1984

1984
George Orwell
Companhia das Letras
416 páginas
Ano de publicação: 1949 

Sobre o que é: o Grande Irmão controla tudo. Não existe ninguém em toda a Oceânia que não esteja fazendo o que o Partido manda. E não apenas fazendo, mas a m a n d o o que faz, sendo um verdadeiro discípulo do Partido e adorando o Grande Irmão, que vê tudo através das teletelas. Só que um dia um cara chamando Winston começa a ter pensamentos que quer manter ocultos e comete um crime: escreve num diário, escondido da teletela de sua casa. Esse pequeno ato desencadeia coisas horrorosas pelas quais Winston passará para tentar ter um pensamento livre. 

Por que ele é bom? Vamos lá: esse livro foi escrito em 1948. Mil novecentos e quarenta e oito. Georginho praticamente se matou escrevendo esse livro enquanto estava morrendo de tuberculose. E, mesmo doente pra caramba, o cara conseguiu basicamente antecipar o futuro da sociedade - um futuro que vivemos hoje.

O livro se passa em Londres, no futuro do ano de 1984 - que pra nós é passado, mas pra George Orwell era quase 40 anos pra frente - e a sociedade está completamente dominada por um regime totalitarista que vigia seus cidadãos dia e noite e em todos os lugares.

Winston é produto dessa sociedade, mas não chegou a nascer nela. Ele tem cerca de quarenta anos, então ainda possui algumas memórias a respeito dos primeiros dias da guerra que levou a isso e de como era a vida antes. E essa questão da memória é que o leva a começar a escrever um diário, o que é totalmente contra o que o Partido apregoa. Ninguém pode ter pensamento livre, ninguém pode escrever, ninguém pode fazer coisa alguma que o Partido não aprovar. A partir disso, se desenrola uma coisa absurda e cenas e cenas de tortura.

Só que se ficasse apenas nisso seria apenas mais um livro sobre como um governo pode acabar com toda uma sociedade. O que realmente diferencia 1984 de todos os outros livros - com exceção de Admirável Mundo Novo, que tá na mesma vibe - é que ele previu o futuro de verdade.

Quer dizer, nós realmente vivemos numa sociedade vigiada pelo governo. Existem câmeras em todos os lugares, satélites, sistemas que recolhem informações privadas em redes sociais e sites - isso pra não mencionar dos próprios celulares que coletam o que falamos e usam isso pra fazer marketing. Desde a época de Hitler - que foi um pouquinho antes desse livro ser escrito - o governo usa técnicas bem pesadas de manipulação na população, escolhendo através da agenda setting (por favor, deem uma pesquisadinha nisso) o que vamos amar ou odiar e até mesmo sobre o que estaremos falando sobre em nossas rodas de conversa.

~não sei a quem creditar, se alguém souber, por favor, se manifeste~

Fora que: sabe aquele programa super popular, o Big Brother Brasil? Pois é, foi inspirado em quê? Nesse livro. Inclusive, o nome Big Brother é referência direta ao grande comandante do Partido, o Grande Irmão. Surreal demais.


Orwell foi muito genial ao escrever esse livro e antecipar toda a nossa geração atual. Só peguei amor por esse homem ao ler 1984.

Por que ele é ruim? Não é ruim. Inclusive, de todas as distopias clássicas que já li, essa foi a mais tranquila de ser lida. Georginho foi bem didático e claramente escreveu um livro acessível, pra que todos pudessem lê-lo e não apenas a elite "intelectual".

A única coisa que me deixou AAAAAAAAAAAH foi que o final dele é bem triste. Não darei spoilers, mas não vá ler esse livro esperando uma história incrível de como o cidadão comum pode vencer um governo totalitário porque não é o que vocês encontrarão, risos. Mas foi coerente com a vida real, então apenas estrelinhas pra ele.

Você vai gostar se: curte distopias, é fã de Jogos Vorazes ou Admirável Mundo Novo ou apenas gosta de um livro bem escrito com uma crítica afiadíssima à política.

P.S.: passei a achar Jogos Vorazes tão divertido e leve após esse livro...

Em um quote:
Guerra é paz. Ignorância é força. Liberdade é escravidão. 

 

Hoje eu tô só o Jack Nicholson congelado


Estou digitando de luvas enquanto não consigo comer, já que a comida CONGELOU e nem dá pra esquentá-la porque pra isso eu teria de ir à cozinha a esta hora da madrugada, sendo que alguma pessoa muito inteligente e prática resolveu colocar a cozinha num cômodo separado da casa, na rua, e nem por obrigação vou sair do meu quarto quentinho pra aquele frio horroroso só pra esquentar algo que vai congelar novamente em dois minutos. 

Dito isso: tá frio. Pra caramba. 
Não entendo muito o processo do frio porque quando a previsão anuncia que vai fazer frio na semana você espera que ele venha chegando gradualmente, tipo criança quando quer pedir alguma coisa, não sabe como e começa a dar umas voltinhas até tomar coragem de pedir. 

Só que não é isso o que ocorreu porque Porto Alegre é a versão gelada de Lost: ao invés da chuva que aparece do mais absolutamente nada e do calor horroroso, temos um frio de quase O°C e sensação térmica abaixo de zero, totalmente digno da Suécia. 

