As perguntas (ou como não fazer um livro de terror)

As perguntas
Antônio Xerxenesky 
184 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: Alina é uma guria que está fazendo doutorado em História das Religiões com ênfase em tradições ocultistas, mas que trabalha editando vídeos em São Paulo pra ganhar a vida porque não está fácil ter um diploma em História no Brasil. Nessas de edita videozinho, fica entediada, edita mais um vídeo, ela recebe uma ligação de uma delegada pedindo consultoria num caso bem bizarro. Aparentemente tem havido surtos psicóticos na cidade causados por uma suposta seita satânica. Alina se joga nisso e tenta ajudar, mas coisas acontecem e ela recomeça a ver as sombras misteriosas que ela via quando era criança. 

Por que ele é bom? Se eu tivesse de realmente destacar um aspecto bom dele seria o fato de que a escrita do Xerxenesky é muito tranquila de ser lida. Ele tem uma escrita fluída que só vai - tanto que li o livro em um dia; obviamente que o livro ter menos de 200 páginas contribuiu muito com isso, mas mesmo assim: parabéns, Xerxenesky, você tem uma linguagem bacana.

Também fiquei bem satisfeita ao perceber que a Alina é uma personagem que convence como mulher. Muitos autores homens, ao escreverem personagens femininas, transformam suas personagens em representações de estereótipos machistas terríveis. Mas Xerxenesky não faz isso e por conta desse ponto ele merece os parabéns. 

Se tivesse de escolher outro aspecto bom eu estaria em maus lençóis porque... bem, ele é um livro muito insatisfatório. Ao menos no que se propõe: ser um livro de terror. Não assusta e o terror que existe é muito mal construído. Mas explicarei isso melhor.

Por que ele é ruim? Quando terminei de ler esse livro fiquei em completo choque porque virei a página e NÃO TINHA MAIS NADA. A história é incompleta. Mas não é só isso. Parece que toda a construção é incompleta. A minha impressão foi que o Xerxenesky não sabia muito bem o que fazer com o universo que criou, de ocultismo e rituais em plena São Paulo dos dias de hoje, e aí decidiu simplesmente não fazer nada e parar por ali.

Posso estar enganada? Posso. A história pode ser uma alegoria sobre o vazio interior dos millennials e como eles buscam sentido em coisas aleatórias e nas quais nem acreditam muito? Também pode. (Inclusive, seria muito legal se fosse.) Mas acho mais provável que o autor simplesmente não tenha sabido conduzir sua história.

Ao final do livro é dito que ele pesquisou religiões ocultas, seitas, satanismo, bruxaria e blablabla por 2 anos pra poder escrever essa história. Aí ele escreve uma personagem que é DOUTORANDA nesse assunto em específico e que não entende bulhufas dele. As coisas mencionadas a respeito disso são o básico do básico que se encontra na primeira página do Google. Eu, que nem sou adepta dessas coisas (e sou bem cética, na verdade), entendo mais disso do que a personagem que deveria ser referência no troço. Por isso mesmo fiquei bem chateada com o livro. Achei que fosse ser muito legal, é uma temática que me chama atenção demais. Mas foi FUÉN. Muito fuén.

Se você cria uma personagem que já fez um mestrado e está fazendo um doutorado sobre ocultismo, o mínimo que pode fazer é realmente dar uma aprofundadinha no assunto. Não precisa ser expert, não precisa se iniciar na Alta Magia e fazer rituais e blablabla. Mas também não precisa ser tão raso a ponto de uma estudante de Jornalismo (eu), que nem participa dessas coisas mas que lê bastante e adora fazer matérias sobre religiões estranhas, ter mais conhecimento de causa do que a personagem em questão.

~Suspiria, filme dos anos 70 e uma das inspirações do livro~

Menino Xerxenesky, você tem potencial, mas precisa escrever sobre coisas que você conhece ou vai acabar se perdendo.

Eu queria muito, muito, muito ter gostado desse livro. Mas não foi dessa vez. Se a ideia era fazer terror, a única coisa que fez foi irritação. Mas é claro que isso não quer dizer que não vá funcionar pra você. Cada pessoa tem um gosto e quem sou eu pra dizer do que as pessoas deveriam gostar? Só diria se o livro tivesse misoginia, machismo ou qualquer coisa relacionada a preconceitos (racismo, homofobia e por aí vai), mas, como não é o caso, se jogue e veja o que cê acha. Pode ser que você goste bastante de um enredo nada clichê.

Você vai gostar se... curte um terror psicológico, é facilmente impressionável ou quer ler uma história diferente que se passa nos dias atuais.

Em um quote:

As religiões foram construídas em torno da morte, elas foram criadas para aprendermos a lidar com isso sem nos desesperarmos, e tem gente que diz que os filmes de terror também têm esse caráter utilitário de nos familiarizar com a violência e a morte. Porém, Alina se perguntou, o que fazer quando não acreditamos em deus algum, em Paraíso algum, quando até os filmes de terror se tornaram banais, e a morte na ficção não nos ensina mais nada. 

~livro recebido em parceria com a editora~

Vomitaram em mim no ônibus

E é por isso que eu odeio as pessoas. 

Estava eu lindamente e cansadamente tentando voltar pra casa após uma aula exaustiva sobre como fazer perguntas a pessoas que não querem revelar nada quando pego um ônibus lotado. Okay, os ônibus de Viamão, a cidade do inferno, estão sempre lotados, por essa eu já esperava. Mas havia um lugarzinho vago lá no fundo, no último banco. Fui até lá, obviamente, e sentei. Deu aquela sensação de alívio, já esperava poder pegar meu livrinho da vez pra ler mais umas 30 páginas até chegar em casa, quando...

UMA GARGALHADA ESTRIDENTE NOS MEUS OUVIDOS.

Estranhei. Senti um cheiro azedo. Não sabia de onde vinha. A gargalhada continuava a reverberar naquele ônibus cada vez mais lotado. Olhei pra os lados, não entendia o que estava acontecendo. Todos olhavam pra mim e pra o homem que gargalhava. Então ele olhou pra o chão e eu percebi:

ELE HAVIA VOMITADO EM MIM 


E TAVA ACHANDO MUITA GRAÇA DISSO 


Ele havia vomitado na minha saia toda colorida e bonitosa. Na minha sapatilha de lacinho. Ele vomitou na minha sapatilha de lacinho, cara. Quem é que vomita na sapatilha de lacinho de alguém e não pede desculpas?

Cês acham que em algum momento eu ouvi um pedido de desculpas? Nãaaaaaaaaaaaaao. Isso seria demais pra o cidadão viamonense. A única coisa que ouvi foi o som daquela gargalhada por cerca de 20 minutos - mas nesse ponto eu já havia levantado dali porque não sou obrigada, apesar de que minha vontade mesmo era de matar uma criatura daquelas, mas as pessoas são tão horrivelmente nojentas neste lugar que a errada seria eu e sem condições de lidar com uma população ignorante presa num ônibus sujo naquele momento.

Se ele estava bêbado? Duvido muito, já que não senti cheiro de álcool (ainda bem, essa desgraça é ainda pior pra tirar do que vômito simples).
O que eu acho de tudo isso? Acho que já cansei de ser pobre e ter de andar de ônibus com gente fedorenta, mal-educada e sem escrúpulo algum. O UNIVERSO QUE TRATE DE ME FAZER RYCA PORQUE JÁ CHEGOU ISSO DE USAR TRANSPORTE COLETIVO E SER VOMITADA NO PROCESSO.


Eu odeio demais essa gente, me tirem daqui. 

A garota no trem

A garota no trem
Paula Hawkins
378 páginas
Record
Ano de publicação: 2015

Sobre o que é: Rachel é uma mulher bem problemática que sai todos os dias de casa e pega o trem das 8h04. Nessas viagens diárias de trem ela fica observando o trajeto e se detém numa casa onde mora um jovem casal que ela idealiza como sendo perfeito. Porém um dia ela vê algo que a deixa de boca aberta e, a partir de então, acontecem coisas que a levam por um caminho perigoso envolvendo um mistério, uma investigação policial e a hostilidade de pessoas dizendo que ela não é uma fonte confiável. 

