Natal literário

Mais um Natal está chegando. 
MAIS UM NATAL ESTÁ CHEGANDO. 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH 

Okay, parou o surto. 
Voltando ao assunto, faltam 10 dias pra o Natal, então as gurias do Cilada (Michas, Manu, Ana Luíza e Tati) e eu decidimos fazer um meme literário de Natal porque a gente ama muito memes, livros e coisas natalinas, risos. Não tem jeito, somos blogueiras ridículas, mas somos felizes. Entonces, bora: 


1. Natal dos sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal

O Morro dos Ventos Uivantes, porque obviamente a minha obsessão com a Inglaterra e seus quilos de neve natalinos ainda não terminou e eu quero isso demais na minha vida. (Mas não quero Heathcliff obcecadão e todo trabalhado na vingança, hein. Isso eu dispenso.) 


2. Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado o seu ano 

Alucinadamente Feliz, que é provavelmente a grande referência literária deste ano. No livro, a Jenny Lawson conta como é viver com ansiedade, depressão, síndrome do pânico (entre outras coisas) e se forçar a ser feliz porque CHEGA DE TRISTEZA. A pessoa ri. A pessoa chora de ri. A pessoa ri e chora porque se identifica com as situações, mas percebe que a gente pode sim ser alucinadamente feliz SÓ DE RAIVA e tá tudo bem. 


3. Pisca-Pisca: um livro com assunto LGBT 

Amora é um livro lindo lindo lindo escrito pela Natalia Borges Polesso, uma autora gaúcha e que estuda na minha universidade ♥ Nele há vários contos, todos com temática lésbica, mas sem ser aquela coisa que a gente vê por aí quando se fala em lesbianismo, de homens sexualizando mulheres como fetiche e tal. Como a Natalia é lésbica, ela escreveu do que ela conhece e sem toda aquela objetificação horrível. Ousseje: leia mulheres, seja feliz e não passe raiva com livros. 


4. Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente para todo mundo 

Tem vários livros que eu até gostaria de dar de presente, mas sei que as pessoas não os leriam. Então, minha escolha é Comer, rezar, amar, que é um livro que li ano passado e achei demais. Mudou várias coisas em mim e me ajudou a esclarecer certas questões internas. Apesar de parecer um clichê, é realmente um livro excelente e acho que todo mundo deveria lê-lo ao menos uma vez na vida. 


5. Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente 

Tartarugas até lá embaixo, do João Verde. Eu nem sou uma pessoa-joão-verde, mas achei a premissa desse livro TÃO BACANA que quero demais. Inclusive, tá na lista de presentes que quero pra o amigo secreto e realmente espero que a pessoa que me tirou me dê esse livro, hein. VIU AMIGO SECRETO. 


6. White Christmas: um livro com a capa branca 

Totalmente branca não rola, mas predominantemente branca tem o Não vai acontecer aqui, que li este ano por parceria com a Companhia e tem uma das capas mais incríveis (e condizentes com o livro) que já vi. 


7. Bengalas doces: 3 livros com a capa em "candy colors" 

Foi muito difícil encontrar livros pra essa resposta porque todos os meus são com cores de morte, destruição, desespero. Mas depois de revirar meu skoob inteiro, encontrei alguns: Anna e o planeta, que ainda quero muito ler, ME DEEM DE PRESENTE, Fangirl, que faz alguns anos que li e achei bem fofinho, apesar de não ser muito a minha vibe e Persuasão, nessa edição bonitosa da Martin Claret ♥ (não me digam que isso não é candy color porque foi o mais próximo a que cheguei, hein). 


8. Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos 

Lá vem a Mia de novo com A insustentável leveza do ser. Sim. Mas é claro. O melhor livro da vida, sempre dou um jeitinho de relê-lo porque, além de dar um quentinho no coração, percebo algo novo a cada leitura. (Assim como em O retrato de Dorian Gray.) 


9. Chocolate quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração 

Clichê dos clichês, mas aqui trabalhamos com verdades: Harry Potter. Todos eles. Li todos este ano e foi simplesmente maravilhoso, me senti ótima e quero fazer ainda muitas releituras dessa série linda. (Aliás, ontem meu sobrinho de 11 anos chegou aqui, sentou na minha frente e me perguntou: "Mia, tu já leu Harry Potter?". A pergunta rendeu duas horas de conversa sobre o mundo bruxo e tô muito tia orgulhosa do sobrinho que tá nos passos da leitura, sim.)  


10. Voando em renas: um livro que te fez acreditar no impossível 

Atlas de nuvens. Esse livro, além de fisicamente lindíssimo, tem uma história muito bem trabalhada que realmente me fez acreditar em propósito de vida e que nada é em vão, que até as pequenas atitudes que a gente acha que são ridículas têm um motivo, mesmo que a gente não veja o porquê de tudo. LEIAM ESSE LIVRO, VEJAM O FILME (Cloud Atlas), SEJAM FELIZES. 


*

É isso, gente. 
Com este post abri oficialmente a temporada de Natal e fim de ano aqui no blog. Tem um monte de posts temáticos que estão sendo preparados e EU REALMENTE ADORO FINAL DE ANO TUDO BONITO LUZINHAS GENTE FELIZ COMIDA BOA AAAAAAAAH ♥ 

Leiturinhas 011

~não sei de quem é a imagem, a achei no pinterest e combina perfeitamente com o mês; mas se alguém souber o artista criador deixe nos comentários que eu coloco os créditos aqui~

Eu amo muito o fato de que separei as leiturinhas do mês do post de resuminho porque, bem, eu falo demais sobre o que eu leio (eu sei, poderia voltar às antigas no blog e falar mais sobre a minha vida e menos sobre livros, mas descobri que existem pessoas realmente muito amargas que se aproveitam de qualquer coisa que a gente escreva sobre nossas dificuldades pra fazer da nossa vida um inferno, então não, obrigada), então acho que foi uma boa decisão. 

Nem tão boa assim foi a minha quantidade de leituras em novembro: foram apenas 2 livros. Como todos já sabem, o culpado foi o Monstro do Final de Semestre, que comeu meu tempo e meu ânimo pra fazer qualquer coisa além de provas e trabalhos gigantescos, mas conseguimos vencê-lo e cá estamos, em férias e já lendo coisas maravilhosas. 

.lidos


♥ Como disse, foram dois livros lidos. O primeiro foi um que achei que seria ótimo, mas nem foi tanto assim - porém também não foi tão ruim quanto pensei que seria quando a coisa começou a degringolar. Não vai acontecer aqui, do Sinclair Lewis, é um livro sobre o qual já falei bastante e, apesar dos pesares, realmente acho que merece uma leitura, especialmente do povo que se interessa por política e distopias. Não é nada parecido com as distopias adolescentes, tipo Jogos Vorazes, claro, mas mesmo assim é bem bacana pelas reflexões que a gente faz de como uma democracia se transforma numa ditadura aos pouquinhos. Pretty scary, indeed. 

♥ Depois eu li um que me deu muitas alegrias e tristezas. Apesar de saber o final da história de antemão, ler As irmãs Romanov, da Helen Rappaport, foi algo um pouco dolorido. Amei conhecer mais sobre as vidas das meninas e também conhecer a verdadeira história da Anastasia (sim, aquela da animação que marcou a infância de metade da minha geração), mas ao mesmo tempo foi duro ver como elas sofreram na prisão na Sibéria e ter de lidar com os horrores que a Revolução Bolchevique cometeu. Eu realmente acho que a Revolução trouxe coisas muito boas pra Rússia, mas obviamente teve seus erros (NÉ, LÊNIN) e muita gente inocente foi assassinada por causa disso, inclusive as quatro meninas Romanov, seu irmão de 13 anos e seus pais, que só queriam mesmo uma vida tranquila com a família e não tinham culpa de ter nascido na realeza. 

