar.

"Tudo naquele mundo, até as prisões, colocavam as mulheres umas contra as outras enquanto os homens só observavam." 

Eu li o livro tão rapidamente porque queria muito descobrir o que a autora faria para que as personagens lidassem com esses problemas terríveis, mas estava claro: a solução é usar a fúria sentida por toda a injustiça daquela sociedade e a união entre mulheres para começar uma revolução.

Em Viridia, as mulheres são sujeitadas às mais diversas humilhações e levadas a acreditar que não podem fazer nada além de servir porque elas são consideradas perigosas. Os homens de Viridia sabem que basta uma mulher bem-resolvida para derrubar um sistema inteiro. Essa é a grande mensagem desse livro: ao invés de as personagens se enfrentarem e disputarem pela atenção do herdeiro para viverem uma vida luxuosa e relativamente fácil, elas preferem se unir e não ser rivais umas das outras porque sabem que a sobrevivência, tanto dentro do Palazzo quanto da ilha-prisão, depende da união entre elas.

"Sempre pensara que não havia valor em resistir, que não adiantaria de nada.
Mas sua irmã sempre esteve certa. Valia a pena se rebelar. Só o ato de resistir podia mudar o mundo." 

É um livro sobre lutar por uma sociedade justa, em que mulheres possam viver em liberdade e ser quem quiserem, sem terem de ser mandadas pra prisões por isso. E tudo com romance, vestidos bonitos e diálogos incrivelmente bons e sutis. Realmente, um Y.A. de alta qualidade para inspirar as gerações mais jovens (e a nós, as mais adultas, também, risos).

~livro recebido em parceria com a editora~