Por que ele é bom? Alguém me explica, por favor? Eu queria muito ter gostado porque uma amiga me emprestou e escolheu a leitura pra mim, achando que eu fosse gostar. Todo mundo gostou. As pessoas parecem obcecadas por esse livro. Tudo é "oooh, a garota no trem, nossa, que misterioso". Mas achei um grande FUÉN em neon e letras garrafais. 

Mas tá, sempre tem algo de bom e o que eu gostei não foi do mistério. O que eu gostei é de que o livro é um ótimo exemplo de como homens fazem mulheres passar por loucas e se perguntarem se is this the real life, is this just fantasy? porque o gaslight nesse livro é forte demais. O que é bem bacana, ainda mais em tempos como hoje em que finalmente as pessoas estão se dando conta de que pra um relacionamento ser abusivo não precisa haver, necessariamente, violência física. A violência psicológica, emocional, aquela intimidação básica do dia a dia também é violência e é crime. 

Achei ótimo também que o livro tem 3 narradoras - todas mulheres dentro de um relacionamento abusivo - e que elas não se dão conta do que está acontecendo até que seja tarde demais. Posso não ter gostado do mistério, mas adorei a abordagem que a autora usou pra tratar um tema tão delicado e atual. 

Valeu 3 estrelinhas só por isso. 

Por que ele é ruim? Assim: não sei se é porque eu já li muitos livros de mistério, romance policial ou porque fui criada vendo séries tipo Lost, mas o grande plot do livro foi resolvido nos primeiros capítulos pra mim. Por isso, a leitura se tornou enfadonha. Quer dizer, se você prestar atenção verá que o mistério está bem na cara. Mas, novamente, isso pode ser porque eu já tenho uma carga grande de leitura desse tipo e pra mim é mais fácil solucionar esse tipo de coisa. 

Não é um livro ruim, só que não funcionou pra mim. Ao menos não como pra outras pessoas. 

Também achei todo mundo meio chato e cansativo. A Rachel é bem chata. Okay, dá pra entender que na situação dela não tem muito como ter coerência, só que ela se autossabota o tempo inteiro. É desgastante ler páginas e páginas dela se embebedando e vomitando tudo depois, sendo inconveniente, mentindo pra todo mundo... E as outras personagens são tão chatas quanto ela, ainda mais aquela lá que se acha melhor do que ela porque ainda não teve problemas com álcool nem perdeu seu emprego. 

Mas é aquilo: é chato separadamente, mas no contexto geral da história faz sentido porque tudo é resultado de trauminha de relacionamento abusivo com homem escroto. Gente ruim pode causar muito estrago na vida das pessoas e esse, pra mim, é o verdadeiro plot do livro.

Você vai gostar se... curte mistérios e narrativas com personagens femininas. 

Em um quote: 

De vazio eu entendo. Começo a achar que não há nada a se fazer para preenchê-lo. Foi o que percebi com as sessões de terapia: os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvore ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas. 

Ovelha negra da família

Às vezes eu sinto que sou uma das filhas da sra. Bennet porque o tanto que minha mãe é obcecada por casamento só poderia ser explicado se ela tivesse saído diretamente do livro pra vida real. Ela acorda falando que sonhou comigo casando, almoça perguntando se tenho planos de casar, antes de dormir fala que mal pode esperar pelo dia do meu casamento. 

Como se casar fosse assim, né. 

Estamos em pleno 2017, na capital de um dos estados mais cheios de gente estranha e alternativa do país, e me sinto como se fosse Elizabeth Bennet eternamente fugindo do Mr. Collins e da própria mãe porque essa obsessão por casamento não pode ser saudável. 

Nestes 23 anos de vida fui pedida em casamento duas vezes. 
Na primeira eu tinha meus 16 anos e o cara era completamente retardado porque onde já se viu pedir em casamento uma guria que nem é maior de idade ainda? A gente namorava há alguns meses e eu me apavorei tanto que a coisa terminou por ali porque olha, questões, né. 

Na segunda eu tinha meus 19 e a gente namorava. Ele pediu, a gente até "noivou", usava aliancinha e tal, mas ele era muito Wickham e não prestava mesmo, tinha um caráter bem duvidoso. Ainda bem que não deu certo e a vida seguiu. 

Obviamente minha mãe ficou bravíssima nas duas ocasiões. 
Pra ela, namorar é pra casar. Porém eu nunca tive o sonho de casar. Não acho que casamento é o upgrade da vida - pelo contrário, acho que pode muito mais ser um atraso do que algo bom. E não, eu não sou contra o casamento. Eu sou contra essa coisa de casar às pressas pra "honrar os pais", "fazer bonito pra sociedade", "fazer como deus manda" e blablabla. Não é assim que as coisas funcionam há muito tempo e tá mais do que na hora das pessoas aceitarem isso. 

Mas se uma mulher namora por anos e não casa há duas alternativas para a sociedade: ou ela está sendo enrolada pelo rapaz ou ela é que não presta porque não quer subir ao altar. 

Olha, que coisa mais cansativa isso. 
Talvez as pessoas não casem porque estejam se conhecendo? Porque não tenham dinheiro pra se sustentar? Porque ainda têm metade de uma faculdade pela frente e nem perspectiva de um emprego estável à vista? Porque precisam de uma casa? Porque não querem morar com os pais? Porque casar é muito fácil, o difícil é sustentar uma casa com comida, roupa, produtos de limpeza, luz e água todos os dias? 

As pessoas só se importam com a cerimônia, com o vestido, com a boniteza do evento. Mas ninguém pensa no depois, nas contas e na total inabilidade de arrumar emprego num país em crise. 

Tenho uma sobrinha que vai se casar por esses dias. Ela tem 17 anos. O orgulho da família. Tenho outras duas sobrinhas que já casaram. Elas têm 21 e 19 anos. Ambas já são mães. Um dia eu ouvi de uma delas que ela tinha tudo e eu não tinha nada, eu era infeliz, eu era seca. Porque ela é casada e tem filhos. E é mais nova do que eu. 

Mas essa sobrinha que vai casar, ela é da igreja. Família toda da igreja. E eu sei como é o pensamento das gurias que crescem nesse meio. Cresci ouvindo os pastores e líderes de jovens falando de como é honrado casar, encontrar o homem que deus enviou e constituir família. Todas as meninas que cresceram comigo na igreja casaram e estão com filhos. Menos eu. Porque eu saí de lá na adolescência pra nunca mais voltar pra essa lavagem cerebral. 

Só que eu sou a errada porque namoro há mais de ano, me dou bem com a família do namorado, vou pra lá aos findes, tenho uma convivência bacana com todo mundo. Eu sou errada porque estou cursando uma graduação e pretendo terminá-la antes de pensar em casamento. Eu sou errada porque durante 3 anos trabalhei direto pra pagar conta em casa e ajudar minha família ao invés de constituir a minha própria família e ser o exemplo de guria, né? 

É. 

Eu sou muito errada por ter saído do século XVIII, em que as mulheres eram obrigadas a casar tanto pela sociedade quanto pra ter uma renda e não morrer de fome, e preferir estudar pra conseguir me sustentar por mim mesma. Eu sou bem errada mesmo por não ter já dois filhos e ficar o dia inteiro pensando em como a vida de mãe é maravilhosa. 

Eu sou bem errada por nem querer ter filhos.  

Assim como é errado você ter de escolher uma profissão pra o resto da vida aos 17 anos, também é errado casar aos 17, 18, 19, quando você nem se conhece direito, nem conhece o mundo, a recém começou a viver a vida e não tem meios pra se sustentar. "Ah, mas meu marido vai me sustentar." Cês me deem licença, mas eu acho isso bem horrível. Todo mundo deveria ter sua independência financeira. Passar por momentos em que um se desemprega é normal, mas casar já com o pensamento de ser sustentada é algo bem perigoso. Eu não contaria com isso. 

