Lendo mulheres 2017 ou por que me comprometo a apoiar a literatura feminina

Estava organizando a minha listinha de livros lidos e me dei conta de que dos 24 lidos até agora, 15 foram escritos por mulheres. "Tá, mas e daí?" - você pode me perguntar. E daí que isso é muito bacana porque, não sei se você já se deu conta, mulheres não são muito lidas. Ou publicadas. Ou valorizadas pelas editoras ao conseguirem, finalmente, publicar um livrinho. 

Durante o tempo em que estou no Jornalismo, tenho trabalhado com jornalismo cultural e escrevi bastante sobre mulheres, literatura e literatura escrita por mulheres. Uma das reportagens que escrevi (junto com a Sofia e a Annie) se chama A literatura não tem rosto de mulher, e pra fazer isso a gente foi atrás da desigualdade do mercado editorial que não publica mulheres e, quando o faz, acaba premiando e destacando homens ao invés de dar valor às suas escritoras. Sempre quis valorizar bastante escritoras, mas só entendi a real importância disso ao entrevistar mulheres que escrevem e pesquisar dados concretos sobre como funciona o mercado editorial e literário no Brasil e no mundo. Spoiler: é uma droga. O mercado é extremamente machista e, basicamente, as escritoras só fazem sucesso se escreverem romanções, aquelas histórias bem Nora Roberts. O que não tem nada de errado, mas o problema está em resumir a literatura feminina a isso: histórias de amor. 

Só que eu, mesmo assim, não fiz nenhum projeto pra ler mais mulheres ou apenas mulheres. Isso porque eu gosto de ler de tudo e, apesar de saber do mercado literário vigente, que mal abre espaço pra escritoras, tenho trocentos escritores na minha lista de livros para ler e leio o que o coração mandar: não costumo fazer listinha organizada das leituras do mês/ano, apenas vou pegando nas estantes o que me chamar na hora. Foi por isso que me surpreendi pra caramba ao perceber que o que mais tem me chamado, nos últimos meses, são aqueles livros escritos por mulheres. Nada disso foi programado, mas tem sido incrivelmente bom. 

Semana passada, escrevi pra o Valkirias uma ode às escritoras clássicas e lá eu falei algo que repito aqui: não adianta a gente ficar falando da importância de ler mulheres, de como temos de derrubar o patriarcado, dos males que o machismo causa, de como a literatura é repleta de horrores como romantização da pedofilia e relacionamentos abusivos (e nem vamos entrar no estupro como recurso narrativo) se a gente não fizer o óbvio: apoiar as escritoras. 

"Ai, mas eu leio Clarice blablabla". Okay, filhote, acho louvável, acho bacana, acho supimpa. Só que: nós também escrevemos. Eu escrevo. Conheço mais de dez meninas que escrevem pela internet afora. E tenho algo bem importante a dizer: se antigamente os livros eram publicados em folhetins, capítulo a capítulo, hoje em dia a gente publica tudo em blogs, newsletters e mediums da vida. Um dos livros mais marcantes que li durante esse 2017/1 foi, inclusive, de uma blogueira e suas páginas são cheias de diarices e causos da vida real. Sim, isso também é literatura. Sim, isso também é válido. 

A gente tá fazendo literatura agora e tem que se apoiar, tem que ler a coleguinha de internet, tem que parar de se automenosprezar achando que o que se faz não é tão bom quanto o que o pessoal que entrou pra o grande cânone artístico fez. Ninguém sabe o que está fazendo, mas a gente precisa começar a se levar a sério como escritoras, leitoras ou artistas. 

