Agridoce, seja doce!

Maio foi um mês... melancólico. Fechei as cortinas, parei de observar à vida lá fora e comecei a observar a mim mesma. Nessa introspecção toda não foram muitas as fotos tiradas. Mas peguei amor pela forma como elas mostram o decorrer dos meus dias corridos e complicados.

A primeira foto do mês (lá pelo dia 15; PERCEBAM minha animação para fotografar): melancolia pegando forte - mas ela foi feita apenas para mostrar o comprimento das madeixas.
E muitos, MUITOS livros:






A ~única~ foto em que uma amiga (Bianca, linda, querida) participa porque esse foi um mês ao qual me isolei MUITO de tudo e todos.
 Só porque o povo reclama que eu nunca sorrio em fotos. Ó, é por isso que não sorrio; meu sorriso é pior que minha cara de psicopata assassina:
 Mostrando as clavículas porque FINALMENTE elas aparecem. ♥
 O cabelo tá crescendo!
 Fazendo pose de perfil pra mostrar que: a) a academia está funcionando; b) eu amo saias compridas e estou in love por esse look de moça inglesa do século XIX.
 Uma pequena edição em uma foto em preto e branco com uma frase que define completamente a minha existência:
E que Junho seja doce porque de agridoce já estou enjoada.

Romeu e Julieta: amor?

Sei que a grande maioria das pessoas ama Shakespeare e sonha em viver um amor como o de Romeu e Julieta (nota mental: o amor de Bella e Edward consegue ser mais saudável, mas enfim...), porém eu tenho algo a dizer: o amor de Romeu e Julieta não é amor.


É isso mesmo. Após ler e reler o livro (Tragédias - Shakespeare) e analisar cuidadosamente cada parte e cada contradição ali escrita, cheguei à conclusão de que a maior parte dos adolescentes que postam no tumblr coisas como "Romeu e Julieta é que tinham um amor de verdade" nunca chegaram a ler realmente o livro. Não me entendam mal: não sou contra romances, amor ou seja lá o que for mas aquilo não pode ser chamado de amor. Veja bem: Romeu, um cara de 18 anos (com uma cabeça de um moleque de 14, diga-se de passagem) começa o livro dizendo que "ama" uma garota linda e maravilhosa mas que infelizmente não poderá ficar com ela porque ela decidiu que não vai ter relações sexuais com ele (opa, tem algo de errado aí: quer dizer que pra ser amor tem que ter "algo a mais"?).

Então o tal do Romeu - abalado por não poder "concretizar seu amor" com a menina que ele jura ser o amor da vida dele - vai até uma festa na casa de seus inimigos (de penetra, é claro) juntamente com outros rapazes. Lá ele vê Julieta e já começa a se dizer apaixonado. Já diz que ama. Ama? Ama. Só de olhar. Segundo ele, porque ela é "a criatura mais linda da face da Terra". E quanto a outra que ele amava há meia hora? Que outra? Já era. Agora é a Julie. Pois é. Só eu acho que há algo de errado nisso? Pois isso tem um nome, e não é amor: é excitação. Hormônios adolescentes pipocando pra todos os lados (e em uma parte em especial, é claro).

Julie, de 13 anos (veja bem a pseudo-pedofilia do texto: 13 anos) se vê encantada pelo tal do Romeu ao ouvir as juras de amor da parte dele para ela. E se ferra, porque a tonta menina acaba indo contra a própria família pra ficar com o horny abestalhado do Romeu. Pois é. Típica história adolescente. E foi assim que nasceram as dramédias românticas.

O final todos já sabem: eles se matam. Sinceramente, eles mereceram morrer. Tontos do jeito que eram, com certeza isso foi até um alívio para as famílias em questão. Mas o que me irrita mais nessa história toda é que há quem fique desejando isso para si, como se fosse uma linda história de amor. Minha filha, isso não é sobre amor, não. Isso é sobre hormônios, excitação, gente com mente fraca e atração. Amor não é isso. Leia Orgulho e Preconceito (de Jane Austen) para realmente conhecer uma história de amor, okay?