Depois aparece gente louca nas redes sociais falando coisas como "em vez de procurar emprego, casem com maridos que lhe sustentem e sejam fiéis como deus manda" e "não usem camisinha, quem usa camisinha é vagabunda que não é fiel ao seu marido" (exemplos reais, exemplos infelizmente verídicos) e aí temos um altíssimo índice de DSTs, ainda mais aqui em PoA - porque por mais modernosos que sejamos, o povo do Sul é extremamente conservador. 

Mas a escolha é de cada um, anyway. 
Só não venham querer me obrigar a seguir os moldes conservadores de vocês que isso eu não faço. 

Leiturinhas 09

~arte da capa da nova edição de Mrs. Dalloway, pela Penguin-Companhia~

Como eu disse no post anterior, decidi separar a parte das leituras e a parte dos filmes e séries do resuminho mensal porque aquilo tava ficando gigantesco e ain't nobody got time for that. Então agora vai ser assim: um post todo dedicado a falar do que li no mês anterior e o que estou lendo no momento. 

Vamos lá. 

.lidos


♥ Comecei o mês lendo um livro que me deu trabalho mas que foi tão maravilhoso que nem me importei: Atlas de nuvens é incrível em todos os sentidos. Já falei muito sobre ele aqui, mas não canso de dizer: LEIAM ESSE LIVRO!!!! Ele tem 6 histórias que se passam em tempos e locais diferentes e todas se entrelaçam de alguma forma. É demais. 

♥ Depois li O conto da aia, que foi bem difícil porque pra mim esse livro é de terror. Foi um livro que me assustou de verdade porque além de eu conhecer vários exemplos de locais que tiveram ou têm ainda um regime teocrático em que as mulheres não possuem voz alguma, como fui criada dentro de igreja e tenho uma família extremamente evangélica, percebi várias coisas no livro que são exatamente o que eu ouvia dentro da igreja quando ainda era obrigada a frequentar - mas ainda bem que a gente cresce e escolhe o próprio caminho. Falei sobre ele aqui, mas é sempre bom ressaltar que é uma leitura necessária pra vida. 

♥ Aí finalmente consegui ler algo mais leve e bonitinho - após 2 livros pesados eu tava precisando. Apesar do que todo mundo diz, eu gosto do Paulo Coelho. 100% nem aí pra vocês que fazem bullying com o cara sem nunca o terem lido ou pra o povo que só lê "alta literatura" (eu tenho PAVOR dessa expressão completamente falaciosa) e despreza o Mago. Gosto mesmo. E amei ler Brida. Li pra o Valkirias e o texto vai sair no Dia das Bruxas, mas depois vou escrever algo sobre ele aqui também. Pra adiantar: Brida é o relato real de uma moça que um dia se mandou pra o interior da Irlanda pra aprender magia. Recomendadíssimo. 

♥ Mas todo mês tem aquele livro que leva menos estrelinhas por ser incoerente ou chato ou simplesmente não ornar com a essência. Pra mim, esse foi o A garota no trem. Uma amiga me emprestou e eu realmente queria ter gostado, sempre vejo as pessoas falando bem desse livro, de como o mistério é surpreendente, de como a autora criou todo um enredo de tirar o fôlego. Aí fui ler, e... fuén. Descobri o grande mistério já nos primeiros capítulos e a leitura se tornou arrastada, só li pra ter certeza de que estava certa mesmo e também porque raramente largo um livro pela metade. Mas olha, não foi bacana. Tem apenas um aspecto que achei legal: são 3 narradoras, todas mulheres e cada uma conta uma história de abuso - mesmo sem perceber que foram/estão sendo abusadas. Essa questão ficou bacana, mas o mistério em si, não. 

♥ Porém, como setembro foi um mês relativamente bom, consegui encerrá-lo com um livro que MEU DEUS QUE INCRÍVEL. A Paralela (selo da Companhia das Letras) me enviou a versão de prova do novo lançamento deles, Fraude legítima, e o tanto que eu amei esse livro nem dá pra dizer apenas aqui (inclusive, já falei bastante sobre ele, confiram aqui). Após ler A garota no trem, que promete ser um mistério mas acabou sendo fuén, ler Fraude legítima foi um tapa na cara de como fazer um livro de mistério que realmente vá te deixar confusa até o final da leitura. QUE LIVRÃO. Não canso de dizer. Taí um lançamento que vale a pena. 

.lendo 

Outubro mal começou e já li 2 livros, mas foram TÃO, MAS TÃO RUINS que decidi largar tudo pra o alto e reler Orgulho e preconceito, que quase nem é uma releitura, e sim uma leitura, já que faz muitos anos que o li pela primeira vez (com 17, risos) e nem lembro mais direito da história a não ser pelas falas do filme de 2005. 

Tá sendo ótimo ler esse livro porque além do fato de Jane Austen = ♥, também adoro a história e a lembrança que tinha da primeira leitura é bem diferente do que estou percebendo agora. Antes achava o Mr. Darcy o maior babaca, agora percebo que eu virei o Mr. Darcy na vibe sai de mim gente estranha, quero ficar sozinho com meus livros


Eu adoro isso porque tem certos livros que a gente sempre vai ter uma nova visão na releitura (alguns, porque tem certas coisas que não mudam mesmo). Com A insustentável leveza do ser foi assim, com O retrato de Dorian Gray também - ambos são livros que sempre me fazem ver novas coisas a cada releitura. 

Então é isso, gente. 

Resuminho de setembro


Aparentemente passei todo setembro vendo The Tudors e nem me daria conta do fato se não fosse eu ser a louca das listas e ter registrado tudo no meu listography. Isso porque foi tudo muito rápido e intenso. Aliás, este ano todo está sendo rápido e intenso, tão intenso que na maior parte do tempo eu mal consigo sentir o que supostamente deveria estar sentindo e bam, já temos um novo sentimento impactante com o qual lidar. 

Resultado: não estou lidando com nenhum, portanto. 

Tem gente que diz que a culpa dessa vibe de inutilidade que pegou geral em setembro é do eclipse, da mudança de energias, um novo ciclo, blablabla. Eu honestamente tenho uma preguiça descomunal do povo hippie, zen, wicca, budista e essas vibes todas - se você for quaisquer uma dessas coisas saiba que não tenho nada contra você especificamente, até porque a probabilidade de nos conhecermos é bem pequena, mas o ranço é com o estereótipo ativista que fica feito tio do pavê gritando nas redes sociais que todos seríamos muito melhores se fizéssemos ______ (complete o espaço com yoga, meditação, tomar o sangue de Cristo, celebrar a menstruação, não comer carne ou o que a doutrina em questão mandar). Seja lá como for, tem todo um nicho da internet dizendo que a culpa é do eclipse e ontem eu parei pra analisar o quadro com uma amiga e... e se for? Nesse momento crédulo, que durou exatos 5 minutos porque essa coisa de repousar meu destino ou o destino coletivo da humanidade nas estrelas não é comigo, parei pra analisar todas as cagadas de setembro, e... não foram tantas assim, hein. Pensei que fosse bem pior, mas ó, tô equilibrada, tô sã, tô de boas. Seja lá o que for - eclipse, desespero de fim de ano, a crise -, tô lidando bem melhor do que já lidei com outras situações. Ou talvez isso se deva ao fato de eu não estar lidando at all. A posteridade irá dizer. 