Quer dizer, quando se para pra pensar que Virginia Woolf começou sua carreira escrevendo resenhas literárias pra revistas/jornais da época - e, se pararmos mais um pouquinho pra ver o contexto de como era uma revista/jornal da época e percebermos que as coisas não eram como hoje, de fato, e que tudo era bem mais simples e em menor escala -, aí talvez comecemos a parar com essa autossabotagem que faz com que a gente nem se leve a sério como produtoras culturais - que é o que todas nós, blogueiras, youtubers e gente que escreve é - nem leve a sério as amigas escritoras e/ou as outras mulheres que têm escrito tanta coisa bacanuda por aí que a gente deixa de lado pra ler mais um escrito enfadonho do Faulkner só porque algum dia um professor disse que temos de ler Faulkner. 

Nós temos de ler o que quisermos, mas realmente tenho cada vez mais me perguntado se a gente lê o que nos agrada ou lê o que as editoras nos empurram. Inclusive, estudando Teorias da Comunicação - e passando muita raiva no processo -, me questiono mais ainda se temos, de fato, alguma dúvida a respeito disso porque QUERIDA, vejebem, num mundo em que existe algo como agenda setting, em que gente da mídia escolhe a dedo os assuntos que serão falados e os que serão esquecidos, cês realmente acreditam que leem Daniel Galera porque ele é bom e deixam a Natalia Borges Polesso de lado porque não gostam de literatura alternativa? Ah, tá. Também me pergunto quem irá querer nos ler se nós não nos lemos e não queremos a nós mesmas? São questões. Mas entre todas essas questões, continuamos resistindo, escrevendo e lendo. E nos dando conta da falta que (ainda!!!) fazemos no mercado editorial formal & informal. 

Não querendo ser a aquariana revolucionária e do contra, mas já sendo, pois Aquário na casa 3: a literatura tem rosto de mulher, sim, e digo mais: tem o nosso rosto. Tem o rosto dos poemas que falam sobre abuso da Rupi Kaur, tem o rosto das crises de ansiedade ao viajar da Jenny Lawson, tem o rosto dos mundos saídos de um futuro distópico da Ursula K. Le Guin, tem o rosto da ditadura chilena vivida pela Isabel Allende.

A gente é a nossa literatura, então que tal olharmos pra nós e sabermos disso de uma vez por todas ao invés de ficarmos afundadas num abismo de insegurança e de ó vida, ó céus, como sou horrível e não consigo fazer nada direito e todo mundo consegue sucesso menos eu, o que fazer?

APOIE AZAMIGAS. 
SE APOIE.
ACREDITE EM VOCÊ. 



.livros escritos por mulheres lidos até agora: 

1. A face da guerra - Martha Gellhorn 
Martha Gellhorn foi uma das primeiras mulheres correspondentes de guerra e escreveu de uma forma incrivelmente sensível sobre os conflitos horríveis do século XX. É algo tocante e real, de uma forma bem diferente dos relatos que temos de correspondentes homens. 

2. Despertada - P.C. Cast e Kristin Cast
3. Destinada
4. Escondida
5. Revelada
6. Redimida 
Série de vampiros adolescentes wiccanos que terminei no início deste ano e, gente, além de mãe e filha a terem escrito em conjunto, elas deram vários VRÁÁÁÁS na cara do patriarcado, isso porque a sociedade vampírica da House of Night é MATRIARCAL. Tem outras coisas também, mas só ao saber disso já dá pra ter uma ideia da vibe maravilhosa desses livros.

7. A elegância do ouriço - Muriel Barbery
Livrinho heartbreaking sobre amizade, disparidade social e a solidão da mulher pobre que quer se informar, mas não pode sair do papel que a sociedade lhe impõe. Tristíssimo. 

8. Heartlight - Marion Zimmer Bradley
9. A teia de luz
10 A teia de trevas
11. Os ancestrais de Avalon 
Decidi ler toda a série Avalon e tá sendo muito incrível porque PENSE EM MULHERES FORTES. Avalon também funciona como uma sociedade matriarcal e eu amo demais essa história, todos deveriam lê-la. Marion foi uma das melhores escritoras que já passaram por este planeta e a gente precisa falar mais sobre o feminismo de Avalon. 