Enfim, por hoje era só. Aos fãs de Shakespeare: sorry, but it's true. 

é o que há pra essa vida

Dizem por aí que eu sou muito pacienciosa. Há quem pense que sigo aquela regra de "a pressa é inimiga da perfeição" (o que explicaria por que nasci de 11 meses, mas enfim) mas não. A verdade é que eu não poderia estar ligando menos.

EU.NÃO.DOU.A.MÍNIMA. pra grande parte das coisas que me ocorrem ou ocorrem a meu redor. Ao menos pras que importam. Meu dom é dar importância a coisas que os outros acham bobagens. 

Aí fico eu lá ~desprezando~ tudo e aparentando ter a paciência de um sábio chinês quando na verdade o que ocorre é que tenho preguiça de falar/fazer algo quando eu sei que as pessoas simplesmente continuarão a ser cada vez mais idiotas, enquanto meu DJ mental começa a tocar uma playlist bizarra e passo meus dias abstraindo e fazendo cara de paisagem.

Porque cara de paisagem é o que temos pra vida. 
E todos acham que sou super pacienciosa.
Tolinhos.

Charlotte Street

Charlotte Street (Danny Wallace) conta basicamente a história de um professor metido a jornalista que um dia tromba com uma moça - cujo nome é desconhecido até o final da história - e gama nela, porém a moça tem pressa e pega um táxi rapidamente, mas o professor/jornalista aloprado acaba ficando com uma câmera descartável que a moça deixou cair quando do trombo e aí ele começa uma "caçada" pela moça em Londres.

Ou, em uma frase: Charlotte Street é o romance que uma blogueira perdida na vida consegue após contar sua vida em um blog.

Quando recebi esse livro e abri a linda caixinha do correio, segurei-o nas mãos e disse para minha mãe: "esse é um dos livros sobre a minha vida". Não havia lido muito sobre a premissa mas eu simplesmente senti que assim o seria. E não estava errada (claro que não!). Charlotte Street não poderia se enquadrar melhor, afinal, a moça do livro é uma blogueira que passou por uma grande decepção amorosa e fez um blog para falar sobre, para ver se o sentimento desaparecia conforme as palavras aparecessem (e foi assim que nasceu o Wink).
Tudo começa com uma garota. Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo. E agora Jason - ex-namorado, escritor e herói relutante - se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder.
Não se enganem: eu amei o livro. Mas rolou toda uma identificação nervosa aqui e a sensação que ele me passou após sua leitura foi: o máximo que uma moça que se expõe tanto num blog consegue, em termos românticos, é um cara ferrado como Jason Priestley. Certamente quem gosta de romances vai amar Charlotte Street, ainda mais quem gosta de devaneios - Jason devaneia o tempo inteiro e a narrativa é através dele, através de sua perspectiva, com alguns trechos separados mostrando posts do blog da moça, A Garota:


A mensagem principal é sobre destino e sinais. Será que vale a pena correr atrás de alguém cujo nome se desconhece apenas porque se cruzou com a pessoa e sentiu que aquela poderia ser A pessoa? Será que há um destino por trás de tudo e podemos ter nossos "finais felizes" mesmo que eles inexistam?

É um livro bobo para pessoas bobas que querem uma leitura simples e apaixonante. Mas não se iludam: a vontade de quebrar a cara de Jason Priestley é constante. 

Eu não gamei no Mr. Darcy

Esse deve ser um dos livros mais comentados da história da literatura. Há várias resenhas dele, e sei que seus personagens despertam muito amor na maior parte das menininhas ratas de biblioteca como eu. Porém eu devo dizer que sim, ele é um ótimo livro. E só. Não me despertou emoção alguma, tampouco aquela sensação gostosa de quando a gente lê um livro e se identifica com as personagens, sente as emoções que ali são narradas, torce, chora, ri. Ele é - para mim - apenas um livro bem escrito (e eu estou ciente de que irei ser apedrejada por isso, mas leiam toda a crítica antes de falar algo, ok?).