Talvez o que tenha dado esse surto de não lembro o que fiz o mês inteiro seja o fato de que a última semana foi bem conturbada porque, tudo ao mesmo tempo, o homem ficou doente, aí como ele mora longe e me leva até Porto Alegre pra poder voltar pra casa eu não pude voltar porque sou geograficamente perdida mesmo, então fiquei lá, bem pasmada, cuidando pra que a febre dele não aumentasse e vendo uns filmes ruins no processo. Também tive que escrever 5 textos, reescrever 1 - que ficou horrível, mas vamo que vamo, não dá pra fazer o melhor sempre, especialmente quando estamos escrevendo num notebook cujo teclado se recusa a funcionar e não estamos em casa, com nossos livros, referências e trocentas coisinhas inúteis mas que total ajudam no bom funcionamento da coisa. Pra completar, tive de voltar correndinho no meio da semana por causa de uma entrevista que deu em zeros nada porque a vida às vezes é muito ridícula mesmo, mas isso fica pra outra hora. 

Eu ainda tenho 2 textos + 1 reportagem pra escrever, mas estou ignorando a questão no momento porque sem condições de me preocupar com isso numa manhã de quarta-feira que já está pela metade e só me faz lembrar que ainda tenho de ler um texto gigantesco pra aula de hoje. 

Enfim, a vida universitária é um cocô gigante flutuando no vaso. 

~this is my design~

Também fui assaltada lá pelo meio do mês e foi a coisa mais ridícula que poderia ter acontecido. Mas fiquei de boas, nem tremi, só entreguei as porcarias e segui meu caminho. Aí, na outra semana, tive de fazer uma reportagem de rádio ao vivo e mal consegui segurar o microfone porque A TREMEDEIRA MEU DEUS. 

Claramente minhas prioridades estão um pouco invertidas. 

.links.links.links.

♥ A Raquel escreveu o texto que eu queria ter escrito sobre The handmaid's tale. O livro, não a série. Porque a série eu comecei, mas ainda não terminei porque sinceramente. De desgraçamento mental já basta a vida. Mas ainda vou terminar de ver aquilo. 

♥ Uma das minhas pequenas obsessões da vida é pela era Tudor e eu acompanho sempre os textos do Tudor Brasil. Um deles eu amei demais: a análise do mapa astral de Elizabeth I, filha do Henricoitavo com a Ana Bolena e primeira rainha aceita pelo povo da Inglaterra (mulheres já haviam governado antes, mas nunca tinham sido tão aceitas quanto a Elizabeth - sua própria irmã, Mary Tudor, reinou antes dela, mas ficou conhecida como Bloody Mary por perseguir protestantes e matar todo mundo, então digamos que ela não era lá muito popular...). 

♥ No Valks sempre saem textos bons e a Júlia escreveu sobre Mãe!, aquele novo filme do Aronofsky. Eu nem vi o filme ainda, mas adorei as trocentas referências do texto e quero assistir pra ver qualéquié. O que me incomoda um pouco é todo esse hype em cima do Aronofsky. Okay, ele tem filmes bacanas (Cisne negro), mas calmaí. 

♥ Saiu uma matéria ótima na BBC Brasil sobre Monopoly, um jogo de tabuleiro que foi criado por uma mulher e pra denunciar os males do capitalismo - e acabou se tornando uma espécie de símbolo capitalista porque essa é a ótica do sistema. 

É isso, gente. 
Mudei os esquemas e vou fazer posts separados pra os livros lidos e filmes/séries do mês porque os posts estavam ficando gigantescos e ninguém tem tempo pra isso. 

Até. 

Fraude legítima

Fraude legítima
E. Lockhart
273 páginas
Seguinte
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: Jule é uma guria bem louca e que não sabe viver direito em sociedade, mas se adapta a qualquer lugar porque observa bem as regras sociais de onde está pra poder passar despercebida. Imogen é uma guria milionária que está 100% nem aí e só se importa em comer bem, sair bem vestida e viver sua juventude longe dos pais doentes. Quando as duas se encontram e descobrem coisas em comum, a vida fica bem estranha e tudo começa a dar errado de um jeito que não se sabe quem é errado ou certo na história. 

Por que ele é bom? Pensem num livro de mistério envolvente. Pensem num livro de mistério tão envolvente e bem escrito quanto os livros da Agatha Christie. Pensem em personagens coerentes e que fazem sentido na vida real, mas que ao mesmo tempo são espetaculares por serem únicas. Pensem isso e teremos Fraude Legítima

Eu nunca havia lido um livro da E. Lockhart porque pessoas próximas a mim (sim, estou olhando feio pra vocês agora) me disseram que os livros dela são chatos, sem sentido e com uma narrativa péssima. Okay, não li outro livro dela a não ser esse, mas já quero ler todos porque simplesmente sensacional. 

É difícil falar desse livro pra além da sinopse sem contar spoilers no processo, então vamos falar da estrutura dele: a história é contada de trás pra frente. O livro começa no capítulo 18 e a cada capítulo retrocedemos mais um pouco na história de Jule e Imogen e vamos descobrindo aos poucos o que diabos aconteceu entre aquelas duas. Esse estilo narrativo é maravilhoso demais porque começamos num ponto em que tudo já ocorreu e só então vamos juntando pecinha por pecinha do quebra-cabeça intrincado que E. Lockhart criou. 

Outra coisa de que gostei bastante é que, apesar do livro se passar nos dias atuais, temos muitas referências de literatura clássica, especialmente a do período vitoriano - e com uma pitadinha especial de Charles Dickens, cujos livros de órfãos são pontos super importantes na vida das duas meninas. 

Isso pra não falar nas várias passagens com feminismo transbordando - sério, é simplesmente demais e vocês precisam ler isso; eu rabisquei todo o meu exemplar de tão animada que fiquei ao ler esses trechos. 

Jule assistiu a uma porrada de filmes. Ela sabia que mulheres raramente eram o centro desse tipo de história. Não passavam de um refresco para os olhos, companheiras, vítimas ou interesses amorosos. Em geral, existiam para ajudar o grandioso herói branco e heterossexual em sua jornada épica e muito foda. Quando havia uma heroína, ela era muito magra, usava quase nenhuma roupa e tinha dentes perfeitos.
Jule sabia que não parecia com aquelas mulheres. Nunca ia parecer. Mas ela era tudo o que aqueles heróis eram - e, em certos aspectos, mais ainda. 

Por que ele é ruim? ELE NÃO É RUIM, VÃO LER ESSE LIVRO!!!! 


Você vai gostar se... adora bons livros de mistério, curte Agatha Christie, estava com saudade de mistérios bem escritos e tramas com espionagem e gente completamente insana que justifica suas mais horríveis ações com uma racionalidade assustadora. 

Em um quote: 

Como a heroína de um filme de ação, Jule West Williams era o centro da história. 

~livro cedido em parceria com a editora~ 

Nolite te bastardes carborundorum

O conto da aia 
Margaret Atwood
368 páginas
Rocco
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: por meados dos anos 80 um grupo fundamentalista teocrático aplica um golpe aos Estados Unidos, que passa a viver uma ditadura baseada nos preceitos bíblicos. É nesse cenário que conhecemos Offred, a nossa narradora, que nessa nova República de Gileade se tornou uma aia, ou seja, uma serva abençoada por Deus pra dar filhos àqueles que não conseguem mais tê-los. É uma distopia assustadora sobre o que acontece quando religião e política se misturam - mulheres oprimidas, pessoas sem direitos e abusos de poder pra todos os lados justificados em nome da fé. 

Por que ele é bom? Eu demorei uma semana e meia pra conseguir escrever esta resenha porque muitos feelings. Tudo que eu disser a respeito de como esse livro é bom não será nada comparado ao livro em si porque ele é excelente.

Talvez o fato de eu ter sido criada numa família extremamente religiosa fez com que eu tivesse medo genuíno enquanto lia as páginas desse livro. Mas seja lá pelo que for, o que nos faz ter medo do que a aia fala é que tudo o que é descrito pode ser real. Poderia ser. Poderia se tornar realidade. Basta que apenas algumas pessoas fiquem quietas em meio a mudanças sociais que restringem direitos de algumas partes da sociedade pra que esse tipo de realidade aconteça. Não é tão impossível assim.

