#3 e #4

Do que teve ontem e hoje, tudo junto por motivos de: gente, que dias aloprados, wow.

• Teve eu acordando às 6h da manhã com o barulho de um cano estourando e inundando o banheiro.
• Teve uma lâmpada estourando na cara do meu pai e na minha também, já que eu estava por perto.
• Teve o pudim dando errado.
• Teve o chuveiro tendo uma mini-explosão quando o liguei.
• Teve eu buscando o namorado lindo e maravilhoso para vir conhecer os sogros.
• Teve fritas, teve almoço supimpa, teve pudim esquisito, mas comestível mesmo assim.
• Teve meus pais aprovando o namorado (gente, que coisa maravilhosa! ♥).
• Teve namorado me fazendo passar a maior vergonha de todos os tempos e fazendo com que eu tentasse com todas as forças fazer um feitiço de invisibilidade ou, sei lá, me transportar pra Hogwarts, pegar a capa do Harry e ficar invisível, apenas por motivos de: O MOÇO ME APARECEU COM ALIANÇA DE COMPROMISSO, COMO PROCEDER?! Não sei lidar com surpresas! Ainda mais com surpresas que envolvem emoções. Fora que tô morrendo de medo, meldels, que medo terrível. Mas tô feliz. Escondi minha cara sob as ondas de cor indefinida de meu longo cabelo e encarei o chão até não poder mais. Mas estou feliz. E o amando loucamente. ♥
• Teve Drácula de Bram Stoker.
• Mas teve pela metade, porque aloprações, muitas, meldels, quantas aloprações, deuzôlivre. Wow.
• Teve pipoca com manteiga.
• Teve o pai levando namorado em casa por motivos de: vingança minha, preocupação deles.
• Teve posto de gasolina sem gasolina (coerência, ululância, pertinência).
• Teve eu dormindo no carro, de volta pra casa.
• Teve aloprações facebookianas.
• Teve sono sem sonhos.

~acordando lindamente~

No outro dia, hoje, pela manhã...

• Teve ônibus demorando mais de duas horas para chegar ao seu destino.
• Teve eu dormindo no ônibus (virou moda).
• Teve sala de aula alagada (detalhe que: é no segundo andar, tecnicamente não haveria como alagar, mas Murphy me ama, Murphy me quer).
• Teve professora falando bobagem extrema por conta de preconceito literário.
• Teve namorado e eu indo gravar nossos nomes + data de início de namoro nas alianças de compromisso (ficou fofo, gente, mas ficou mais fofo ainda pelo fato de que a minha é TÃO pequena que se tivesse de ser escrita mais, sei lá, duas letras, não caberia, risos; na dele já cabe basicamente toda a frase novamente, porque o moço é grandão, obviamente).
• Teve despedida do orkut.
• Teve sono.
• Teve amor, meldels, quanto amor, e ansiedade também. Risos. 

#2

O "do que teve hoje" de ontem foi cancelado por motivos de: desmaio + sonho incrivelmente bizarro e legal + amnésia parcial por conta disso.

Mas tá tudo bem. 

#1

• Teve eu acordando às 3h e pouco da manhã simplesmente porque meu relógio biológico não me permite dormir mais do que 5h (e olhe lá) por vez.
• Teve eu com uma dor de cabeça dozinfernos até chegar em casa e comer.
• Teve mamis dizendo que deuzôlivre misturar estampas de roupas, que tô feia, esquisita, que não tenho noções de moda, que tô parecendo gorda e blablabla (tudo antes das 6h da manhã, uma maravilha).
• Teve eu saindo de casa dizendo que QUE SE DANE O MUNDO, O IMPORTANTE É QUE EU ME SINTO BEM ASSIM e manifestando a vontade aquariana de usar roupas como expressão da alma, ou seja: roupas divertidas é a melhor coisa que existe!