Adoro ler sobre histórias reais da monarquia porque sempre penso que não é fácil ser princesa. É uma vida muito solitária, especialmente pra meninas. A pessoa não tem culpa de ter nascido ali, mas por causa de sua posição não pode se aproximar de quase ninguém e os erros políticos dos outros recaem sobre a família inteira. A gente cresce vendo histórias de princesa, mas não sabe como é (foi) complicada a vida dessa gente real. 

.lendo 

Finalmente tomei coragem e peguei pra ler um livro lindo lindo lindo que estou amando: Anna Kariênina, do Tolstói. Recebi o livro pela Companhia em agosto e estava encarando ele na estante desde então, com medo de lê-lo porque achei que demoraria demais na leitura (são quase 900 páginas de calhamaço russo!) ou que poderia ser chato demais. GENTE, COMO EU ESTAVA ENGANADA. Esse livro é excelente. Comecei a leitura na sexta e lá se foram mais de 150 páginas. Sim, eu poderia ter lido mais, mas vamos lembrar que sexta foi o último dia de aula do semestre com trabalho de radiojornal e no fim de semana teve o aniversário do pai do meu namorado, então foi aquela correria de pessoas pra lá e pra cá e não deu muito tempo pra ler. Mas mesmo assim eu não queria largar o livro. Sério, leiam isso, larguem de medo e se joguem porque a escrita do Tolstói é deliciosa e essa edição não perde em nada pra aquela da Cosac Naify.


Também comecei a (re)ler os contos do Poe na minha mais nova edição linda e maravilhosa da Tordesilhas: Contos de imaginação e mistério. É sério, ela é muito linda. Tem ilustrações da época da "descoberta" de Poe + um prefácio do Baudelaire, o primeiro cara a traduzir a obra do Poe pra o francês. Essa era a edição que eu queria e ela é minha porque um cara (maluco) a vendeu num grupo de troca e venda de livros por DEZ PILAS!!!! Sim, eu não acredito nisso até agora. Tô muito em paz comigo mesma tendo essa edição que desejo há anos. ♥

Por enquanto, é isso.
Mas bem por enquanto mesmo porque dezembro é o mês das RETROSPECTIVAS AAAAAAAAAAAAH e já estou preparando o Wink Literary Awards 2017, hihihi.

Até. 

Resuminho de novembro

Sinto que essa ideia de fazer resuminhos mensais foi péssima, mas agora estou comprometida com ela e vou até o fim do ano com isso. Me desculpem, ano que vem a gente volta à programação normal. 

~The Scream, Edvard Munch~

Novembro, como todos os meses que encerram semestres, foi um inferno. Eu nunca tive tantas dores de cabeça antes. Honestamente pensei que houvesse alguma coisa errada comigo. Só que aí o semestre terminou (sexta!) e as dores de cabeça pararam, provando que todo mundo estava certo e o que eu tinha era puro estresse mesmo. Melhor assim. 

Esse semestre foi o mais exaustivo que já tive até agora. Provavelmente a galera que tá fazendo projeto de monografia e afins está rindo loucamente de mim neste momento, porém: meu deus que semestre estafante. 

Foi tanta coisa, tudo ao mesmo tempo, com tantos detalhes que eu só queria sentar num cantinho e chorar de exaustão mental e saudades da exaustão física de ter tempo pra fazer exercícios e inventar coisas etc. 

Nessas eu lembrei muito do livro da Jenny Lawson, o Alucinadamente Feliz, que li no começo do ano. Nele, ela conta como é a vida de uma pessoa com ansiedade e crises de pânico e todo aquele blablabla de saúde mental que a gente já conhece. Só que ninguém dá bola quando se fala sobre isso, né. O "fica calma" não funciona e inclusive só faz aumentar a vontade de estar calma e ser uma pessoa normal e tranquila que não surta porque sua cabeça está sempre a mil, com trocentos projetos e sem saber de onde mais tirar tempo pra fazer tudo sem cair de exaustão por não dormir. 

Mas JÁ ESTAMOS EM DEZEMBRO!!!! E já é dia 5! Gente, sério, o que foi este ano? 
Além de já estarmos em dezembro, também já estamos de férias, o que significa que meu organismo precisa entender o conceito de relaxar e curtir o sossego. Isso é um pouco difícil pra pessoa ansiosa e com vibes workaholic, mas estamos seriamente tentando - e aceitamos boas vibes enviadas, hein. 


Como o semestre foi até dia 1° e logo em seguida teve fim de semana (com aniversário do pai do namorado, inclusive), muita coisa atrasou loucamente. É sério, esse semestre foi realmente terrível (okay, vou me controlar pra falar sobre outra coisa). Mas o fato é que minhas leituras atrasaram, os textos que eu deveria escrever também (tanto no Valks quanto na Pólen - aliás, entrei pra equipe linda da Pólen, mas ainda não estreei lá porque vocês já sabem, risos) e eu fiquei completamente maluca. Então fiz o que qualquer pessoa sã e plena faria em seu primeiro dia real de férias: maratona de filmes de Natal.

Eu amo demais filmes natalinos e não entendo as pessoas que têm ranço deles. Essa coisa de espírito do Natal total me pega e acho tudo lindo demais, desde os enredos clichês até aquela decoração que é sempre a mesma coisa, mas a gente adora mesmo assim. Então ao invés de ficar mais louca ainda no meu primeiro dia de férias colocando em dia tudo que está atrasado, decidi parar e me dar um presente por ter passado em todas as matérias horrorosas que tive: vi filminhos lindos debaixo do meu cobertor de florzinha.

Um deles foi o novo da Netflix, O príncipe do Natal, que é tão clichê quanto qualquer filme da época, mas lindo lindo lindo e com o fator de a protagonista ser uma jornalista em começo de carreira. OLÁ IDENTIFICAÇÃO. Okay, a identificação pára por aí porque, ao contrário dela, eu não fui designada pra cobrir a posse de um príncipe como rei num país distante e cheio de lindas neves. Mas mesmo assim amei demais. É um daqueles filmes bem gostosinhos de se ver numa tarde despretensiosa, o que era exatamente o que eu queria.

Também aproveitei a vibe e vi Meu papai é Noel que é um filme já antiguinho (não sei vocês, mas 80% dos meus filmes preferidos são antigos), mas UM AMOR. O cara é um publicitário sem coração que simplesmente acaba assumindo, sem querer, o papel de Papai Noel e isso o coloca numas enrascadas dignas da Sessão da Tarde. Essa nostalgia dos meus tempos de infância é algo muito gostoso e que quero preservar, então recomendo pra todo mundo que sente falta daquele sentimento de encanto que tinha quando era criança durante essa época.

Aliás, nessas de maratonar filmes de Natal, notei que grande parte deles têm como protagonistas gentes da comunicação social: jornalistas e publicitários sem coração ganham disparado no ranking de pessoas que precisam ser convencidas do espírito natalino. EU JURO QUE TENHO CORAÇÃO, apenas o guardo com carinho nos dias úteis pra não ter problemas de conflitos de interesses nas produções jornalísticas, risos.


Queria muito ter feito a sessão de links do mês, mas não foi possível ver muita coisa em novembro além de provas e trabalhos. Porém, quero deixar registrado que minha amiga Michas reativou seu canal literário e tá sendo muito bacana acompanhar os vídeos dela.

Até mais e VAMO INAUGURAR O NATAL AQUI NO BLOG! 

Dates ruins ou como atraio gente bizarra

Dia desses estava rolando no tuíter uma hashtag falando de #datesruins. Eu olhava pra aquilo e ria porque tinha um pessoal compartilhando umas coisas bizarras demais. Mas aí lembrei que justamente por conta dessa bizarrice toda - que, aparentemente, na vida das pessoas normais acontece apenas de vez em quando, ao contrário da minha, em que ocorre algo estranho praticamente todos os dias, o que honestamente me faz pensar se não sou alguma personagem de sitcom - é que eu tenho um blog. Então nem entrei na onda da hashtag e salvei a ideia pra escrever aqui mesmo, falando de um date muito ruim ou como eu atraio gente bizarra. 