Tudo começa aos poucos e então a coisa fica violenta. No início, as contas de banco de todas as mulheres são bloqueadas. E então é um passo pra que elas não possam mais trabalhar e tenham de depender inteiramente de seus pais e maridos. Não é muito diferente do que acontece em alguns países ainda hoje. Se a gente olhar, por exemplo, o que foi o regime Talibã no Afeganistão (há pouco mais de dez anos), veremos que essa realidade não está tão longe de nós quanto podemos pensar.

O livro é incrível porque é uma distopia que poderia ser real e que já se tornou realidade pra muita gente. E vamos lembrar que ele foi escrito na década de 80.

Tem um diálogo que a Offred, narradora de O conto da aia, tem com a mãe dela antes da ditadura teocrática tomar o poder que me fez pensar muito a respeito das coisas que estão acontecendo atualmente e como elas estão acontecendo: 

"Vocês jovens não dão valor às coisas, dizia. Não sabem as coisas por que tivemos que passar, só para conseguir fazer com que vocês chegassem onde estão. Olhe só para ele cortando as cenouras. Vocês não sabem quantas vidas de mulheres, quantos corpos de mulheres os tanques tiveram que passar por cima só para chegar a este ponto?
Cozinhar é o meu hobby, dizia Luke. Gosto de cozinhar.
Hobby, coisa de trouxa, diria a minha mãe. Você não precisa inventar desculpas para mim. Houve um tempo em que não lhe teria sido permitido ter um hobby desses, teriam chamado você de bicha.
Não, mãe, eu dizia. Não vamos começar a discutir por nada.
Por nada, dizia ela com amargura. Você chama isso de nada. Você não entende, não é. Você não entende absolutamente nada do que estou falando."

Fora toda essa crítica social a religião vs Estado, também há a questão da maternidade: mulheres estéreis eram literalmente consideradas Não Mulheres, retiradas da sua condição de gênero e passavam a trabalhar em campos altamente contaminados com radiação, pois não faria parte da sociedade quem fosse velha ou não pudesse produzir filhos. Nós, desde crianças, somos expostas a filmes e livros e todo o tipo de mídia e história sobre como a maternidade é maravilhosa e completa a mulher. Só que não é bem assim. E ainda bem que hoje em dia temos uma certa noção de que podemos dizer não a esses padrões sociais e viver nossas vidas sem filhos - ou com, se for uma escolha nossa. Mas imagine viver em uma sociedade em que você só tem valor se puder parir. E se você não puder parir, por ser velha ou coisa do tipo, mas estiver casada, então seu marido arrumará uma aia, uma mulher jovem e fértil, que lhe dará filhos - assim como os patriarcas da Bíblia fizeram. Horrível.

É assustador, mas necessário pra vida fazer essa leitura.

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Por que ele é ruim? Ele não é ruim de forma alguma, mas a leitura foi bem cansativa nas primeiras quarenta páginas. Só que isso se dá pelo fato de que, além da narrativa ser exaustiva por tratar de temas tão pesados, a narradora fala em primeira pessoa e eu tenho certa dificuldade com livros em primeira pessoa porque é tudo muito íntimo, muito restrito ao olhar daquela narradora. Prefiro livros com um narrador universal. Mas isso é questão de preferência mesmo. O livro não perde em nada por conta disso.

Você vai gostar se... for uma pessoa crítica, que gosta de distopias por elas nos trazerem cenários possíveis que devemos evitar. Também vai gostar quem gostou das distopias clássicas, como 1984 e Admirável mundo novo.

Em um quote:

"Somos para fins de procriação: não somos concubinas, garotas gueixas, cortesãs. Pelo contrário: tudo o que era possível foi feito para nos distanciar dessa categoria. [...] Somos úteros de duas pernas, apenas isso: receptáculos sagrados, cálices ambulantes." 

O cúmulo do ridículo

É estar andando tranquilamente da estação de trem pra o Mercado Público comprar 1 quilo de aveia e ser abordada por duas mulheres armadas que me roubaram exatamente: 
- meu CPF que estava quebrado e eu precisaria trocar de qualquer forma; 
- o cartão de um banco em que eu não tenho absolutamente nada; 
- 1 espelho arranhado; 
- 1 porta-níquel caindo aos pedaços; 
- uns trocados tão ricos que não dava pra comprar nem um livro; 
- 1 celular estragado que estava ali só em caso de roubo mesmo. 

O único inconveniente foi o CPF, de resto estamos de boas, estamos tranquilas. 

Mas que é ridículo, é. 

Affs

E é por isso que eu não gosto de pessoas

As pessoas sempre perguntam: "Mia, por que tu tem tanta raiva?", "Mia, por que tu não gosta de pessoas?" e variações ridículas dessas perguntas. A resposta é sempre a mesma: porque eu moro em Viamão e passo horas no transporte público todos os dias e não tem como você manter a serenidade nessas condições. 

Viamão é uma cidadezinha-dormitório que fica ao lado da capital, Porto Alegre. Quem já foi a Porto Alegre, especialmente pelo centro, sabe que aquilo é o inferno em forma de metrópole: gente gritando, gente suada, gente expelindo fumaças fedidas e fazendo com que seu banho com óleos perfumados e hidratação não adiante de nada porque todo mundo fede nessa cidade maldita. 

Viamão é pior. 

Por mais que Porto Alegre seja uma cidade dozinfernos porque as pessoas de todas as cidades vizinhas vão pra lá e tem uma lotação incrível de gente estranha, de todos os tipos, circulando em todos os lugares, por algum motivo - talvez justamente por ser MUITA gente - o povo se controla um pouco e é minimamente educado. 

Isso não acontece em Viamão. 

Em Viamão as pessoas só não se chutam porque todo mundo se cuida muito pra não ficar no caminho de ninguém. Pegar um ônibus viamonense significa andar no transporte oficial de Satanás porque é uma mistura de tudo que é ruim: sujeira, ônibus caindo aos pedaços sem manutenção e que não veem uma água com detergente há uns bons anos, cheiros estranhos de vômito, cachaça e cheetos, horários que simplesmente não são cumpridos pois os motoristas de Viamão são espíritos livres e encaram a tabela de horários como uma mera sugestão da empresa, cobradores que não dão troco e gente mal-educada. 

Veja bem, tudo isso que eu falei é apenas uma amostra porque o horror mesmo está no último item: as pessoas mal-educadas. E se você vier aqui me dizer que é preciso amar as pessoas com se não houvesse amanhã e toda essa vibe só-o-amor-salva eu vou lhe dar uns tabefes virtuais porque vá tomar no meio do seu cy. Eu odeio gente mal-educada e jamais compreenderei pessoas que vão pra um transporte coletivo pra azucrinar a existência alheia. 


As pessoas nos ônibus dessa cidade dozinfernos - que nem hospital tem porque FECHOU e cujos postos de saúde não funcionam - simplesmente entram nas viagens pra fazer seu pior. Cada viagem é como uma competição de Quem Pode Fazer Pior. A começar pelo fato de que aparentemente ninguém toma banho. Não sei quantas vezes tive que enrolar a echarpe na cara porque não estava sendo possível respirar sem querer vomitar a cada segundo por causa do fedor. Não sei como diabos alguém sai de casa fedendo, mas as pessoas de Viamão têm esse dom e parecem não se importar nem um pouco com a palavra do sabonete. 

Como se isso não bastasse, elas gritam. O tempo todo. Sobre tudo. Porque aparentemente o cidadão viamonense médio desconhece o uso do volume normal e comedido em conversas. Ele quer que todo o ônibus escute o que ele diz. E grita. E gargalha. E grita mais um pouco. 

Imagine um ônibus com mais de setenta pessoas gritando e fedendo. Pois é. 


