Algodão doce

Mas fiquei com sabor de nuvem. 
Fiquei com sabor de poesia. 
Fiquei com sabor de conto de fada. 
Fiquei com sabor de delicadeza. 
Fiquei com sabor de arco-íris. 
Virei algodão doce sobre a mesa.  

Poeminha de fim de tarde

Reza a lenda que é necessário esperar 
pela resolução dos problemas, 
pelo amor verdadeiro, 
pelo esquecimento, 
pelo passar do tempo. 

Eu, que não tenho paciência 
pra esperar pelo tempo 
coloco, por mim mesma, 
ponto final na sonolência. 

Se estou sendo apressada 
que a deusa me perdoe, 
mas não é do meu feitio 
esperar que o tempo voe. 

O meu tempo determino 
e se sinto o destino 
à minha porta bater, 
abro a vidraça da janela, 
faço uma torta de amora 
e o convido para comer. 

Se minha sina é ser menina 
impulsiva, pequenina, 
aceito-a sem contestação. 
Pois não é nem um problema 
ser assim dessa maneira, 
se em troca eu tiver, 
- conservar, manter batendo - 
eu tiver um coração. 

Crônica da morte de um amor

Você mora embaixo da minha caixa de Ibuprofeno.
Cada vez que dói, vou lá. Um, dois, três comprimidos. Nunca levanto a caixa, apenas acrescento mais e mais coisas. Removê-las nunca foi o meu forte. Você mora embaixo de minha caixa de Ibuprofeno porque transferi meu coração para os estudos médicos. Ninguém entende, todos pesquisam, conclusões não são tomadas. Como é possível andar com o peito vazio, com a alma morta, como é possível ser casca, ser oca, e continuar? Como é possível caminhar sem um coração no peito, sem alegria, sem vontade, sem emoção? Como é possível tornar-se um depósito de remédios e livros alheios? Ninguém sabe, ninguém saberá.

Fazia dias que eu não chorava.
Não sei se foi a dor profunda nas entranhas, o cinza da cidade melancólica, o senhor com tuberculose ao meu lado ou as músicas da Legião Urbana. Sei que vi pontinhos brilhantes mancharem de um tom vivo meu casaco vermelho. Sei que vi meus verdes olhos tornarem-se encharcados e reticentes. Sei que vi pessoas me olhando como se eu fosse de outra realidade. Talvez eu seja.

A morte de um amor deve ser sentida.
Deve haver o luto. Deve haver a dor. Deve haver o lamento.
Gabo escreveu que:
Certa vez ele dissera algo que ela não podia conceber: os amputados sentem dores, cãibras, cócegas, na perna que não têm mais. Assim se sentia ela sem ele, sentindo que ele estava onde não mais se encontrava.
Hoje chegou um livro pelo correio. Nele, há uma dedicatória muito querida de um rapaz para uma moça, dizendo que estava feliz por passar mais um dia dos namorados com ela. Claramente, não passarão mais dias assim. É muito triste olhar o que fica e perceber que há pouco havia algo que nunca mais haverá. Então nos desfazemos das lembranças, cortamos o passado e deixamos apenas um retalho esfarrapado dos dias que já se foram. Se torna rotina abrir o editor de fotos para apagar a aliança das recordações, para desmembrar aos pouquinhos o que sobrou. Se torna rotina sorrir e aprender a ser educada quando as pessoas dizem "vai passar". Se torna rotina se segurar para não ter outro surto porque "querida, você tem de continuar". A morte é questão de rotina.

Não quero mais acordar no meio da noite sentindo a falta de um membro perdido. Não quero, mas sinto. É engraçado que existam pessoas que ainda não sabem e me perguntam onde você está. Eu não sei onde está, tampouco quero saber. Deveria haver um tempo limite para o luto. Certamente, eu já ultrapassei o meu. Mas ainda estou enlutada. E talvez assim fique durante o resto de minha vida.

Espero que não.
Espero que você logo não mais more debaixo de minha caixa de Ibuprofeno mas, sim, num lugar chamado Esquecimento.