12. Vincent - Barbara Stok
A história de Van Gogh retratada pelo olhar sensível e extremamente poético da Barbara. Vale tanto a pena, é tão lindo que eu só posso deixar aqui a recomendação forte. 

13. Alucinadamente feliz - Jenny Lawson
O mais incrível nesse livro é que ele é real. Jenny é gente como a gente e escreve sobre como é ser uma mulher com trocentos transtornos psicológicos - mas o de ansiedade sendo o predominante - e ainda ser feliz, alucinadamente feliz, só de raiva. 
Poesia feminista de uma autora indiana. Eu realmente preciso dizer mais alguma coisa? 

15. Profissões para mulheres e outros artigos feministas - Virginia Woolf 
Livrinho incrível que se acha em praticamente qualquer livraria e que contém várias resenhas literárias da Virgininha criticando a forma como as mulheres são retratadas na literatura. É sensacional de verdade e leitura necessária pra vida. 


*texto publicado originalmente na minha newsletter; se quiser receber textos diretamente pelo seu e-mail, assine a news aqui 

A gente sai da 5ª série, mas a 5ª série não sai da gente

E aí que ontem duas meninas riram da minha cara. Na minha cara. Em contextos diferentes.

Na noite das risadas estridentes, tudo começou quando, um pouco antes da prova de Comunicação Comunitária, a professora decide, num sorteio (!!!), que a bendita prova será em dupla. A menina com quem eu faço dupla não tinha ido à aula e aí eu fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fiquei sozinha.

Porém, professora perguntou se alguém não tinha dupla. Eu não ia levantar minha mão porque estava agradecendo por não ter dupla, inclusive. Sou uma alminha solitária e adoro fazer as coisas sozinha. Mas tinha uma menina na minha frente que levantou a mãozinha e disse que estava sem dupla, o que farei, ó vida, ó céus. Aí a tonta fez o quê? A tonta disse "oi, eu também tô sem dupla; quer fazer comigo?". Por que eu fiz isso? Porque sou caloura, claramente. A menina olhou bem pra minha cara, olhou BEM, deu uma gargalhada maligna, virou as costas e foi sentar noutro lugar, bem longe e sozinha.

Fiquei com cara de Nick Miller perdido:


Mas okay, vida que segue, não é como se eu estivesse ~me importando~ mesmo, estava apenas tentando ser legal, mas aparentemente isso saiu de moda enquanto eu dormia. Coisas da vida.

Terminada a prova, fui pra o intervalo porque em seguida teria apresentação de trabalho.

Atentemos para: apresentação de trabalho, também conhecido como antessala do inferno. Porque apresentação de trabalho nada mais é do que ficar na frente de um monte de gente que tu não conhece direito, mas com quem é obrigada a conviver diariamente, e falar sobre coisas das quais tu não entende, mas sobre as quais leu um pouco durante a semana, tudo porque a professora acha que essa é a melhor dinâmica para a aprendizagem. Gostaria muito de explicar que a melhor dinâmica seria eu ir pra casa dormir após uma prova, mas tudo bem.

Pois bem. Então, fui lá apresentar o trabalhinho com meu grupo. Todos alinhados, bonitinhos, falando sobre teorias da comunicação, quando percebo uma movimentação estranha na sala. Vou olhar e vejo que tem uma menina rindo loucamente da minha cara. Quem era a menina? A louca do sábado de manhã. SIM. Cada vez que eu abria a boca pra falar alguma coisa, a criatura ria. E nem dava pra dizer que ela tava rindo de algo do celular porque a querida sentou BEM na frente, na primeira fileira, e não estava com o celular em mãos. O que fiz eu? Fiz nada, né. Terminei a apresentação, ri também porque a vida, que ridícula, peguei as minhas coisas e fui pra casa, que eu não ia ficar pra o resto da aula pra ver uma pirralha rir da minha cara, não, hein.