Aí vem o que aconteceu ontem. Uma noite infernal, 23h e eu cansadíssima só querendo ir pra casa. Não achei lugar pra sentar, havia cerca de 70 pessoas sentadas + 30 de pé e fiquei espremida num canto, de pé, esperando aquela longa viagem dozinfernos terminar. Mas parece que quando a gente quer chegar logo num lugar aí é que a coisa demora, e não foi diferente dessa vez.

Porém, tive sorte: vagou um lugar. Corri pra ficar sentadinha, abri o livrinho da vez (Brida, sim, do Paulo Coelho, e vocês aí com seu preconceito literário que vão catar coquinho) e fiquei felizinha lendo. Quer dizer, assim estava, até acontecer de um grupo de passageiros começar a ter uma animada reuniãozinha uns bancos atrás de mim.

Juro pela deusa que não é que eu odeie pessoas, mas ninguém coopera pra ser querido porque vamos combinar que a última coisa que se quer num ônibus lotado, fedido, que ainda tem 1h de viagem às 23h é ouvir gente gritando, gargalhando e fazendo tamanho escândalo que olhei pra trás porque jurei que uma daquelas pessoas estava com um megafone.

Mas a errada sou eu por detestar pessoas, né? É.

O resultado disso foi uma dor de ouvido por causa dos gritos dessa gente. Eu tenho ouvidos sensíveis. Não suporto nem gente falando alto perto de mim (vejebem que eu disse alto), que o fará gritando. A dor foi tanta que mal consegui dormir, acordei diversas vezes no meio da noite e fiquei com dor - que se espalhou pela cabeça - até metade da tarde de hoje. Mesmo medicada. Porque AS PESSOAS SÃO UNS VERMES SEM EDUCAÇÃO QUE NÃO SABEM SE COMPORTAR EM PÚBLICO!!!!

Mas a gente tem que amar as pessoas como se não houvesse amanhã senão o fantasma do Renato Russo vem puxar nosso pé, né?

É.
 

Um atlas todo feito de nuvens

Atlas de nuvens
David Mitchell
538 páginas
Companhia das Letras
Ano de publicação: 2016 

Sobre o que é: David Mitchell decidiu escrever um livro com seis histórias diferentes, mas que na verdade são a mesma: a grande história da humanidade e como ela sempre acaba estragando tudo por causa da ganância e do desejo de poder absoluto. De acordo com o Skoob, o livro é sobre "um viajante forçado a atravessar o oceano Pacífico em 1850; um jovem compositor deserdado, conquistando à força de tortuosas invenções um modo de vida precário num solar da Bélgica, entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra; uma jornalista com princípios morais na Califórnia do governador Reagan; um editor menor fugindo aos seus credores mafiosos; o testamento de uma 'criada de restaurante' geneticamente modificada, ditado na ala da morte; e Zachry, jovem ilhéu do Pacífico que assiste ao crepúsculo da Ciência e da Civilização: são os narradores de 'Atlas de Nuvens', que escutam os ecos uns dos outros através dos corredores da história e veem os seus destinos alterados de várias maneiras." Eu não vou discordar, mas ele é sobre muito, muito mais do que isso. 

"Deitado no fundo do caiaque fiquei veno as nuve. As alma travessa os tempo que nem as nuve travessa o céu, e por mais que mude a forma e a cor e o tamanho da nuve ela continua seno nuve, e as alma tamém. Quem que sabe dizer de adonde que veio a nuve ou quem que a alma vai ser amanhã? Só Sonmi o leste e o oeste e a bussa e o atlas, é, só o atlas de nuve." 

Ano passado vi o filme que fizeram desse livro. É um filme gigantesco, de 3 horas, chamado Cloud Atlas (e horrivelmente traduzido como A Viagem porque por algum motivo o pessoal da indústria cinematográfica acha que brasileiro é burro e não entenderia a referência do título), mas que eu vi sem nem notar a duração e terminei querendo mais. Tanto que em seguida revi o filme. Fiquei completamente obcecada com a história e fui pesquisar sobre. Aí descobri que a Companhia das Letras havia recém lançado o livro aqui em nossas terras. EU PRECISAVA DELE. Fiquei tão contente que assim que consegui a parceria com a editora (♥) solicitei o livro. 

Eu sou uma pessoa que acredita em reencarnação, que acredita em outras vidas e que o propósito de uma alma não é cumprido em apenas uma vida, mas sim em várias. Também acredito que ninguém precisa ser O Grande Salvador pra ter um destino e que mudanças - destinadas ou não a acontecer - acontecem de pessoas comuns, gente como a gente que estuda, trabalha e vive da melhor forma possível. 

É sobre isso que esse livro trata. São seis histórias que se entrelaçam. Cada história se passa numa época diferente e tem pessoas diferentes, porém a gente percebe que algumas dessas pessoas são as mesmas, mas vivendo situações bem diversas, só que com um tema em comum: pessoas gananciosas querendo levar vantagem mesmo que os outros se ferrem. E é aí que essas personagens são colocadas em teste: me meter e acabar mal ou olhar pra o lado e esperar que outro tome conta da situação? 

As seis histórias são lindas, cada uma de um jeito. 
(Não tem spoilers, podem relaxar que não faria uma malvadeza dessas.) 

Na primeira, Diário de viagem ao Pacífico de Adam Ewing, um simples advogado americano do século XIX acaba se metendo numa viagem ao Pacífico e registra em seu diário as crueldades que ele viu serem cometidas contra negros e índios - e é aí que ele percebe que o admirável homem branco & europeu não é tão bonzinho assim e que os missionários cristãos não estão lá no meio dos índios apenas de boa vontade para servir ao "Senhor".

Anos depois, na segunda história, Cartas de Zedelghem, em 1931, um rapaz chamado Robert Frobisher é apaixonado por música e quer muito dedicar sua vida a isso, só que a família o rejeitou porque "onde já se viu um músico numa família renomada!", então ele tenta viver a vida sem nenhum tostão e acaba tendo suas ideias roubadas por um músico já prestigiado, mas velho e doente, que o emprega só pra poder produzir mais alguma coisa antes de morrer e ser conhecido por ter uma obra decente. Enquanto passa perrengues com esse músico, Robert acha um velho diário de viagem de um advogado americano e fica fazendo leitura daquilo, maravilhado. Enquanto isso, ele escreve cartas para Rufus Sixsmith, seu melhor amigo e amante. 

Mais alguns anos se passam e temos a terceira história, Meias-vidas - o primeiro romance policial da série Luisa Rey, meu núcleo preferido do livro, o núcleo jornalístico de Luisa Rey, uma foca cujo pai era um baita jornalista, mas que não quer viver à sombra do pai e infelizmente só consegue trabalho em um jornal que está 100% nem aí pra verdade dos fatos. Até que um dia ela fica presa no elevador com um senhorzinho físico chamado Sixsmith, que era o amor da vida do jovem Robert Frobisher lá na década de 30. Sixsmith acaba confiando naquela guria não apenas por ter ouvido falar do pai dela ou por ela parecer honesta, mas porque ela tem o mesmo sinal em forma de cometa que o Robert tinha. E aí Luisa se envolve numa conspiração louquíssima cheia de assassinos e problemas de gente com poder querendo mais poder. 

Não sabemos quanto tempo se passa entre a terceira e a quarta histórias, mas a quarta é a mais divertida de todas: O pavoroso calvário de Timothy Cavendish é a história de um senhorzinho editor de livros que foi parar num asilo horroroso graças a seu irmão, que o trancou lá dizendo que era um hotel. São horríveis as situações pelas quais ele passa, mas ele tenta matar o tempo lendo um manuscrito de um livro que ele recebeu: o primeiro romance policial da série Luisa Rey. E justamente essa história o inspira a fazer algo que ele nunca faria. 

