O temido e horroroso final de semestre

Ele chegou e na última semana só me fez ter literalmente dores de cabeça que não passam. Não, elas não passam. Nem com paracetamol. Nem com ibuprofeno. Nem com neosaldina. Um pessoal já me falou que é tudo psicológico, mas honestamente eu acho isso até um insulto porque é como se a pessoa me dissesse que "uau, você só sabe se autossabotar". O que é bem a minha cara, na verdade, e provavelmente quem disse isso está certíssimo, mas pulemos o assunto. 

As últimas semanas têm sido o inferno. Além do final de semestre, do stress pelos trabalhos mil e do calor infernal que tem feito, decidi parar de tomar o remédio que estava supostamente regulando meus hormônios, e agora estamos aqui, com muita mais raiva do que o normal e querendo que todo o universo exploda num caos feito de antimatéria. 

Bem alegre, como podemos perceber. 

Mas okay, porque eu pensava: "hm, as férias estão chegando, mais três semanas e eu vou poder descansar". Porém essa semana tive uns dias sem aula e consegui maratonar 3 séries, ler um livro, organizar minha estante e me dei conta de que bateu um vazio porque eu sou essa pessoa agitada e vou fazer tudo o que tiver pra ser feito em uma semana e ficar me lamentando pelo resto dos três meses de férias, querendo logo a rotina da faculdade de volta, mesmo sabendo que isso é horrível e causa altas crises de ansiedade. 

~Janet chorandinho sem saber como porque não tem sentimentos é a minha única vibe possível~

Preciso arranjar algum projeto que me mantenha ocupada nas férias ou senão vou pirar e virar, sei lá, serial killer porque só falta um comentário babaca pra eu sair por aí matando pessoas com uma machadinha. 

Esse projeto deveria ser o de emagrecer pra poder caber nas minhas roupas novamente, porém eu consegui uma bela lesão no joelho que a recém está se recuperando e não posso forçar muito. Claro que vou retomar o projeto, mas não vou poder fazer aquela intensidade de que preciso pra me sentir bem, que é tirar 2h da manhã pra correr por aí. Não dá mais. Então vou ter de colocar toda essa energia reprimida em alguma coisa porque ficar parada vendo série, filmes e lendo livros não vai durar nem um mês (porque vou acabar com todo o catálogo antes, cês vão ver). 

A vida da pessoa intensa é deveras muito difícil. Não há moderação que me segure. 

Socorro. 

Brida

Brida
Paulo Coelho
271 páginas
Paralela
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: nos anos 80, enquanto viajava pra os Pirineus, o Mago encontrou Brida, uma mulher que havia iniciado seu caminho na bruxaria há algum tempo. Ela contou a história de sua iniciação pra ele, que pediu pra escrever um livro sobre. Brida aceitou, e agora temos um livro lindo sobre o caminho de uma mulher se descobrindo bruxa. 

Por que ele é bom? Eu nunca, nunca mesmo, vou entender por que diabos as pessoas não gostam dos livros do Mago. Quer dizer, tecnicamente até entendo, mas acho tão babaca que meu cérebro simplesmente não processa. Essa vibe de "eu sou intelectual, uma pessoa profunda e só leio Dostoiévski" é de uma chatice e pedantismo tão grande que só reviro os olhos e passo longe porque não sou obrigada. Mas, seja como for, eu gosto muito dos livros do Mago e estou 100% nem aí pra quem diz que é literatura lixo. A literatura é boa ou ruim dependendo de quem a lê. O que é bom pra mim pode ser horrível pra outra pessoa e temos de aceitar isso e não ficar empurrando goela abaixo das pessoas um cânone feito basicamente de livros antigões (nada contra, adoro clássicos, mas...) e com linguagem rebuscada só porque tem gente que despreza as gerações atuais. Sinceramente, viu. 

Dito isso: o livro é lindo. ♥ 

Recebi ele em parceria com a Companhia lá pelo Valks, onde também escrevo e, apesar de já ter escrito um texto sobre ele por lá, precisava escrever aqui também porque as linhas editoriais são diferentes e a linguagem muda completamente na hora de escrever. 

Brida é, como eu disse acima, a história de uma mulher se descobrindo bruxa. Como ela conheceu o Paulo Coelho lá pelos anos 80, calculo que a iniciação dela tenha começado no final dos anos 70. Brida era uma pessoa normal, gente como a gente, mas que buscava algo a mais, tentava entender o universo e já havia feito vários cursos na área do esoterismo, do ocultismo e blablabla, mas ainda não havia achado o seu caminho. Até que lhe mandaram pra um mago que vivia isoladão numa floresta, e lá ela aprendeu a primeira lição da magia de acordo com a Tradição do Sol: a noite escura. Ela ficou uma noite inteira sozinha, na floresta, e teve de lidar com seus medos e encarar a si mesma. Só depois disso ela estaria pronta pra aprender o resto. 

“Mergulhamos na Noite Escura com fé, cumprimos o que os antigos alquimistas chamavam de Lenda Pessoal e nos entregamos por inteiro a cada instante, sabendo que sempre existe uma Mão que nos guia: cabe a nós aceitá-la ou não.”

No livro, Paulo Coelho diz que há duas tradições básicas: a do Sol e a da Lua. Uma ensina pelas coisas básicas do universo (como ficar numa floresta, em meio à natureza), a outra ensina pelos mistérios do tempo, ou seja, pelo tarot e outras coisas do tipo, como regressão, pra que a pessoa descubra seu dom, perdido em outras vidas. 