• Teve eu chegando uma hora antes do horário de aula.
• Teve leitura de um livro muito... peculiar (pra não dizer nojento) escrito pelo Jô Soares (o cara é bom, mas é perturbado) que fala de assassinatos de mulheres gordas. Porém a forma como são descritos os tais crimes é realmente de causar ânsia: o assassino tem sérios problemas sexuais.
• Teve namorado sendo lindo e me arrancando suspiros.
• Teve namorado me deixando com uma leve alergia por conta da barba não feita.
• Teve namorado suando feito bebê e eu me divertindo com aquilo porque, gente, o suor dele tem cheiro bom (e se vierem com nojinho dizendo que deuzôlivre suor, já aviso que a gente só sente nojo de quem não ama e que se você tem nojo da pessoa que ama é melhor rever aí seus conceitos de amor, porque tá estranho) (até porque, se for parar pra pensar, o próprio conceito de beijar alguém é nojento: enfiar a língua na boca de outra pessoa é um troço muito estranho; enfiar outras coisas em outra pessoa é mais estranho ainda, mas há quem viva para isso, e ao meu ver a pessoa só faz isso com prazer, satisfatoriamente, em dois casos: ou se ama a outra pessoa ou se tem alguma patologia sexual, provavelmente ninfomaníaca, que faz com que a libido vá para as alturas e que todo o resto seja ignorado; no meu caso: só com MUITO amor, mesmo).
• Teve eu nas nuvens.
• Teve eu dormindo no ônibus.
• Teve pipoca.
• Teve eu abrindo um machucado no calcanhar ao fazer pipoca (estava eu tentando salvar a pipoca de pular da panela quando, de repente, sangue, muito sangue, sempre há sangue, é incrível minha capacidade para adquirir machucados, isso deveria ser estudado, inclusive, deveras interessante, hunfs).
• Teve sonho em que namorado e eu nos amávamos muito.
• Seguido de um pesadelo dozinfernos que espero que nunca mais se repita.
• Teve vídeos e fotos de animais sendo coisa mais querida.
• Teve um pouco de mimimi (sempre tem o mimimi).
• Teve o cobrador e motorista do ônibus em que vou dizendo para minha mãe que estão espantados por saberem que eu tenho 20 anos, já que não me davam mais do que 14, e que ficam me observando nas viagens diárias porque acham coisa mais linda eu cantar no ônibus, ler no ônibus, arrumar o cabelo no ônibus e ignorar todo o resto à minha volta.
• Teve eu confirmando a suspeita de que o cobrador fica me olhando e ficando nervosa porque, que isso, gente, não quero que me olhem.
• Teve criação de novo blog que servirá de diarinho virtual.

Do que teve hoje. ♥ 

Tag das questões bloguísticas

Entonces a dona Vic, do Finding Neverland (visitem esse blog, gente, é tri supimpa, possui o selo de aprovação winker), indicou-me para uma tag que consiste em responder a 5 perguntas bloguísticas (ó que legal isso!).



As regras são:
1. O desafiador deve fazer 5 perguntas sobre o(s) blog(s) escolhido(s).
2. O desafiador deve deixar o(s) link(s) do(s) blog(s) que desafiou.
3. O blog que for desafiado deve deixar na tag quem o desafiou.
4. Só é permitido criar perguntas sobre o blog.
5. O(s) blog(s) desafiado(s) deve(m) ser informado(s) disso e responder nos comentários da tag se aceita(m) ou não.

As perguntas da Vic 


1. Por que você escreve? 

Escrever, para mim, é uma necessidade básica, como respirar. Eu escrevo o tempo inteiro, diariamente. Claro que apenas uns 15% do que escrevo acaba por ser lido por outras pessoas. A grande maioria de meus escritos moram em gavetas, em cadernos, em blogs secretos (sim ♥), em locais randômicos de onde provavelmente jamais sairão. Como Isabel Allende escreveu: talvez o meticuloso exercício da escrita seja a nossa salvação. Acredito piamente nisso.