Então muitos séculos se passam e estamos mais ou menos em 2250, na Coréia, e essa parte do livro é uma entrevista, Uma rogativa de Sonmi~451, em que a Sonmi, uma nascida-clone pra servir durante 12 anos numa rede de fast food, acaba se libertando e conhecendo o mundo fora daquele rede e percebendo como o governo escraviza pessoas para ter mais lucro. O mundo virou uma coisa louca, um Grande Império Capitalista, e as pessoas não são cidadãos, mas consumidoras. 

Novamente não dá pra saber quanto tempo se passa, mas a sexta história é no Havaí pós-Queda, ou seja: aquele mundo da Sonmi acabou sendo completamente tomado por consumidores e eles consumiram tanto que esgotaram os recursos naturais e toda sua produção tecnológica se extinguiu por falta de conhecimento pra lidar com aquilo e/ou matéria-prima. O vau do Sloosha e o que deu adespois é narrado por Zachry, um rapaz do Vale que um dia é obrigado a hospedar uma Presciente, uma mulher "das Ciença", do que restou da Queda, e vê sua vida mudar por conta disso. 


Atlas de Nuvens é um livro lindo, visualmente e também no conteúdo. Não gosto muito de livros com mensagens porque parece que eles tendem a ver o leitor como meio burro, que precisa ter uma moral da história pra entender as coisas. Também não acho que histórias precisem ter uma moral no final ou uma lição ou qualquer coisa que o valha. Acredito demais no poder da ficção de nos levar a outros lugares pra poder compactuar com essa ideia velha de que a gente lê pra aprender algo. A gente lê porque quer, porque gosta, porque é bom. A gente lê pra conhecer novos lugares ou pra se entreter. Mas não porque temos de aprender algo e fazer algo útil. A vida já nos cobra utilidade demais e certamente não precisamos colocar isso na nossa esfera de entretenimento e paz. 

Só que esse livro tem uma mensagem e não dá pra ignorar isso. Também não dá pra dizer que ele é ruim. Acho que o que o David Mitchell fez é genial porque ele não nos esfrega uma lição na cara ou nos diz "viram, é isso que vocês deixaram escapar e eu me dei conta e estou mostrando, rá!". O que ele faz é simplesmente nos acompanhar cenas de vidas de gente comum, de gente normal, de gente que estava ali vivendo e que se deparou com situações que poderiam e acontecem na nossa vida cotidiana: gente sofrendo preconceito, pessoas com poder aquisitivo e/ou intelectual humilhando outras, um governo sem escrúpulos que escraviza seu povo, mas diz que tá tudo bem. 

O livro não é sobre reencarnação, mas tem pistas sutis que mostram que as personagens foram as outras em tempos passados. Eu acho isso muito consistente com as minhas crenças, mas tudo bem não achar. O livro não vai ficar menos bonito ou interessante se a gente ignorar completamente o fator vidas passadas. 

"É isso aí, mais ou menos. A meia-idade passou, mas é a atitude, e não o número de anos, que condena uma criatura à condição de Morto-Vivo, ou então lhe concede a salvação. No mundo dos jovens vivem muitas almas Mortas-Vivas. Elas correm de um lado para o outro de tal modo que sua putrefação interior permanece oculta por algumas décadas, só isso." 

Uma coisa que eu achei incrível e não posso deixar de mencionar é que o autor (e o tradutor, convenhamos) fez algo que a gente não tá acostumado: usou uma linguagem pra cada parte do livro. Como são seis histórias que se passam em épocas diferentes, a linguagem muda completamente de uma pra outra. Na do Adam Ewing, temos aquela escrita bem clássica, de 1800 e antigamente. Já quando a gente chega na da Somni, vemos que os "h" caíram e palavras como "história" agora viraram istória - coisa que eu acho que total vai acontecer e realmente vejo nossa gramática caminhando pra uma forma mais simples de escrita. Só que a grande surpresa é quando chegamos à última parte e percebemos que a linguagem ficou absurdamente simples, com aglomeração de palavras e sendo tudo extremamente coloquial. Inteligentíssimo da parte do David Mitchell, hein. Um pouco trabalhoso pra leitura, mas nada que realmente vá atrapalhar. 


Somos todos gotas d'água, afinal de contas

É um livro lindo, lindo, lindo demais que precisa ser lido, relido e guardado com muito carinho pra eventuais consultas. (Assim como o filme. ASSISTAM AO FILME. Não tem como não gostar.) 

Resuminho de agosto


Depois de um merecido descanso pós-BEDA, estamos aqui pra falar de agosto. Agosto foi mês de BEDA, ou seja, teve texto todo dia aqui no blog porque o pessoal da blogosfera entra numa loucura coletiva todo ano - ainda bem, adoro isso. Mas é até difícil falar desse mês porque O QUE FALAR, já que está tudo registrado nos trinta e um dias de posts? 

Como eu já falei, bedar é sempre uma experiência bacana e de autoconhecimento, mas também cansativa demais. E justamente por isso que eu não consigo entender como li OITO LIVROS EM AGOSTO.

Quer dizer, não é como se eu tivesse passado meu agosto à toa, somente lendo livrinhos e escrevendo textos diários no blog. Tive aulas, tive de dar atenção pras pessoas (sempre um suplício porque por algum motivo que desconheço as pessoas querem que eu lhes dê atenção; acho que ainda não descobriram que eu sou uma pessoa desinteressante, mas enfim), tive de ser funcional mesmo com dorzinhas no joelho que ainda persistem e vontade de matar meio mundo porque as pessoas são muito mal educadas. Mas cá estamos, com 8 leiturinhas no mês.

.do que li 


Finalmente terminei de ler a saga Harry Potter e muitos feels. Não tantos quanto eu imaginava, mas mesmo assim muitos. Quer dizer, eu pensei que fosse chorar, que ficaria triste, que blablabla. Mas nem? Gostei demais, só que não foi aquela emoção toda que sempre vejo as pessoas falarem que sentem ao ler os livros - o último especialmente.

Agora, o que dizer de Harry Potter e a criança amaldiçoada? Acho que já disse tudo o que havia pra ser dito aqui, mas reitero e reafirmo que J.K. VOCÊ ESTÁ LOUCA. 


Também reli o meu livro preferido da vida, também conhecido como A insustentável leveza do ser. Recentemente saiu um certo vídeo por aí falando de como o livro é erótico e sem enredo e sem roteiro e, olha: apenas não. O livro é maravilhoso, nada erótico e o enredo existe sim, só que não é da maneira como estamos acostumados a ler. Enfim, melhor leiturinha do mês. ♥

Acabei lendo A guerra não tem rosto de mulher pra faculdade, mas é aquele tipo de leitura que fica pra vida porque todo mundo deveria ler esse livro. Sim, mesmo quem não gosta de reportagens. Sim, mesmo quem não é fã da temática ~guerra~. Isso porque a gente precisa conhecer a história das mulheres que lutaram na guerra. (E não, as mulheres não foram apenas enfermeiras na guerra, isso quem nos faz pensar é a indústria cinematográfica e nossos livros de história, que são escritos majoritariamente por homens.)

Também li meu primeiro livrinho da Jojo Moyes, Em busca de abrigo. É aquilo que já falei: pensei que fosse odiar, mas acabei gostando bastante pois não é meloso e trata de dramas familiares. Essa vibe famílias que se odeiam muito me apetece e o livro não foi nada do que eu esperava - ainda bem!

Ainda li outros dois livros que não estão nas imagens porque não achei imagens com resolução decente deles no Grande Oráculo: O livreiro de Cabul, que é outra reportagem que conta as impressões de uma repórter norueguesa que passou 3 meses morando com uma família afegã após a queda do regime Talibã, em 2001. Em uma palavra: tenso. O que ela mostrou com esse livro-reportagem são as condições horríveis em que vivem as mulheres afegãs, como elas são vistas como mercadoria e maltratadas por todos. É simplesmente horrível.