Via Magra de Ruim 

Deveriam ser lidos

Estou atrasadíssima no meme das 52 semanas, eu sei. Sorry.
Mas sou uma pessoa distraída mesmo, ainda mais agora com o curso de Biblioteconomia: eu leio pra caramba, estudo mais ainda, penso em mil posts para publicar aqui, mas acabo esquecendo. Mais dia, menos dia, me acostumarei à rotina e tudo ficará no prazo certo (I hope so).

Pois então. Escolhi aleatoriamente hoje um dos memes que consiste em indicar alguns livros que a pessoa - no caso, eu - acha que todo mundo deveria ler. E né? Tive de enxugar muito essa lista porque todos sabem que eu sou a louca dos livros livros são minha paixão, entonces... vamos lá!

Claro que eu iria começar a lista com Harry Potter.
Acho que todos por aqui conhecem a premissa da história do bruxinho que vai para Hogwarts e luta contra o poderoso Lorde Voldemort, né? Pois então.

Por que ele deveria ser lido? Porque é incrível! Quer dizer: toda pessoa - criança, adolescente, adulto, idoso, fantasma - deveria ler algo tão lindo e esperançoso e cheio de aventuras como Harry Potter. Vale muito, MUITO a pena.


A obra prima de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, conta a história de um jovem muito, muito lindo que, para manter sua beleza eternamente, faz um pacto (a história não deixa isso muito claro) que consiste em: todas as marcas de seus pecados e sua velhice vão para o quadro onde ele foi retratado quando jovem.

Por que ele deveria ser lido? Gente, é Oscar Wilde. Só isso bastaria. Mas: há diálogos maravilhosos, personagens incomparáveis e tudo numa atmosfera inglesa de 1800 e antigamente. Ou seja: MUITO AMOR.

O Exorcista é um dos melhores livros que já tive o prazer de ler. Como todos devem saber, o livro conta a história de Reagan, a menininha que começou a manifestar sintomas de possessão demoníaca. Veja bem: SINTOMAS. Nada é provado.

Por que ele deveria ser lido? Pense no filme. Pense no terror. Agora multiplique isso e terá o efeito que o livro traz. Sério: que livro apavorante, cheio de dúvidas, questionamentos, suspense e aquela sensação de "estou sendo observada".


Como todos que me conhecem sabem: sou fã de Milan Kundera. E tudo começou com a leitura do sensacional A Insustentável Leveza do Ser. Sobre o que ele fala? Sobre tudo. Não há um tema apenas. Há 4 personagens principais e o narrador - Kundera. E o importante na história é o narrador. Os personagens ficam ali como plano de fundo.

Por que ele deveria ser lido? Apenas após a leitura feita a pessoa saberá o porquê. Sério. Há quem deteste, há quem ame, mas ninguém fica indiferente.


É fato que muitos não gostam de Paulo Coelho. Mas deem uma chance a este livro. A Bruxa de Portobello é sua melhor obra - em minha opinião. Conta a história de Atena, uma mulher que vai em busca do autoconhecimento e acaba sendo chamada de bruxa por conta disso.

Por que ele deveria ser lido? Porque traz reflexões importantes a respeito de fé, religiosidade e até que ponto pode ir o preconceito (e a arrogância) religioso.


Eu não seria eu se não colocasse esse livro aqui. As Brumas de Avalon é, na verdade, uma saga arturiana composta de 4 livros (que estão sempre em promoção no Submarino, by the way) que narram aquela lenda maravilhosa do Rei Arthur, mas sob a perspectiva feminina.

Por que ele deveria ser lido? Além da história em si (lendas arturianas são puro amor, gente), há a discussão religiosa que é INCRÍVEL. E eu não direi mais nada além de: leiam!

Os 13 Porquês é um soco no estômago literário. Traz a história de uma menina que suicidou-se, mas, ao invés de escrever uma carta de suicídio, gravou algumas fitas e enviou-as para algumas pessoas, contando quais foram os porquês de sua morte.

Por que ele deveria ser lido? Porque é denso, sim, é um soco no estômago, sim, mas faz com que façamos uma reflexão a respeito de como é possível destruir a vida de alguém com ações bobas, palavras duras demais ou descaso por coisas que precisavam de atenção.