O golfinho 

O título total poderia servir pra falar de uma outra entidade que eu chamo de golfinho-saltitante, mas essa história não tem nada a ver com date (graçasadeusa) e eu vou contar outro dia. Mas antes do golfinho-saltitante, essa criatura dozinfernos, aparecer na minha existência, houve um outro golfinho. Ele parecia um cara normal. Um pouco nervoso pra o meu gosto e com cabelo arrepiado em excesso (jamais entenderei a moda do cabelo arrepiado, fica todo mundo parecendo uma versão menos estilosa do Super-Shock, mas enfim). A gente tava saindo há uma semana porque honestamente eu não tinha nada melhor pra fazer e ele estava ali aparentemente todo querendo minha companhia. (Não me arrependo, mas não faria novamente.) 

O fato é que depois de três dias eu já havia enjoado do guri. Okay, eu tenho um histórico de enjoar de pessoas rapidamente porque pessoas cansam demais, mas dessa vez eu realmente me superei. Só que, como já disse, não tinha nada melhor pra fazer m e s m o. Então na sexta eu estava indo pra minha aula quando ele apareceu e se grudou em mim na faculdade. Ainda faltava um tempinho pra aula, então fiquei ali, sentada num banco, com ele do meu lado falando abobrinhas tamanhas que honestamente eu nem lembro. Eu estava quase indo embora de puro tédio quando, em certo momento, ele virou bruscamente pra mim, pegou na minha mão e começou a falar como um golfinho. 

Eu repito: ELE COMEÇOU A FALAR COMO UM GOLFINHO. 


E ISSO DUROU 10 MINUTOS. 

EU CRONOMETREI. 

No primeiro minuto eu achei curioso e bizarro. Depois apenas permaneci pra ver até onde aquilo iria. Ele imitava perfeitamente um golfinho e tentava me beijar no processo. Vocês já viram um cara imitando um golfinho com o corpo inteiro? E tentando beijar alguém ao mesmo tempo? Pois é, não recomendo. É a visão do inferno. 


Quando ele finalmente parou, disse: "Eu prometi a mim mesmo que ia te conquistar imitando um golfinho". 


Por que diabos alguém faz uma promessa dessas, eu jamais entenderei. Mas a história foi tão absurda que virou parte de uma reportagem pra uma rádio daqui sobre dates ruins. VEJAM SÓ COMO SÃO AS COISAS. Obviamente nem é preciso dizer que nunca mais vi o rapaz porque eu posso ser maluca, mas ainda não cheguei a esse ponto. 

P.S.: eu realmente tenho medo de golfinhos. Eles são criaturas malignas que fazem estupro coletivo em outras espécies e até mesmo na própria, e se divertem com isso (sério, já foi comprovado que eles fazem isso POR PRAZER e domínio, é apavorante). Golfinhos são do mal e eu quase tive um ataque com aquele cara imitando um pra me conquistar. Deus me livre dessa gente estranha.

Por hoje é só porque deu de bizarrice pra um só dia, né. 

Não vai acontecer aqui

Não vai acontecer aqui
Sinclair Lewis
406 páginas
Alfaguara
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: lá nos Estados Unidos dos anos 30 um cara fascista, racista, antissemita, misógino, mas com uma baita campanha de marketing se candidata à presidência e acaba ganhando. Só que, nessa de se candidatar, ganhar e exercer o poder, tem muita gente que não acredita que ele permaneceria muito tempo no comando, afinal "isso não pode acontecer aqui na América, nós somos muito civilizados pra esse tipo de coisa". Uma dessas pessoas é o jornalista, editor de um jornal em uma cidadezinha, Doremus Jessup. A gente acompanha a descrença dele o tempo todo, mesmo perante as maiores atrocidades cometida por esse governo ditador, até que certos fatos obrigam Jessup a agir. 

Por que ele é bom? Eu vou falar a mesma coisa aqui que falei na resenha de Admirável mundo novo: ele é bom, mas não parece. Digo isso porque as primeiras cem páginas são extremamente chatas, cheias de descrições de comícios eleitorais e gente completamente sem noção alguma de como se faz política falando bobagens e apoiando Buzz Windrip, esse candidato horroroso à presidência. 

Mas continue firme, porque o livro melhora. Muito. 

Não vai acontecer aqui é um desses livros que estavam completamente esquecidos, mas do qual o povo começou a lembrar com essa onda de direita que tem tomado conta do mundo, mais especificamente dos Estados Unidos com o Trump no poder do país. Há quem diga que esse é um livro profético porque o candidato que ganha as eleições, o Buzz, é basicamente um Trump dos anos 30. O discurso de fazer a América grande novamente é bem parecido, assim como os valores e as medidas tomadas (e a burrice, pra não mencionar a grande burrice que ambos têm, mas enfim). Eu entendo por que as pessoas fizeram esse paralelo, mas realmente acho que não é o caso. Infelizmente, desde que a gente tem um sistema mais ou menos livre, sempre há épocas em que a extrema-direita toma conta porque o povo novamente esquece o quão terrível isso pode ser. Mas ideologias políticas à parte, vamos falar do livro. 

A história, ao contrário do que muitos dizem, não é a da ascensão e queda do Buzz Windrip nem como um presidente falastrão e fascista conseguiu ganhar nos EUA. Não, nada disso. Claro que há tudo isso no plano de fundo, mas a história mesmo é a de Doremus Jessup e como gente normal e relativamente esclarecida consegue viver em uma ditadura. 

Já digo: não é fácil. 

Doremus se ferra loucamente, mas não mais do que milhares de outras pessoas no livro. Nisso ele é bem parecido com 1984, que mostra como um homem comum sobrevive nessas condições. 

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

Como o Doremus é jornalista, uma questão bastante abordada no livro é a censura que a imprensa sofre. Aliás, nem é mais censura porque o governo simplesmente virou DONO de todos os jornais, de todas as prensas, de todo o maquinário e manda pra o campo de concentração (sim, campo de concentração) o jornalista que se recusar a fazer o que eles querem. Não é porque eu estudo Jornalismo, mas isso é forte demais e obviamente me lembra a nossa própria ditadura aqui. Mas creio que isso não é diferente em ditadura alguma: governos totalitários sempre usam de medidas drásticas pra conseguirem o que querem, não importa o quê, e a mídia, por mais corrupta que possa ser, é um baita veículo - e eles precisam comandá-la se quiserem permanecer no poder. 

Mas o que realmente tem destaque pra mim no livro - e certamente é uma coisa que eu não esperava - é a atuação das mulheres contra esse governo horroroso do Windrip. Mulheres espiãs, mulheres que se unem a organizações secretas, mulheres que estão dispostas a ser estupradas (!) pra conseguir alguma informação. Não vou citar nomes pra não dar spoilers, mas não tem um monte delas no livro e são maravilhosas demais. Jamais esperaria que um cara daquela época teria escrito personagens femininas tão fortes e decididas quanto essas. Ponto pra você, Sinclair! 

"Mas, de qualquer jeito, filhos a gente não vai ter. Ah, claro que gosto de crianças! Queria ter uma dúzia desses diabinhos por perto. Mas se as pessoas foram moles a ponto de entregar o mundo de bandeja pras múmias empavonadas e pros ditadores, melhor não esperar uma uma mulher decente traga filhos pra esse manicômio! Ah, quanto mais a pessoa gosta mesmo de crianças, menos vai querer que nasçam, daqui pra frente!" 