2. Quais assuntos mais te atraem em um blog? 

Eu adoro blog diarinho. Gosto muito de blog literário também, mas acho que neles costuma faltar a essência do blogueiro e, poxa vida, a essência é algo tão legal! Ler o blog de uma pessoa, acompanhá-la por anos e sentir que já a conhece, que poderiam sentar numa praça tomando um sorvete e comentar por horas todos aqueles assuntos porque PELAMOR QUANTO RECONHECIMENTO, esse é o legal da blogosfera.

3. Tem algo que você queria fazer, mas não consegue? 

Às vezes eu penso em fazer parcerias literárias para o blog, mas né? Essa coisa de ler por obrigação, por ter de fazer uma resenha... isso não me apetece. Gosto de ler por prazer, assim como gosto de comentar sobre os livros lidos (não todos, obviamente) por puro amor à literatura e não porque uma editora me enviou tal livro e eu preciso escrever sobre ele.

4. O que você acha sobre investir financeiramente no blog? É essencial? É errado? 

Essencial não é. Muito menos errado. Mas não funciona em minha vida. Quer dizer, meu blog não é uma empresa, é apenas um lugar onde escrevo meus mimimis, minhas randômicas, as aloprações da lei de Murphy em minha existência e coisas do meu universo, como livros, filmes e músicas. Só. O máximo que poderia investir é num layout, mas tenho boas noções de HTML/CSS e se não crio um sozinha, do zero, na maior parte das vezes é por pura preguiça (sou uma designer preguiçosa, gente). Mas cada um tem suas prioridades. A minha não é essa. A minha é: amor, estudos, livros e gordices.

5. Você já fez amizade com outros blogueiros? Quais? 

Sim! ♥ Aí não sei se a pergunta se refere a amizade do tipo "saí com ela x vezes" ou amizade virtual também conta, mas nesses 5 anos de blogosfera fiz uma listinha considerável de amizades bloguísticas. Tem a Lene, que é minha mais antiga amizade bloguística, creio eu, juntamente da Arih, que parou de escrever publicamente, infelizmente, mas cujo blog continua aberto para quem quiser lê-lo. A Amanda, que eu cheguei a encontrar numa dessas coincidências da vida na Redenção. A Jubs, que conheci no primeiro encontrinho de blogueiras que fiz, lá em 2012. A dona Marina, que é essa coisa mais querida e fofa que existe (sério, gente, que moça meiga, meldels). Tem a Hallana Vitória, cujo blog acho que foi desativado. :( Tem a Sara, que conheci num dos encontrinhos de blogueiras (aliás, terá outro, gente!). E tem a dona Denise, que é minha colega de curso (oi, guria!). Acho que é isso, mas tenho certeza de que estou esquecendo alguém, risos.

Minhas perguntas 

Eu sou terrível para formular perguntas. Sou mesmo. Porém, diz a regra que é necessário fazê-lo, então... bora.

1. De onde veio o nome do seu blog?
2. Você lembra do seu primeiro layout? Há print dele em algum lugar?
3. Se você tivesse de indicar um blog-irmão do seu (por conta do conteúdo, da identificação e coisas do tipo), qual seria ele?
4. Qual é o post de seu blog que você mais gosta?
5. Em tempos de facebook, instagram e tantas outras redes sociais, por que ainda ter um blog?

As indicadas da vez são: Denise, Gabi, Lene, MarinaVanessa e Raquel. Mas quem quiser responder a essas perguntinhas, pode fazê-lo sem problema algum, apenas me avise pra que eu leia as respostas, okay?

Isso é tudo, pessoal. Kissus! 

Pra cantar no chuveiro

Eu sou o tipo de pessoa que sai cantando na rua, no ônibus, na aula, no carro, no chuveiro... em qualquer lugar. Por isso, quando vi que um dos memes de Setembro do Rotaroots era sobre "7 músicas para cantar no karaokê" fiquei mega empolgada e comecei a atualizar minha playlist e a eliminar umas cinquenta músicas porque, deuzôlivre, eu quero cantar todas! Mas como nunca cantei num karaokê (já fiz apresentações por aí, mas karaokê MESMO, nunca), entonces achei por bem colocar o título da playlist de ~pra cantar no chuveiro~. Mas a verdade é que saio cantando essas musiquinhas quase que diariamente no meu percurso casa-curso-curso-casa.

pra cantar no chuveiro by Mia Sodré on Grooveshark

1. On the radio, da linda Regina Spektor, por motivos de: tô escutando essa música sem parar há duas semanas. Que coisa mais fofa! É tudo muito lindo, mas o refrãozinho é amor: "On the radio we heard November Rain. That solo's really long, but it's a pretty song. We listened to it twice 'cause the DJ was asleep.