Domingo estava tão quente que eu não sabia o que fazer pra usar alguma roupa e considerei seriamente a ideia de sair pelada com apenas um lençol enrolado ao corpo e chamar isso de moda, já que não havia levado roupa pra calor e fazia TRINTA E UM FUCKING GRAUS. Aí você me pergunta como se sai de 31°C pra 5°C em menos de 24 horas e eu apenas lhe responderei com um olhar totalmente desalentado e sem palavra alguma porque nessas alturas a minha língua já congelou. 

A única coisa que me consola um pouco é que só faltam duas semanas pra eu entrar em férias porque essa rotina de estudar à noite numa PoA abaixo de zero não é a coisa mais recomendável pra saúde, não.

Não duvido nada eu acordar amanhã e me deparar com as ruas entupidas de neve. 


E aí que estava eu reclamando - sempre - no twitter com os meus botões sobre a total inabilidade pra fazer um novo layout pra o blog quando a dona Juli me oferece esse, lindo & funcional. Já lhe agradeci, mas agradeço novamente porque sou dessas pessoas que não conseguem escrever se não se sentirem ~à vontade~ com o design em questão. Thanks ♥ 

Agora licença que vou assistir a mais um episódio de Grace and Frankie pois sou uma senhorinha. 

Alucinadamente feliz, só de raiva

Alucinadamente feliz
Jenny Lawson
Intrínseca
349 páginas
Ano de publicação: 2016 
Sobre o que é: Jenny já estava cansadíssima de sempre levar rasteiras da vida e ficar triste e com crises de depressão e ansiedade porque não está fácil. No dia em que ela ficou sabendo da morte de um amigo, decidiu que JÁ CHEGA e o universo que lide com isso: ela iria ser alucinadamente feliz, só de raiva

Por que ele é bom? Era um dia de um calor absurdo em Porto Alegre e eu estava no centro da cidade esperando por uma amiga. Estava tão calor que resolvi entrar em uma loja pra poder pegar ar-condicionado. Aí entrei numa livraria. A ideia era não comprar nada. Eu realmente consigo resistir a livros. É difícil, sempre dá aquela agonia de PRECISO LER, mas me seguro e lembro que tenho mais de 60 livrinhos em casa esperando por serem lidos. 

Porém, a amiga estava demorando e eu já ficava entediada, então fui ver as prateleiras pra ver o que tinha de bom. Olha, sendo bem sincera: era tudo uma bosta. Trocentos lançamentos bobos com enredos clichês que não me atraíam nem um pouco. Mas o ar-condicionado tava bom, então fui ficando. E foi aí que vi um guaxinim com um sorriso congelado estampado numa capa cheia de brilhos dourados. Peguei. Só de ler que a mulher escreveu um livro sobre ser ALUCINADAMENTE FELIZ, SÓ DE RAIVA, eu sabia que nos daríamos super bem porque esse é o tipo de coisa que eu total faço: ser feliz só de birra com o universo. E foi assim que ele veio morar na minha estante. 

Alucinadamente feliz é exatamente o que promete a capa: um livro engraçado sobre coisas horríveis. Mas ele é tão bom porque a Jenny é gente como a gente: blogueirinha que escreve sobre a vida e sobre causos bizarros que acontecem com ela porque ela parece ter um ímã que atrai toda a loucura do universo. 

Jenny tem alguns distúrbios como ansiedade, depressão e síndrome do pânico, o que complica pra caramba a vida dela porque a mulher é uma escritora introvertida que tem várias crises do mais absoluto nada que só quem tem esses problemas sabe como é. Mas ela decidiu fazer piada de si própria e ver coisas boas em acontecimentos horrorosos. Como, por exemplo, encontrar um guaxinim morto no seu jardim! Jenny encontrou um guaxinim morto no jardim e resolveu fazer o quê? EMPALHÁ-LO EM POSIÇÃO DE ETERNA COMEMORAÇÃO E COM UM SORRISO FIXADO NOS LÁBIOS, é claro. E o chamou de Rory. E anda com ele por aí pela casa assustando pessoas enquanto seu marido trabalha no skype. Porque se não for pra ser assim então que o universo não envie guaxinins mortos, oras. 


A MULHER TEM UM GUAXINIM EMPALHADO COM OS BRAÇOS ABERTOS E SORRINDO ETERNAMENTE, não tem como um livro que conta isso ser ruim. 

Por que ele é ruim? Não é ruim. Só tem um capítulo que dá agonia porque ela fala bem abertamente sobre o transtorno de ansiedade e pra quem tem ansiedade é um capítulo bom pra se pular - mas ela avisa já no início que o troço é gatilho e se pode pulá-lo tranquilamente. 

Se eu recomendo a leitura? Não apenas recomendo como queria ser amiga pessoal da Jenny Lawson porque claramente Jenny = melhor pessoa. Fora que eu sou tão louca quanto ela e nós nos daríamos super bem ou seríamos mortas no processo. Uma das duas coisas aconteceria. 

Em um quote:
Hoje de manhã, acordei às seis para levar Hailey à escola, mas depois voltei para a cama e passei mais algum tempo deitada porque havia ficado acordada até as duas da manhã promovendo um rodeio de guaxinins mortos na cozinha. (p. 48)