Depois disso desanuviei lendo algo engraçado de tão bobo - mas divertido mesmo assim. Descubra a missão de sua alma usando a astrologia kármica foi um livro que devorei em um dia pois divertidíssimo - e tem algumas coisas aplicáveis à vida, eu acho. Descobri que a cor da minha alma é vermelho escuro e, sendo coincidência ou não, essa é a minha cor preferida e estou sempre com alguma peça vermelha no corpo. Também descobri que preciso ser mais escorpiana, mas acho que ninguém aqui quer isso porque se eu tiver mais características escorpiônicas vou virar uma pessoa muito mais séria do que já sou e estamos bem com a vibe aquariana de ser.

.do que estou lendo 

Tô na metade de Atlas de Nuvens e cheguei naquela parte em que o Zachry narra e, gente: essa parte tá difícil porque o David Mitchell resolveu mudar a forma de linguagem pra cada narrador/época, o que eu achei bem genial, só que quando chegamos nessa época, que se passa num futuro pós queda da humanidade altamente tecnológica e os seres humanos vivem uma nova Era do Bronze, a linguagem é bem prática, com uma gramática terrivelmente pobre e isso dá nos nervos.

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Na lista de leituras próximas, tô bem aflita porque tenho uma pilha de uns 10 livros pra ler, mas minhas prioridades estão entre O conto da aia e Brida (que veio em parceria com a editora pra o Valks ♥).

E é isso, gente.
Tô com uns trabalhos de reportagem em texto e em áudio pra fazer e vamos ver como se dará o processo de leitura e bloguices. Vamo que vamo que a gente consegue. 

Blogday 2017

Este é o terceiro Blogday que escrevo neste blog e preciso dizer que a sensação de cumprir algo que prometi pra mim mesma, sem falhar nem um diazinho sequer ao longo dos últimos 3 anos, é bem bacana. 

Juro que pensei que não fosse dar. Meu deus, pensei isso demais porque SÃO TRINTA E UM DIAS ESCREVENDO E POSTANDO SEM PAUSA. Haja pauta. Mas o legal disso é que eu acabei lembrando do porquê criei um blog: sim, pra escrever e treinar minha escrita e minha capacidade de lidar com pessoas, mas principalmente pra falar do cotidiano, das coisas que me acontecem e que eu acho legais (ou não). 

~imagens reais dos últimos dias de BEDA~

Nos últimos dois anos a blogosfera meio que deu uma morrida. Não morremos, obviamente. Pelo menos eu continuo aqui - assim como muita gente bonita e legal também. Mas os blogs viraram nichos de literatura, beleza e cultura pop. Nada contra, só que sinto falta dos blogs diarinho, sim. Eu acabei deixando essa coisa de blog diarinho meio de lado também porque passei a achar que minha vida é desinteressante e nada do que eu diga vai mudar o mundo. 

Só que ninguém tá aqui pra mudar o mundo. 
Okay, talvez você, pessoa extremamente otimista que está lendo este texto, tenha pretensões de mudar o mundo. Bem, parabéns. Mas eu não tenho. Ao menos não o mundo numa esfera global. Mas eu blogo pra mudar o meu mundo. Eu blogo, ainda em 2017, porque isso me faz um bem danado, porque me conecta a pessoas queridas - que eu provavelmente jamais conheceria se não fosse por essa mania de overshare que a gente tem - e porque é uma ótima forma de organizar meus pensamentos e também ter um registro do que diabos acontece na vida. 

Infelizmente a vida tá tão corrida que mal tive tempo de acompanhar os blogs que participaram, mas como os links ficam salvos lá no grupo do fb (se organizar, todo mundo bloga), vou colocar tudo em dia e responder a comentários durante o mês de setembro. 

Porém, vamos pra melhor parte do Blogday: INDICAÇÕES DE BLOGUINHOS-AMOR! ♥ 

Vou começar pelas amigas de Cilada. A gente meio que se reuniu no BEDA do ano passado, fizemos nosso grupinho e agora a gente se fala todos os dias sobre tudo porque viramos amigas mesmo. This is why eu continuo blogando. 

BEYOND CLOUD NINE - a Manu é uma das melhores pessoas desta internet e sempre que vejo que tem post dela vou correndo ler porque sei que vou me identificar em algum nível. Amei tantos posts dela nesse agosto que fica até difícil escolher um pra indicar, mas leiam aquele em que ela fala mal das modas dos anos 2000. SÓ HÁ VERDADES ALI. 

LIMONADA - teve um BEDA em que chamei menina Tati de mascote da blogosfera por ela ser a mais novinha entre nós e também essa pessoa querida que é. O blog dela mudou de Novembro Inconstante pra Limonada, mas continua tão bom quanto antes. Dela, eu recomendo o post que ela escreveu pra o celular dela, que morreu - e eu me senti muito compreendida porque o meu também morreu nesse agosto e muitos feelings. 

LUNATIC PISCES - a Michas eu conheci no BEDA do ano passado e adoro ler tudo que ela escreve desde então - inclusive, gostaria que escrevesse mais, mas a vida não é fácil. Dela eu recomendo fortemente aquele em que ela fala de situações escrotas na academia e como gostaria de ter respondido. Academia, um ódio real, um ódio sincero. 

STARSHIPS AND QUEENS - eu não sei explicar por que não era mais próxima da Anita em todos esses anos de blogosfera, mas o Cilada surgiu e estamos aí - além dela ser amiga ciladete também é minha "chefa" no Valkirias e uma pessoa sensacional. O blog dela também é maravilhoso e um texto que me marcou desse agosto foi aquele em que ela fala sobre a menina mais bonita da faculdade. Recomendo. 

E agora outros bloguinhos que acompanhei (naquelas, sendo relapsa, mas estava lá) durante este BEDA: 

A LIFE LESS ORDINARY - o blog da Cacá já é antigo aqui, sempre o recomendo porque muito maravilhoso. Dela, indico aquele em que ela ensina a fazer uma letra bonita hahaha ♥ 

E AGORA, ISADORA? - realmente foi uma surpresa ver que a Isa participaria do BEDA este ano - uma surpresa boa, por sinal. Adoro o blog dela, mas acho que talvez ela nem saiba porque sou uma leitora relapsa e mal comento, risos. O post que indico é um que me fez rir demais, em que ela conta 3 situações constrangedoras pelas quais passou

LAPSOS - o blog da Natália eu conheci este ano e acabei gostando porque ela tem um humor seco, sabe? Uma forma direta de falar as coisas - coisa de que gosto muito porque se tem algo que me irrita é gente que enroooooola pra falar algo. Um post dela de que gostei bastante foi o das 50 perguntas - é um meme, mas é muito bacana porque percebi que tenho mais coisas em comum com ela do que imaginava. 

MEU TRONCO TEM ALGO A DIZER - eu não fazia ideia de que a Jess tinha um blog. Aliás, eu fui conhecer essa guria no twitter por indicação de pessoas legais de uma amiga, e aí descobri que não apenas ela é da minha cidade como também é do Valks e adora coisas antigas pras quais quase ninguém dá a mínima! Muita identificação. Fiquei bem contente de descobrir o blog dela e amei o texto que ela escreveu sobre O Túmulo de Lênin, que é um livrão sobre a queda da União Soviética - e eu adoro esses assuntos, né. Recomendadíssimo. 

SUSPIRARE - a Ana é uma pessoa que também conheci no BEDA passado e o blog dela é muito amor, muito delicado. Como eu sou essa rata de biblioteca e acredito piamente que livros dizem muito sobre alguém, adorei o post em que ela lista os 10 livros que a marcaram


Aqui no blog, foram muitos posts bacanas também (uns mais do que outros). 
Foram 5 resenhas - provavelmente meu recorde de resenhas em um mês: 

E alguns dos meus posts favoritos: 

~eu, após saber que alguém leu meus posts durante o BEDA~

E é isso, gente. 
Agora, BEDA só em agosto que vem - e vamos ficar uns diazinhos de férias aqui no blog porque essa coisa de escrever todos os dias sem pausinha é muito cansativa.