O que eu mais gosto no livro é que dá pra ver que o Mago realmente se baseou numa história real. Pode ser que ele tenha inventado alguma coisa, não duvido, mas pelo que eu conheço dos caminhos da magia, é bem por aí mesmo. Particularmente eu não frequento esses caminhos porque não gosto de religiões, seja elas quais forem, mas acho bem bacana quem vai atrás do que acredita e conheço muitas pessoas que estão nesse caminho (seja lá em qual tradição) e o que elas falam que fazem é basicamente o que está no livro mesmo. 

Não vou dar muitos spoilers porque é uma história bonita de se ler e ir conhecendo aos poucos, mas posso dizer que vale a pena e que tem umas mensagens bem interessantes, não importa a sua religião. Até porque, pra mim, o livro não é sobre ~magia~, mas sim sobre descobrir a si mesma e ao seu lugar no mundo - o que é uma busca universal pela qual todos passamos. 

"Vivo desistindo de tudo que começo", pensou, com certa amargura. Talvez, em breve, a vida começasse a perceber isso e parasse de lhe dar as mesmas oportunidades que sempre lhe dera. Ou talvez, desistindo sempre no começo, esgotasse todos os caminhos sem dar nem um passo sequer.

Enfim, recomendadíssimo. Não é o meu livro preferido do Mago, mas tá perto. 

Por que ele é ruim? Não é ruim, mas acho meio estranha essa coisa de colocar bruxaria e cristianismo lado a lado. Claro que entendo a vibe dos símbolos e de que a Deusa pode ser representada pela Virgem Maria e tal, só que a igreja literalmente matou trocentas mil bruxas ao longo dos séculos e é bizarro colocar uma bruxa dentro de uma igreja fazendo oração pra o Deus cristão. Okay, serve ao propósito do livro, mas achei um pouco incoerente. Porém, nada que atrapalhe a leitura (e é um momento bem bonito da narrativa, na verdade). 

Você vai gostar se... se interessa por magia, histórias da vida real com mulheres que vão atrás do que querem, livros de autodescoberta ou só quer dar uma chance pra o Mago e ver qualéquié dessa literatura dele de que as pessoas tanto falam mal (mas que na verdade é boa o suficiente pra ser lida em uma sentada).

Em um quote:

– Aceite o que a vida lhe oferece, e procure beber das taças que estão na sua frente. Todos os vinhos devem ser bebidos: alguns, apenas um gole; outros, a garrafa inteira.
– Como posso distinguir isso?
– Pelo gosto. Só conhece o vinho bom quem provou o vinho amargo.

Extraordinário: escolha ser gentil

Extraordinário
R. J. Palacio
315 páginas
Intrínseca
Ano de publicação: 2013 

Sobre o que é: Auggie é um menino de dez anos como qualquer outro: gosta de tomar sorvete, brincar, ver tevê. Exceto por uma coisa: ele nasceu com uma síndrome genética que lhe deu uma deformidade facial e, por isso, ele nunca frequentou a escola. Mas seus pais se dão conta de que um dia ele precisará viver em sociedade e, por isso, lhe matriculam numa escola. É aí que as coisas começam e Auggie se vê em meio a crianças que lhe fazem bullying o tempo inteiro e precisa aprender a lidar com isso da melhor forma possível. 

Por que ele é bom? Faz alguns anos que li esse livro pela primeira vez, logo no lançamento, mas ainda não tinha escrito sobre ele porque na época eu não era uma pessoa que escrevia sobre livros. Só que agora, vendo a minha lista de livros que li e amei, porém ainda não recomendei, lembrei desse e, já que estamos no hype do filme, que será lançado dia 7 do mês que vem (que por acaso é dezembro e não estamos todos pirando com isso????), decidi falar sobre.

Há alguns anos eu comecei um curso de Pedagogia. Eu havia recentemente lido o livro quando entrei no curso e lembro que quando uma professora perguntou que livro a gente recomendava para que todos lessem, eu respondi que todo mundo que estuda Pedagogia ou que lida com crianças deveria ler Extraordinário porque é um livro muito sensível e que nos faz entender o real perigo de permitir e contribuir com o bullying nas escolas. 

Auggie é um menino muito querido. Ele tem uma deformidade terrível no rosto que faz com que as pessoas (babacas) o tratem extremamente mal, o ignorando ou zombando dele na cara dura. Não sei quantas vezes conheci pessoas assim na vida, gente que zomba do outro só porque ele é diferente dos outros. E essa é a maior mensagem do livro: somos todos iguais, gente com sentimentos e sonhos e vida, mesmo que nossa aparência seja tão diferente da dos outros. 

Uma coisa que eu achei demais no livro - além da história, que já é tocante por si só - é que ele é divido em oito partes e cada parte tem o ponto de vista de um personagem diferente (só o Auggie repete sua parte na narração). Eu adoro esse tipo de recurso em livros porque dá pra gente entender o contexto maior da situação e conhecer o que realmente se passa na cabeça de cada um. No quesito sensibilidade, Extraordinário dá aula.

Esse é um daqueles livros que a pessoa termina de ler com o coração quentinho, se sentindo esperançosa com o mundo. Apesar de não ser o que eu costumo ler, é uma leitura pra fazer feliz, então eu recomendo fortemente.

Auggie

Por que ele é ruim? Ele não é. Duvido alguém achar algo de ruim nesse livro, mesmo.

Você vai gostar se... quer fazer uma leitura mais sensível, se envolver emocionalmente com um livro e ter um pouco de esperança na humanidade (difícil, eu sei, mas esse livro ajuda).

Em um quote:

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.