Fazia uns bons anos que alguém não ria da minha cara, assim, na lata mesmo, sem disfarces.
Senti toda a vibe da 5ª série voltar, quando cada respiração era motivo pra risadas e bullying porque gorda, feia, esquisita, bruxa, gótica e Noiva Cadáver (adorava esse, hahaha).

Agora, vamos conjecturar sobre SOFRER BULLYING NA FACULDADE. Aliás, pior do que isso: praticar bullying na faculdade. Que vibe errada, hein? A pessoa com mais de 18 anos na cara não deveria ter permissão de pisar numa universidade se não souber que estamos todos ali apenas pra conseguir um diploma, não pra rir da cara das coleguinhas. Não sei lidar com gente imbecil, desculpaí.


Hoje o dia está particularmente difícil. 
E, assim como a Lorelai, eu queria dar uma de Wild (Livre, numa das traduções mais bacanas e, ao mesmo tempo, contempladas por uma alminha livre, que já vi), encarnar a Reese Whiterspoon trabalhada no entendam-se com minhas advogadas e caminhar por um ano, em linha reta, até que toda essa coisa que se tornou a minha vida ficasse para trás. 

Mas nem posso. 

E mesmo que pudesse, de que adiantaria? Não adiantaria de nada, pois o que me incomoda tá muito mais aqui dentro do que lá fora. E aí, faz o quê? Aí se senta no chão do mercado e se balança pra frente e pra trás meio catatônica porque sem condições, mermão. Apenas isso. 

*

Pessoa querida me pergunta se tá tudo bem. 
- Tá. 
- Tem certeza? 
- Tenho. 
- Mas o que tu tem? 
- Eu só tô cansada. 
- É mesmo? Não parece só isso. 
- Hm. 

As pessoas não compreendem o conceito de cansaço. Quando eu tô cansada, não fico apenas fisicamente esgotada, mas também fico irritada. Nada demais, juro. Basta me dar um chocolate, colocar HIMYM na Netflix e me deixar quietinha. Logo, logo já estarei bem. :)

Sucked. So, so much.

Mal posso esperar pelo dia em que finalmente serei paga pra ler livrinhos e escrever sobre eles. Enquanto esse dia não chega, sublimo e sigo em frente.

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me, or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine ♪ 

Outros jeitos de usar a boca

Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur
208 páginas
Planeta
Ano de publicação: 2017 
Sobre o que é: Rupi Kaur é uma moça indiana que vive no Canadá e sente muito. Um dia, não aguentando mais, começou a escrever poeminhas sobre esse sentir e desde então não parou mais. Nesses poemas, ela fala sobre como é ser mulher num mundo patriarcal, sofrer abusos, violências de todas as espécies e ainda assim continuar. É um livrinho sobre sobrevivência e resiliência. 

Por que ele é bom? Eu amo poesia. Acho que a primeira literatura que realmente peguei pra ler quando comecei a ter consciência do que escolhia pras minhas leituras foi poesia. Mas algo que me incomoda desde a infância é como os grandes poetas são homens e falam de seu universo masculino. Sim, os poemas são lindos, mas não são realmente sobre mim, sobre nós, mulheres. 

Aí, um dia, estava eu na livraria à procura de um presente para uma amiga quando me deparei com esse livro. Achei bacana o título, a capa... E o abri. Quando comecei a lê-lo, as lagriminhas já me vieram aos olhos porque RECONHECIMENTO. 

Rupi é gente como a gente, que publica poemas na internet pra falar de suas dores e colocar trauminhas pra fora. Como eu sou também pessoa que escreve, senti uma identificação tremenda com as coisas que ela escreveu. 

Mas, tirando essa visão completamente subjetiva, o livro é bom porque são poemas que não seguem a forma padrãozinha de versinho-rimado-métrica. São poemas que deixam de lado essa vibe Vinicius de Moraes de ser. Todos os versos são escritos em linguagem simples, da forma como a gente fala, e falam sobre coisas do nosso dia a dia, como menstruação, pêlos, ser mulher e as coisas que sofremos por conta disso. 