Para quem ainda não entendeu de qual livro eu falo ao ler o título, eu estou falando do queridinho das românticas de plantão, o tão amado e idolatrado Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Sim, ele é um livro muito bom, bem escrito, com personagens bem articulados e situações cômicas. Tenho certeza de que para a época foi um grande avanço literário, e a história é digna dos sonhos de qualquer menina que deseje se sentir como uma princesa (não que Elizabeth Bennet fosse uma princesa no livro, mas vocês entenderam o que eu quis dizer).
Para quem não conhece a história ou não se lembra direito dela, aí está:

Conta a história das 5 filhas solteiras de Mr. e Mrs. Bennet, após o rico Mr. Bingley e seu amigo Mr. Darcy, terem se instalado nas vizinhanças da sua propriedade. Enquanto Bingley se interessa imediatamente pela mais velha das irmãs Bennet, Jane, Darcy tem dificuldades em se adaptar à sociedade local, e entra em discórdia com a segunda das irmãs, Elizabeth.
É um romance muito bonito, bem estruturado, cheio de preconceitos (como o próprio nome diz) e de muito, muito orgulho, de ambas as partes, é claro (tanto de Elizabeth quanto de Darcy). Elizabeth é uma personagem interessante, e é a que mais me chamou a atenção. O que faz dela uma personagem tão interessante é seu sarcasmo, ironia e um certo "deboche" pela alta sociedade.

Porém o que eu não entendi é o por que de a maior parte das meninas que leem esse livro ficarem apaixonadas pelo Mr. Darcy. Ele é obscuro, orgulhoso, mal fala, guarda tudo para si próprio. Não é algo muito atraente (a não ser para aquelas que gostam de se sentirem inferiores ou desprezadas de certa forma). Sim, sim, no final do livro foi revelado seu "verdadeiro" caráter. Mas de qualquer forma, não há nada de excepcional nesse personagem. De fato, considero o Mr. Bingley muito mais interessante do que Darcy.

Sim, eu gostei do livro. Mas não gamei nele. Para mim, Orgulho e Preconceito nunca será tão bom quanto O Morro dos Ventos Uivantes (de Emily Brontë), e Mr. Darcy nunca terá tanto fascínio quanto Heatchcliff. Porém é um livro que vale a pena ser lido. É uma ótima leitura, ainda mais se você for uma dessas mocinhas românticas que amam amores cheios de empecilhos e água com açúcar (o que não é o meu caso).

O único Mr. Darcy pelo qual que gamei foi quando interpretado por Colin Firth, em 1995 (todos devem assistir a essa minissérie baseada no livro):

Tem como não gamar? 

Pronto. Agora vocês podem apedrejar à vontade. 

nonsense rules


Eu vim aqui pra dizer que quero fechar o blog e não estou com ânimo para escrever nada - apesar de sempre escrever, mas não quero publicar, não.

Eu não sei exatamente quando me tornei essa pessoa desencantada pela vida. Penso que foi em setembro passado - quase certeza de que sim - mas o golpe final, o último encanto que restava pelo mundo foi-se em janeiro. Já era, acabou. Tudo vazio aqui. Dá até para ouvir minha própria respiração e o correr do sangue nas veias. Mas não encanto com mais nada. Tudo é azul-cinzento, tudo é monocromático, sem gosto - ainda que salgado -, sem cheiro - apesar da essência de baunilha.