2. 1° de Julho, da Legião Urbana, por motivos de: GENTE, QUE MÚSICA MARAVILHOSA! Ouço-a diariamente desde meus... sei lá, 9 anos. Claro que, naquela época, não entendia metade da música, mas adorava tudo mesmo assim. E agora posso cantá-la ~entendendo a letra~ em alto e bom som: "Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina, mas sou minha, só minha, e não de quem quiser! Sou deus, tua deusa, meu amooooooooooor!" Melhor musiquinha. ♥  

3. A little less conversation, do Elvis Presley, por motivos de: faz parte da playlist diária, me sinto linda e poderosa ao cantá-la, o ritmo é maravilhoso, a letra, ainda melhor, e diz justamente tudo, naquela vibe ~chega de enrolação e bora~. "Come on baby I'm tired of talking. Grab your coat and let's start walking. Come on, come on. Don't procrastinate, don't articulate. Girl it's getting late, gettin' upset waitin' around, hey!

4. Bad karma, da incrível Ida Maria, por motivos de: bad karma is a bitch. Gente, que música é essa. Quando tô de mal com o mundo (ou seja: todas as manhãs) coloco essa música a todo volume e saio cantando por aí: "You better believe in karma. Just look at the sorry shape you're in. There's a doll with your name and your gloomy face and the department up doin' a rush on your case. You better believe in voodoo, babe,I got a long list of your sins. There's a word you may have heard of called payback and I'm runnin' out of pins."

5. Don't stop me now, do Queen, por motivos de: todo mundo que me conhece minimamente sabe que é impossível eu fazer uma playlist sem que Queen apareça, porque né? Queenie eu sou, sempre serei, amém. E creio que a melhor música dessa banda maravilhinda para ser cantada em karaokês/chuveiros da vida é essa porque né? Animada, divertida, dá pra soltar a voz, dá pra fazer coreografia, dá pra encarnar o Freddie Mercury... Muito amor em uma só música: "I'm a shooting star leaping through the sky. Like a tiger defying the laws of gravity. I'm a racing car passing by like Lady Godiva. I'm gonna go go go. There's no stopping me. I'm burning through the sky, Yeah! Two hundred degrees, that's why they call me Mister Fahrenheit. I'm trav'ling at the speed of light. I wanna make a supersonic man out of you." 

6. School's Out, do Alice Cooper, por motivos de: é extremamente gostoso cantar essa música. Quem nunca experimentou, PELAMORDEDEUS, faça-o. Divertidíssimo, especialmente pra quem tá saindo da escola (último ano ou férias, whatever). "School's out for summer. School's out forever. School's been blown to pieces. No more pencils. No more books. No more teacher's dirty looks.

7. Memórias, da Pitty, por motivos de: mas vocês realmente acharam que só teria Legião de música nacional por aqui? Mas bem capaz, né? E Pitty é amooooooor ♥ Não sou fã da moça, mas gosto pra caramba de uma pá de músicas dela, porém acho que minha preferida é e sempre será essa, porque né? "Eu vou despedaçar você todas as vezes que eu lembrar por onde você já andou sem mim. Memórias, não são só memórias, são fantasmas que me sopram aos ouvidos coisas que eu nem quero sabeeeeeeeer!" Definição de duas décadas de existência, apenas. 