É muito interessante também ver como várias personagens são gente boa, gente como a gente, e conseguem mesmo assim apoiar um governo desses realmente na esperança de que as coisas vão melhorar. Não é diferente da vida real, onde a gente encontra pessoas dentro da nossa própria família que são pessoas bacanas, mas que pra política são ingênuas a ponto de apoiar esses extremismos que só tiram os direitos dos outros e ferram com a vida dos mais pobres. O livro é bem realista nesse quesito. (E é meio triste perceber que esse livro foi escrito em 1935, mas que as coisas não mudaram tanto assim.) 

Por que ele é ruim? Sabe quando alguém tem uma ideia muito boa, mas não sabe exatamente como colocá-la em prática? Então, com o Sinclair Lewis foi mais ou menos isso. Ou talvez eu ache isso porque li o livro em 2017 e não sou acostumada com a literatura dos Estados Unidos de 1935, que era toda cheia de descrições intermináveis sem sentido algum. Pra mim, o problema do Sinclair é o mesmo problema que eu tenho com os livros do Stephen King: ambos demoram demais pra criar o ambiente pra só então começar a história. Eu demorei 16 dias pra lê-lo. E, sim, 16 dias pra mim é um tempo imenso. Em 16 dias eu leio uns 3 livros. Mas esse me tomou mais atenção na leitura (e eu também estava toda atrapalhada com o final de semestre, então vamos colocar isso na equação). 

Mas é aquilo: persistindo, o livro fica bom de verdade. É só ter um pouco de paciência com uma narrativa mais antiga e política, com a qual não estamos acostumados. 

Você vai gostar se... é chegado numa distopia, está curioso pra saber que diabos esse livro tem a ver com o que está acontecendo hoje em dia, gosta de ler histórias com temas políticos ou só quer ler mais um cara que venceu o Nobel de Literatura. 

Em um quote: 

Ele receava que a luta mundial do momento não fosse do comunismo contra o fascismo, mas da tolerância contra a intolerância. 

 ~livro recebido em parceria com a editora~

O temido e horroroso final de semestre

Ele chegou e na última semana só me fez ter literalmente dores de cabeça que não passam. Não, elas não passam. Nem com paracetamol. Nem com ibuprofeno. Nem com neosaldina. Um pessoal já me falou que é tudo psicológico, mas honestamente eu acho isso até um insulto porque é como se a pessoa me dissesse que "uau, você só sabe se autossabotar". O que é bem a minha cara, na verdade, e provavelmente quem disse isso está certíssimo, mas pulemos o assunto. 

As últimas semanas têm sido o inferno. Além do final de semestre, do stress pelos trabalhos mil e do calor infernal que tem feito, decidi parar de tomar o remédio que estava supostamente regulando meus hormônios, e agora estamos aqui, com muita mais raiva do que o normal e querendo que todo o universo exploda num caos feito de antimatéria. 

Bem alegre, como podemos perceber. 

Mas okay, porque eu pensava: "hm, as férias estão chegando, mais três semanas e eu vou poder descansar". Porém essa semana tive uns dias sem aula e consegui maratonar 3 séries, ler um livro, organizar minha estante e me dei conta de que bateu um vazio porque eu sou essa pessoa agitada e vou fazer tudo o que tiver pra ser feito em uma semana e ficar me lamentando pelo resto dos três meses de férias, querendo logo a rotina da faculdade de volta, mesmo sabendo que isso é horrível e causa altas crises de ansiedade. 

~Janet chorandinho sem saber como porque não tem sentimentos é a minha única vibe possível~

Preciso arranjar algum projeto que me mantenha ocupada nas férias ou senão vou pirar e virar, sei lá, serial killer porque só falta um comentário babaca pra eu sair por aí matando pessoas com uma machadinha. 

Esse projeto deveria ser o de emagrecer pra poder caber nas minhas roupas novamente, porém eu consegui uma bela lesão no joelho que a recém está se recuperando e não posso forçar muito. Claro que vou retomar o projeto, mas não vou poder fazer aquela intensidade de que preciso pra me sentir bem, que é tirar 2h da manhã pra correr por aí. Não dá mais. Então vou ter de colocar toda essa energia reprimida em alguma coisa porque ficar parada vendo série, filmes e lendo livros não vai durar nem um mês (porque vou acabar com todo o catálogo antes, cês vão ver). 

A vida da pessoa intensa é deveras muito difícil. Não há moderação que me segure. 

Socorro. 

Brida

Brida
Paulo Coelho
271 páginas
Paralela
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: nos anos 80, enquanto viajava pra os Pirineus, o Mago encontrou Brida, uma mulher que havia iniciado seu caminho na bruxaria há algum tempo. Ela contou a história de sua iniciação pra ele, que pediu pra escrever um livro sobre. Brida aceitou, e agora temos um livro lindo sobre o caminho de uma mulher se descobrindo bruxa. 

Por que ele é bom? Eu nunca, nunca mesmo, vou entender por que diabos as pessoas não gostam dos livros do Mago. Quer dizer, tecnicamente até entendo, mas acho tão babaca que meu cérebro simplesmente não processa. Essa vibe de "eu sou intelectual, uma pessoa profunda e só leio Dostoiévski" é de uma chatice e pedantismo tão grande que só reviro os olhos e passo longe porque não sou obrigada. Mas, seja como for, eu gosto muito dos livros do Mago e estou 100% nem aí pra quem diz que é literatura lixo. A literatura é boa ou ruim dependendo de quem a lê. O que é bom pra mim pode ser horrível pra outra pessoa e temos de aceitar isso e não ficar empurrando goela abaixo das pessoas um cânone feito basicamente de livros antigões (nada contra, adoro clássicos, mas...) e com linguagem rebuscada só porque tem gente que despreza as gerações atuais. Sinceramente, viu. 

Dito isso: o livro é lindo. ♥ 

Recebi ele em parceria com a Companhia lá pelo Valks, onde também escrevo e, apesar de já ter escrito um texto sobre ele por lá, precisava escrever aqui também porque as linhas editoriais são diferentes e a linguagem muda completamente na hora de escrever. 

Brida é, como eu disse acima, a história de uma mulher se descobrindo bruxa. Como ela conheceu o Paulo Coelho lá pelos anos 80, calculo que a iniciação dela tenha começado no final dos anos 70. Brida era uma pessoa normal, gente como a gente, mas que buscava algo a mais, tentava entender o universo e já havia feito vários cursos na área do esoterismo, do ocultismo e blablabla, mas ainda não havia achado o seu caminho. Até que lhe mandaram pra um mago que vivia isoladão numa floresta, e lá ela aprendeu a primeira lição da magia de acordo com a Tradição do Sol: a noite escura. Ela ficou uma noite inteira sozinha, na floresta, e teve de lidar com seus medos e encarar a si mesma. Só depois disso ela estaria pronta pra aprender o resto. 

“Mergulhamos na Noite Escura com fé, cumprimos o que os antigos alquimistas chamavam de Lenda Pessoal e nos entregamos por inteiro a cada instante, sabendo que sempre existe uma Mão que nos guia: cabe a nós aceitá-la ou não.”

No livro, Paulo Coelho diz que há duas tradições básicas: a do Sol e a da Lua. Uma ensina pelas coisas básicas do universo (como ficar numa floresta, em meio à natureza), a outra ensina pelos mistérios do tempo, ou seja, pelo tarot e outras coisas do tipo, como regressão, pra que a pessoa descubra seu dom, perdido em outras vidas. 

O que eu mais gosto no livro é que dá pra ver que o Mago realmente se baseou numa história real. Pode ser que ele tenha inventado alguma coisa, não duvido, mas pelo que eu conheço dos caminhos da magia, é bem por aí mesmo. Particularmente eu não frequento esses caminhos porque não gosto de religiões, seja elas quais forem, mas acho bem bacana quem vai atrás do que acredita e conheço muitas pessoas que estão nesse caminho (seja lá em qual tradição) e o que elas falam que fazem é basicamente o que está no livro mesmo. 