Você percebe que se tornou uma pessoa triste quando seus amigos e até mesmo seu irmão lhe perguntam: "o que posso fazer pra te deixar feliz? há algo que eu possa fazer por ti?" Olha, não há. A essa altura do campeonato nem sei se eu quero ser feliz. Porque dá trabalho e quase nunca recompensa, sabe? Eu já estive tão feliz nessa vida que a proporção inversa de toda essa felicidade que tive é esse desencantamento. Em comparação com o que senti, nada mais tem cor.

Perceber que as pessoas superam rapidamente as coisas e você continua num futuro que passou e num universo à parte, apenas sendo uma observadora do mundo, é algo por vezes muito frustrante.

Não sei se isso vai passar e nem sei se quero que passe. Se antes eu chorava por não ser correspondida em paixões, hoje dispenso quem se aproxima de mim. Foi por rir de boba que esgotei a fonte de encantos. Hoje em dia eu rio nervosamente porque minha vida é uma dramédia tensa. É bom, porque eu não preciso esperar por algo que surpreenda já que nada mais me faz surpreender.

É ruim porque a vida fica louca quando os níveis de nonsense chegam a tal ponto que absolutamente tudo é passível de ocorrência.

Dá pra entrar em coma até o final do ano?
aceitamos doações de livros "soco no estômago", lorax, rivotril e afins

I'm from Avalon, bitch.

Da série "coisas que minhas amigas me perguntam": 
- sabe hackear fb? 
- sabe fazer voodoo? 
- conhece algum feitiço bom? 
- como me vingar de um boy?
- como afastar duendes?

PERCEBA.
Creio que azamigas pensam que sou algum tipo de bruxa nerd e que apenas caí no ano de 2013 por um acidente de percurso após uma das minhas famosas poções ter dado errado. 
(E eu sou a louca depois.)



praticamente a reencarnação de Morgana

O lado bom das coisas ruins

Ou: "como meus ex melhoraram cem por cento após eu ter terminado com eles".

Eles eram praticamente fracassados. Sim, os três, porque eu tenho algo que me faz relacionar apenas com pessoas assim. Todos com baixa - quase nula - autoestima. Até que eu comecei a namorá-los.

OU SEJA: há uma grande placa astral na minha existência dizendo "namore com a Mia e ganhe um update na vida e uma autoestima inabalável, é win-win".
Só Murphy explica.
Novela mexicana perde. 

Manual da autossabotagem em flertes

Ou "como fazer o amigão de um boy descer e não levantar nunca mais perto de você".

Quer se livrar de um boy inconveniente mas não há santo que o faça desistir de você? Sua vida romântica é inexistente e você simplesmente a prefere assim porque a facul/trabalho/livros tira todo teu tempo? Você planeja viver numa sitcom e escrever tudo num blog aleatório? Bora aprender o "Mia-way-of-life" então!

- Eu gosto muito de ler e li um livro ótimo esses dias. "Cinquenta tons de cinza", já leu? É ótimo. Super sonho em amarrar um cara e fazê-lo sangrar muito, beber seu sangue enquanto escuto um bom Chopin e vê-lo implorar por minha misericórdia. MUHAHAHA

- Então boy, te considero muito, mas... sou assexual. Não rola.

- Não sou assexual, apenas sou chegada em necrofilia. Bora pra o cemitério?

- Não tente mentir pra mim! O duende que mora ao lado da minha cama me conta tudo, tudo! ~risada maligna~


encenação

Durante o episódio 20x4 de Glee (sim, eu assisto e gosto de Glee; get over it) Kitty (a vilã da série) disse para Ryder que havia sido estuprada quando era menor e que demorou muito tempo para contar a seus pais porque... não havia bem um porquê, mas a pessoa que é molestada se sente oprimida, envergonhada, confusa.
É fato que o tema não foi bem explorado na série, mas me fez (re)avaliar muitas coisas.

