15 junho 2018

You have five minutes to wallow into a delicious misery

Um comentário:
Enjoy it, embrace it, discard it... and proceed.
(Elizabethtown, 2005)

O luto é um processo. Só fui começar a entender isso com a doença da minha mãe. O luto pode ser um processo que acontece antes da morte - e se intensifica com ela - ou pode ser repentino, que começa com a morte.

Minha mãe não morreu - ainda. E, honestamente, estou cansada de falar sobre isso, sobre esse problema que ela tem, sobre o período no hospital, sobre a espera. Estou cansada de pensar em morte e ter todo mundo à minha volta me tratando de forma estranha e fazendo com que eu, inclusive, me sinta pior ainda por não conseguir retomar a rotina direito nessa atmosfera deprimente. Foi por isso que decidi parar de falar sobre e ir viver, voltar à rotina da melhor forma possível e lidar com isso para mim mesma.

Esse momento pelo qual eu estou passando é bem delicado, especialmente porque o que as pessoas parecem não entender é que o luto é um processo. E cada um passa por ele de uma forma diferente. A minha maneira, ao menos por enquanto, é viver normalmente e me segurar o máximo possível. Tem dado certo.


11 junho 2018

Interferências malucas e barulhentas

2 comentários:
Eu tenho um medo na vida. 
(Eu tenho muitos medos na vida, a quem estou enganando? Mas tenho um medo que é um Grande Medo, que certamente entra pra listinha de Grandes Medos com letra maiúscula.) Eu não tenho medo de aranha. Não tenho medo de barata. Não tenho medo de assalto. Não tenho medo de ser atropelada. Não tenho medo de filme de terror. Mas tenho um medo que me acompanha desde criança: telepatia. 

Não sei como isso começou. Provavelmente com algum filme da infância cujo nome jamais vou lembrar (algo me diz que envolvia as gêmeas Olsen, mas tudo envolvia as gêmeas Olsen na época, então é difícil dizer), mas o fato é que o medo é real. Não me dei conta de cara, foi aos poucos. Um dia estava jantando em família e pensei em alguma bobagem totalmente não relacionada e logo reprimi o pensamento porque alguém pode estar me ouvindo. Algo totalmente esquizofrênico, se a gente for parar pra pensar. Mas mesmo não fazendo sentido algum, isso foi crescendo, crescendo, crescendo, e com o passar dos anos eu acabei construindo defesas psíquicas (como ficar cantando mentalmente o tempo inteiro, SEMPRE tem música aleatória na minha cabeça) pra o caso de alguém à minha volta ser telepata. 

COMPLETAMENTE MALUCA, eu sei. 

Mas o fato é que esse é um daqueles medos malucos, irracionais e enraizados na infância que estão lá e não saem de forma alguma e com o qual a gente só convive, nem questiona mais porque já acostumou. E tudo bem. Tudo bem ter um medo irracional e maluco. Isso é parte da vida e a gente lida com isso numa boa. O problema é quando o medo se torna algo real. E é isso o que acontece num livrinho maravilhoso que li.  

Interferências
Connie Willis
464 páginas
Editora Suma
Ano de publicação: 2018 

Sobre o que é: Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava. 

04 junho 2018

Diário do mês da peste

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Daniel Defoe voltou dos mortos, deu uma piscadinha e me disse que tudo bem eu usar esse título. 

Oi, não morri.
Mas a morte tem sido bem presente na minha vida como uma Entidade A Ser Respeitada e Temida e isso tem sido um saco exaustivo total.

Este texto já foi escrito e reescrito tantas vezes que pode ser que eu tenha perdido o fio da meada, mas a verdade é que simplesmente não tenho conseguido escrever - ou falar direito, pra ser bem honesta. Então vamos com calma que a coisa vai andar aos poucos mesmo.

Eu não sou uma pessoa que surta.
(Agora é o momento em que você, amigo leitor, dá aquela risadinha nervosa porque se eu não sou uma pessoa que surta então o que diabos se chama o que estou fazendo nos últimos anos over and over again? Pois lhe digo: não é surto. Nem 5% dos meus surtos internos chegam à superfície porque sou ~calma & ponderada~ e tenho uma habilidade quase sobrenatural de me acalmar, então acredite em mim: cê não viu nadinha.)

Porque quando você é nascida e criada numa família de gente completamente disfuncional, você aprende a escolher suas batalhas e não gasta energia gritando com as pessoas ou com os móveis se sabe que terá de guardar forças pra coisas muito mais importantes do que fulano que te olhou de cara feia e te chamou de idiota - sendo que você é uma grande idiota mesmo, então qualé o problema, né. Fora que praticamente durante a minha infância inteira minha mãe trabalhou fora enquanto eu ficava em casa com meu pai e meus quatro irmãos mais velhos, então fui criada na base de filmes de luta e jogos de bola e quanto tínhamos um problema a gente se quebrava e depois tava tudo bem, portanto meus parâmetros pra surto nunca foram normalmente desenvolvidos e isso é basicamente o resumo da problemática da minha existência e do fato de até hoje eu não saber como lidar com sentimentos.


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