Não vou dar muitos spoilers porque é uma história bonita de se ler e ir conhecendo aos poucos, mas posso dizer que vale a pena e que tem umas mensagens bem interessantes, não importa a sua religião. Até porque, pra mim, o livro não é sobre ~magia~, mas sim sobre descobrir a si mesma e ao seu lugar no mundo - o que é uma busca universal pela qual todos passamos. 

"Vivo desistindo de tudo que começo", pensou, com certa amargura. Talvez, em breve, a vida começasse a perceber isso e parasse de lhe dar as mesmas oportunidades que sempre lhe dera. Ou talvez, desistindo sempre no começo, esgotasse todos os caminhos sem dar nem um passo sequer.

Enfim, recomendadíssimo. Não é o meu livro preferido do Mago, mas tá perto. 

Por que ele é ruim? Não é ruim, mas acho meio estranha essa coisa de colocar bruxaria e cristianismo lado a lado. Claro que entendo a vibe dos símbolos e de que a Deusa pode ser representada pela Virgem Maria e tal, só que a igreja literalmente matou trocentas mil bruxas ao longo dos séculos e é bizarro colocar uma bruxa dentro de uma igreja fazendo oração pra o Deus cristão. Okay, serve ao propósito do livro, mas achei um pouco incoerente. Porém, nada que atrapalhe a leitura (e é um momento bem bonito da narrativa, na verdade). 

Você vai gostar se... se interessa por magia, histórias da vida real com mulheres que vão atrás do que querem, livros de autodescoberta ou só quer dar uma chance pra o Mago e ver qualéquié dessa literatura dele de que as pessoas tanto falam mal (mas que na verdade é boa o suficiente pra ser lida em uma sentada).

Em um quote:

– Aceite o que a vida lhe oferece, e procure beber das taças que estão na sua frente. Todos os vinhos devem ser bebidos: alguns, apenas um gole; outros, a garrafa inteira.
– Como posso distinguir isso?
– Pelo gosto. Só conhece o vinho bom quem provou o vinho amargo.

Extraordinário: escolha ser gentil

Extraordinário
R. J. Palacio
315 páginas
Intrínseca
Ano de publicação: 2013 

Sobre o que é: Auggie é um menino de dez anos como qualquer outro: gosta de tomar sorvete, brincar, ver tevê. Exceto por uma coisa: ele nasceu com uma síndrome genética que lhe deu uma deformidade facial e, por isso, ele nunca frequentou a escola. Mas seus pais se dão conta de que um dia ele precisará viver em sociedade e, por isso, lhe matriculam numa escola. É aí que as coisas começam e Auggie se vê em meio a crianças que lhe fazem bullying o tempo inteiro e precisa aprender a lidar com isso da melhor forma possível. 

Por que ele é bom? Faz alguns anos que li esse livro pela primeira vez, logo no lançamento, mas ainda não tinha escrito sobre ele porque na época eu não era uma pessoa que escrevia sobre livros. Só que agora, vendo a minha lista de livros que li e amei, porém ainda não recomendei, lembrei desse e, já que estamos no hype do filme, que será lançado dia 7 do mês que vem (que por acaso é dezembro e não estamos todos pirando com isso????), decidi falar sobre.

Há alguns anos eu comecei um curso de Pedagogia. Eu havia recentemente lido o livro quando entrei no curso e lembro que quando uma professora perguntou que livro a gente recomendava para que todos lessem, eu respondi que todo mundo que estuda Pedagogia ou que lida com crianças deveria ler Extraordinário porque é um livro muito sensível e que nos faz entender o real perigo de permitir e contribuir com o bullying nas escolas. 

Auggie é um menino muito querido. Ele tem uma deformidade terrível no rosto que faz com que as pessoas (babacas) o tratem extremamente mal, o ignorando ou zombando dele na cara dura. Não sei quantas vezes conheci pessoas assim na vida, gente que zomba do outro só porque ele é diferente dos outros. E essa é a maior mensagem do livro: somos todos iguais, gente com sentimentos e sonhos e vida, mesmo que nossa aparência seja tão diferente da dos outros. 

Uma coisa que eu achei demais no livro - além da história, que já é tocante por si só - é que ele é divido em oito partes e cada parte tem o ponto de vista de um personagem diferente (só o Auggie repete sua parte na narração). Eu adoro esse tipo de recurso em livros porque dá pra gente entender o contexto maior da situação e conhecer o que realmente se passa na cabeça de cada um. No quesito sensibilidade, Extraordinário dá aula.

Esse é um daqueles livros que a pessoa termina de ler com o coração quentinho, se sentindo esperançosa com o mundo. Apesar de não ser o que eu costumo ler, é uma leitura pra fazer feliz, então eu recomendo fortemente.

Auggie

Por que ele é ruim? Ele não é. Duvido alguém achar algo de ruim nesse livro, mesmo.

Você vai gostar se... quer fazer uma leitura mais sensível, se envolver emocionalmente com um livro e ter um pouco de esperança na humanidade (difícil, eu sei, mas esse livro ajuda).

Em um quote:

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. 

Leiturinhas 10

~ilustração de Anya Karina~

Outubro foi um daqueles meses intermináveis em que a pessoa lê, lê, lê e parece que não leu nada. Nessas, li 6 livros, o que já foi uma grande conquista dado o fato de que detestei 3 deles. Vamos lá. 

.lidos 


♥ Comecei o mês terminando de ler um livro que parecia arrastado demais pra que pudesse ser lido: Extensão do domínio da luta, do Michel Houellebecq, pode facilmente entrar na lista de livros mais chatos que já tive de ler. Tive porque o Juremir, meu professor, não vai descansar enquanto não fizer todos os alunos de Jornalismo lerem a obra completa do Houellebecq. Eu realmente gostei do outro que tive de ler dele, o Partículas elementares, mas esse é completamente diferente: deprimente, com um enredo em que nada acontece, misógino e pedante. Me pergunto como alguém aceitou imprimir esse livro, sinceramente. 

♥ Aí achei que seria uma boa ideia ler um livro que recebi de parceria e parecia promissor. Foi aí que embarquei em As perguntas, do Antônio Xerxenesky e, como já falei aqui: que vibe errada. O livro poderia ter sido excelente se não se propusesse a ser terror. Mas enfim, vida que segue, tem gente que gosta. 

♥ Cansada de ler livros ruins e decepcionantes, fui reler um clássico que eu amo demais: Orgulho e preconceito, da Jane Austen, foi só amor e, nessa releitura, pude perceber várias coisas que eu não havia percebido antes (mas o que que a gente percebe direito aos 17 anos, né). Quero relê-lo muitas vezes ainda. 


♥ Mas aí veio um livro que só amor: O livro do juízo final, da Connie Willis, foi claramente a melhor escolha que fiz de parceria com a editora desde o início do ano e entrou facilmente pra lista de livros preferidos da vida. QUE LIVRO MARAVILHOSO. Eu já falei muito sobre ele, mas basicamente: sci-fi escrito por mulher, protagonizado por mulher e com viagem no tempo pra Idade Média!!!! AAAAAAAAAAAH 

♥ Porém, como a vida tem toda uma vibe roda gigante, acabei caindo num cocô tão gigantesco que não sei como ganhou tantas críticas boas: Enclausurado é tão ruim que nem parece que foi escrito pelo Ian McEwan. Juro. Maior decepção. Queria ler esse livro desde o ano passado e agora que li achei cem por cento fuén. 

♥ Como tava chegando o Dia das Bruxas e eu ainda não tinha lido um terrorzão, decidi fazer releitura de um dos meus livros preferidos: O exorcista, do William Peter Blatty, é muito mais do que o filme com a guria virando a cabeça e subiu mais ainda no meu ranking de preferidos porque me dei conta de um monte de coisa, tipo contexto psicológico e que não é o demônio, é tudo doença sem tratamento mesmo. MARAVILHOSO. 