É lindo, lindo, lindo. E forte. Necessário demais. 

Por que ele é ruim? Não tem como arranjar um porquê pra ser ruim. É simplesmente maravilhoso e já o li 3 vezes em apenas uma semana. Ou seja.

Mas, se você já tiver sofrido um estupro, isso vai te fazer chorar. MUITO. Eu sei que chorei horrores. Só que não foi um choro ruim, e sim um choro libertador, de sentir que passei pelas coisas, mas não me tornei elas. E essa é a vibe do livro todo.

~imagens reais de como fiquei ao terminar a leitura~

Se eu recomendo a leitura? Nem sei o que você está fazendo aqui que ainda não foi conhecer os poemas maravilhosos dessa mulher. 

Em um quote: 
meu coração me acordou chorando ontem à noite
o que posso fazer eu supliquei
meu coração disse
escreva o livro 

Resuminho de abril

Era pra ter saído na semana passada, mas foi uma semana de provas & trabalhos e não havia possibilidade de eu fazer qualquer coisa que não fosse estudar, portanto cá estamos, em plena METADE DE MAIO pra falar do que foi essa crazy little thing chamada abril.

Estou em estado de choque por perceber que junho está a 18 DIAS de distância, as provas finais do semestre já estão chegando e já se foi metade do ano. COMASSIM? Não pode ser isso. Não pode, mas é. Como lhedar? Olha, não sei, mas seguimos em frente.

Abril foi mês de Páscoa, de um BEDA fajuto com as migas do Cilada (♥) e de muitas aloprações. Não li tanto quanto gostaria, mas foram leituras bacanas.

.do que li 

Em abril, li 5 livros e metade um outro - terminado apenas em maio porque a vida, ela é louca. Poderia ter lido mais, porém: FERIADOS. MUITOS. E eu passo os finais de semana/feriados com meu namorado, ou seja: não vou parar pra ler, não, desculpaí. Mas, mesmo assim, foram todas leituras excelentes.

1. Há algum tempo, uma amiga do meu namorado havia me emprestado o Contos maravilhosos, infantis e domésticos (irmãos Grimm), que são os contos originais que eles copilaram e tal. Só que eu demorei pra ler porque essa edição é tão maravilhosa - SDDS Cosac Naify - que tinha medo de tirá-la de casa e estragá-la, hahahaha Porém, li e é simplesmente sensacional, apesar de que: que contos perturbadores, hein. O povo alemão trabalhava muito numa vibe a coisa mais assustadora é a vida real, não saiam para a floresta, crianças. Mas total vale a leitura.

2. FINALMENTE terminei a leitura de Fausto (Goethe). Uma salva de palmas, por favor.
~obrigada, obrigada~ 
"Mas tu demorou tanto pra ler isso porque é ruim?" Não. Demorei porque cada vez que eu pensava em pegar o livro, vinha um desânimo porque POEMA PEDANTE ALEMÃO. Mas é bacana, sim, bem divertido. Só que tem que ter saco pra parar e LER, de fato. O que, vamos combinar, nem sempre, porque não.

3. Aí eu queria ler algo mais querido e sem tanta pompa, e foi quando lembrei que na minha lista de leitura tava Vincent, uma HQ muito amorzinha da Barbara Stok, que fala sobre os últimos anos de vida de um dos maiores artistas de todos os tempos, Vincent Van Gogh. Já escrevi sobre ela aqui porque foi PURO AMOR ♥

4. Pra finalizar abril, li uma das coisas mais sensacionais e sinceras já lidas: Alucinadamente feliz, da Jenny Lawson, é um daqueles livros que fazem com que a pessoa queira ler tudo da autora. Isso porque ela é gente como a gente, blogueirinha que fala da vida, do universo e tudo o mais, e colocou suas desventuras de pessoa perturbadinha vivendo com transtornos psicológicos (alô, ansiedade!) e sendo feliz só de raiva.