Contato, do Carl Sagan, conta a história de Ellie, uma cientista que, ao observar o espaço, recebeu uma mensagem de seres extraterrestres.

Por que ele deveria ser lido? Além da premissa básica e simples de alienígenas contatando o povo terrestre, há MARAVILHOSAS discussões a respeito de religião (sim, eu amo o assunto "religião", risos), a respeito da existência de Deus e a respeito de como nós, seres humanos, fazemos parte do universo - ou não. Apenas digo que: façam essa leitura. E, se estiverem em dúvida, leiam a resenha.

A Casa dos Espíritos não é um romance espírita, como muitos pensam. Pelo contrário: é um romance que conta a história de uma família peculiar, durante 3 gerações, e que tem por pano de fundo a ditadura chilena.

Por que ele deveria ser lido? Pense num livro de realismo fantástico. Pense agora na ditadura. Una isso à incrível habilidade chilena de contar histórias. Pronto: eis aí um livro que vale a pena ser lido. Não consegui largá-lo até finalizar a leitura. E isso é raro de acontecer.

Quem foi criança em meados dos anos 80 e durante os anos 90 deve lembrar daquele filme fantástico sobre Atreyú, o menino que sai voando em Falkor, o dragão da sorte, para conseguir salvar a Imperatriz Criança do reino de Fantasia. Pois então: isso é um livro. E o livro é ainda melhor. A História Sem Fim é amor em forma de literatura.

Por que ele deveria ser lido? Se você não se convenceu ao ler o parágrafo acima, não há nada que eu possa fazer por você. Sorry.

Foi difícil escolher apenas 10 livros para essa listinha, mas devo dizer que também foi gostoso demais. Acho que terá parte 2 algum dia, hein?! Risos.
Espero que vocês aproveitem as indicações e façam as leituras. Todos eles são altamente recomendados e trazem reflexões maravilhosas sobre a vida, o universo e tudo mais (vocês entenderam ♥). 

Bonsai


Há algum tempo li um post da Nina a respeito de livros lidos em um certo período de tempo. Acompanho o Cronista Amadora há muito, muito tempo e sempre pego recomendações literárias de lá porque a Nina tem um gosto literário bem parecido com o meu, além do fato de que ela fala sobre livros um pouco mais diferentes do que estamos acostumados a ver por aí em blogs literários (lembrando que: nada contra Y.A., chick-lit e blablabla, inclusive, tenho vários desses na estante, mas vezenquando gosto de ler algo bem diferente do que é bombardeado na mídia).

No tal post, ela falou sobre alguns livros, entre eles um que me chamou atenção na hora: Bonsai, do Alejandro Zambra. Muito tempo depois, na recente promoção de 50% da Cosac Naify, consegui encomendá-lo (justamente quando já havia me apaixonado pela literatura chilena). E após quase um mês (Saraiva virtual, você é um saco, sabia?), tive ele em mãos e foi amor à primeira página.
“No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela. [...] No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura."
Zambra nos conta a história da desconstrução de um amor. Melhor dizendo: não é uma história, mas o recorte de uma. Apenas o essencial. Ele não se atém às particularidades que fazem todo o amor único. Mas seu foco é justamente o que faz todo o amor - toda história humana - igual: o final é a morte e quem sobrevive anda como se lhe faltasse uma perna, um braço, como se o membro perdido estivesse enterrado em algum lugar.

A delicadeza desse livro me deixou aturdida porque parece quase impossível alguém conseguir ser tão delicado ao mesmo tempo em que é tão técnico. Mas Zambra conseguiu tal façanha. (Já disse que amo literatura chilena? Pois então.) O romance começa através de livros e é através de livros que termina. Há uma continuação poética nisso - assim como ocorre com Ana Karênina, que acaba por se jogar nos trilhos de um trem, afinal a vida precisa de continuações poéticas e nos trilhos de um trem é que ela conheceu aquele que tornou-se seu amante e a desgraça de sua vida -, uma métrica. O autor transformou uma história banal, que talvez nem pudesse ser considerada de amor, em algo bonito, cru e sutil ao mesmo tempo.