David Tennant abençoa este post. ♥ 

Eu adoraria continuar a playlist, mas né? A regra é clara: 7 músicas apenas. Porém, contudo, todavia, entretanto, however: sempre se pode fazer mais, né gente? E tô organizando uma playlist de músicas para limpar a casa (SIIIIIIIM, porque limpar a casa sem música é muito triste), ou seja: é provável que haja mais dessas nas próximas semanas. o/ 

Stop the beauty madness

Este mês o Rotaroots propôs um tema superlegal: falar acerca do #stopthebeautymadness que é aquele projeto que consiste em muito mais do que um mero desafio de "poste uma foto sua sem maquiagem". É algo que trata a respeito dos padrões arbitrários que a sociedade nos impõe, do tipo "não é aceitável sair sem maquiagem na rua". Há quem não saia. E não acho que essas pessoas que enchem a cara de produtos devam ser crucificadas, porque todos nós passamos por uma pressão da ditadura da beleza.

Minha pressão começou aos 18 anos.
Até então eu não fazia ideia de moda, maquiagem, bonito/feio (na verdade no contexto bonito/feio continuo não fazendo ideia, já que raramente reparo se uma pessoa tem uma aparência legal ou não, mas isso se dá porque eu sou distraída e não consigo notar essas coisas)... Tudo começou com um "legal, você emagreceu, mas tá na hora de depilar o buço, a sobrancelha...". ~pausa para dizer que: emagreci por questões de saúde, já que eu não me considerava gorda, apesar de hoje perceber que sim, eu era enorme, mas aos meus 17 anos eu me achava lindíssima com 76 quilos e minha autoestima era bem melhor do que a que carrego hoje em dia, vinte quilos mais magra, inclusive~ Não, eu nunca havia tirado sobrancelha ou depilado o buço até dois anos atrás. "Que absurdo, onde já se viu?!" Gente, nunca dei bola pra essas coisas e DETESTO depilação com todo o meu pequeno ser de um metro e meio. Mas comecei a me depilar porque não queria chamar atenção. E eu chamava. Era a única garota da escola que não se maquiava, usava roupas esportivas (de moleque, porque é mais fácil pra fazer corrida) e, ainda por cima, não fazia o que o povo chama de ~cuidados básicos~, ou seja: depilação de buço/sobrancelha.

Então comecei a "me cuidar": maquiagem diariamente, até pra ir à escola, cabelo pintado (porque eu passei a me sentir feia naturalmente, minha autoestima foi pra o lixo e resolvi que tinha de mudar tudo para ficar bem, para valorizar meu "potencial"), roupas femininas e mais justas ao corpo, unhas longas, mega afiadas e super bem pintadas. Saía bonita nas fotos? Saía. Mas não saía bonita antes? Não me sentia melhor antes? Minha autoestima não era absurdamente alta antes? Era. Então, qual era o problema? O problema era que havia parado de me aceitar e deixado os mimimis alheios me influenciarem. E, não, não condeno quem vive sob o jugo da beleza produzida, até porque eu também já tive essa fase. Eu sei como é. E não é legal.

Cuidar de si mesma é ótimo. Há poucas coisas mais divertidas do que ir pra frente de um espelho e experimentar trocentas cores de batons (apenas para acabar usando o gloss rosa-avermelhado de sempre, risos). Mas não é diversão o que vejo por aí ou o que eu estava experimentando em minha fase "em busca da beleza perfeita". O que vejo é um bando de meninas de cara amarrada porque não conseguiram esconder as olheiras e julgando outras meninas por conta dessas mesmas olheiras mal-disfarçadas. Há algo de errado com olheiras? Bem, tirando os problemas de saúde que podem estar correlacionados a elas, não há nada de errado. Nada de inaceitável. Nada de "deuzôlivre se meu namorado me vir assim".