.lendo 

Já estamos no dia 9 e eu ainda estou patinando na mesma leitura desde o dia 31: tá sendo difícil ler Não vai acontecer aqui, do Sinclair Lewis. A ideia é boa: nos EUA, ganha a eleição pra presidência um cara fascista, racista, misógino e que nem é político direito, mas um figurão da tevê. Foi escrito em 1935 e as pessoas acham, atualmente, que foi premonitório porque veja bem o que tem acontecido, não é mesmo. Só que a escrita é bem chata e, por mais que a história seja legal, tô tendo dificuldades pra lê-lo. 


Queria estar lendo Anna Kariênina, mas temos de terminar esse primeiro. Haja paciência. 

Resuminho de outubro


A única coisa que está me segurando no momento é saber que só mais três semanas e eu entro de férias. SÓ MAIS TRÊS SEMANAS. 

Nunca tive um semestre tão exaustivo na faculdade. É trabalho toda a semana, provas que ninguém entende nada, colegas (vou nem falar dos colegas porque na verdade eles têm sido bem chuchus, mas já esgotei minha quota de lidar com pessoas no ano) e mais a vida social. 

Affs. 

Passei quase o mês inteiro atrás de fontes pra fazer uma reportagem gigantesca de seis páginas que preciso entregar semana que vem e ainda não está pronta, obviamente. Nessas de ir pra lá e pra cá pra tentar achar gente que fale sobre o tema em questão, acabei num culto sul-coreano que tem elementos judaicos, mas que tá aqui no Rio Grande do Sul. Vejebem. Tive de usar inclusive VÉU pra poder entrar e entrevistar as gentes de lá - que não queriam dizer nadinha dessa fé estranha deles. 

Eu adoro escrever sobre religiões porque acho bizarro e misterioso como as pessoas se atiram nessas fés e mudam completamente suas vidas por causa delas. No caso desse culto sul-coreano-judaico, por exemplo, uma das mulheres que entrevistei tem mestrado em direito. Não é uma mulher sem instrução (como vergonhosamente a gente ainda pensa que é a maior parte do povo religioso), mas uma pessoa que realmente fez graduação + pós e trabalha numa firma de advocacia. E MESMO ASSIM usa véu, se tapa toda e diz que as mulheres são inferiores aos homens porque assim diz a Bíblia. 

A coisa é bem louca. 

Fora isso, também passei três semanas atrás de gente do veganismo pra falar sobre a produção de queijos veganos e por que as pessoas estão cada vez mais indo pra esse caminho. Descobri muita coisa (tipo receita de queijo de batata que "fermenta" com limão) e tive ainda mais certeza de que meu caminho é bem longe do veganismo. Desculpaí, pessoal, mas não rolou comigo. 

(Inclusive, tem um povo fazendo RAÇÃO VEGANA PARA ANIMAIS e o post de divulgação que fizeram dessa ração supimpa tinha a foto de um cachorro com uma cara de desânimo olhando pra suposta ração e a seguinte legenda: "ração sem sal, sem açúcar e sem carne - seu pet vai amar!" e eu fiquei pensando se alguém realmente compra essa ideia ou se é só zoeira porque não é possível.) 

#EXAUSTA

Passei o mês inteiro maratonando Merlin e terminei exatamente no dia 31. Acabei de maratonar todos os 8 episódios disponíveis de Outlander e, por mais que eu ame demais essa série, o vazio que Merlin deixou é grande demais e sinceramente aceito sugestões de séries bacanas e que preferencialmente se passem num período tipo Idade Média pra me distraírem durante esses dias de final de semestre. 

Mas tenho uma coisa a dizer: ARTHUR MERECIA MAIS! Ainda não superei o final de Merlin e vocês ainda vão me ouvir falar muito disso porque não é possível. A gente conhece as lendas, leu trocentas histórias arthurianas, mas continua com o coração triste cada vez que chega ao final de uma delas. Affs. 

.links.links.links.

Outubro é o mês do terror e todo mundo sabe disso, então escrevi muita coisa sobre porque não me contenho - e teria escrito mais se tivesse tido tempo, mas a vida universitária me impede de me dedicar ao terror como eu queria. Como não tive muito tempo pra ler muita coisa além do que era necessário (e dos livrinhos, porque sempre há livrinhos, mas isso fica pra outro post), vou ser bem narcisista e falar do que escrevi e do que as amigas também escreveram lá no Valks. 

♥ Li Brida, do nosso Mago* favorito, e escrevi sobre ele lá no Valks pra semana especial de dia das bruxas. Sei que rola todo um preconceito com os livros dele, mas vale a pena deixar esse ranço de lado e curtir uma boa história. Tá tudo em Brida: descobrindo as bruxas que moram dentro de nós

♥ Também pra semana especial de dia das bruxas escrevi um textão que virou meu orgulho tanto porque amei escrevê-lo quanto porque descobri que tem muito mais gente por aí que curte história do que eu imaginava. Ana Bolena: de rainha protestante a bruxa usurpadora é o meu texto queridinho e vocês precisam lê-lo pra entender como a forma mais fácil de condenar uma mulher e retirar seu poder era apelar pra acusação de bruxaria. Ana merecia mais.

♥ Ainda no Valks rolou um texto super bacana com indicações de filmes de terror. Esse não fui eu que escrevi, mas as indicações estão boas. Mulheres e terror: 8 filmes para o dia das bruxas tá valendo a leitura. (E vamos lembrar de que a gente não precisa ver filme de terror só no dia das bruxas, né?) 

♥ Aqui no blog também teve especial dia das bruxas porque eu realmente não me contenho e precisava escrever sobre. Falei que meus filmes preferidos são filmes de terror e já indiquei alguns pra o pessoal ver e levar uns sustos. 

♥ Escrevi também sobre a minha experiência pessoal a respeito de como a intolerância religiosa cria o mito da bruxa em Como se faz uma bruxa. Tá pesadinho, mas é real. 

♥ Pra encerrar, reli e revi O Exorcista e falei sobre como o que a guria tinha era uma doença e não o demônio, mas o verdadeiro terror é pensar que muita gente doente já morreu por conta dessa mania de culpar o demônio por tudo. 

UFA, é isso aí. 
Praticamente zero de vida pessoal e muita produção porque final de semestre é sempre essa correria que me deixa 200% mais irritada e sem tempo pra nada. Mas vamo que vamo que faltam só três semanas pra essa palhaçada terminar. 

Que Lestat nos ajude. 

* Coloquei um asterisco porque fui divulgar o texto no twitter e O MAGO CURTIU MEU TWEET 
AAAAAAAAAAAAAAAAH 


Não sei vocês, mas esse é o tipo de coisa pelo qual vale a pena ter um twitter. Meu deus, eu amo demais a internet. 

O Exorcista: o melhor livro de terror de todos os tempos

O exorcista 
William Peter Blatty
331 páginas
Harper Collins Brasil
Ano de publicação: 2013 

Sobre o que é: Regan MacNeil é uma menina de 12 que gosta de esculpir, desenhar, sair com sua mãe e brincar com um tabuleiro Ouija nas horas vagas. Numa dessas, ela começa a se comunicar com um espírito chamado Capitão Howdy e, a partir daí, coisas estranhas começam a acontecer e Regan fica muito doente. Mas será sua doença um problema médico ou um problema espiritual? 

Por que ele é bom? GENTE, QUE LIVRO! Eu sei que todo mundo parece conhecer a história, mas o filme e o livro - apesar de terem o mesmo plot - são bem diferentes um do outro. 