.do que vi 

Não havia me dado conta de que vi tantos filmes assim em abril, mas vendo a minha listinha agora percebi que: CARAMBA. Santos feriados, hein.

Foram 6 filmes e 2 séries vistas em abril - e, sim, eu considero isso bastante, porque a vida da pessoa universitária que trabalha não permite maratonas gigantescas, não -, e deu pra conhecer muita coisa bacana e outras nem tanto.

1. Namorado ficou espantadíssimo quando descobriu que eu nunca havia visto Reservoir dogs, do Tarantino. Aí, tratamos de ver. Mas: achei a narrativa inovadora pra época, porém não gostei, não, hein. Mas tenho de ser sincera: não gostei porque não é o meu tipo de história, não porque seja, necessariamente, ruim. Entendo por que as pessoas gostam bastante.

2. Já deu pra perceber que namorado é meu grande parceiro de filmes e séries, né? Pois bem, ele também ficou espantado ao descobrir que nunca havia visto Deadpool e decidiu que tinha chegado a hora. Mas não rolou amor: em todo o filme, dei apenas uma risada. Achei tudo bem ridículo, e não de uma forma boa, como deveria ser. "Ah, mas tu não entendeu o filme, ele é pra ser ridículo e escrachado mesmo." Gente, vamos parar de dizer que o outro não entendeu alguma coisa só porque ele não gostou? Agradeço. Achei tosco de uma forma ruim, não ornou com a minha essência, ponto. É forçado demais. Parece Me, my wife and kids, só que com poderes especiais. Menos, bem menos.

3. Assim como todo mundo, eu também parei pra ver 13 reasons why, e né? Complicado. Tenho a dizer algumas coisas, mas não sei se valem a pena ser ditas - já que TODO MUNDO JÁ ESGOTOU O ASSUNTO, não é mesmo?! - e também nem sei se são válidas porque o povo que lê este blog não é bem o mesmo pra quem essa série é destinada, então vamos ficar caladinhas e deixar que o universo se estapeie idolatrando/odiando a série. Só tenho a dizer que: Clay é babaca, sim, é todo mundo babaca, é uma série de adolescentes, pelamordadeusa, entendam isso. Bjos.

4. Aí vimos uma coisa que não estava a fim de ver porque namorado me mostrou o trailer e tinha uns caras brigando com seus carros (????) e olha bem pra minha cara de quem gosta de carros. Mas vi que tinha Darín no elenco e FILME ARGENTINO, me animei e paramos pra ver. Gente, que filminho ♥♥♥♥♥ É assim: filminho de contos de gente selvagem (hahaha) e violenta, mas não a violência a que estamos acostumados a ver em jornais, e sim aquela que vivenciamos/praticamos dia a dia e nem nos damos conta. Relatos selvagens é muito, muito, MUITO bom e todos deveriam parar uma tarde de suas vidas para ver, nem que fosse apenas pelo último curta que se passa num casamento com uma noiva totalmente despirocada porque descobriu a traição do noivo. MARAVILHOSO!

.do que estou lendo 

1. Inventei de reler, numa leitura conjunta, A casa dos espíritos, da Isabel Allende, que é um dos meus livros preferidos da vida e conta a história de como se deu a ditadura chilena, mas tudo muito bem escrito perpassando três gerações de mulheres de uma família: os del Valle Trueba. Tá sendo mágico, mas doloroso, porque a Allende realmente viu de perto muitas coisas ali descritas e pensar que a gente passou por isso - e meio que tá passando de novo - é dolorido demais.
2. Também peguei pra ler, numa outra leitura conjunta, o Doutor Fausto, do Thomas Mann. Mas só peguei mesmo, li uma página porque final de semestre é AQUELA COISA.