Dia desses me enviaram uma ask (no meu Ask.fm) dizendo que o dia em que meu namorado me vir sem maquiagem, de cara lavada, sairá correndo. E né? Ele me vê assim diariamente. Porque há quase um ano parei de usar maquiagem pra sair de casa (só uso em ocasiões especiais). Saio todos os dias às 5h e pouca da manhã pra ir ao curso (onde ele também estuda) e não, eu me recuso a me maquiar de madrugada apenas para esconder o fato de que, sim, eu sou uma pessoa real cuja pele é cheia de pintinhas, que tem marcas de expressão, que tem olheiras, que não tem uma boca naturalmente vermelha feito a Snow White, que tem carinha de sono logo pela manhã e alguns cravos no nariz. Faz parte de quem eu sou. E é assim que ele me vê diariamente - aliás, o moço nunca me viu arrumada, risos. Imagino que o dia em que ele me vir arrumada MESMO (ou seja: roupa mais bonitinha, sem ser a do dia a dia, maquiagem, penteado mais elaborado...) levará um susto.

Hoje em dia estou recuperando aos poucos minha autoestima. Parei de me preocupar tanto com peso (só me preocupo agora em mantê-lo por questões de saúde, já que não posso passar de x quilos, mas larguei de mão a obsessão por emagrecimento), deixei a cara completamente lavada, parei de tingir o cabelo e de tentar defini-lo (ele tem uma cor indefinida, sim, não é liso ou cacheado, sim, é todo cheio das indefinições, assim como eu mesma, por sinal), parei de usar saltos e roupas desconfortáveis apenas para me sentir aceita pelos outros.

Houve um tempo em que nem ao menos sorrir eu sorria, já que falavam que meu sorriso é grande demais, as gengivas aparecem demais, os dentes de menos (tenho dentes pequenos e arredondados, feito criança mesmo) e que tudo isso é muito estranho. Hoje em dia sorrio quase o tempo todo, sem ser aquele sorriso de meia lua, mas sim um sorriso de lua cheia, com vontade, sem tapar a boca com a mão para que ninguém visse a imperfeição do sorriso da pessoa que se recusa a fazer tratamento estético para diminuir a gengiva (nunca, jamais).

Não vou entrar no mérito de "sigam meu exemplo" porque cada um tem uma história, cada história tem seu próprio processo de desenvolvimento e há quem realmente lide bem com a pressão da beleza estereotipada, há quem se sinta bem usando maquiagem, salto e blablabla. Eu não me sentia e parei com tudo isso. Entrei na campanha #stopthebeautymadness sem nem ao menos conhecê-la. E ó: nunca fui tão contente comigo mesma antes.

 Sem maquiagem, sem esconder o sorriso, sem chapinha, sem coisa alguma, mas com muita alegria no coração e com a autoestima cada vez subindo mais. 

Resumo literário do oitavo mês

Nem sempre eu consigo escrever resenhas.
Não adianta, às vezes o livro foi tão bom que não consigo expressar ao certo o que ele representou. Além disso, também há o fato de que eu leio pra caramba. MESMO. Então resolvi começar a fazer resuminhos literários dos lidos naquele período de 30/31 dias ao final/início de cada mês por aqui.

Entonces... bora:

Comecei o mês lendo "A história sem fim" e posso dizer que foi o melhor livro de fantasia já lido até agora. Sim, melhor que Harry Potter, melhor que Tolkien, melhor que qualquer coisa já lida desse gênero antes. Gente, que livrinho genial.

Em um quote: "Naquele momento, Bastian fez uma importante descoberta: podemos estar convencidos durante muito tempo — anos talvez — de que queremos alguma coisa, se soubermos que nosso desejo é irrealizável. Porém, se de súbito nos vemos diante da possibilidade de este desejo ideal se transformar em realidade, passamos a desejar apenas uma coisa: nunca tê-lo desejado."

Meu problema com esse livro é um só: não há sentido algum. E eu sou uma pessoa que precisa de sentido na vida. Porque se for pra ler algo nonsense, abro qualquer um dos meus diários. Mas, para quem gosta do jeito kafkiniano de ser...

Em um quote: "Para vencer a esterilidade, arremeti-me sobre o papel, disposto a escrever uma história, mesmo que fosse a mais caótica e absurda. Entretanto, o desespero só fez crescer a dificuldade de expressar-me. Quando as frases vinham fáceis e enchia numerosas laudas, logo descobria que me faltara o assunto. Escrevera a esmo."