a personagem com a qual eu tenho a identificação mais nervosa da vida

Vocês, leitores do blog, sabem que fui estuprada quando mais nova, certo? Não vou recontar a história aqui - é completamente desnecessário - mas o fato é que isso me mudou. Quando Kitty falou sobre a vergonha e as acusações que recebeu quando revelou o estupro ocorrido (dizendo que ela era uma mentirosa, que fazia isso para passar por vítima) eu consegui visualizar claramente muito do que eu passei e do que eu passo até hoje. As pessoas que acompanham o meu Ask devem ter lido algo vindo de alguns anônimos que fazem "bullying" (odeio essa palavra, mas enfim) comigo a respeito disso, gente que conviveu comigo na época da igreja e que me acusa de ser uma vadia mentirosa que usa a internet e alguma história sobre trauma pessoal para se autopromover. Mas não.

É terrivelmente difícil admitir que você foi vítima de um estupro. Seja por A ou por B, a muitos olhos parece que você está se vitimizando e as pessoas passam a lhe olhar de forma diferente. Por anos eu não contei nada a ninguém e apenas me escondi. Me escondi em roupas enormes e um cabelo que tapava meu rosto - e ganhei o apelido de Samara Morgan por isso. Me escondi sob uma atitude sarcástica e agressiva, que não tinha nada a ver com a menina que eu era originalmente. Me escondi sob um rosto sem maquiagem alguma, sem depilação de sobrancelhas ou buço e sem usar saltos, decotes ou pernas de fora. Me escondi debaixo de quilos de insegurança - e gordura também - e apenas procurava por um lugar onde me sentisse aceita e segura. Mas eu nunca me senti assim, nem com um namorado (que por um tempo achei que resolveria meu problema de falta de autoestima), nem com amigos. Só fui achar esse "aceitamento" na blogosfera. E hoje há toda uma mudança em mim, percebida por todos.

Sim, eu ainda carrego muito daquela insegurança, daquele vazio que sei que nada nunca preencherá, daquela inquietação, daquela necessidade de estar sempre um passo a frente do outro para não ser pega desprevenida. Ainda me encontro muitas vezes autossabotando relações que poderiam dar certo, desencorajando rapazes que se aproximam de mim - ora por autossabotagem pura e simples, ora por achar que só se aproximam por minha aparência, que seria um simples e puro desejo de atração, coisa que, de certa forma, me repugna. E então eu tento compensar toda essa falta de traquejo emocional com histórias e escritos e poemas e versos e palavras e músicas e delineador. Mas isso faz diferença?

Hoje eu consigo aceitar que sou uma moça bonita e que alguns rapazes se interessam por mim pela minha aparência. Mas ainda assim não é isso o que quero - não por não querer, de fato, isso mas por achar que esse interesse é algo puramente instintivo, e sabemos muito bem de onde vem essa minha aversão a instintos desse tipo. Vezenquando as pessoas escondem uma parte de si mesmas para que os outros vejam algo a mais. Eu fiz isso por muito tempo e continuo fazendo. Eu não quero estar com um cara que se atrai por mim por causa dos meus belos olhos verdes ou das minhas madeixas vermelhas. Eu não quero um cara que elogie minha beleza como se eu tivesse contribuído pra que ela existisse. Eu quero ser notada por outras razões - ou não ser notada de forma alguma. Não quero cara algum - e isso não é tão difícil de entender. Mas creio que apenas quem passou por algo do tipo verdadeiramente entenderá.

Se virei uma velha amargurada e descrente do amor aos 19 anos? De forma alguma. Eu acredito e muito no amor e amo profundamente muitas pessoas. As amo tanto que sempre arranjo uma forma de afastá-las do meu emocional. Não é nada pessoal, é comigo mesmo. Eu sou quebrada. As quero afastadas de mim porque meu emocional não lida bem com isso. Não lida bem com nada. Há algo aqui dentro que não funciona e nunca funcionará direito. Já passei da fase de estar com alguém para me sentir amada ou querer desesperadamente sentir que alguém me precisa. Eu não quero que me sintam quando eu própria não sinto o mesmo pela pessoa. É uma questão de respeito próprio e pelo outro. Até porque eu sou basicamente assexual, então...
Sim, eu sou danificada de maneiras que a maioria não pode imaginar. Sim, minha vida é um grande musical onde eu canto e danço e rio, mas ao final do dia sou em quem está sozinha no camarim com um desmaquilante já pela metade, procurando retirar logo a maquiagem para que essa não se dissolva e se transforme em um pequeno rio colorido sobre minha face.