.do que estou vendo 

1. A nova temporada de Doctor Who, que está simplesmente sensacional. Infelizmente, será a última temporada do Capaldão, mas tudo bem, porque está incríveeeeeeeel ♥
2. Comecei ontem a ver Anne with an E, a nova série da Netflix que é uma adaptação de um livro muito, muito amorzinho chamado Anne of Green Gables. Acho que o livro não tem tradução pra o Brasil - ao menos, só encontrei edições em inglês -, mas, até onde vi, a série tá bem bacana. Vale a pena.

.o que mais teve? 

Abril foi mês de BEDA, e as gurias do Cilada e eu fizemos um Beda fajuto, porque a nossa ideia era postar mais, mas não todos os dias - porque pelamor, não é como se tivéssemos tempo no momento, não é mesmo? E foi bem legal. Alguns dos meus posts preferidos dessa cilada coletiva:
Quem tem medo de clássicos, da Ana Luíza
Top 7 galãs das antigas, da Manu
Juntando os pedaços, da Michas

Por aqui, no blog, os meus preferidos do BEDA fajuto foram:
Você já ouviu a palavra de Jodorowsky hoje?
7 clássicos da literatura que me dão medo

~um gif do Mr. Darcy na chuva porque gifs do Mr. Darcy na chuva nunca são demais~ 

Uma das coisas mais fantásticas que aconteceram em abril foi que EU ENTREI PRA EQUIPE DO VALKIRIAS, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH ♥ E tá sendo muito amor, gente. Queria ter mais tempo pra escrever mais textões, mas tudo bem, o importante é fazer aquilo que se gosta com gente bacana ao seu lado. E falando em gente bacana e no Valkirias, em abril escrevi um texto pra lá junto com a Thay - que tinha um blog maravilhoso chamado Dreams, mas desativou, porém ainda espero a volta dessa moça à blogosfera nossa de cada dia - sobre Doctor Who: mulheres incríveis no espaço e tempo. TÁ MUITO LINDO, VÃO LÁ CONFERIR!

E é isso, gente.
De resto, teve a Mia bem maluca correndo atrás de fonte, pauta, essa crazy little thing called vida de estudante de jornalismo. Mas sobrevivemos. Sempre.

.01 lembrete 

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Vincent, a HQ mais amorzinha que existe

Vincent
Barbara Stok

144 páginas
L&PM
Ano de publicação: 2014 
Sobre o que é: um dia, Barbara Stok decidiu ilustrar a vida de um dos pintores mais incríveis que o mundo já conheceu: Vincent Van Gogh. Vincent era uma alminha atormentada e passou muito tempo fazendo tratamentos psicológicos enquanto pintava seus quadros no sul da França. A dona Barbara pegou justamente esse período e registrou tudo de uma forma bem ilustrativa pra gente conhecer melhor essa pessoa hiper talentosa que foi Van Gogh. 

Por que ele é bom? VINCENT.VAN.GOGH. Querido, mesmo que a HQ fosse ruim, seria boa só por ser sobre esse homem. Ele era claramente INFP, muito sensível, idealista e problemático, e sofria de algum distúrbio psicológico (é difícil definir essas coisas hoje em dia, mas ele tinha alucinações, crises fortíssimas de depressão e afins, que total o paralisavam por dias), porém, apesar disso tudo - ou talvez justamente por isso -, o cara simplesmente colocava algo nas suas pinturas que não pode ser encontrado em qualquer lugar. Dá pra sentir a alma dele, toda a angústia que ele sentia, quando se olha pra quaisquer uma delas. 

A noite estrelada, 1889.