Talvez o que eu mais tenha gostado é que não há spoilers em Bonsai. Já no primeiro parágrafo fica claro que ela morre e ele fica sozinho. Ponto. A morte não é um spoiler, e eu acho isso muito digno. Para quê ler a obra, então, se não há surpresas? Por puro prazer. É uma escrita suave e técnica ao mesmo tempo. É algo lindo.
"A história de Julio e Emilia continua mas não prossegue." 
Creio que é de conhecimento geral que a Cosac Naify arrasa em seus livros, mas essa edição está particularmente bonita. O texto é centralizado - se não o fosse, provavelmente o livro seria "um desses romances de 40 páginas, que estão na moda hoje em dia" (como cita o próprio autor no livro em questão). A capa possui um pontilhado, indicando que ali o leitor poderia destacar para que sobrasse apenas o essencial. Porque esta é a essência de Bonsai: o essencial, apenas e tão somente.
"Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida? Disse isso, e Julio estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida." 

O final absoluto

Anteontem, durante a 14ª vez em que assisti a Patch Adams, lembrei de algo que minha professora de Biologia havia dito: quando perdeu seu amor da vida, sem mais, nem menos, ao invés de ficar lamentando pelo amor perdido eternamente, resolveu doar aquele amor em trabalhos voluntários, dar todo aquele amor para crianças, jovens, adultos que precisassem de amor em suas vidas. Ora por conta de doenças fatais, ora por conta de lesões cerebrais. E aquilo mudou sua vida.

É basicamente sobre isso que Patch Adams fala: mudança de foco em benefício de outrem. E eu me peguei pesquisando organizações que precisassem de voluntários para... qualquer coisa. Então, é claro que levei um choque ao saber ontem, no fb, que Robin Williams, o ator que interpretou Patch, havia morrido por conta de um suicídio.

Flerto com o suicídio há um bom tempo. Tempo suficiente para saber que a pessoa suicida não é covarde, pelo contrário. Tampouco lhe falta amor próprio. O que a pessoa suicida tem é um amor próprio tão grande que lhe parece impossível continuar a viver uma situação que não deveria estar acontecendo e que, por x ou y, não há como mudar. Eu não sou uma pessoa depressiva, tenho momentos depressivos, apenas momentos de tristeza e dificuldade (como todo ser humano tem, mas parece que as coisas se intensificam em tais momentos e tudo vira um abismo profundo onde a única saída é para baixo). E, é claro, às vezes a ideia do fim absoluto me vem à mente. Mas parece que o Robin era uma pessoa depressiva. Eu não sou psicóloga, nem me interesso por Psicologia - apesar de já ter estudado muito Psicologia Infantil -, mas sei que muitas pessoas levam a depressão como algo fácil de ser superado. Não é.

Acompanhei a filmografia do ator, mas não sua vida pessoal. Não sei ao certo o quanto isso o influenciou, não sei as questões - acho que pouquíssimos sabem, inclusive. Mas sei que muitos de meus filmes favoritos são dele. Porque ele aparentava ser o tipo de pessoa que passava a imagem do "não desista, siga em frente, a vida é bonita". E talvez realmente passasse tal imagem também na vida pessoal, até porque eu acredito que um artista não é apenas uma representação, mas é também sua obra.

E foi isso o que mais chocou. Perceber a fragilidade do ser humano, da mente, do espírito, da linha divisória entre o suportável e o insuportável. Não estou aqui para endeusá-lo apenas porque morreu - longe de mim isso. Mas estou aqui para dizer que se não nos cuidarmos (e eu estou inclusa nesse "nos"), acabaremos assim também. Se o ator cujos personagens inspiraram a tantos a, justamente, ter fé no amanhã, melhorar o hoje, acreditar na esperança de dias melhores, se ele sucumbiu por si próprio, o que será de nós? Tantas pessoas boas morrendo por suas próprias mãos... é uma pena, uma grande pena.

(E quando essas coisas não fizerem mais sentido, permaneceremos vivos pelo quê? Eis a questão.) 

Há um livro chamado "O céu dos suicidas". Não sei sobre o que se trata, ao certo, mas sei que - independente de religião, afinal, não sigo nenhuma - espero que ele e tantos outros (talvez nós, daqui a algum tempo) encontrem sua paz num céu, no final absoluto ou em outra vida. 