Eu sou sozinha. Mas ninguém pode curar essa solidão a não ser eu mesma. Porque há feridas que só curam com amor - amor próprio. 

amor (im)perfeito



Dois beijos, dois anseios
Do desejo sem traquejo
Aquele nó que trouxe só
A dor sem fim
Que habita em mim

Amiga amada
Pôde a malvada
Colocar um fim
Em algo assim?
E como pôde!
Na onda ardente
Sob um céu clemente
Pesadelo foi, noite escura é

Os meus desejos
Que arfaram os seios
Esvaneceram na escuridão
Malvada aquela
A Morte impera
Mesmo no que não é carne
Mas é paixão

Qual dor maior
(que é) viver tão só
Sabendo então o que é amor
De um ser tão culto
Dirás: "- Tão burro!"
Sim, minha amiga
Tão burro então.

Lançara fora o amor pungente
E no peito pálido
Só a luz ficou
Mas o que é a luz
Senão alumia?
Se ele foi-se
Ao olhar pra o chão...?

Abismo negro, terra do além
A Morte certa o acompanhou
Ficaram os corpos
- tão cheios outrora -
Vazios, sem vida
E nada mais brotou.

Expiação do pecado
Viver sem ser olhado
Pela neblina, nas trevas sem fim
Mas o peito alumia, procurando respira
Por algo a mais
Pelo que passou.

Eterna busca, procura injusta
Deverei agora pesar a mão
Pois entre beijos, no arfar do seio
Perdi a compostura, fui pega no arpão.
Morte, ó Morte!
Tu que da vida levas o eterno
Venha até mim, possuo um coração
Que pulsa por alguém
Que já não sente
Que jaz ausente
Por tua mão.

Tire-o daqui, afasta-o de mim
Deixe-me vagar sem uma pulsação
Do sangue forte ofereço-te sacrifício
Vida por vida, amor por ilusão
Terei em breve a face funda
O peito inerte, sem emoção
Mas sentirei por perto
A paz demente
Que mal não sente
Nem bem então.

Em minha memória
Lábios encarnados
Suspiros dobrados me levam a pensar
E lembro dele, sua face pálida
À luz tão clara
O gosto anil
Aquele sangue
Vertido ali
Num tecido claro, com essência de jasmim
Seu olhar de espanto
"- Por que sangraste?"
Meu bem, foi presságio
Foi o arrancar do coração.

É dele agora e sempre o fora
Quando a vagar em noites sonhei
Com aquele espectro sob a luz profunda
Não sou mais minha
Nem de mais ninguém.
Outrora fosse uma despedida
Todavia sabemos que não
Será possível um dia ainda
Perder a vida por uma paixão?

Duvido muito, ainda há vida
Mesmo que pulse 80 vezes
Mesmo que a vida seja sentida
Como num sono, como um revés
E amo ainda, a dor sentida
Enaltecida em versos secos
O peito desnudo que traz à vida
Apenas implora: morra de uma vez

Morra paixão, morra sentir
Faze-me de novo andar e vir
Olhar as faces vermelhas e rosadas
Sentir nas veias a inquietação
Querer luxúrias, desejar o proibido
Sentir que resta uma solução
Caber numa cama, arfar o seio
Pedir segredo
Num beijo... ó não!
Eu não sei poetizar, mas cá estou eu com um poema arrancado da alma. Não espero que vocês gostem, mas... aí está.