Quando eu li esse livro pela primeira vez, lá por 2013, fiquei com tanto medo que olhava pra trás a cada quinze minutos pra verificar se não tinha um espírito me encarando. Ele é realmente um livro assustador e as descrições da possessão demoníaca que Regan sofre são horríveis. O clima de tensão aumenta a cada página e parece que o clima ao redor da pessoa leitora também fica denso. Mas isso foi em 2013. A releitura que fiz agora, em 2017, me deu uma visão bem diferente desse livro sensacional e me fez perceber que ele é realmente o melhor livro de terror já escrito.

O que o Blatty fez foi genial porque em nenhum momento do livro ele afirma que é o demônio Pazuzu que está dentro da Regan fazendo com que ela vomite aquela batida de abacate ou que fale mil palavrões em trocentas línguas. Não. O que ele faz é dar argumentos tanto pra parte religiosa quanto pra médica. É dito o tempo inteiro motivos científicos pra Regan apresentar esses sinais de possessão. Só que, pra quem tem fé, esses mesmos sintomas podem ser interpretados como um demônio no corpo da guria.

Eu realmente acredito que o problema da Regan não é espiritual, mas sim médico. Não que eu seja uma pessoa cética, mas a guria claramente tinha probleminhas emocionais que foram se agravando com as coisas que acontecem no livro até chegar àquele ponto horroroso. Só que aí pegar e transformar um caso que possivelmente seria resolvido com medicação e tratamento extenso e dizer que é tudo culpa do demônio e o que a guria precisa é de um padre é algo perigosíssimo que foi tratado de forma incrível pelo Blatty.

O livro assusta por ser algo que poderia acontecer. É muito fácil confundir uma doença psicológica com um demônio se você tiver alguma crença religiosa. Foi esse tipo de coisa que levou a tratamentos estapafúrdios com exorcismos, ao atraso da medicina em séculos e à morte de várias pessoas durante muito tempo na história porque às vezes é mais fácil crer que o mal seja algo intocável, espiritual, misterioso do que algo que tá ali, que pode ser racionalmente explicado e que coisas horríveis realmente podem acontecer com nosso corpo por conta de uma doença e nada disso é relacionado ao demônio.


As pessoas qualquer coisa é ÓOOO O DEMÔNIO quando a pessoa só precisa mesmo é de bons médicos e tempo pra se recuperar. MAS VAMOS CULPAR O DEMÔNIO POR TUDO, ISSO AÍ. O comportamento humano é muito mais assustador do que qualquer demônio, podem ter certeza.

Por que ele é ruim? Ele não é ruim. Mesmo. Na verdade, entrou pra minha lista de favoritos da vida assim que fiz a releitura e percebi que ele não é apenas mais uma historinha de terror, mas tem toda uma construção incrível sobre ciência vs religião. Mas pode assustar numa primeira leitura, porém nada que vá fazer ter pesadelos.

Vale lembrar que a gente fala da Regan e da possessão, mas a história MESMO é a do padre Karras, que é o exorcista do livro, um padre psiquiatra que perdeu a fé em deus e no mundo após ver tantas coisas erradas e sentir culpa por não poder mudá-las. A Regan está lá como forma de testar a fé dele, de ver como ele vai se sair com isso, mas a gente sempre esquece que a questão não é a possessão, mas a fé (ou a falta dela) e como coisas que não podemos impedir nos afetam a ponto de sentirmos tanta culpa que acabamos caindo em estados terríveis por causa da nossa mente e da incapacidade de nos perdoarmos. 

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Você vai gostar se... já viu o filme trocentas vezes (assim como eu), adora histórias de terror, gosta de enredos que te deixam na dúvida entre o sobrenatural e o real ou apenas quer levar uns sustos mesmo.

Em um quote:

— Afinal, e todas aquelas histórias na Bíblia sobre Cristo expulsar todos os demônios?
— Veja, se Cristo tivesse dito que aquelas pessoas que supostamente estavam possuídas tinham esquizofrenia, e eu imagino que tinham, ele provavelmente teria sido crucificado três anos antes. 

Ah, e não se esqueçam que ainda está rolando lá na página do blog um sorteio incrível de um dos melhores livros que li este ano: Fraude Legítima. Para participar basta clicar aqui e seguir as regrinhas. Boa sorte! 

Como se faz uma bruxa

Este vai ser um post longo e pessoal, então já vou avisando pra arrumarem seus chazinhos, sentarem confortavelmente ou deixarem isso pra mais tarde porque aqui vou eu. 

Final de semana passado parei pra finalmente ver um filme que todo mundo já viu: A Bruxa (2015). Eu deliberadamente evitei ver o filme nos últimos dois anos porque, apesar de eu amar filmes de terror, às vezes rolam umas identificações meio absurdas com essas histórias de fantasma, espírito e coisas que estão ali mas não deveriam estar. 

A história do filme é aquela que vocês já devem conhecer: alguns anos antes dos acontecimentos de Salém, uma família sai da Inglaterra e vai pra Nova Inglaterra (que se tornaria Estados Unidos depois) e fica lá, vivendo da fazendinha e isolados de todos. Literalmente. Coisas começam a acontecer e é claro que o bode expiatório usado pra desculpar tudo é a bruxa. Que precisa ser alguém. Que acaba sendo a filha mais velha porque alguém precisa ser culpado por toda a desgraça que está acontecendo.


Esse filme me assustou de verdade. Não pela cena com o bode demoníaco (que ficou bem legal, mas não é o ponto forte pra mim) ou o final (que achei bem forçado, na verdade), mas sim por toda a construção narrativa da tensão do puritanismo cristão. Aquela coisa horrorosa de achar um bode expiatório, de sempre se considerar pecador, culpado, de acreditar ter nascido com o pecado original e precisar eternamente se redimir a uma criatura que ninguém nunca viu ou ouviu é simplesmente assustadora. Assusta porque é algo imposto e é algo que sabemos que aconteceu. Aquele século XVI foi de um puritanismo absurdo de tão forte. Não que isso não tenha havido em outros séculos, mas a concentração que teve ali de fanatismo foi tão forte que deu origem à histeria coletiva da caça às bruxas de Salém. 

Obviamente que esse episódio passou e hoje em dia a gente tem mais acesso a coisas como informação de que esse tipo de bruxa que eles achavam existir na época não existe. (Tem gente que pratica o que é chamado de bruxaria, mas isso é outra coisa bem diferente.) Só que ainda existe uma repressão religiosa forte, um puritanismo que beira o fanatismo e gente tapada que acha que só a igreja salva e todo o resto é do demônio. 

Aí você vai me dizer que é exagero e eu vou lhe dizer que: queria eu que fosse. Como já disse algumas vezes aqui, cresci numa família evangélica. Mas era tudo relativamente tranquilo até a gente se mudar pra o local onde moro hoje, o local onde encontrei as piores pessoas que já conheci até agora. 

Fui chamada de bruxa pela primeira vez aos 11 anos. Foi por meus colegas de classe. Não era bullying normal de criança que chama a outra de qualquer termo pejorativo. Eles realmente tinham medo de mim. Ninguém chegava perto, ninguém me encostava. Se eu falava algo, todo mundo parava achando que eu tinha poderes sobrenaturais e que podia amaldiçoá-los. Eu nem sabia o que era uma bruxa pra além do que havia visto nos filmes da Disney, mas era chamada disso por ser estranha. E os pais desses meus colegas eram uns fanáticos que colocaram na cabeça dos filhos que não deveriam se aproximar da bruxa

Depois a coisa continuou. Eu ainda frequentava a igreja com a minha família e a coisa chegou a um ponto em que o pastor da época disse, em pleno altar pra todo mundo ouvir, que eu iria pra o inferno por ser uma pessoa corrupta e estar corrompendo as pessoas. Eu só tinha 17 anos, veja bem que grande corrupção eu fazia. Mas eu era uma bruxa porque me vestia diferente, nunca fui adepta do fanatismo mesmo que participasse dos cultos (mas era uma obrigação social, não algo real pra mim) e sempre tive esse humor peculiar que todo mundo conhece. Aí eu era a bruxa. Porque enquanto eles entravam na histeria coletiva de chorar e se atirar no chão dizendo sentir deus, eu tava lá, rindo daquela palhaçada toda porque eu já senti muitas coisas dentro de uma igreja: raiva, desprezo, nojo, solidão, angústia... Mas deus não foi uma delas. 