Aí que a dona Barbara retratou isso da melhor forma possível. Afinal, não teria como fazer um livro sobre Van Gogh sem que ele fosse ilustrado, sem que fosse uma HQ, porque né. ¯\_(ツ)_/¯ Olha que coisa mais linda:

♥ coração quentinho ♥ 

Uma das coisas mais sensacionais da HQ é que a Barbara pegou as cartas que o Vincent escreveu pra o seu irmão, Theo, e colocou vários trechos durante a narrativa, tudo muito ilustrado e se encaixando com o contexto da história.

Por que é ruim? Não é ruim. Não tem como ser ruim. Só que: Van Gogh não era uma pessoa particularmente alegre, então há muitas passagens que dão vontade de cortar os pulsos ou de abraçar o menino Vincent em posição fetal e dizer repetidamente que tudo ficará bem. Spoiler: não vai. Mas isso não é algo que atrapalhe a leitura, apenas é questão de realmente saber que a vida do cara foi um inferno e tudo bem, porque a vida de todos nós é um inferno de certa forma. A diferença é que ele fez algo com isso, algo incrível que é admirado até hoje. Mas dá uma tristeza porque sabemos que ele se ferrou tanto por conta da total falta de empatia alheia. E talvez, se tratássemos melhor as pessoas sensíveis como ele, elas não teriam um final tão terrível assim. 

Se eu recomendo a leitura? Sim, mas é claro! É uma HQ pequenininha, li durante uma viagem de ônibus, e dá um quentinho no peito porque Van Gogh = ♥


THE FEELS

Em um quote: 
Quando o que você faz dá esperanças para a eternidade, então sua vida tem razão de ser. (p. 57) 

I'm a little bit Nick Miller

Sabe quando você quer muito escrever uma coisa, mas não consegue escrever nada que faça sentido, e fica com onze rascunhos esperando eternamente por serem concluídos? Sabe quando você quer conversar com as pessoas, mas não encontra ninguém com quem possa porque tem absoluta certeza de que todos sairão correndinho quando perceberem o quão louca você é e, mesmo que achasse uma pessoa tão insana quanto você, nem saberia o que dizer porque tudo está bem e você realmente não sabe de onde vem essa sensação de despertencimento? 

Sabe quando você está passando o feriado com seu namorado e vocês estão felizes cozinhando, então ele fala qualquer coisa que não é relevante, tanto que você nem se lembra, e ele é a pessoa mais querida que você conhece, portanto certamente ele não quis te deixar cocô, mas alguma palavra ativa um gatilho em sua ansiedade e você começa a ficar com falta de ar e a boca seeeeca, e sente que vai cair em si mesma, então decide que o melhor lugar para ficar é no chão porque sofás, esses móveis mainstream, e fica meio deitada, meio sentada no chão da cozinha enquanto ele te olha com uma cara num misto de preocupação com "o que diabos se faz quando sua namorada se atira no chão da cozinha do mais absoluto nada e fica ali, paradinha, google pesquisar"? 

E você não sabe explicar que não é culpa dele ou de ninguém, é só quem você é e o que você conseguiu fazer com o que restou de sua resiliência após o último trauminha que a levou a ficar meses numa crise que era um combo de ansiedade + depressão, e agora você tem dias em que é meio a Cathy Earshaw, de Wuthering Heights, e fica insuportável mesmo, deitadinha e apenas contemplando a existência até seu cérebro aceitar que aquela vibe errada já passou e você definitivamente não precisa mais se preocupar com o perigo iminente de passar por aquilo novamente porque não vai mais acontecer e, se acontecer, você sempre pode fazer o que não fez antes, dar uns gritos, mandar todo mundo tomar no cy, dar meia volta e ir tomar uns vinhos e ver séries?

É assim que é ter ansiedade e não ter tempo de lidar com isso porque a vida adulta é um buraco negro que suga todas as suas horas e te faz usar os fins de semana pra tentar dormir, só que você não consegue porque está tão psicologicamente exausta que seu cérebro simplesmente se recusa a desligar.

Mas TÁ TUDO BEM.

~possivelmente o gif mais usado neste blog~

 
Wink .187 tons de frio.