Poema de fim de noite

Reza a lenda
e há quem não a conteste 
que o amor é para sempre 
e que nos favorece. 
Já eu, que cansada 
estou de tanto papo furado, 
que mal aguento minhas pernas 
e fico o tempo todo de lado 
acredito que o amor 
é a maior mentira humana 
pois de mal a mal se engana 
aquele a quem se ama. 
Se engana com um para sempre 
depois de um beijo 
- talvez ardente - 
se engana com um "eternamente 
vou te amar 
até que a morte nos separe 
e isso não há de falhar". 
E não falha, mas o que não menciona 
é que a morte não é a do corpo 
não é a da alma 
não é a do motor 
mas, sobretudo, é a morte do amor. 
É a foice deliberada 
que chega 
pobre desalmada! 
para acabar com o que nunca foi. 
Para desalentar a pessoa crente 
que achou que o para sempre 
duraria eternamente. 
O amor, essa bobagem 
só serve para iludir 
aqueles que no deserto estão 
e creem voluntariamente na miragem. 
Pois o deserto é muito quente 
e pensar que logo ali 
há água que sacia 
é algo enebriante. 
E eu, que gosto do deserto
eu que gosto da terra fervente 
que não vejo miragens 
pois me desatino em dores de dente 
eu, que caminho torta 
a passos de gente velha 
a passos de quem a alma 
já cansou da longa espera. 
Eu, que não sou boba 
aprecio a vista seca 
e espero, paciente 
a morte que nunca chega.

Trilogia da Magia + preconceito literário (vídeo)

Tem vídeo novo no meu canal! \o/ 
Dessa vez, o vídeo é sobre a Trilogia da Magia, da Nora Roberts (que é excelente, por sinal) e há um comentário sobre o preconceito literário, que é algo extremamente irritante, pomposo e ridículo. 


História de ônibus

Diariamente saio de madrugada para ir ao meu curso de Biblioteconomia (sim, estou cursando Biblioteconomia!). Pego um ônibus que leva cerca de duas horas para chegar ao seu (e meu) destino final.

Nessa longa (estrada da vida, vou correndo e não posso parar ♪) viagem de ônibus, há um grupo de senhorinhas que senta perto de mim. E tagarelam. Alto. E riem como hienas (sim, isso é sério).
Eu, como pessoa pacienciosa que sou, aguentei aquilo nos primeiros dias. Mas eu sou uma leitora. Eu amo ler. Ainda mais em viagens de ônibus (sim, eu gosto de andar de ônibus). E quem disse que eu consigo me concentrar nas histórias livrísticas com gente gritando nos meus ouvidos? QUEM DISSE?

Eu troquei de lugar no ônibus. Tapei os ouvidos. Fiz cara de má. Fiquei encarando. NADA. Até que um dia me irritei muito, de verdade, e tive a brilhante (capaz) ideia de cantar. Sim, eu comecei a cantarolar no ônibus.

E as senhorinhas irritaram-se, claro.

— Não tá vendo que ninguém quer ouvir showzinho aqui?
— Exatamente.
— Como?
— São 6h da manhã, senhora; ninguém quer ouvir a nova do filho da prima tal. Ninguém quer saber. Sabe o que eu quero mesmo? Ler (e mostrei o livro em questão, claro). Mas já que não posso ler por conta da fofoca do dia, cantarei.

E elas pararam. ♥
E eu parei. ♥
E pude terminar minha leitura no lindo silêncio da madrugada/manhã. ♥ 

Um recado

Então Murphy decidiu aloprar novamente e estou sem telefone/internet.
Tudo porque algum ser, que certamente já tem seu lugar reservado ao lado de Belzebu e é alvo de minhas maldições eternas, resolveu brincar com os fios da rua e cortar JUSTAMENTE o de minha casa. Ou seja.

Portanto, o blog, o vlog e a coluna literária no Liga da Notícia estarão desatualizados por tempo indeterminado. Mas eu volto, gente. Não morri, porém alguém está prestes a morrer (ouviu bem, técnico da Oi?!).

É isso. Kissus. ;*