Aproveitei essa deixa pra sair de uma vez por todas e nunca mais voltei pra aquele inferno de gente fanática. Mas continuo vivendo aqui. E encontro essas pessoas todos os dias. E todos os dias elas riem de mim, mas se escondem se eu olho. Sussurram um "olha a bruxa" e fazem um sinal da cruz quando eu passo. Essas pessoas são amigas dos meus irmãos, que continuaram nessa seita maluca que está cada vez mais ganhando força no país porque as pessoas são ignorantes demais pra perceber a vibe errada que isso é. 

Uma vez uma família dessa igreja invadiu a minha casa pra tentar matar a bruxa. Obviamente não conseguiram porque eu fui mais ágil e me tranquei no quarto, ligando pra polícia (o que não resultou em nada porque um dos chefes da polícia daqui é integrante desse culto maluco e encobriu tudo). Mas eles conseguiram machucar a minha mãe no processo. E só não foram adiante pelo medo da polícia chegando. 

Aí eu vejo um filme desses e fico com medo real porque eu sei bem o que a histeria coletiva de uma fé cristã pode fazer com alguém. Sei bem o que forma uma bruxa. Não é se ela fala com o diabo ou não, se dança nua numa floresta, se tem saquinhos de feitiço na bolsa. Não. O que forma uma bruxa é a intolerância das pessoas de bem que estão sempre prontas a condenar qualquer um que não concorde com elas, que seja ligeiramente diferente delas.

~cena do filme~ 

Depois eu falo que odeio pessoas e odeio religiões e ninguém sabe o porquê. Mas essa loucura de fanatismo roubou minha infância/adolescência e tirou a vida de milhares de mulheres ao longo da história, transformando-as em coisas que elas não eram. Sinceramente, melhorem.*

*"Ah, mas isso é injusto porque sou cristã e nunca fiz ou ouvi falar disso." Joinha pra você, continue assim, mas os cristãos que eu conheço são bem horríveis. Mas sempre há tempo pra ser uma pessoa melhor, independente de religião; eu acho.  

O livro do juízo final

O livro do juízo final
Connie Willis
572 páginas
Suma
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: em 2054 as viagens no tempo já são uma realidade - ao menos na faculdade de História de Oxford - e Kivrin, uma futura historiadora, está louca pra ir pra Idade Média conhecer o dia a dia do povo de lá. A ideia é fazer um estudo de campo, porém o século para onde ela vai está marcado com um 10, indicando um alto risco. Mas Kivrin consegue um professor que a apoie pra que possa realizar o salto para a Inglaterra de 1320. No entanto, assim que ela consegue ir, uma doença misteriosa se espalha por Londres e entra uma quarentena em ação - impedindo que monitorem a viagem de Kivrin e ameaçando sua volta pra casa. 

Por que ele é bom? MEU DEUS QUE LIVRO INCRÍVEL!!!! Antes mesmo de terminar a leitura já havia marcado ele como favorito no meu coração porque ele é demais mesmo

Eu adoro ficção científica, mas não leio tanto quanto deveria pra quem gosta do gênero porque desanimei um pouco com aquelas descrições infinitas de termos científicos e blablabla que costumam rechear esses livros e atrapalhar a história. Só que isso não acontece com O livro do juízo final. O que temos aqui é uma das melhores narrativas que já tive o prazer de ler. 

Como apaixonada por história que sou e levemente obcecada em aprender mais sobre como vivemos em outras épocas, fiquei encantada com a descrição que a Connie faz da Idade Média. Ela não romantiza nada, é tudo muito cru: as doenças, a sujeira, a fome e também a religiosidade fortíssima que o povo tinha. Afinal, na Idade Média a Igreja tinha muito poder e basicamente tudo girava em torno da fé católica. E a Connie mostra bem isso. Claramente ela fez uma pesquisa histórica bem detalhada porque a narrativa dela - assim como as personagens - convencem demais de que tudo que está acontecendo ali é real. E eu adoro isso em um livro.

Amei demais também o fato de que uma das personagens principais (existem duas, uma pra cada época) é uma mulher: a Kivrin, a estudante que vai pra 1320. São poucos os livros de ficção científica escritos por mulheres, ainda mais os que têm uma mulher como protagonista - e que não é, de forma alguma, sexualizada ou tratada como inferior por seu gênero. 

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A Connie acertou demais ao escrever a Kivrin: uma guria forte e decidida que se preparou durante 2 anos pra ir pra Idade Média e que não desistiria disso mesmo com todos os obstáculos (como, por exemplo, o fato de a caça às bruxas já ter começado, o total desprezo que sentiam por mulheres na época ou o perigo de doenças como a peste negra e outras tantas que não foram catalogadas, mas que deixaram vários mistérios no ar, como aquela em que as pessoas começavam a dançar e não paravam nunca mais e literalmente morriam dançando). Kivrin dá um jeito, se prepara, estuda incansavelmente os costumes e a língua da época e inventa uma história sobre quem é pra que ninguém possa duvidar dela. 

Já em 2054, o outro núcleo do livro, temos o sr. Dunworthy, um dos professores de Kivrin e o que mais gostava dela e era totalmente contra o salto dela pra 1320. Também gostei bastante da forma com que ele é construído, sendo uma pessoa preocupada e atenta a tudo, sempre tentando auxiliar Kivrin. Ele é um pouco paternal demais, mas eu também seria se uma aluna minha fosse pra Idade Média e eu não conseguisse rastrear ela porque a cidade está em quarentena com uma doença sinistra e não identificada. 

Connie escreveu esse livro nos anos 90, mas já fez o que tem gente que em pleno 2017 não faz: colocou personagens femininas fortes no enredo. Além da Kivrin, temos também a Mary, a médica que descobre a doença misteriosa e cuida da quarentena em 2054. Mary é maravilhosa demais e só tenho amor pela determinação dessa mulher. 

Aliás, é todo mundo determinado nesse livro e eu adoro pessoas decididas, então pensem numa leitora feliz. :) 

Resumindo: 
SCI-FI 
ESCRITO POR MULHER 
PROTAGONIZADO POR MULHER 
COM VIAGEM NO TEMPO 
PRA IDADE MÉDIA 

VÃO LER ISSO JÁ!!!! 


Por que ele é ruim? ELE NÃO É RUIM, VÃO LER ESSE LIVRO! Até vi gentes falando que ele é arrastado, mas não achei. Acho que é um livro bem construído e não tem por que achar arrastada descrições já que a ideia da Kivrin era fazer um estudo de campo pra relatar como era a vida em 1320, então não considero que haja nada sobrando, não. 

Você vai gostar se... curte umas vibes Doctor Who, adora histórias com viagem no tempo, é fascinado por história e sempre quis dar um pulinho na Idade Média pra ver qualéquié. Também vai adorar se quiser ler um livro com 0% de machismo e que tem personagens que poderiam ser muito reais, sem aquele exagero sexual todo que sempre acabam colocando em livros assim. É demais, leiam isso. 

Em um quote:

— Será que não havia uma só pessoa de bem na Idade Média?
— Estavam todas ocupadas, queimando feiticeiras. 

~livro recebido em parceria com a editora~

Ah, e não se esqueçam que está rolando lá na página do blog um sorteio incrível de um dos melhores livros que li este ano: Fraude Legítima. Para participar basta clicar aqui e seguir as regrinhas. Boa sorte!