"Enfrentando o fogo" é, de longe, o meu livro preferido da Trilogia da Magia. E a personagem principal desse livro tem meu nome e é parecida comigo em vários aspectos. Ou seja: muito amor. ♥ LEIAM ESSA TRILOGIA.

Em um quote: "Não há nada mais romântico do que caminhar pela vida, em meio a todas as suas reviravoltas, com alguém que você ama. Alguém que ama e compreende você. Alguém que vai estar ao seu lado nos grandes momentos. Filhos, netos, uma casa nova, uma promoção merecida. E também para as horas más.  Doenças, um jantar queimado, um mau dia no trabalho."


Eu diria facilmente que "Bonsai" foi a melhor leitura do mês se eu não houvesse lido "O incêndio de Troia" logo depois. Que livrinho amor. E menos de 100 páginas ele conseguiu tatuar-se em minha alma. Literatura chilena = ♥

Em um quote: "Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida? Disse isso, e Julio estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida." 

Tenho um amor literário por Marion Zimmer Bradley desde a leitura de "As Brumas de Avalon". Foi só o tempo de abrir o embrulho em que veio "O incêndio de Troia" para iniciar a leitura e não largá-lo até concluí-la. Que livro maravilhoso. Uma das melhores leituras do ano, talvez da vida! Mais do que recomendado.

Em um quote: "Talvez todos aqueles que veem mais longe do que o resto sejam considerados loucos pelos que não podem ver além da primeira refeição do dia seguinte." 


Sim, eu li "Ana Karênina". E, olha, que surpresa. Pensei que fosse ser uma leitura difícil, pesada, mas... bem pelo contrário. O vocabulário é super tranquilo (e minha edição era de mais de 50 anos atrás), a história é envolvente e minha vontade foi de marcar o livro inteiro, risos. Vale a pena; muito.

Em um quote: "Todas as famílias felizes são parecidas; mas as infelizes o são cada uma à sua maneira." 

Pensem num conto perfeito para amedrontar criancinhas. Pensem num cenário de filmes de terror infantis da sessão da tarde: lareira, inverno, chocolate quente, história bobinha, mas que rende sustos nas mentes mais suscetíveis das crianças... É nessa linha que fica "A lenda do cavaleiro sem cabeça". Um terrorzinho infantil bem leve e despretensioso.

Em um quote: "Uma terra prazerosa de cabeça sonolenta era essa, de sonhos que ondulavam perante o olho semicerrado, de castelos alegres e nuvens que passam, eternamente fluindo num céu de verão iluminado." 

Vou ferir o coração de vocês se disser que não gostei de "A revolução dos bichos"? Porque, olha, não gostei. Sim, eu entendi o contexto da obra. Sim, eu sei que todos parecem ter uma fascinação por esse livro. Mas... gostei de alguns trechos, não da obra inteira. Porém, ainda assim, recomendo-o para quem quiser ter uma visão mais ampla de certos aspectos sociais.

Em um quote: "Lembrai-vos também que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. [...] Todos os animais são iguais." 

Encerrei o mês com um livro de Gabriel García Márquez e, gente, peguei amor pelo autor! Já havia lido um livro dele e assim que tive a oportunidade de ler "Crônica de uma morte anunciada", não perdi tempo e iniciei a leitura no mesmo instante. Que livro incrível! É uma história sobre honra, sobre vida, sobre morte, sobre paixões, sobre decisões estúpidas que tomamos por orgulho. É uma história sobre ser humano.

Em um quote: “(…) me recusava a admitir que a vida acabasse por se parecer tanto à má literatura.” 

Não foram muitas as leituras deste mês (apenas 9 livros, sendo que muitos deles são pequenos), mas foram, no geral, boas leituras. E acho que é isso o que vale, né? Que a leitura seja boa e não apenas numerosa. Como escreveu Kafka: "Apenas deveríamos ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para que lê-lo?".